28 maio 2015

isto está mesmo muito mau para a Humanidade...




Que estaria a pensar o cardeal Parolin, secretário de Estado do Vaticano, quando disse que o sim ao casamento de pessoas do mesmo sexo no referendo irlandês era uma derrota para a Humanidade? Dei voltas à cabeça, cheguei a imaginar que se teria enganado, ou que o tradutor (sempre eles!) teria percebido mal. Ele podia ter dito "una sconfitta per l'omertà" (sei lá, o silêncio imposto pela sociedade, a vida na clandestinidade, a pressão para não saírem do armário, sei lá, sou muito criativa quando se trata de tentar entender o que não dá para entender) e alguém percebeu "una sconfitta per l'umanità".

Entretanto fui ler um pouco mais, e afinal é fácil de entender: é uma derrota para a Humanidade porque esta pode acabar por falta de reprodutores. É mesmo só isto. Uffff, afinal era simples.

Ora bem: tendo em conta que é um bocadinho difícil obrigar um homossexual a reproduzir-se de forma artesanal contra a sua vontade (aliás: era por isso que os mandavam para os campos de concentração nazis, por serem vidas inúteis que gastavam os recursos - sempre escassos - sem servirem como procriadores da maravilhosa raça ariana) talvez se pudesse arranjar uma solução de compromisso? Por exemplo, por cada par de irlandeses do mesmo sexo que se casem, ir aos campos de refugiados de sírios buscar seis crianças órfãs e entregar a famílias irlandesas que as queiram criar com muito amor. Não serão ruivinhos de olhos azuis, mas pronto, também são uma parte da Humanidade. Ou então, mais simples ainda: ajudar realmente os casais que querem ter filhos e não podem, devido a dificuldades financeiras ou profissionais.

Emboramente... se é mesmo uma questão de salvar a Humanidade, em vez de andar a gastar energia a perseguir os homossexuais, mais valia centrar os esforços no apoio à vida com dignidade em todo o mundo. O que, diga-se de passagem e a bem da justiça, já é feito por muitos católicos generosos e abnegados, movidos por uma fé muito bem casada com o amor. Que também os há, diga-se de passagem.


3 comentários:

Lucy disse...

sempre certeira...pena não sers tu a traduzir os cardeais podias melhorar aquilo um bocadito...

Helena disse...

Tinha graça, tinha. O papa Francisco de um lado, e eu a fazer traduções livres do outro, entre os dois fazíamos um Vaticano III que ia ser uma festa... :)

Lucy disse...

um sonho