22 outubro 2013
entardecer
Tinha nove anos. Era a hora do jantar, na sala dos móveis Arte Nova. A mesa de toalha branca bordada, coberta de cristais, e à minha frente um prato de canja com um raminho de hortelã. Tinha sido feita no fogão a lenha, na cozinha enorme e antiga, e cheirava que era uma beleza.
E de súbito aquela tristeza que me nascia ao fim do dia, sem razão - a não ser, talvez, uma saudade do sol.
Hoje, ao ouvir os primeiros acordes da canção "Die Stille Stadt", de Alma Mahler, acreditei que ela também sentia uma irreprimível vontade de chorar quando lhe punham à frente uma canja com hortelã, deliciosa, numa mesa rica ao fim da tarde.
21 outubro 2013
encontro histórico entre Angela Merkel e a autora deste blogue
A todos os que entraram neste post atraídos pelo título: hehehe, nunca ouviram falar em publicidade enganosa?
O verdadeiro título devia ser: "Concerto histórico - cinquentenário da Filarmonia do Sharoun - secção Caras". Mas depois achei que me dava jeito ter aqui 20.000 leitores, por causa da publicidade e assim, e zimbas. Além disso, não sei porque é que eu haveria de fazer os títulos com mais cuidado e honestidade que a maioria dos jornais portugueses.
Em todo o caso: se querem saber do tal encontro histórico, avancem para o antepenúltimo parágrafo do post.
O concerto começou com uma gargalhada: Simon Rattle no seu estrado, a levantar a batuta para um palco vazio. As mãos dele dançavam, e ouvia-se música - vinha das galerias laterais, bem lá em cima.
Seguiram-se os discursos. Curtos, interessantes, divertidos.
Citaram uma carta de Max Frisch endereçada a Hans Scharoun: "raramente aconteceu uma realização de arquitectura contemporânea suscitar em mim tanta alegria como a sua Filarmonia de Berlim. (...) Esta sala é uma das grandes obras do nosso século. O senhor sabe isso, mas quero que saiba também o quanto lhe estamos gratos." Falaram da coincidência histórica: a Filarmonia foi inaugurada no dia em que Adenauer abandonou o governo do país. O presidente da Associação Amigos da Filarmonia lembrou o papel dos berlinenses, que juntaram 1,5 milhões de marcos em donativos (o orçamento inicial andaria pelos 5 milhões de marcos), e suspirou "bons tempos aqueles, quando os cidadãos se uniam para construir alguma coisa, em vez de ser para a impedir". Também falou do descarrilamento dos custos: a obra acabou por custar mais do triplo do que fora orçamentado, "honi soit qui mal y pense". (O Wowereit, presente na sala, deve ter largado umas lagrimitas de "finalmente alguém que me compreende" - ele é o político responsável pelo descalabro do aeroporto de Berlim.) Lembrou ainda uma frase do discurso do então Ministro da Cultura berlinense, no dia da inauguração do edifício: "a Filarmonia não deve ser servida apenas pelo Estado; a ajuda será tanto mais valiosa, quando for fruto de decisões voluntárias e pessoais das pessoas que optem por dar um exemplo de participação cívica, sem a qual nenhuma sociedade livre pode existir", rematando, bem-disposto: "por isso, meus amigos, corram a inscrever-se na Associação Amigos da Filarmonia, corram a contribuir!"
O Wowereit também falou, e foi por ele que fiquei a saber que a Angela Merkel estava na sala. Acho que fez um discurso engraçado, mas já não me lembro do que disse, porque comecei a procurar a chanceler. Estava no bloco A, à esquerda (curioso, todos os políticos estavam a à esquerda - até o Wolfgang Schäuble: esse, estava à extrema esquerda).
Com o meu telemóvel jurássico fiz para os leitores deste blogue uma fotografia tipo "onde está o Wally". Podem encontrar facilmente: Schäuble, Merkel, von Weizsäcker, Wim Wenders, Norbert Lammert.
A peça do Rihm não foi tão má como eu temia. A do Ralph Vaughan Williams, que demorou o mesmo tempo da do Rihm, foi muito mais curta.
Em termos de "música no espaço", a primeira parte do concerto fez demonstrações de:
- dois grupos de músicos, um à esquerda, outro à direita, como Gabrieli já tinha feito na catedral de Veneza ;
- músicos espalhados por toda a sala (Rihm);
- três orquestras no palco: uma de música de câmara mesmo à frente, uma grande à volta desta, uma pequena na parte mais alta do palco (R. V. Williams).
Intervalo. Tentei cuscar os presentes famosos, mas não tenho jeito nenhum para isso, porque a minha memória visual é terrível. Preciso urgentemente de fazer uma assinatura da Gala...
A segunda parte do concerto começou com uma pequena nota de humor: o director da Filarmonia leu uma mensagem de um frequentador habitual, contando que no dia tantos de tal estava à espera da sua acompanhante, desesperado com o atraso, e como ela nunca mais vinha, ele deixou o segundo bilhete ao porteiro, para o dar a quem o quisesse. Passados 3 anos, casou com a senhora que ficou com o bilhete. Não é que tenha muita importância, mas é um retrato de Berlim, e do seu ambiente descomplicado, familiar, divertido.
