Fui ao teatro Schaubühne ver O Avarento, da dupla Thomas Ostermeier & Lars Eidinger, e quase ia chocando com a Angela Merkel. O Joachim, que tem olho para detalhes, reparou no guarda-costas (melhor dizendo: no aparelho de escuta do guarda-costas) mas não viu quem era a pessoa que este estava a guardar.
Por um momento, olhamos uma para a outra. Mas lembrei-me logo que sou mais ou menos berlinense. Por isso, disfarcei, segui caminho, e nem a fotografei à socapa pelas costas nem nada.
De modo que, se alguma espécie de São Tomás estiver a ler isto, perdeu o seu tempo. Coitadinho.
(O que eu gostava de saber: se agora já reconheço os famosos, será que o fim está próximo?)
(E porque olhou ela para mim?, perguntarão vocês. Porque estou com o casaco mais lindo do teatro todo.)
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Há tempos fui ver a Sasha Waltz (que por acaso também me olhou fixamente) (a ver se arranjo tempo para contar aqui) e estava lá o Lars Eidinger. Bem sei que vocês, os do sul que gastam o vosso dinheiro em vinho e moças, não sabem quem é o Lars Eidinger, em quem eu gasto o meu dinheiro e também o meu tempo em esperas de várias horas na esperança de arranjar um bilhetinho. Adiante. Como ia dizendo: fui ver a Sasha Waltz, estava lá o Lars Eidinger. Fui ver o Lars Eidinger, estava lá a Angela Merkel. Só falta dizer que fui ver a Angela Merkel, estava lá o papa. Mas aqui, dei um jeitinho à verdade, que é esta: fui ver o papa, estava lá a Angela Merkel.
A Angela Merkel é como deus e o Lars Eidinger: está em todo o lado!
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Para terminar,
Se querem saber tudo: no final da peça, quando vinha a sair, vi que um jovem da fila da Angela Merkel pediu para fazer uma selfie com ela. Então como é? Estes berlinenses já não são cool como dantes?
Ali ficaram tempos e tempos a tentar atinar com a situação, se fosse o nosso Marcelo já tinha agarrado no telemóvel do rapaz e já tinha tirado selfies com dez pessoas diferentes.
Saí calmamente, no corredor ela veio na minha direcção, saí para a rua, e lá estava ela outra vez a vir na minha direcção. Acho que estava hipnotizada pelo meu casaco, é a única explicação que tenho para tão estranho fenómeno.
Depois apareceram mais umas mocinhas a pedir selfies, e eu não pedi, porque quem já tem marselfies com o original não precisa de andar a pedir imitações.
Ah, quase me ia esquecendo! A peça foi boa, obrigada. Muito diferente do Hamlet da mesma dupla, mas divertida, e um belo espectáculo de teatro.
Senhoras e senhores, meninas e meninos,
- rufar de tambores -
aqui apresento o casaco mailindo que ontem estava no teatro Schaubühne.
Atentem bem ao framing, e reajam como quiserem, em conformidade com o dito, com entusiasmo e espontaneidade.
3 comentários:
aplauso aplauso! que lindo que é, e que bem que te fica! 😍
O meu sonho é fazer uma colcha(pequena) como o seu casaco, só que nos remates dos quadrados prefiro branco em vez do azul claro. O resto serão as cores que tenho de tanto tricot que já fiz e a que não me parece que torne. Mas antes tenho que me dispôr a aprender as rosetas e comprar lã branca. Quer dizer, morro e não deve haver colcha. quando muito umas rosetas desengraçadas e desirmanadas.
Na minha modesta opinião a Dona Merkel estava a ver se tirava o padrão, há quem consiga só de olhar:). E sim, a menina ia lindérrima. Esses senhores/as de que fala, os/as de nome estranho, desconheço. Pessoal do campo...
Obrigada, Ana,
Obrigada, Bea.
O casaco é de fleece, com forro. Mas adoro aquele estampado a lembrar rosetas.
E também gostava de fazer uma mantinha, mas ainda não senti a urgência de me lançar a essa aprendizagem e a esse prazer.
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