Há tempos comprei um bilhete para um concerto da Maria João Pires, aqui em Berlim, e ela não veio.
Ontem comprei vários bilhetes para os seus concertos este fim-de-semana na Filarmonia, e senti-me um bocadinho apreensiva: se cancela de novo, ainda vão dizer que a culpa é minha.
("Exmo. Herr Director da Filarmonia,
como sabe, sempre que compro bilhetes para espectáculos na sua estimada casa, os artistas ou caem e se partem todos ou pior ainda, calateboca, ou então os artistas cancelam os concertos. Talvez fosse boa ideia começarem a oferecer-me os bilhetes? Sem mais, despeço-me com toda a estima e consideração, de V.Exa. atentamente")
Em todo o caso: comprei os bilhetes, mas só acredito que isto vai correr bem quando a vir entrar em palco.
(Esta minha vida é só suspense.)
08 dezembro 2017
07 dezembro 2017
avisem os javalis
Ontem vi um grupo desses miúdos a atravessar o túnel da estação de Grunewald, e a cantar canções do Nikolaus (era 6 de Dezembro), e percebi tudo: quando muito, é perigoso para os javalis...
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viver em Berlim
06 dezembro 2017
problemas que me acontecem no outono
Aqui a artista entende que quando o cão está a fazer as suas necessidades se deve respeitar a privacidade dele, e olha para o lado. O cão faz o que tem a fazer, depois avança, a artista abre o saco plástico para recolher a porcaria... e já não a encontra.
Isto é uma vidinha que nem vos digo nem vos conto.
(E também há a cena à noite, nestas ruas pouco iluminadas - as cidades alemãs falidas, como Berlim, poupam na iluminação das ruas - e aqui a artista de lanterna de bolso a inspeccionar os canteiros das árvores.)
05 dezembro 2017
a manipulação das redes sociais para minar as relações nas sociedades democráticas
Dois exemplos da manipulação a que estamos sujeitos:
I.
Jan Fleischhauer, redactor do Spiegel, bastante conservador, contou recentemente num debate na ARD (pode-se ver aqui, a partir do minuto 53) que entrou no Facebook com um nome falso, escreveu a meia dúzia de líderes da AfD com actividade nessa plataforma - o que permitiu ao algoritmo identificar as "suas" simpatias políticas -, e começou a ler as notícias que o Facebook lhe mostrava. Citando Fleischhauer: este é o serviço de informação favorito de um número crescente de alemães. O seu público pensa que é um serviço de informações igual para todos os utilizadores do Facebook. Nada mais errado! Na realidade, este serviço de notícias é desenhado segundo as inclinações e as antipatias de cada um. As notícias escolhidas para "Fleischhauer, simpatizante da AfD" mostraram-lhe "um mundo onde não entra a menor réstea de sol". Começou com um vídeo recebido pela manhã no qual se via um grupo de rapazes que falavam árabe a bater num homem que gritava "socorro! socorro!" em alemão. Continuou com a notícia de um quiosque na estação ferroviária de uma pequena localidade que deixou de vender salsichas grelhadas e já só tinha espetadas de carne halal. E assim por diante, o dia inteiro. Claro que isto tem consequências nas pessoas: começam a sentir que o seu país está sob ocupação dos muçulmanos. Esses consumidores de notícias via Facebook, que estão convencidos que essas notícias correspondem à realidade do país, ao dar pela ausência destas matérias na televisão e nos jornais sérios concluem que estão a ser enganados pelos media - estes estarão com certeza a esconder deliberadamente do povo a realidade do que se passa no país.
II.
Já não há a menor dúvida de que empresas de social media ligadas à Rússia puseram a correr nas redes sociais dos EUA diversos materiais com o objectivo de desestabilizar aquela sociedade, aumentar o fosso ideológico e instalar o caos nos debates públicos.
Nas palavras de Jackie Speier, democrata californiano com assento na Câmara dos Representantes:
“America, we have a problem. We basically have the brightest minds of our tech community here and Russia was able to weaponize your platforms to divide us, to dupe us and to discredit democracy.”
