21 fevereiro 2016

Berlinale 2016 - Balada de um Batráquio

Faz um bocado de impressão estarem todos a falar do ouro para a curta "Balada de um Batráquio", louvando por ser ouro, por ser mulher e por ser tão jovem. E por ser portuguesa, claro.

O filme é mesmo curto. Se me deixassem mandar, tirava do telejornal meia dúzia de minutos de futebol e de peças tipo "como é que se sentiu?", e passava este filme em horário nobre. Para que todos saibam de que estão a falar.

É que o mais impressionante não é ser ouro para Portugal, nem para uma mulher, nem para uma jovem. O mais importante é que este filme é um bofetada muito bem dada nos nossos brandos costumes, e na cegueira com que convivemos diariamente com o racismo e a exclusão.



(Entrevista com a Leonor Teles a partir de 7:30)


Do programa da Berlinale:


BALADA DE UM BATRÁQUIO clip#01 from Uma Pedra no Sapato on Vimeo.

“Once upon a time, before people came along, all the creatures were free and able to be with one another”, narrates the voiceover. “All the animals danced together and were immeasurably happy. There was only one who wasn’t invited to the celebration – the frog. In his rage about the injustice, he committed suicide.” Something Romani and frogs have in common is that they will never be unseen, or stay unnoticed. In her film, young director Leonor Teles weaves the life circumstance of Romani in Portugal today with the recollections of a yesterday. Anything but a passive observer, Teles consciously decides to participate and take up position. As a third pillar, she establishes an active applied performance art that becomes integrated in the cinematic narrative. Thereby transforming “once upon a time” into “there is”. “Afterwards, nothing will be as it was and the melody of life will have changed”, explains a voice off-camera.


2 comentários:

Guilherme Alexandre disse...

onde é que se poderá ver este filme na integra?

Helena disse...

Penso que mais cedo ou mais tarde aparecerá na tv ou no youtube. Por enquanto, convém que não esteja disponível. Como me explicaram no facebook:

"o que interessará à produtora do filme é exibi-lo em sala e, só após isso, em tv (o sentido do circuito tem de ser esse, não pode nunca ser ao contrário). não só porque os filmes são para ser vistos em sala de cinema, mas porque é prestigiante para o filme ser estreado em sala e é um dado muito importante na avaliação da carreira, artística e comercial, do filme e da produtora. ter ganho o urso de ouro abre-lhe imensíssimas portas , não só a nível nacional, mas também internacional - vendas ara televisões estrangeiras, acordos para estreias em salas (mais difícil que aconteça no estrangeiro, por ser uma curta) e, claro, presença noutros festivais de cinema internacionais. é uma chancela do caraças, mesmo. "