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01 julho 2025

é muito triste nascer tão tarde!

 




Foi no domingo passado que passei de carro ao longo do Tiergarten e vi uma cena daquelas que tenho mesmo de fotografar: sobre um chão de relva iluminada pelo sol, a massa avassaladora do verde frondoso das árvores. Fiz logo a fotografia na minha cabeça: vertical, uma barra em baixo de verde mais claro, no máximo 1/6 do total, e depois aquela barreira de folhagem verde a separar-nos do calor impossível destes dias.

Mas íamos com pressa, não dava para parar.

E entretanto a Rita Dantas publicou na sua página de Substack esta pintura de Klimt. Não tão boa como a minha fotografia (as figuras humanas e aquela espécie de biombo estão claramente a mais, a barra do verde claro do chão devia ser um pouco mais alta), mas mesmo assim a ideia principal está lá.

Como é que o Klimt arranjou de me plagiar com mais de cem anos de antecedência?!

E porque não consegui eu arranjar de nascer antes dos meus plagiadores?! (Bem, se já cheguei demasiado tarde para ter a ideia original antes dos outros, ao menos invento-me este prémio de consolação: great minds think alike.) (Era bom, era... ;) )



10 fevereiro 2025

falando do tempo

 


Falando do tempo: aqui está um sol radioso, que quase faz esquecer a temperatura perto do zero. (do zero graus negativos...)

Informa-me o facebook que há 4 anos saí para passear em Grunewald, e estava um dia igualmente bonito. Publiquei esta foto, e o texto que se segue. 
(Sim, ando a trazer para o blogue as memórias do facebook, para o dia em que deixar de frequentar aquela casa.)


Vou confessar: estou tão orgullhosa desta fotografia!

🙂
(5 graus negativos e os dedos dormentes de frio, mas valeu a pena)


22 dezembro 2024

window stalker

 


Devo ser o único caso conhecido de window-stalker. Não sei quem mora por trás daquela janela iluminada, nem me interessa.
Mas sinto fascínio por esta janela que se ilumina antes de todas as outras.

("Onde é que tiraste esta foto?", perguntou-me o facebook quando a publiquei lá. O algoritmo anda a beber, ou quê? Se soubesse tanto sobre mim como se gaba por aí, sabia que tirei esta onde tiro todas as outras: no terraço da cozinha, a apanhar um frio dos diabos.)


20 maio 2023

tudo de bom


Acabei de ler a newsletter semanal "Alles Gute" do Spiegel, que só tem notícias positivas, e fiquei com vontade de dar beijinhos ao mundo. 

Na edição deste sábado (aqui, em alemão), são estes os temas:

- é possível reduzir o lixo de plástico no mundo inteiro em 80% até 2040;

- duas irmãs, de 10 e 13 anos, contam como viveram uma semana inteira sem consumir nada embrulhado em plástico ("uma amiga ofereceu-nos gomas, mas como vinham num saco de plástico, não aceitámos")
(onde está o emoji da lagriminha quando a gente precisa dele?);

- uma casa numa favela de Belo Horizonte ganhou um prémio internacional de arquitectura (podem ver imagens da casa aqui e vídeo da notícia numa TV brasileira aqui);

- mamografias acessíveis em regiões rurais da Índia, onde não existe o equipamento adequado: estão a ensinar mulheres com cegueira a usar o seu tacto apuradíssimo para detectar nódulos na mama;

- o neuropatologista Diego Sepulveda-Falla descobriu um gene que protege do Alzheimer;

- há uma nova liga de futebol: só com equipas de pessoas com excesso de peso, para lhes dar a oportunidade de praticar desporto em grupo sem se sentirem diferentes (título: "tivemos de mandar duas pessoas embora porque eram demasiado magras") (hehehe); 

- o preço do gás na Europa, que em agosto de 2022 tinha subido aos 300 euros por MWh, esta semana esteve abaixo dos 30 euros;

- o WhatsApp tem agora uma função de senha para proteger conversas mais privadas;

- estão a trabalhar num sucedâneo do café, a partir do fruto do cafeeiro depois de extrair os grãos - em vez de os deixar a decompor e a largar metano para nos desgraçar ainda mais o clima. Também tem muita cafeína, é uma bebida saudável, chamam-lhe "Cascara", e a ver vamos;

- uma carta de um leitor: estava no café de uma estação de comboios à espera da ligação, trocou meia dúzia de frases com um passageiro a seu lado, e quando ia pagar o outro fez "pay forward": pagou o café dele, e da próxima vez ele pode fazer o mesmo a um desconhecido.


