Em resposta à "Oporto, I lobe you too", aqui vai a minha versão dos factos (não é necessariamente um contraditório, é apenas um "e diria mesmo mais"):
(Moças, moças: e que tal se no próximo ano...?)
11 dezembro 2013
sozinha em casa
Tenho andado a rever as fotografias deste ano, e decidi deixar aqui algumas - faço de conta que é um postal de férias que chega com meses de atraso (ai, estes correios estão cada vez pior).
No fim das férias de Verão, fiquei uns dias pelo Norte de Portugal, depois do regresso do Joachim e do Matthias à Alemanha. Foi estranho habitar sozinha a nossa casa, cenário habitual de outros ritmos e sons. A solidão não é uma falta de companhia - é uma falta de contexto.
Ponte de Lima:
Porto (uma subida à torre dos Clérigos, e um dia iluminado por uma daquelas conversas de arejar a alma):
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09 dezembro 2013
em busca do presépio não comprado
Se houvesse um Prémio Ig Nobel para a inteligência rara, ganhava-o eu naquele belo dia em que fui a uma feira de artesanato em Barcelos, fotografei este lindo presépio e depois o mostrei a uma amiga que os colecciona.
"E porque não o compraste tu, Helena?", perguntou ela.
Desde então, é o que me pergunto: porque não comprei logo aquele presépio, que é tão engraçado, para lho oferecer?
Será que alguém me pode ajudar? Alguém sabe quem faz estes presépios, e onde é que posso comprar um?
tão diferentes, tão iguais
O Nelson Mandela morreu. O Arrumadinho aproveitou para mostrar fotos suas na África do Sul e uma certa esquerda portuguesa aproveitou para dizer mal do Cavaco. Tão diferentes, tão iguais.
Se houver vida depois da morte, e se os que estão do lado de lá puderem espreitar o que se passa no nosso mundinho, espero que o Mandela tenha imenso sentido de humor.
Ao Arrumadinho agradeço as horas extra que vou passar no purgatório, só por causa da caridade cristã que me falhou enquanto lia o seu post. E às pessoas que distorceram vergonhosamente os factos, para tirarem partido da comoção associada à morte do Mandela, usando-a em favor das suas guerrilhas e politiquices manhosas, pergunto se aprenderam alguma coisa do exemplo que esse homem nos deixou.
"It is time for new hands to lift the burdens, it is in your hands now."
(E eu, que nem percebo nada de futebol, vejo agora como é que os adeptos se sentem quando um jogador do seu clube marca um golo na própria baliza) (e não me estou a referir ao Arrumadinho)
Se houver vida depois da morte, e se os que estão do lado de lá puderem espreitar o que se passa no nosso mundinho, espero que o Mandela tenha imenso sentido de humor.
Ao Arrumadinho agradeço as horas extra que vou passar no purgatório, só por causa da caridade cristã que me falhou enquanto lia o seu post. E às pessoas que distorceram vergonhosamente os factos, para tirarem partido da comoção associada à morte do Mandela, usando-a em favor das suas guerrilhas e politiquices manhosas, pergunto se aprenderam alguma coisa do exemplo que esse homem nos deixou.
"It is time for new hands to lift the burdens, it is in your hands now."
(E eu, que nem percebo nada de futebol, vejo agora como é que os adeptos se sentem quando um jogador do seu clube marca um golo na própria baliza) (e não me estou a referir ao Arrumadinho)
dominação (2)
Dias há em que passo pelo Fox, e ele está assim:
...ou mais ainda:
Ultimamente começou a adiantar o trabalho durante o caminho: já entra na cozinha com os olhinhos quase fechados. Isto sim, é eficiência - bem lhe podiam dar um passaporte alemão.
(Também tem muita graça ver o Matthias a ensinar-lhe o básico, "senta", "deita", "rebola". O Matthias com uma guloseima na mão, a dar-lhe as ordens, ele a obedecer e a receber o prémio no fim do serviço completo. Resulta bem algumas vezes, mas depois o Fox começa a adiantar trabalho: mal vê a guloseima, atira-se para o chão e rebola. O Matthias diz "senta" e o Fox - esparramado no chão - põe cara de quem diz: "já rebolei e tudo, que mais queres tu?! Dá cá a guloseima depressinha, que estamos aqui ambos a perder tempo.")