Também mostraram um filme curto e bem-disposto sobre a história do edifício. A construção, o muro que lhe construíram a poucos metros de distância, e que atirou a Filarmonia para uma espécie de fim do mundo, os concertos tão diversos que por lá passaram, os seus três maestros, a queda do muro e o concerto histórico do Barenboim, oferecido aos habitantes de Berlim Leste (dizia um deles "esperámos 36 anos por este concerto!"). E uma condutora de táxi a dizer que quando leva visitantes da Filarmonia de regresso a casa eles ainda vão a cantarolar.
Não se pode dizer que a Mitsuko Uchida tenha tocado a "sonata ao luar" (1º andamento) de Beethoven - limitou-se a deixar que os seus dedos a sussurrassem ao piano. O que, naquela sala, teve um estranho efeito. Como a acústica é realmente muito boa, o delicado pianissimo fez com que se ouvisse demasiado bem a presença de duas mil pessoas na sala. O restolhar de um programa, o suspense, a própria respiração. Para mim, este foi o momento mais especial e surpreendente daquela noite: parecia que a sala estava intensamente viva, e essa vida abafava o som do piano. E, por uma vez, não estou a falar das tosses - que também as houve, embora poucas.
Por sorte, logo a seguir apresentaram quasi una fantasia de György Kurtágs, de novo com músicos espalhados pela sala toda, o que nos permitiu concentrar-nos na música e esquecer aquela estranha sensação de estar numa sala a fervilhar de vida.
Finalmente, Berlioz: grande sinfonia fúnebre e triunfal. Música fúnebre no concerto comemorativo da casa? Parecia estranho, mas foi só até a música começar. Não me lembro de ter visto a orquestra alguma vez disposta desta maneira: os instrumentos de sopro à frente e no centro, os de cordas nas filas de trás. Os mais de 120 músicos no palco faziam uma barulheira impressionante - se era uma sinfonia fúnebre, com certeza traria a secreta intenção de obrigar os mortos a ressuscitar e a sair do caixão em passo de dança. E quando, ao fundo da sala, se ergueram instrumentos musicais que só me lembro de ter visto nas bandas de música da aldeia, coisas folclóricas de impressionante dimensão, não consegui conter o riso. Aliás: não fui só eu. O público tinha um ar muito alegre.
Depois do concerto fui ainda para a Kammermusiksaal, ao lado, onde o Wim Wenders ia apresentar o filme que fez sobre a Filarmonia. Estavam a servir comida deliciosa, e bons vinhos. Não nos deixaram entrar para a primeira sessão, porque a sala estava repleta, pelo que ficámos por ali a conversar com este e aquele, e a provar a comida e o vinho uma e outra vez.
Assim estávamos pacatamente, quando a primeira sessão acaba - e quem desce as escadas mesmo na minha direcção? Ela mesma. A Angela Merkel. Parou ao meu lado, conversando com alguém que se despedia e lhe desejava uns próximos anos com muitos sucessos. O outro foi-se embora, ela ficou sem interlocutor, olhou em volta, e os seus olhos pararam nos meus. Estavam vazios.
E agora, que faço?, perguntei-me. Num reflexo, a minha atenção foi intensamente atraída para o tecto da sala, como daquela vez que o marido da presidente da Finlândia foi apanhado em flagrante a olhar para o medalhão, digamos assim, da princesa Mary da Dinamarca.
Bem sei que lhe devia ter sorrido, e perguntado simpaticamente se não era possível aliviar a austeridade dos portugueses. Mas temi que ela me lembrasse que os portugueses elegeram e pagam ao seu primeiro-ministro para ele tratar desses assuntos, ou que me dissesse que quem faz o orçamento de Estado de Portugal não é ela.
Depois fui ver o filme do Wim Wenders. Ele estava no meio do palco, com um cesto cheio de óculos para 3D, perguntava com o seu vozeirão "já todos têm óculos?" e ia levar alguns a quem não tinha. Mais uma vez: Berlim!
O filme é amoroso. Não o golpe de génio de Pina, mas uma bonita declaração de amor à Filarmonia.
(Desta vez o Wim Wenders não comeu pipocas)
O verdadeiro título devia ser: "Concerto histórico - cinquentenário da Filarmonia do Sharoun - secção Caras". Mas depois achei que me dava jeito ter aqui 20.000 leitores, por causa da publicidade e assim, e zimbas. Além disso, não sei porque é que eu haveria de fazer os títulos com mais cuidado e honestidade que a maioria dos jornais portugueses.
Em todo o caso: se querem saber do tal encontro histórico, avancem para o antepenúltimo parágrafo do post.
O concerto começou com uma gargalhada: Simon Rattle no seu estrado, a levantar a batuta para um palco vazio. As mãos dele dançavam, e ouvia-se música - vinha das galerias laterais, bem lá em cima.
Seguiram-se os discursos. Curtos, interessantes, divertidos.