Em números:
- Twitter: identificou 37.000 contas automáticas com provável origem russa. Nos três meses que antecederam as eleições nos Estados Unidos, essas contas emitiram 1,4 milhões de tweets que terão chegado a 288 milhões de pessoas.
- Facebook: entre 2015 e 2017, fontes russas terão colocado os seus materiais, sob a forma de comentários e posts, na cronologia de 126 milhões de utilizadores do Facebook.
Mais concretamente: a empresa Facebook recebeu 100.000 dólares para anúncios emitidos por agências russas. Entre Junho de 2015 e Maio de 2017 foram identificadas 470 contas russas que puseram cerca de 3.000 anúncios. Muitos deles não mencionavam os políticos - o seu objectivo era aumentar a cisão relativa a temas como tensão entre etnias, imigração ou porte de armas. Os anúncios mais ligados à política terão sido na ordem dos 2.200, pelo preço de 50.000 dólares.
- Instagram: identificou, só em 2016, 120.000 casos de materiais com objectivos de manipulação provenientes de fontes russas, que terão alcançado 20 milhões de pessoas nos EUA.
- Google: tal como o Facebook, identificou actividade da Internet Research Agency, que tem sede em São Petersburgo e ligações ao Kremlin. A empresa Youtube, que pertence à Google, encontrou e bloqueou 18 canais que estavam provavelmente ligados à campanha russa. No conjunto, eram 1100 vídeos em inglês, que tiveram 309.000 clicks nos 18 meses que antecederam a eleição de Trump.
O site UsHadrons oferece a compilação mais completa destes materiais, organizados por tema.
Repasso algumas das imagens colocadas por agências russas nas redes sociais (que, juntamente com os números atrás referidos, encontrei nos seguintes artigos: Russia-Financed Ad Linked Clinton and Satan, These Are the Ads Russia Bought on Facebook in 2016, Plötzlich sind Google und Facebook ganz kleinlaut, Russische Drahtzieher sollen bei Facebook Anzeigen geschaltet haben).
Nestas imagens, o que mais me choca é reconhecer que teria sido capaz de partilhar muitas delas. Lembra-me uma discussão antiga na casa do meu marido, durante a sua adolescência: o pai dizia-lhe que as manifestações pacifistas nas quais ele participava com tanto empenho se inseriam numa estratégia de manipulação da União Soviética. O Joachim ria-se: "pois é, lá nas manifs até costumam distribuir espumante da Crimeia e caviar...". Anos mais tarde engoliu em seco perante a revelação, depois da queda do muro, de que muitos dos grupos activistas da RFA eram liderados por elementos da Stasi.
Eis o grande desafio: como continuar a defender as causas nas quais acreditamos, sabendo que esta nossa luta está a ser instrumentalizada por inimigos da nossa Democracia?
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procurar a justa palavra,
viver na internet
windows technical service
Acabei de receber um daqueles telefonemas "hi ma'm, I'm calling you from windows technical service..."
Geralmente digo "oh no, not again, thank you", e desligo.
Mas desta vez resolvi ocupar o tempo deles - enquanto me estão a chatear a mim não telefonam a velhinhas incautas que podem acabar a dar-lhes os passwords e sabe-se lá que mais.
De modo que respondi "OK", e ela perguntou "do you speak english" e eu "a little bit".
A seguir, ela desligou o telefone.
Oh, caraças! Há muito tempo que não me mostravam de forma tão clara que sou uma pessoa sem interesse nenhum. O ego caiu-me tão abaixo do chão que deve ter ido parar aos antípodas (a como está o preço das passagens para a Austrália, para o caso de ter de o ir recuperar?).
Geralmente digo "oh no, not again, thank you", e desligo.
Mas desta vez resolvi ocupar o tempo deles - enquanto me estão a chatear a mim não telefonam a velhinhas incautas que podem acabar a dar-lhes os passwords e sabe-se lá que mais.
De modo que respondi "OK", e ela perguntou "do you speak english" e eu "a little bit".
