03 abril 2012

arquitectura de garagens



Encontrei no mural de facebook de um amigo esta fotografia, a que ele chamou

"Oporto's Guggenheim #1"

- e eu que já nem me lembrava do siloauto! Continua fascinante.

Ouvi há tempos do arquitecto Souto Moura: quando a obra é boa, é da cidade; quando é má, é do arquitecto. Ontem, na cúpula do Reichstag, ao apontar o Hansaviertel para um casal de turistas, pensei de novo nessa frase. Sei que todos eles são projectos de nomes muito sonantes da arquitectura do séc. XX, mas não os fixei - pois se essas casas são tão nossas!

Também não sei o nome do arquitecto que fez a garagem do Comércio do Porto. Nas fotografias que tirei deste site, parece que há 100 anos de diferença entre os carros e o edifício.


Pensando bem, há muitas garagens públicas com uma arquitectura excepcional. Será que, por ser um edifício inventado apenas lá para meados do século passado para uma necessidade só então surgida, foi possível partir para novas formas, sem ter de passar por alguma espécie de corte com o passado?

Na praça da Galiza em Viana do Castelo, à direita da ponte antiga quando se entra na cidade, há uma garagem que sempre me fascinou (entre outras coisas, por um cartaz do homem Michelin que lá tinha nos anos sessenta). Curioso: eu teria não mais de seis ou sete anos, e já achava que havia naquele edifício algo muito especial. Será que a qualidade, quando é grande, até aos olhos de uma criança se revela?

25 comentários:

El Gato disse...

Estive muito recentemente no Porto, com a minha Maria e o meu estimado cunhado (arquitecto), e faziamos tenções de estacionar o carro na garagem do Comércio do Porto e aproveitar para ver como era e fotografar as suas entranhas. Acabámos por nos perder num bom restaurante ali mesmo em frente chamado "Canelas de Coelho". Fica para a próxima.
Beijos,

Carlos Azevedo disse...

Durante muito anos (infância, adolescência e primeiro anos de adulto), morei em quase em frente ao siloauto. Para encurtar a distância entre a rua Guedes de Azevedo e a minha, entrava no piso 0 do siloauto e saía no quarto piso, que dava acesso à rua de Gonçalo Cristovão.

(já agora, para quem tiver interesse: http://www.infopedia.pt/$garagem-do-comercio-do-porto)

Carlos Azevedo disse...

(O meu comentário anterior tem um «s» a menos e um «em» a mais. Enfim...)

Helena disse...

Carlos, às tantas cruzámo-nos por lá! Eu vinha da rua da Alegria, descia a rampa da Escola Normal, e atalhava ali se se me atravessava no caminho. Isto foi há tanto tempo que nem me lembrava já.

El Gato, "canelas de coelho": anotado!Para não ser sempre "irmãos unidos" para os lados dos Poveiros (feijoada e tal, que a culinária da saudade é o que tem que ser tem muita força) ou o "Farol da Boa Nova" naquele fantástico Muro dos Bacalhoeiros.
(Mas a verdade é que eu vou ao Porto mas é para jantar em casa dos amigos, onde se come muito melhor do que em todos esses restaurantes juntos.)

Carlos Azevedo disse...

Ah, a rampa da Escola Normal, onde estudei da 1.ª à 4.ª classe. Estamos em dia de reavivar memórias! :-)

Carlos Azevedo disse...

(jantar em casa de amigos parece-me sempre muito bem, mas não esqueci as bifanas ranhosas :-)

Helena disse...

Carlos, também não as esqueci!
Este ano vou poder ir ao São João pela primeira vez em não sei quantas décadas. Pelo menos duas. Se calhar começamos mesmo nas bifanas.

Carlos Azevedo disse...

Combinado! :-)

Helena disse...

sim, combinado!
:-)

Mar* disse...

Desde pequena que estes dois edifícios me fascinam e também eu gosto de atalhar caminho através do siloauto.

"Culinária da saudade" é muito bom e esta conversa à volta de comidinha tão boa deu-me uma fome danada...vou petiscar qualquer coisa!

Helena disse...

Vai, vai, Mar* (desde que não sejam os rissóis que vou receber juntamente com a chave de ouro da cidade, ali por alturas do São João...)

Eu morava na rua do Moreira. Também és daqueles lados?

Carlos Azevedo disse...

Na rua do Moreira? Eheheh, a rua do Moreira termina -- ou começa, não sei bem -- quase em frente à escola onde frequentei o 5.º e 6.º anos.

Helena disse...

Onde a minha mãe foi professora no fim dos anos 70! Tinha uma cozinheira muito gorda, com um nome pouco comum, que às vezes fazia umas empadinhas deliciosas, que sabiam sempre a pouco.
Vi-a uma vez a chorar, coitadinha: tinha experimentado fazer esparguete bolognese com soja em vez de carne, e os miúdos odiaram.

Mar* disse...

Não, fica descansada, fiquei-me por umas tostinhas de sésamo com queijo creme ;) (No S.João?! Mas isso é daqui a três meses, mais coisa menos coisa! Ai balhamadeus, que vou ter que ir a correr à Feira dos Tecidos, senão a modista nunca mais me dá conta do recado.)

Não, mas o meu pai teve escritório na Rua D.João IV durante muitos anos e o siloauto sempre fez parte das nossas vidas.

Carlos Azevedo disse...

No fim dos anos 70, já eu comia nessa cantina, pois também frequentei o jardim escola do Augusto Gil. Quanto à soja, penso que na altura ainda não estaria na moda! ;-)

Helena disse...

Carlos, nos anos 70 andava no jardim infantil? Então é da idade do meu irmão mais novo! (eu sou de 63)
Pois, na altura a soja começou a entrar na moda - eram tempos de FMI, se bem me lembro, e o Estado tinha de poupar. Onde é que eu já ouvi isto?

Mar*, tecido para quê? (agora fiquei curiosa - pensava que era mesmo só uns rissóis, não imaginei um baile de debutantes ou assim no palácio da Bolsa...) (hihihi)

Mar* disse...

Eu gosto de bolonhesa com soja, mas não digam nada ao FMI ;)

Helena, não ligues, estou a ter um dia assim a modos que cinzento e por momentos perdi-me em devaneios e já me imaginava a fazer pendant com a dita chave, cheia de dourados e afins! Mas olha que um baile a fechar a cerimónia no Palácio da Bolsa não é mal pensado...será que nos alugam o Salão Árabe?

Paulo disse...

O silo-Guggenheim do Gato está muito bem, mas essa garagem velhinha é de uma modernidade encantadora. Já a visitei com arquitectos e eles ficam sempre fascinados.

(Arquitecto: Rogério de Azevedo)

Carlos Azevedo disse...

Eu sou de 76.

Helena disse...

Carlos, de 76? Então porque é que nos estamos aqui a tratar por você?! Já parecemos aqueles portugueses no táxi em Paris a falar estrangeiro...

Helena disse...

Mar*
se vais aos dourados e afins, é desta que eu entro no Valentino e faço uma asneira! Mas é só para não parecer mal, para não ter de ouvir "olha que simpática, aquela senhora de dourado hoje trouxe a empregada de limpeza a ver a torre dos Clérigos..."
;-)

Mar* disse...

Achas?! Eu nem de dourado perco este meu ar deslavado, nasci mesmo para lagartixa. Agora tu de Valentino ia ser um must ;)

Helena disse...

hahahaha

Carlos Azevedo disse...

Helena, tu mandas! :-)

Helena disse...

aaaah, finalmente alguém que me deixa mandar!
aaaaah!
;-)