Citaram uma carta de Max Frisch endereçada a Hans Scharoun: "raramente aconteceu uma realização de arquitectura contemporânea suscitar em mim tanta alegria como a sua Filarmonia de Berlim. (...) Esta sala é uma das grandes obras do nosso século. O senhor sabe isso, mas quero que saiba também o quanto lhe estamos gratos." Falaram da coincidência histórica: a Filarmonia foi inaugurada no dia em que Adenauer abandonou o governo do país. O presidente da Associação Amigos da Filarmonia lembrou o papel dos berlinenses, que juntaram 1,5 milhões de marcos em donativos (o orçamento inicial andaria pelos 5 milhões de marcos), e suspirou "bons tempos aqueles, quando os cidadãos se uniam para construir alguma coisa, em vez de ser para a impedir". Também falou do descarrilamento dos custos: a obra acabou por custar mais do triplo do que fora orçamentado, "honi soit qui mal y pense". (O Wowereit, presente na sala, deve ter largado umas lagrimitas de "finalmente alguém que me compreende" - ele é o político responsável pelo descalabro do aeroporto de Berlim.) Lembrou ainda uma frase do discurso do então Ministro da Cultura berlinense, no dia da inauguração do edifício: "a Filarmonia não deve ser servida apenas pelo Estado; a ajuda será tanto mais valiosa, quando for fruto de decisões voluntárias e pessoais das pessoas que optem por dar um exemplo de participação cívica, sem a qual nenhuma sociedade livre pode existir", rematando, bem-disposto: "por isso, meus amigos, corram a inscrever-se na Associação Amigos da Filarmonia, corram a contribuir!"
O Wowereit também falou, e foi por ele que fiquei a saber que a Angela Merkel estava na sala. Acho que fez um discurso engraçado, mas já não me lembro do que disse, porque comecei a procurar a chanceler. Estava no bloco A, à esquerda (curioso, todos os políticos estavam a à esquerda - até o Wolfgang Schäuble: esse, estava à extrema esquerda).
Com o meu telemóvel jurássico fiz para os leitores deste blogue uma fotografia tipo "onde está o Wally". Podem encontrar facilmente: Schäuble, Merkel, von Weizsäcker, Wim Wenders, Norbert Lammert.
A peça do Rihm não foi tão má como eu temia. A do Ralph Vaughan Williams, que demorou o mesmo tempo da do Rihm, foi muito mais curta.
Em termos de "música no espaço", a primeira parte do concerto fez demonstrações de:
- dois grupos de músicos, um à esquerda, outro à direita, como Gabrieli já tinha feito na catedral de Veneza ;
- músicos espalhados por toda a sala (Rihm);
- três orquestras no palco: uma de música de câmara mesmo à frente, uma grande à volta desta, uma pequena na parte mais alta do palco (R. V. Williams).
Intervalo. Tentei cuscar os presentes famosos, mas não tenho jeito nenhum para isso, porque a minha memória visual é terrível. Preciso urgentemente de fazer uma assinatura da Gala...
A segunda parte do concerto começou com uma pequena nota de humor: o director da Filarmonia leu uma mensagem de um frequentador habitual, contando que no dia tantos de tal estava à espera da sua acompanhante, desesperado com o atraso, e como ela nunca mais vinha, ele deixou o segundo bilhete ao porteiro, para o dar a quem o quisesse. Passados 3 anos, casou com a senhora que ficou com o bilhete. Não é que tenha muita importância, mas é um retrato de Berlim, e do seu ambiente descomplicado, familiar, divertido.
Também mostraram um filme curto e bem-disposto sobre a história do edifício. A construção, o muro que lhe construíram a poucos metros de distância, e que atirou a Filarmonia para uma espécie de fim do mundo, os concertos tão diversos que por lá passaram, os seus três maestros, a queda do muro e o concerto histórico do Barenboim, oferecido aos habitantes de Berlim Leste (dizia um deles "esperámos 36 anos por este concerto!"). E uma condutora de táxi a dizer que quando leva visitantes da Filarmonia de regresso a casa eles ainda vão a cantarolar.
Não se pode dizer que a Mitsuko Uchida tenha tocado a "sonata ao luar" (1º andamento) de Beethoven - limitou-se a deixar que os seus dedos a sussurrassem ao piano. O que, naquela sala, teve um estranho efeito. Como a acústica é realmente muito boa, o delicado pianissimo fez com que se ouvisse demasiado bem a presença de duas mil pessoas na sala. O restolhar de um programa, o suspense, a própria respiração. Para mim, este foi o momento mais especial e surpreendente daquela noite: parecia que a sala estava intensamente viva, e essa vida abafava o som do piano. E, por uma vez, não estou a falar das tosses - que também as houve, embora poucas.
Por sorte, logo a seguir apresentaram quasi una fantasia de György Kurtágs, de novo com músicos espalhados pela sala toda, o que nos permitiu concentrar-nos na música e esquecer aquela estranha sensação de estar numa sala a fervilhar de vida.
Finalmente, Berlioz: grande sinfonia fúnebre e triunfal. Música fúnebre no concerto comemorativo da casa? Parecia estranho, mas foi só até a música começar. Não me lembro de ter visto a orquestra alguma vez disposta desta maneira: os instrumentos de sopro à frente e no centro, os de cordas nas filas de trás. Os mais de 120 músicos no palco faziam uma barulheira impressionante - se era uma sinfonia fúnebre, com certeza traria a secreta intenção de obrigar os mortos a ressuscitar e a sair do caixão em passo de dança. E quando, ao fundo da sala, se ergueram instrumentos musicais que só me lembro de ter visto nas bandas de música da aldeia, coisas folclóricas de impressionante dimensão, não consegui conter o riso. Aliás: não fui só eu. O público tinha um ar muito alegre.
