14 junho 2011

Estrasburgo




É bem verdade que só sabemos dar valor ao que temos depois de o perder, como dizia Jean Paul.

Quando morava em Karlsruhe, ia todos os meses a Estrasburgo (quem conhece Karlsruhe vai perceber o fenómeno). Mas só agora, morando a sete ou oito horas de viagem dessa cidade, me lembrei de parar longamente em frente ao pórtico da catedral para apreciar a beleza da nudez de Adão e Eva no Paraíso (começo a compreender melhor as peregrinações da Idade Média...), para reparar nas caras surpreendentemente leves e bem-dispostas das noivas que se esqueceram de poupar o azeite das suas lâmpadas (tanta alegria até me lembrou uma t-shirt que a Christina tem, "come to the dark side, we have cookies" - levei quase dois anos para perceber a gracinha, e agora ando a pensar se faço de conta que ainda não percebi, ou se lha meto no secador muito quente e pronto, o que seria um caso prático da técnica ao serviço da moral...) (não, não disse nada, que acabei de me lembrar que o Matthias hoje de manhã disse alguma coisa sobre o lar de terceira idade que me vai arranjar, ai!, calateboca).

A caminho do Flamm's vi que o nosso querido Luc Arbogast ia na direcção da catedral. Óptimo, óptimo, pensei, vamos ter musiquinha!



Mas não. A música rave da gay pride parade enchia a cidade, não deixava muito espaço para contratenores.


Portanto: potentíssima música rave na Petite France, praça da catedral sem Luc Arbogast, e na FNAC não havia o livro que eu procurava. Arrependei-vos e tal, o fim do mundo está para breve, só pode ser.  Pelo menos o fim do mundo tal como eu o conhecia.

Em compensação, o novo mundo que se vislumbra não parece mau: descobri uma gelataria minúscula que tinha gelados de figo e de violeta. Ah, violeta, violeta. Fica junto à eclusa do Quai des Moulins, podem ir à confiança.

2 comentários:

Paulo disse...

Água na boca.

Helena disse...

Paulo, um dia destes levas-me a Sintra, depois eu escrevo um post sobre o passeio, depois ficas com água na boca de ti próprio - queres?
(um dia destes alguém ainda me processa por publicidade fantasiosa...)