09 setembro 2012

portugiesischer Rafairoh

"Qual é a raça do cão?" é a pergunta que todos nos fazem.
Combinámos - no meio de muita gargalhada - inventar uma raça de nome sonante: "portugiesischer Rafairoh". Mas acabamos por dizer sempre o que é: Mischling, mistura.
"Mistura de que raças?" é a segunda pergunta que nos fazem.
(Como se dirá "filho de pai incógnito" em alemão?)

***

Na viagem do Fox para a Alemanha, um casal jovem muito simpático veio falar connosco num aeroporto. Fizeram-lhe muitas festinhas, perguntaram o nome - enfim, o costume. E pediram autorizaçao para fazer uma fotografia.
"Sim", concedi eu, "desde que não apareça depois na internet em sites de cachorrinhos nus..."
Eles riram-se: "Como é que adivinhou tão depressa as nossas intenções?"

Depois fizeram uma pergunta que ainda agora me dói: "Estão a salvar este cão de Portugal?"
Contaram que eles próprios queriam salvar um que tinha sido abandonado e não tinha ninguém que olhasse por ele, mas era grande demais, ia ser muito complicado para o poderem trazer no avião.

Bem sei o que se faz com muitos cães no meu país - e não é só o abandono, é também tê-los uma vida inteira presos a uma corrente, com meia dúzia de metros quadrados por habitat -, mas custa ouvir estrangeiros falarem assim em operações de salvamento dos cães de um país. Como se o meu Portugal fosse um país de bárbaros e atrozes barbaridades.
"Como se fosse", diz ela...

3 comentários:

Cristina Torrão disse...

Estou bem familiarizada com histórias de cães resgatados do estrangeiro (infelizmente). A maior parte deles que aparece aqui na Alemanha vem da Turquia, da Roménia, ou da Hungria. Mas também os há de Portugal e Espanha, sim. E da Grécia.

Helena disse...

Eu não sabia nada disso até há bem pouco tempo. Mas ainda há dias estive com pessoas que trouxeram três cães desses para serem adoptados aqui na Alemanha. Parece que há organizações que se dedicam a isso.
A generosidade das pessoas é algo que impressiona sempre. Este mundo não está tão roto como parece...

Goldfish disse...

Quando cheguei com a Luna a Amesterdão reparei que, estranhamente, parecia haver mais cadelas com o mesmo nome lá do que em Portugal. Com o passar do tempo fui falando com um dono e outro e acabei por saber que parte dos cães com nomes como Luna e Ramón tinham sido abandonados em Espanha ou Portugal e posteriormente adotados por holandeses de visita. Alguns até vêm de férias-voluntariado trabalhar para associações de auxílio aos animais. É triste.