Depois do concerto fui ainda para a Kammermusiksaal, ao lado, onde o Wim Wenders ia apresentar o filme que fez sobre a Filarmonia. Estavam a servir comida deliciosa, e bons vinhos. Não nos deixaram entrar para a primeira sessão, porque a sala estava repleta, pelo que ficámos por ali a conversar com este e aquele, e a provar a comida e o vinho uma e outra vez.
Assim estávamos pacatamente, quando a primeira sessão acaba - e quem desce as escadas mesmo na minha direcção? Ela mesma. A Angela Merkel. Parou ao meu lado, conversando com alguém que se despedia e lhe desejava uns próximos anos com muitos sucessos. O outro foi-se embora, ela ficou sem interlocutor, olhou em volta, e os seus olhos pararam nos meus. Estavam vazios.
E agora, que faço?, perguntei-me. Num reflexo, a minha atenção foi intensamente atraída para o tecto da sala, como daquela vez que o marido da presidente da Finlândia foi apanhado em flagrante a olhar para o medalhão, digamos assim, da princesa Mary da Dinamarca.
Bem sei que lhe devia ter sorrido, e perguntado simpaticamente se não era possível aliviar a austeridade dos portugueses. Mas temi que ela me lembrasse que os portugueses elegeram e pagam ao seu primeiro-ministro para ele tratar desses assuntos, ou que me dissesse que quem faz o orçamento de Estado de Portugal não é ela.
Depois fui ver o filme do Wim Wenders. Ele estava no meio do palco, com um cesto cheio de óculos para 3D, perguntava com o seu vozeirão "já todos têm óculos?" e ia levar alguns a quem não tinha. Mais uma vez: Berlim!
O filme é amoroso. Não o golpe de génio de Pina, mas uma bonita declaração de amor à Filarmonia.
(Desta vez o Wim Wenders não comeu pipocas)
20 outubro 2013
concerto histórico: cinquentenário da Filarmonia de Scharoun
Já falei deste concerto, e o Paulo Almeida falou ainda melhor.
Passa no Digital Concert Hall, com acesso gratuito, a partir das sete e meia da tarde (seis e meia em Portugal). Por engano, quer eu quer o Paulo escrevemos anteriormente que é às oito/sete.
(roubei a fotografia ao Paulo, que a roubou ao seu autor: Martin Liebscher)
promenade concert (2)
- CA - Já escutaste os vídeos de flamenco?
- M -Sim, todinhos.
- CA - Gostas da saudosa Montserrat Figueras? Adoro-a! Uma canção de embalar: http://www.youtube.com/watch?v=7bIoe8JXhQk
M - A última vez que ouvi a Montserrat Figueras, recordo-me, foi em Portugal, no Europarque, em SM da Feira, em 1998. No mesmo dia ouvi os Segréis de Lisboa, que também nunca mais ouvi desde então.- M - Os Segréis de Lisboa, dirigidos pelo Manuel Morais, que também os fundou. Os instrumentos são de época, o que é uma bênção. São um belíssimo agrupamento, de qualidade reconhecida. http://www.youtube.com/watch?v=qQHBKCTbVfM

Venid a sospirar al verde prado - Anónimo (Cancionero de Belém)
CA - «Tu eres soledad que esta comigo» -- que lindo! - CA - Gostei muito! Conheces os Sete Lágrimas?http://youtu.be/0649NZLmTVs

Concerto de Abertura - 5.º Festival Terras sem Sombra 2009 - Sete Lágrimas
CA - Agora, para mim, está na hora de ir nanar. Boa noite. Deixo-te a June Tabor em «Send Us a Quiet Night»: http://youtu.be/0k4YPJo33DI 
Send Us a Quiet Night - June Tabor
CA - [depois, por favor, apaga a luz e desliga o aparelho de som]- M - [desligando a luz e o aparelho de som; fechando a porta devagarinho]
- C - (aos dois)
- Helena - 561 comentários?!!! com vídeos?!!! e comentários - ainda por cima! - interessantes?!!!!
(agarrem-me, que eu estou com vontade de ir ler tudo!)
M - Gosto muito do Jarousski, já o ouvi ao vivo 2 vezes, não duvido de que terá um futuro magnífico, mas quem eu gostava mesmo de poder ter conhecido era o Alfred Deller. Haverá algum contratenor que algum dia venha a cantar como ele? Teríamos todos a ganhar com isso. Usando as palavras do CA aí uns 300 comentários acima, "não estamos preparados para que a arte seja perfeita", mas com o Deller, se não foi, andou muito perto. Eu era capaz de abdicar de uma hora de vida para o ouvir cantar durante 15 minutos ao vivo, mas como isso não é possível, nem com os cUnhAcimentos da Helena (o que é uma pena imensa, registe-se), vou esperar por outros planos imateriais onde, se Pitágoras não se equivocou, se pode ouvir a "música das esferas" e esperar cruzar-me por lá com o Deller e com a sua incomparável voz. Por último, esta caixa de comentários também está a ser impagável para mim. Está a ser uma espécie de "Procópio" que tem sido muito bom frequentar. Obrigada a tod@s. [Quando ao vídeo que aqui fica, levai a letra em consideração: é possível que queirais mesmo chorar enquanto ouvis A. Deller cantar este precioso excerto do extraordinário compositor que foi Purcell.]http://youtu.be/CaURm_geF1A
Alfred Deller "O, let me weep" The Fairy Queen
Alfred Deller sings "O, let me weep" from The Frairy Queen by Henry Purcell Baroque Ensemble Gustav Leonhardt
CA - M., já conhecia este excerto, mas é sempre bom escutá-lo; de facto, é belíssimo. Do Alfred Deller, tenho dois álbuns: «Henry Purcell: Music For A While» e «Folksongs».