A seguir, ela desligou o telefone.
Oh, caraças! Há muito tempo que não me mostravam de forma tão clara que sou uma pessoa sem interesse nenhum. O ego caiu-me tão abaixo do chão que deve ter ido parar aos antípodas (a como está o preço das passagens para a Austrália, para o caso de ter de o ir recuperar?).
Agora, a pergunta é: qual é a ideia destes gajos? Porque é que ela
desligou, em vez de ir debitando os textos que me devia dizer?
E outra pergunta: este é um daqueles casos em que não podemos dizer "yes", porque a voz é gravada para usar como anuência nossa em relação a um contrato qualquer?
E outra pergunta: este é um daqueles casos em que não podemos dizer "yes", porque a voz é gravada para usar como anuência nossa em relação a um contrato qualquer?
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viver na internet
03 dezembro 2017
pequena achega para o debate sobre o politicamente correcto
O Centro da Comunidade Judaica, na Fasanenstraße, em Berlim, foi construído no local onde havia uma sinagoga, que foi destruída no ataque que o III Reich conduziu contra os judeus a 9 de Novembro de 1938. O edifício é um projecto muito simples dos anos 50, com a excepção de um elemento na fachada destinado a realçar um pórtico recuperado da antiga sinagoga.
A inauguração foi em 1959, e o telegrama enviado pelo presidente da República, Heinrich Lübke, mostrava claramente o muito caminho que, 14 anos depois da guerra, ainda faltava andar no trabalho de confronto dos alemães com o horror do Holocausto. Escreveu ele (sublinhado meu):
"Felicito
a comunidade judaica em Berlim pela inauguração de seu centro comunitário, que
foi reconstruído na Fasanenstraße. O meu antecessor no cargo, o nosso respeitado Professor Dr. Theodor Heuss, afirmou na carta que escreveu a esta comunidade que o desgraçado 9 de Novembro de 1938 foi um dia de crime e violação da legalidade. A reconstrução deste centro é um sinal encorajador da consolidação crescente das novas comunidades de nossos
cidadãos judeus. Associo ao retorno da comunidade judaica à Fasanenstraße a
esperança de que a nossa convivência volte a ser tão natural como aquela proximidade entre alemães e judeus de que Berlim era justamente um símbolo, antes de ambos os povos terem sido atingidos por um período bárbaro da História.
1. "ambos os povos" - como se os judeus alemães não fossem alemães;
2. "um período bárbaro da História" - o III Reich como uma espécie de catástrofe natural, algo exterior aos alemães;
3. "ambos terem sido atingidos" - por inacreditável que pareça, em 1959 o presidente da República Federal Alemã punha criminosos e vítimas no mesmo plano.
O politicamente correcto, hoje em dia tão criticado, nasceu da necessidade de olhar atentamente para as palavras, especialmente para a sua carga iníqua e ideológica. Aquela frase do presidente seria impensável na Alemanha actual. A quem se queixa da ditadura do politicamente correcto, porque "há sempre alguém que se ofende com o que foi dito", pergunto se preferia que continuássemos no tempo em que se falava do nazismo como um período bárbaro da História que atingiu tanto o povo alemão como o judeu.
1. "ambos os povos" - como se os judeus alemães não fossem alemães;
2. "um período bárbaro da História" - o III Reich como uma espécie de catástrofe natural, algo exterior aos alemães;
3. "ambos terem sido atingidos" - por inacreditável que pareça, em 1959 o presidente da República Federal Alemã punha criminosos e vítimas no mesmo plano.
O politicamente correcto, hoje em dia tão criticado, nasceu da necessidade de olhar atentamente para as palavras, especialmente para a sua carga iníqua e ideológica. Aquela frase do presidente seria impensável na Alemanha actual. A quem se queixa da ditadura do politicamente correcto, porque "há sempre alguém que se ofende com o que foi dito", pergunto se preferia que continuássemos no tempo em que se falava do nazismo como um período bárbaro da História que atingiu tanto o povo alemão como o judeu.
