24 outubro 2011

sim, está bem, têm razão...



Pois lá terei de dar razão aos que criticam a onda geral de comoção que correu a internet quando o Steve Jobs morreu (aqui têm um post que é um óptimo três em um sobre este assunto). Mas - que querem? - fiquei cheia de pena de mim própria: por causa das coisas que ele já não vai inventar e que com certeza me iam fazer muita falta.

***

Mais ou menos a propósito, uma bela crónica do Ricardo Araújo Pereira na Visão:


São Steve Jobs



A vida de Steve Jobs mudou o mundo, mas a sua morte mudou-o ainda mais. Os zingarelhos que inventou são bonitos, divertidos, e alguns chegam mesmo a ser úteis. Mas nenhum deles causou um impacto tão profundo como o desaparecimento do seu autor. Antes da morte de Steve Jobs, vivíamos no mundo antigo; agora, vivemos no futuro. Sabemos que se trata do futuro porque é absolutamente inesperado: ninguém, nem a ficção científica mais imaginativa, o conseguiu prever. Quando eu nasci quase não havia informáticos. Depois passou a haver, mas ninguém os queria para líderes espirituais. Agora, quando um informático morre, o mundo chora. Nenhuma espécie evoluiu mais depressa que a dos informáticos: em pouco mais de 30 anos, passaram de programadores a profetas.

Sempre achei que o filme Matrix não era especialmente fantasioso no enredo. Matrix era ficção científica porque nenhum daqueles informáticos era totó. Neo, Trinity e Morpheus eram três especialistas em computadores, e no entanto nenhum deles tinha borbulhas ou usava óculos. Era um primeiro sinal de que o mundo estava a mudar. Matrix não era um aviso de que o mundo do futuro ia ser dominado por máquinas, era um aviso de que o mundo do futuro ia ser dominado por informáticos. Era uma previsão ainda mais inquietante, porque nenhum de nós, no liceu, escarneceu de uma máquina. Mas que atire a primeira pedra quem nunca fez pouco do colega que gostava de falar sobre cobol.

Confirmou-se: hoje, tudo o que tem pinta e é perigoso é feito por informáticos. Se um jovem quer ser milionário, fará bem em estudar informática, como Bill Gates. Se quer que a sua vida dê um filme, fará bem em estudar informática, como Mark Zuckerberg. Se quer ser pirata, fará bem em estudar informática, como os hackers. E se quer fundar uma semi-religião, fará bem em estudar informática, como Steve Jobs.

Quando, há dias, se soube que o Papa tinha usado o seu iPad para publicar um tweet, percebemos duas coisas. Primeiro, que é possível publicar tweets no Tweeter com um iPad, enquanto se ressalva: "Sim, mas isso do preservativo são modernices." Segundo, que a religião secular criada por Steve Jobs era olhada com benevolência pela outra, o que também era surpreendente por duas razões. Uma: porque neste tipo de negócio a concorrência não costuma ser apreciada. Duas: porque Deus costuma ficar mesmo muito irritado quando vê uma maçã trincada. A Apple tem de ser mesmo muito encantadora, para seduzir o Vaticano.

6 comentários:

maria n. disse...

Sobre "a relação primordial que se estabelece entre quem usa os instrumentos e quem os constrói" (do post no Vida Breve), e tendo a deificação de Steve Jobs em mente, nem quero pensar no que acontecerá quando o Sr. Ikea morrer.

Helena disse...

Sobre "a relação primordial entre quem usa os instrumentos e quem os constrói", nem quero pensar no que acontecerá quando morrer o nosso amigo topa-a-tudo, o que nos monta os móveis da IKEA...

;-)

(acho que a diferença é que o Steve Jobs era o professor Lampadinha lá da Apple, enquanto o senhor IKEA delegou em milhentos designers - que copiam muito bem, diga-se de passagem)

Rita Maria disse...

O texto está muito giro mas, coitado, alguém lhe podia ter corrigido o Tweeter...

Helena disse...

Se o Ricardo (vénia) Araújo (vénia) Pereira (vénia) escreveu Tweeter, daqui para a frente passa a chamar-se Tweeter.
Não é preciso corrigir nada.

(hihihihi)

Rita Maria disse...

D********dinha!

(7:30 - Sim!)

Helena disse...

Até viste estrelas, Rita?

Depois hádes explicar isso melhor...

7:30 - sim! sim! sim! :-)