CA - Quanto à caixa de comentários, tem sido muito interessante. Temos que lançar uma colectânea!CA - De momento, permaneçamos em Inglaterra e com Purcell: Janet Baker, «When I am laid in earth» (Dino Aeneas) [http://youtu.be/D_50zj7J50U]. Tão comovente...!- http://www.youtube.com/watch?v=pBO5-BcgkxA

CECILIA BARTOLI LASCIA LA SPINA, COGLI LA ROSA HANDEL YouTube(...)
M. - De regresso à música, CA, do Alfred Deller, creio que "Leçons de Ténèbres pour le mercredy" do François Couperin é um must have. Para além de a música ser uma obra-prima (assente num texto belíssimo e comovente, é verdade), esta gravação é uma das melhores interpretações do A. Deller, a direcção é absolutamente irrepreensível (andamento sempre perfeito), a interpretação dos músicos é divina, os instrumentos são de época, e custou-me aí uns dois contos. Enfim, imagino que o Céu seja isto ou algo de muito parecido. *suspiro* [A Troisième Leçon, por exemplo, é sublimemente cantada pelo A. Deller e pelo Mark Deller, se a memória me não trai. A Montserrat Figueras também gravou com a M.ª Cristina Kiehr. Adoro-a, como sabes, mas na comparação com o Deller tenho de lhe dar a prata. Para mim, ninguém canta as "Leçons" como ele.]http://www.harmoniamundi.com/#/albums?id=120 
harmonia mundiwww.harmoniamundi.com
Créée à Saint-Thomas de Leipzig le vendredi saint de l'année 1736, la "Grande Pa...
M - CA, como melhor interpretação do Lamento de Dido, elejo a da Barbara Bonney, e acho difícil que a destronem. [Eu embirro um bocadinho com o cravo na Dido & Eneias, embirro, embirro. Não é cravo, não é cravo, não é cravo. Devia ser proibido.] http://youtu.be/ksujdPgbkxk

Barbara Bonney "Thy hand, Belinda...When I am Laid in Earth" Henry Purcell
Barbara Bonney Barbara Bonney is one of the leading lyric sopranos of her genera...- M - C., para ficar sem fôlego com a Bartoli, por favor escutar, se ainda o não fizeste, "Son qual nave", do Riccardo Broschi, escrito para o mano, conhecido como "Il Farinelli". A música é um pouco pobre (o tema é algo básico e as resoluções são, além de previsíveis, precipitadas, porque o Broschi mais velho não tinha lá muito talento musical, mas não lhe ensinaram outra coisa), porém, o que importa é atentar nos ornamentos e no modo como a Bartoli os executa, fazendo notas de apoio de fracções de segundo, os finais de frase sempre completos e bem fechados, os trillos perfeitos, enfim, não vale a pena descrever, é mesmo ouvir, tudo isto num andamento frenético, e a voz dela são as ondas que agitam, ou a embarcação em perigo, sou eu já à deriva (?), a dada altura não sei bem, só sei que depois daquele final portentosíssimo só tenho uma palavra para descrever o que a Bartoli acabou de fazer e eu acabei de ouvir, incrédula: inumano. [Ouvi isto umas quatro vezes antes de escrever o comentário.] http://youtu.be/kzGvIGEkkqo

Cecilia Bartoli - Son Qual Nave (FULL STUDIO RECORDING)
From her marvelous new treasure of an album, "Sacrificium". Please go and buy it...
M - [desligando a luz e o aparelho de som; fechando a porta devagarinho] - C - carinho, conhecia (e tenho) tal cd (falo para a M.). a bartoli é divina. agora: must have? ok, lá terá de vir a caminho. thank you so much.
CA -M., antes de mais, muito obrigado pela recomendação de «Leçons de Ténèbres pour le mercredy» de François Couperin com Alfred Deller. Também não escutei a obra na voz da Figueras. Procurarei escutar ambas as gravações. Quanto a Dido & Aeneas, gostei muito da Barbara Bonney no Lamento de Dido, mas prefiro a Janet Baker (uma nota: o vídeo que aqui deixei tem um som mau, mas no disco de Dido & Aeneas com a Baker o som é substancialmente melhor). Por fim, quanto à Bartoli, enfim, não sei o que te diga, excepto que a adoro, quer como cantora, quer como pessoa. - CA - Não, não foram insónias. Adormeci às 23 e qualquer coisa e acordei por mim, sem despertador.
CA - Com votos de um bom dia para a C., a M., a Helena e quem vier por bem, Ms. Nina Simone! http://youtu.be/GUcXI2BIUOQ 
Nina Simone - Ain't Got No...I've Got Life
This version kicks ass!