Vou à cozinha, abro a porta do frigorífico, e no momento seguinte ele está ao meu lado, assim:
Se a cabeça inclinada não me convence, recorre ao truque infalível: olhinhos semicerrados...
...ou mais ainda:
Ultimamente começou a adiantar o trabalho durante o caminho: já entra na cozinha com os olhinhos quase fechados. Isto sim, é eficiência - bem lhe podiam dar um passaporte alemão.
(Também tem muita graça ver o Matthias a ensinar-lhe o básico, "senta", "deita", "rebola". O Matthias com uma guloseima na mão, a dar-lhe as ordens, ele a obedecer e a receber o prémio no fim do serviço completo. Resulta bem algumas vezes, mas depois o Fox começa a adiantar trabalho: mal vê a guloseima, atira-se para o chão e rebola. O Matthias diz "senta" e o Fox - esparramado no chão - põe cara de quem diz: "já rebolei e tudo, que mais queres tu?! Dá cá a guloseima depressinha, que estamos aqui ambos a perder tempo.")
08 dezembro 2013
dominação
Este bicho sabe bem como nos ter com trela curta.
(Claro que não levou bolo, mas até perdemos o apetite quando ele nos parte o coração com estes olhos. Um amigo nosso diz que isto é uma experiência de vários milénios a virar frangos. E o Fox vira frangos destes que é uma maravilha.)
06 dezembro 2013
não sei como é que o Natal faz para chegar cada vez mais cedo
Ontem, ao chegar a casa depois de um concerto, vimos os sapatos dos filhos da vizinha cheios de chocolates, e só então me lembrei, sobressaltada, que hoje era Nikolaus. Como é possível?! Ando desde Setembro a pensar que tenho de comprar Pais-Natal de chocolate para não deixar ficar mal o Nikolaus, e não compro, "que disparate, com tanta antecedência!" - para afinal às onze da noite do dia 5 de Dezembro descobrir que o Natal está outra vez a chegar prematuro. O Matthias riu-se, e fez de conta que não me via a vasculhar a casa toda em busca de presentes possíveis. Esta manhã até me agradeceu ter partilhado com eles os chocolates que estavam bem guardados para o meu Inverno, e riu-se de novo quando descobriu que lhe tinha posto no sapato uma laranja encarquilhada (infelizmente ontem, sem me lembrar, comi as tangerinas todas). Depois a Christina entrou na casa da vizinha, viu a sua coroa de Advento, as suas decorações de Natal feitas de pequenos apontamentos discretos aqui e ali, e elogiou-a imenso. Combinámos que a vizinha pode adoptar os meus filhos no Natal, para eles serem felizes, e que pode mandar os dela para minha casa, para eles finalmente verem a sorte que têm. Eu deixo ir os meus (que remédio...) e de bom grado acolho ferozmente os dela, para lhes abrir os olhinhos.
Por estes dias, a casa da vizinha fica assim (esta é a coroa do ano passado - a deste ano é ainda mais bonita):A Christina insistiu: que a única pista de Natal que cá temos é o calendário de Advento de chocolate que os miúdos me deram, além de dois bonequinhos amorosos que foram presente de aniversário e ainda estão dentro da caixa de plástico. Como gosto de dar alegrias aos meus filhos, abri logo a caixa e pendurei os bonequinhos bem à vista, numa máscara que a Christina trouxe da Bolívia para oferecer ao pai. Aqui:
Desataram os dois a rir. Bem sei que a vizinha talicoisa, mas cá em casa a gente ri-se muito.