Tem mais alguns artigos, mas eu quero parar neste último, porque me lembrou algo que aconteceu no meu bairro por alturas do Natal. Num passeio da manhã com o Fox, vi um sem-abrigo a dormir num banco junto ao lago (esse banco por trás da fotografia do topo, com aquela mesma neve), apenas com um saco-cama para se proteger das temperaturas negativas. Pensei telefonar ao serviço que dá apoio a estas pessoas, e no inverno impede que morram de frio na rua, mas entretanto o senhor desapareceu. No dia seguinte, ao passar com o Fox, vi que já tinha uma tenda. No terceiro dia, quando ia a passar perto da tenda, apareceu uma vizinha com uma garrafa termos, que anunciou alegremente: "O pequeno-almoço está pronto! Café quentinho!" E no quarto dia, vi duas vizinhas a conversar e a rir muito com ele, os três no jardim em frente ao lago, com flutes de espumante na mão. Depois uma delas agarrou nos copos e na garrafa vazia e despediu-se "Desculpem, tenho de ir, são horas de fazer o almoço. Até amanhã!"







 

19 janeiro 2023

esta manhã

 






Esta manhã, ao pequeno-almoço, descobri que a lua estava praticamente empoleirada na árvore de um vizinho. Mas decidiu fazer a gracinha em dia de lua nova, a pateta!
Fui ao terraço fotografá-la - descalça e em pijama, claro.
Não tirei muitas fotografias, porque estava fresquinho: cinco graus negativos.
Voltei para dentro, fechei a porta, e foi então que percebi: o verdadeiro espectáculo estava no vidro das janelas.
(Agora publico cem variações do mesmo motivo, porque, como dizia o outro, não tenho tempo para fazer isto mais sucinto.)














04 janeiro 2023

ó mãe, olha!

 

Agora que os filhos cresceram e já não partilham a vida deles comigo com a assuidade de outros tempos ("ó mãe, olha! ó mãe, anda cá ver! ó mãe, anda aqui depressa!") e eu me habituei a dispor do meu tempo como muito bem me parecer, tenho uma janela que ao pequeno-almoço se põe com "olha! anda cá ver! anda aqui depressa!"

Esta manhã, foi assim.



Eu com tanto trabalhinho para fazer, e a maldita janela a repetir "anda cá outra vez, já mudou tudo de novo!"

E depois começou a chover. E eu a sonhar com um arco-íris glorioso.


(Que não aconteceu.)




(E o trabalho, que não se faz sozinho?)

(A quem interessar possa: se construírem uma casa, ponham o sítio onde fazem as refeições no andar mais alto de todos, por cima dos telhados dos vizinhos. Cenas fantásticas ao pequeno-almoço - garantidas!) (Depois ficam com problemas de produtividade, mas paciência.)


23 dezembro 2022

e por falar no tempo...

 



Depois de temperaturas siberianas (enfim... uma pessoa chega aos nove graus negativos e dá-lhe para exagerar um bocadinho...), aqueceu. Estava de chuva, achei que não ia tirar fotografias de jeito e saí com o Fox para o primeiro passeio da manhã levando apenas o telemóvel. Bem me arrependi, porque tive de lidar com aquela luz fantástica sem a Olympus.

De modo que no dia seguinte, apesar de continuar de chuva e cinzento, levei o equipamento todo para o passeio matinal. Não me serviu para nada. Primeiro, porque o máximo que podia fotografar era gotas de água. Segundo, porque o Fox farejou uma pista no chão, e de cada vez que eu parava para uma fotografia ele avançava, seguindo aquela pista que prometia fazê-lo feliz, e eu depois fazia a figura do costume a gritar no parque, em todas as direcções "Fox! Ó Fox!".

Se calhar já me levavam a uma escola de cães, para me ensinarem que sou eu quem manda nele, e não o contrário...







E assim vai a vida: tentando gerir os ritmos da felicidade de cada um, sempre cheia de luz e de surpresas.

A todos os que por aqui param uns momentos, desejo um tempo de Natal cheio de alegria. Apesar de todos os apesares que todos temos: alegria.



18 dezembro 2022

céu branco

 


Hoje esteve um dia cinzento. Ou talvez possa dizer: branco. Céu branco.

Fui passear com o Fox. E pela milésima vez pensei que já não tinha nada de novo para fotografar, e pela milésima vez descobri que afinal...

(Entre outras coisas: havia um homem dentro do lago. Fez um buraco na camada de gelo, e meteu-se lá dentro.)












16 dezembro 2022

oito graus negativos: fotografia abstracta

 


Hoje, o tempo aqueceu a olhos vistos: subiu para oito graus negativos! Quando fica realmente frio, nos vidros da minha casa surgem paisagens insólitas.