C - M., que ontem estava a trabalhar (agora tb o deveria estar, mas porra, deixem-me fazer uma pausazinha para almoço!!), bartoli castrada (salvo seja) de tirar fôlego é, para mim, esta/desta (aos 1'53'' do tubio. ouvir aos gritos, sff):- http://www.youtube.com/watch?v=9RdNjdJbmXE

Cecilia Bartoli,,Cadro, ma qual si mira by Francesco Araia,L'Art - C - e de me pôr de lágrimas nos olhos, é esta:
http://www.youtube.com/watch?v=MugXdU-h6UU

Cecilia Bartoli - Ombra Mai Fu (FULL)
From her marvelous treasure of an album, "Sacrificium" Please go and buy it!! Su...Ver mais
C - (o final é de arrepiar)e é das tais impossíveis de ouvir uma só vez fica em repeatah, Marta, e sim: inumano. inumano.
CA - Gosto muito destes exemplos que a C. aqui trouxe -- obrigado! Mas devo dizer que toda a Bartoli é de tirar o fôlego, seja pela pirotecnia vocal que nos impede de fechar a boca, seja por nos deixar à beira de um colapso emocional. E quando finalmente a conhecemos, percebemos que, sendo uma cantora com uma técnica e uma qualidade artística inumanas, é a mais humana das divas.Em termos de pirotecnia vocal, deixo aqui uma preferência pessoal, de um dos seus discos que mais vezes escuto: http://youtu.be/rpDF9hMPVkA
Cecilia Bartoli - Un pensiero nemico di pace
Cecilia's incredible album "Opera Proibita", from Handel's "Il trionfo del Tempo e del Disinganno"C - amoooo o opera proibita- ela não existe. sério. ela NÃO existe.(mt boa escolha, CA)
- CA - (obrigado, C.)
- A - vocês não querem criar outro post, não?
- CA - Por falar em colapso emocional, deixo-vos com Ewa Podlés, o meu contralto de eleição: http://youtu.be/deg0eqXf18E

Ewa Podleś, "Voce di donna o d'angelo". LA GIOCONDA, A. Ponchielli.
Gran Teatre del Liceu. Barcelona 2005.C - AHAHAHHAHA. por mim, e se a Helena continuar a autorizar-nos, não, acho muito bem ser aqui. além de que vai batendo records sucessivos de 'post da helena araújo mais comentado no facebook'! - CA - A, só agora retornas?! Humm, como punição, desejo-te uma viagem à Islândia e à Coreia do Norte na companhia das tuas «bêtes noires».
CA - E por falar em Islândia, deixo aqui uma canção que, imagino, o ministro da Defesa (que conseguiu levar mais dinheiro no OE 2014; certamente, o Aguiar Branco fez por o merecer, if you know what I mean) dedica a todos nós:http://youtu.be/6KxtgS2lU94 
Björk - Army Of Me
M - Embirro com as óperas do Haendel, excepto "Rinaldo" e "Ácis e Galateia". O "Ombra mai fu" mais bonito que já ouvi cantou-o o Andreas Scholl, a seguir a "Verdi prati", como encore num concerto. O meu contralto de ouro-diamante-platina é a Sara Mingardo. Está visto que os gostos só podem mesmo constatar-se, nunca discutir-se.
CA -M., a Sara Mingardo é excelente. Tenho alguns discos dela (de compositores do barroco italiano) e já a ouvi ao vivo no Festival de Música da Póvoa de Varzim (no «Stabat Mater» de Pergolesi). Contudo, para mim, a Ewa Podles é absolutamente excepcional. Em todo o caso, o bom disto tudo é que boa lógica é a da acumulação do que é bom, e nunca, mas mesmo nunca, a da exclusão. E os gostos, acima de tudo, partilham-se; no mínimo, ficamos a saber mais do que sabíamos anteriormente; no máximo, ganhamos a oportunidade de nos deslumbrarmos e de conhecer pessoas com quem temos afinidades.M - É isso mesmo, CA, subscrevo em absoluto. Por isso é que gosto de conversar assim, apresentando a minha opinião, ouvindo a dos outros, sem que ninguém corra o risco de ser considerado menos inteligente ou erudito por não gostar de alguma coisa de que o outro gosta. Gosto de alargar o leque do que ouço, ouvir apreciações, emoções, porque só um tonto pode achar que já ouviu tudo ou que tudo aquilo que ouviu é que é o melhor que a arte tem. Por isso é que já disse e repito que esta "conversa" tem sido muito gratificante.- Ah, e eu também estive nesse concerto. O "Gloria" do Vivaldi, certo?Voltando à Islândia, a Björk é queen, sem dúvida, desbravou caminho no estilo e tem uma voz de excepção. Em todo o caso, eu também gosto da Emilíana Torrini (gosto de todas as canções dela) e do que a Soley anda a inventar, embora ainda tenha mostrado pouco. http://youtu.be/zGDrN7j6esY

Sóley - I'll Drown
CA - M., fui confirmar ao programa da 30.ª edição do FIMPV (enfim, já foi há mais de 5 anos). Ouvi-a no »Stabat Mater», sim, mas não no do Pergolesi, e sim no do Vivaldi. Fiz confusão porque uma das gravações que tenho do «Stabat Mater» do Pergolesi é com a Mingardo. Programa aqui: http://www.cm-pvarzim.pt/...- Sara Mingardo e o Concerto Italiano, dia 19, no Festival de Música — Portal da CMPVwww.cm-pvarzim.pt
CA - M., não conheço as duas cantoras que mencionas, pelo que são mais duas para ficar a conhecer!