Quando os miúdos eram pequeninos, eu fazia tudo isso com muito esmero. Tinha um calendário de Advento que era uma longa fita de estrelas (em cartão canelado amarelo, os calos que arranjei a cortar todas aquelas estrelas em cartão canelado!) e um anjinho amoroso em lã não fiada, que todos os dias descia uma estrela até que finalmente, na noite de Natal, tocava a terra: a nossa mesa. Decorava o corrimão das escadas com luzes e bonequinhos. Fazia com os miúdos centros de mesa com ramos de abeto e anjinhos de lã, inventávamos presépios variados, espalhávamos pela casa laranjas e tangerinas decoradas com cravinhos. Tínhamos a coroa de Advento na nossa mesa de jantar, e acendíamos todas as noites as velas correspondentes à semana. Antes de se deitarem lia-lhes pequenas histórias dos calendários especiais de Advento. Uns dias antes do Natal íamos à floresta buscar um abeto fresquinho, que decorávamos com bolas de vidro transparente e passarinhos de Praga. A casa enchia-se de um maravilhoso aroma de resina e velas de cera.
Tudo.
05 dezembro 2013
quem não sabe é como quem não lê...
Ontem, em conversa com alguns amigos sobre o livro "Leite Derramado", de Chico Buarque, aprendi que uma das suas características mais geniais é o perfeito domínio da língua: no monólogo das suas memórias, o velho Eulálio atravessa mais de 200 anos da história do Brasil, e vai adaptando o registo a cada época. Ou seja, e simplificando: uma boa parte daquele livro está escrito em português de Portugal. Não me dei conta disso durante a leitura mas, pensando bem, devia ter desconfiado: pois se estava a perceber quase tudo sem qualquer dificuldade, sem precisar de consultar o Aurélio, nem nada!...
Também não notei nada de estranho nos estranhos costumes daquela gente: a branca corrupção dos poderosos, o nepotismo, as senhoras finas a falar francês e a tocar apagadamente piano, o machismo dos fracos (perdoem a tautologia), o jeito de se alimentar das memórias do passado para sobreviver ao presente.
Tão português, o livro. E muito brasileiro também (a História, os movimentos dentro da geografia carioca, as metáforas sobre a sociedade brasileira). Além de um Chico esplendoroso de elegante ironia, cunhando frases com precisão de ourives - agarrem-me, que é desta que começo a transcrever trechos de um livro para um caderninho, para mais longamente saborear.
Cá vou eu para a terceira volta do Leite Derramado. Um dia destes (e com uma pequena ajuda dos amigos) ainda aprendo a ler.
***
Parece que o livro já foi traduzido para alemão. Estou curiosa para ver se o tradutor detectou a diferença entre o português de Portugal e o do Brasil, e como terá reflectido esse fenómeno no universo da língua alemã. Estas difíceis traduções...
03 dezembro 2013
Bach sem peruca
(fonte)
Por estes dias a Janine Jansen tem andado a passear Bach pela Alemanha, e ontem trouxe-o a Berlim.
Um Bach só dela: leve, cheio de energia, jovem - e sem peruca. Quase me apetecia esfregar os ouvidos: é mesmo Bach?! Ouvindo com cuidado encontrei o meticuloso contraponto, a matemática da composição - mas articulados com tal leveza e vitalidade que imaginei um Bach de cara lavada, sem pó nem cabeleira. Johann Sebastian Bach ainda, mas em sapatos de desporto, a fazer jogging pela manhã, a dançar solto pela casa.
O concerto chamava-se "Janine Jansen and Friends" - amigos: na sua mão o Barrere de Stradivarius, no cravo o pai e no violoncelo o irmão (dois músicos com quem ela aprendeu desde muito cedo que o mais importante da música de câmara é ouvir os outros). E dois solistas extraordinários - Fredrik Paulsson no concerto para dois violinos e Ramón Ortega Quero no concerto para violino e oboé em dó menor.
Procurei na internet gravações destes concertos com os músicos que tocaram ontem, mas tem sido difícil. Encontrei apenas o concerto para dois violinos em ré menor, com o Leonid Kavakos, mas ao qual falta o entendimento e o jogo de suspense e tensão que ela teve ontem com Fredrik Paulsson:
O oboé em nada ficava atrás daquele violino. Fresco e optimista, com um fraseado impecável. Desconfio que o Ramón Ortega Quero tem pulmões de golfinho - garanto que ele toca trechos de cinco minutos sem parar para respirar. (Bom, talvez esteja a exagerar ligeiramente...)