É só um exemplo.
a bomba no mercado de Natal de Potsdam (2)
Adenda ao meu post anterior sobre a bomba em Potsdam:
Os jornais informam hoje que o pacote tinha realmente uma bomba, e que se trata de chantagem no valor de milhões contra a DHL. A polícia afasta a possibilidade de ser um acto de terrorismo contra o mercado de Natal de Potsdam.
Este tipo de criminalidade não é novo na Alemanha. Por exemplo, o caso "Dagobert" ("Tio Patinhas") ficou famoso: um homem fez explodir várias bombas em lojas, para extorquir dinheiro às empresas. Os seus golpes eram de tal modo criativos que a polícia precisou de 6 anos para o conseguir capturar - e, curiosamente, devido ao seu espírito inventivo e ao burlesco das perseguições, o criminoso conquistou alguma simpatia do público.
Os jornais informam hoje que o pacote tinha realmente uma bomba, e que se trata de chantagem no valor de milhões contra a DHL. A polícia afasta a possibilidade de ser um acto de terrorismo contra o mercado de Natal de Potsdam.
Este tipo de criminalidade não é novo na Alemanha. Por exemplo, o caso "Dagobert" ("Tio Patinhas") ficou famoso: um homem fez explodir várias bombas em lojas, para extorquir dinheiro às empresas. Os seus golpes eram de tal modo criativos que a polícia precisou de 6 anos para o conseguir capturar - e, curiosamente, devido ao seu espírito inventivo e ao burlesco das perseguições, o criminoso conquistou alguma simpatia do público.
02 dezembro 2017
Ideiafix
Esta manhã levei o Fox a passear na floresta de Grunewald, que é, a bem dizer, por trás da minha casa.
Entretida a fotografar umas casinhas encostadas aos troncos das árvores, pensando que seriam obra dos miúdos do infantário da floresta (sim, há infantários que funcionam na floresta: juntam os miúdos na paragem de autocarro, e passam a manhã inteira ao ar livre, sem livros nem brinquedos, faça o tempo que fizer), não dei conta do que se estava a passar bem perto. Às tantas, o Fox começou a olhar atentamente numa direcção, e daí a nada largou a correr como um maluco. Parecia uma cena do Ideiafix: pai, mãe, filhos, primos e tios javalis a correr em fila pelo caminho adiante, e o Fox a correr atrás deles todos. Contei oito, mas penso que o grupo era maior. E o último da fila era mesmo muito grande. Não fotografei, mas podem crer que não vos estou a enganar. Aliás: não ter tirado fotografias é a prova provada de que eles passaram demasiado perto - fiquei cheia de medo que um dos machos se virasse para trás e corresse atrás do Fox, e o maluco do cão fugisse na minha direcção. Ainda sobrava para mim.
Decidi que só volto àquela floresta depois de aprender a subir muito depressa a árvores de tronco liso e húmido.
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a "bomba" no mercado de Natal de Potsdam
Ontem, em Potsdam, descobriram uma bomba num pacote enviado pelo correio a uma farmácia localizada na área do mercado de Natal. O mercado foi encerrado imediatamente - e em todos os mercados de Natal do país foi reforçada a presença da polícia.
Hoje informaram que era uma bomba a fingir: tinha um pó branco que se supõe ser gesso, cabos eléctricos e pregos, mas não tinha detonador.
É onde estamos neste momento: para alarmar um país inteiro, basta um tarado enviar pelo correio um pacote com cabos, pregos e um pó branco.
O incidente lembrou-me algo que aconteceu nos anos oitenta na minha faculdade. Houve uma época de avaliação que correu um bocado mal, porque antes de cada exame alguém fazia um telefonema anónimo dizendo que havia uma bomba no edifício. Aconteceu-me duas ou três vezes: chegava à faculdade e não nos deixavam entrar, ou então já estávamos lá dentro e tínhamos de sair. Duma das vezes, o exame até já tinha começado. Até que um dia, quando estavam a distribuir as folhas do exame, notei que os professores começaram a falar uns com os outros, muito agitados. Às tantas ouvi o catedrático a recusar terminantemente a proposta que lhe faziam. Fizemos o exame, não rebentou nenhuma bomba, e - tanto quanto me lembro - nunca mais nenhum exame foi adiado.