Helena - Eu não dou vazão! Estou a ver que tenho de tirar um dia inteiro para fazer o meu tal postezinho. Mas há-de ir, que isto vai ser como Natal e Páscoa no mesmo dia no meu blogue. E aniversário.- CA - Helena,
- M - Um bom contralto já é um achado, um contralto de excelência é uma preciosidade. Quando tinha uns 16, 17 anos, queria ser como a Mingardo, quando fosse estudar canto (queria ter mais uns anos em cima). Depois, apanhei uma professora que me disse que eu tinha o registo dos graves muito brm trabalhado, que o que eu precisava era de trabalhar os agudos, e pôs-me a cantar no registo dos sopranos. Após muita insistência da minha parte, lá passei para mezzo, mas como não era aquele registo que eu queria trabalhar, acabar por mandar tudo às favas. Para eles era óptimo, porque fiz de tudo, até cantar uma ária do Polifemo (que é um baixo!) da Ácis e Galateia do Haendel. Meh. http://youtu.be/WTjksYe2KvI

Händel: O ruddier than the cherry (Acis and Galatea)
- Helena - Oh, diabo. A CS entrou na conversa, agora é que vamos aos 800!Podes, pois. Hades dar com os ossinhos no estrangeiro, e ao fim de 25 anos de desterro hades desembocar num concerto da Mariza, e depois falamos.
- CS - Hum, falas-me então do cabaz da saudade, ou lá como lhe chamam. Aquele onde convivem as chouriças, o azeite, o bacalhau (em bolinhos ou pastéis, tanto faz) os pastéis de Belém, as maçãs Bravo de Esmolfe, a uva Moscatel, o fado, o corridinho algarvio ou minhoto. Ai que já não chega o cabaz, tem mesmo de ser uma valise en carton Ainda falta, uma garrafinha de Quinta do Vallado, um pão alentejano, uma broa de Avintes, um queijo da Serra, da Ilha ou de Azeitão...
- M - Falta um pão-de-ló de Margaride e um queijo de Azeitão. E um bom vinho do Douro.
- Helena - estás-te a esquecer dos rissóis!O bom vinho do douro já lá está: Vallado. Mas uma garrafinha só?! Forretas! Não enche nem a cova de um fígado.
- CS - Ora essa, M., o queijinho de Azeitão já lá está e o tinto também (é do Vallado)Oh pá, adiantastestes
- M - Ai que eu não vi. O queijo de Azeitão também já estava. As meninas sabem o que é bom.
- CS - E os jaquinzinhos fritos com arroz de tomate e pimentos
- CS - Menos glamourosa, mas prefiro-a ...http://www.youtube.com/watch?v=C1ZzG8moM-M

Deste-me tudo o que tinhas
TC - 600 e tal comentário??? bolas, adoro seguir as conversas sobre os teus pots mas isto é muita coisa
Helena - Foi crescendo com as saudades, que queres? Com as saudades do tintol, do verdol, do Vallado, dos alentajanitos...
(e depois, a dificuldade de escolher entre os tantos Portos diferentes, prova deste, prova daquele, não me decido, toca a provar de novo...) (vais ver, quando cá estiveres: para ires para o quarto de banho, tens de passar pela nossa cave do vinho) (que é no sotão - devemos ser a única família do mundo que sobe à cave)- Helena - o que cresceu foi o fígado, não os comentários...
C - 1º que li: a emiliana torrini é demais!!n conhecia a sóley, parece-me bem. obg
2º- n conhecia a mingardo (aliás, como n gosto de ópera, n conheço quase cantores/as nenhuns), fui ao tubio, apanhei-a no ombra mai fu e - não me batam - n gostei nadaM., puxão de orelhas para essa tua profª de cantoM., vinde a meus braços (pão-de-ló de margaride)
srªs outras que entraram na conversa, olá, que bom, é desta que vamos chegar aos 1.000 comentários!!C - e agora a bomba da noite - pois que, Marta, não concordo contigo neste particular: «sem que ninguém corra o risco de ser considerado menos inteligente ou erudito por não gostar de alguma coisa de que o outro gosta. » esta tua frase parece vir no seguimento do que o CA dissera (« Em todo o caso, o bom disto tudo é que boa lógica é a da acumulação do que é bom, e nunca, mas mesmo nunca, a da exclusão. E os gostos, acima de tudo, partilham-se; no mínimo, ficamos a saber mais do que sabíamos anteriormente; no máximo, ganhamos a oportunidade de nos deslumbrarmos e de conhecer pessoas com quem temos afinidades»), mas não vem, porque - na minha opinião - cai num relativismo que estava ausente da opinião do CA. se bem interpretei, este defende - e, se for esse o caso, eu com ele - que, desde que haja acumulação 'do que é bom', e que a troca de opiniões/gostos nos enriqueça e a nós e aos outros, encantados da vida. MAS outra coisa é defender que tudo se equivale (como me parece que fizeste), porque NÃO se equivale. e acho que tu sabes isso tão bem quanto eu.
dito de uma maneira mais brutal - há sim gente mais inteligente, há sim gente mais erudita, e que por isso tem um gosto mais apurado, refinado, conhecedor e MELHOR, do que muito muita outra gente, com a qual a conversa nem sequer é possível, porque as visões estéticas são antagónicas.
não é, naturalmente, o caso de nenhum dos que tem habitado esta caixa, salvo de uma tal C. quando postou essa maravilha de pirotecnia vocal que é o Ninguém, do Marco Paulo - TC - bamos batere um recórde, carago!