Por mim, o espectáculo podia ter terminado logo no Adagio do concerto para violino e oboé, e já ia para casa satisfeita. Mas tocaram também o Allegro e depois, devido ao entusiasmo inabalável do público, deram de encore o "Erbarme Dich, Gott", da Paixão segundo São Mateus, com o oboé a tocar a parte do contralto. Saí da Filarmonia a levitar.
Na rua havia o russo do costume a tocar balalaica. Já me aconteceu outras vezes - por exemplo, quando saía embalada pelo "Lied der Erde" cantado pela Magdalena Kožená, e ele ali, com as suas melodias eslavas no tri-li-li de cordas metálicas. Ele toca muito bem, e precisa com certeza do dinheiro, mas naqueles momentos apetecia-me era pagar-lhe para ele não tocar.
Secção Caras
O Ramón Ortega Quero está desde ontem na minha lista de incontornáveis. Que beleza!
E ainda por cima toca maravilhosamente. E é muito simpático.
Janine Jansen vinha num vestido vermelho perfeito: o decote assimétrico, o corpete tufado horizontalmente, a saia cujo tecido finíssimo quase sugeria transparências. O cabelo solto, por vezes acompanhando a sua música. Apesar de estar na primeira fila do bloco B, arrependi-me muito de não ter levado os binóculos: apetece ver esta mocinha a 250%, e de preferência em slow motion.
A fila para assinar os CDs estava muito comprida, e eu cansada. Mas esta manhã estou a ouvir algumas peças deste Bach inventado pela Janine Jansen e já me arrependi de não ter esperado um pouco mais. Seria possível rodar o tempo umas horinhas para trás?
O vestido vermelho pode-se ver muito bem aqui, a partir de 28'20'' (um solo de Bach):
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filarmonia de Berlim
02 dezembro 2013
"Não vale a pena viver num país em que o Estado não proteja a identidade cultural do seu povo."
José Riço Direitinho entrevista a escritora norueguesa Herbjørg Wassmo:
- Para uma língua com cerca de cinco milhões de falantes, a literatura norueguesa tem uma projecção singular. Isso deve-se apenas a uma questão de política cultural ou o número de bons escritores é realmente elevado?
- Há de facto muitos bons escritores, mas talvez isso também se deva às condições oferecidas. De cada novo livro que aparece, o Estado compra cerca de mil exemplares para distribuir pela rede de bibliotecas públicas. Depois há o trabalho de promoção das obras no estrangeiro. Isso permite que a qualidade possa ser facilmente apreciada por editores de outros países. O Estado tem de ser o primeiro a reconhecer que os artistas têm o direito de trabalhar e de viver com dignidade, não têm de passar fome. Isso é essencial. Não vale a pena viver num país em que o Estado não proteja a identidade cultural do seu povo.
A entrevista completa pode ser lida aqui: Escrever contra o silêncio.
(foto: Público)
01 dezembro 2013
o Evangelho segundo...
(fonte)
A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Porque, nos dias antes do dilúvio, todos comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca. E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos. Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem. Dois homens estarão a trabalhar no campo: um será levado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão a moer no moinho: uma será levada, a outra será deixada. Portanto, vigiai! Porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei bem isto: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, certamente ficaria a vigiar e não deixaria que a sua casa fosse arrombada. Por isso, também vós estai preparados. Porque o Filho do Homem virá na hora em que menos esperardes.
(Mt 24, 37 - 44)
Hoje, durante a leitura do Evangelho, ocorreu-me o lamento do costume: se me deixassem mandar...
Se me deixassem reescrever o Evangelho, retirava daquele texto todo o medo. Trocava o exemplo do ladrão por algo positivo: a primeira vez que um filho diz "mamã", o raio verde, a passagem de um head hunter ou um caçador de talentos, o momento em que o Richard Gere passa na rua onde a Pretty Woman está a trabalhar (ainda agora comecei e já estou a meter água...). Só não usaria o exemplo das virgens à espera do noivo, porque - infelizmente - desse já o próprio Mateus se lembrou.
A sério: não entendo esta passagem do Evangelho. A que propósito se lembrou Mateus de comparar a vinda do Filho do Homem a um ladrão que nos quer roubar a casa?
Esperar a sua vinda não é vigiar em permanente sobressalto como quem teme um ladrão - é viver em alegria e paz.
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