Não queria estar no lugar daquele catedrático, obrigado a tomar uma decisão que podia ter consequências graves na vida de centenas de alunos. Tomou a decisão de não se sujeitar ao jogo do medo, e ganhou o desafio. Ganhámos todos, afinal.
Mesmo assim, não queria estar na pele dele - nem da dos políticos e das forças de segurança destes nossos dias de medo do terrorismo.
Pela minha parte, tento evitar a lógica do medo. Continuarei a ir aos mercados de Natal, e a viver a vida normalmente. Nem pensar em dar aos terroristas, e aos malucos, o prazer de me verem mudar a minha vida só por medo do que eles me possam fazer.
ADENDA (3.12.2017)
Os jornais informam hoje que o pacote tinha realmente uma bomba, e que se trata de chantagem no valor de milhões contra a DHL. A polícia afasta a possibilidade de ser um acto de terrorismo contra o mercado de Natal de Potsdam.
Este tipo de criminalidade não é novo na Alemanha. Por exemplo, o caso "Dagobert" ("Tio Patinhas") foi famoso: um homem fez explodir várias bombas em lojas, para extorquir dinheiro às empresas. Os seus golpes eram de tal modo criativos que a polícia precisou de 6 anos para o conseguir capturar - e, curiosamente, devido ao seu espírito inventivo e ao burlesco das perseguições, o criminoso conquistou alguma simpatia do público.
01 dezembro 2017
re:scam
Aqui está uma maneira genial de combater o pessoal que espalha spam e arrelias pela internet: reenviar as mensagens recebidas para: me@rescam.org, uma organização que tem robots para dar conversa fiada aos criminosos que enviaram as mensagens. Enquanto estes se entretêm a conversar com os robots, deixam os humanos em paz.
Fui espreitar à pasta onde o meu programa de correio deposita automaticamente o spam. Uma das primeiras que lá estava era a que se segue. Reenviei, pois claro. No entretanto já me fartei de rir a imaginar o robot a conversar com este, tipo "não sejas mau pra mim, ohoh, ohoh, eu só te quero assim".
"
Betreff: [Tiсket#507007154]
DKR: [helena@xxx] All in your hands
Тiсket ID: XNY-339-42756
Email: helena@xxxx
Camera ready,Notification: 27/11/2017
Status: Waiting for Reply 38xuJaQy1A4f42wCnSmCkL4QrF6Xy48Tu2_Priority: Normal
..............................................
Whats up,
I do not want to judge anyone, but in sum of some cases, we have point of contact since now. I do not think that caress oneself is very bad, but when all your acquaintances see it- its obviously bad.
So, what am I implying? You visited the internet with роrn, which I’ve seized with the deleterious soft. Then you chose video, virus started working and your device became function as rdp immediately. Naturally, all cams and screen started recording at once and then my soft collected all contacts from your device.
I text you on this e-mail address, cuz I got it it with my soft, and I guess you for sure check this work e-mail.
The most important thing that I created video, on one side it shows your screen record, on second side your cams record. Its very amusingly. But it wasn’t so easy ,so I proud of it.
As a conclusion- if you want me to destroy all this compromising evidence, here is my Bitcoin wallet address- 1Q2chBQJ1gHvJLvWYpWHNCFSN8kjjJ6H1j (it should be without «spaces» or «=»,check it). If you do not know how to make btc transactions, you can ask google or youtube for advice- its very easy. It seems to me, that 295 usd will solve your problem and will destroy our touchpoint in perpetuity. You have thirty hours after opening this letter(I put special pixel in it, ill know when you read it). If you will not finish transaction, ill share the compromising with all contacts I’ve collected from you.
Finally, you can ask police for help, but, obviously, they will not find me for 1 day, so you will be shamed at all. Sorry for misprints, I am foreign.
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