- C - bamos a isso!!
- CS - apanham uma mulher a tratar do jantar e é isto... ó C., isso assim não vale: uma frase em cada comentário, chegas mais longe do que os cortes nos nossos salários, pá! Agora retiro-me porque tenho aulas para dar de manhã cedo. Mas deixo aqui um presente para bóceses http://www.youtube.com/watch?v=or2vVl8ob_k

Philippe Jaroussky - "Lo seguitai felice" composé par Antonio Caldara
C - é, tenho tendência a escrever nas caixas de comentários como se estivesse no msn / chat online :))- e obrigada, jaroussky é sp óptimo (menos para o meu cão que fica a fazer ginástica orelhal com tão estranho timbre
- Helena - C., e quem escreveu um post a dizer que gostou de um concerto da Mariza, heinhe? em que ficamos? Posso continuar por aqui, ou é melhor ir frequentar um muralzito ao lado?
(uma vez tivemos uma conversa de morrer a rir, um grupo de portugueses e uma cantora lírica. Um dos portugueses dizia que gostava era do Andrea Bocelli, e que o achava melhor que o Pavarotti. Ainda agora me dá vontade de rir ao pensar na cara chocada da cantora lírica.)
Mas tem lá cuidado com o modo como falas das pessoas com o gosto musical menos educado (como eu, no caso do fado):ajuda mais dizeres do que gostas e porque gostas, do que estares a dar a essas pessoas a sensação que são parolas e analfabetas dos ouvidos. Não me estou a queixar, não foi assim que me senti, mas prefiro esse tal relativismo da M. às tuas verdades nuas e cruas.
(isto sou eu a imaginar que 700 comentários mais tarde a M. já me terá perdoado eu ter gostado da Mísia naquele concerto a que assisti em Karlsruhe, vai para quase vinte anos) - Helena - se gostas de Jarousski, olha então este, que (eu, felizarda!) lhe ouvi na semana passada aqui na Filarmonia:
http://youtu.be/Og29n0VxhZQ (lembra o Ombra Mai Fu, mas o início obriga a um fôlego mais longo, e é mais delicado)

Nicola Porpora - Polifemo "Alto Giove" Philippe Jaroussky
- C - :| mas, helena, eu deixei claríssimo que não me referia a ninguém desta caixa! e enquadrei perfeitamente a que tipo de 'gosto' me referia, na citação auto-irónica da minha postagem da canção do marco paulo!
não 'me venham' é querer convencer que não há um gosto erudito e conhecedor face a gostos que não o são porque, efectivamente, verdade nua e crua, não tenho paciência nem para esse tipo de discurso nem de 'postura'. gostos não se discutem? pois claro que não, mas educam-se!, como todos bem sabemos aqui nesta caixa, e é aliás esse mesmo - penso - o nosso propósito: partilhar os nossos gostos, e revelando as divergências que possa haver, mas que são gostos educados (repito, seja em que género musical for). - C - ahahhahahahah
- Helena - Também podemos falar de vinho. Noto bem a diferença entre uma garrafa de 2 euros e uma de 20. Infelizmente as de 20 não abundam cá em casa. Excepto quando nos acontecem coisas maravilhosas, como trazer os restos de uma feira de vinhos. Há tempos tivemos aqui uma semana que foi um stress, a aviar garrafas já abertas de 200 euros, de 150 euros, e por aí abaixo. Quando chegámos às de 50 dissemos desdenhosamente que era zurrapa...
T - serei aqui a seiscentos e setenta e quatro - eia sus!- Helena - então eu sou a seis sete cinco, hehehe
- C - seis sete seis
- (este é um bom truque para chegarmos aos 1000 num instantinho)
- T - minha colaboração: se eu fosse o Onassis, jamais largaria a Callas para ficar com aquela outra americana semgracinha [deve render pelo menos uma meia dúzia a mais, acho eu]
- Helena - Mas é batota. Vá.
- Como ia dizendo ali atrás: pensava eu que acima de 20 euros na garrafa de vinho já não notava a diferença, mas agora sei que há uma diferença entre 20 e 200 que até eu noto. É como a Jackie Evancho e a outra magrinha mais velha.
- Helena - também a achas sem graça, T.? A mim, faz-me impressão aqueles olhos tão afastados um do outro.Mas quando punha aquelas luvas brancas compridas, e aquelas pérolas... ai.
Agora: se a Callas também pusesse luvas brancas e pérolas, pois lá está, não sei porque é que o Onassis havia de querer trocar.
- T. - com aquelas luvas brancas e aquelas pérolas até nós, Helena, até nósT. - eu nunca sabia se devia olhar para o olho da esquerda ou da direita
- Helena - hahaha, T., a olhar ora para o esquerdo olha para o direito parecemos aquela cena do blow up.
- T. - se vc está falando do filme blow-up eu sempre durmo no meio, não sei que cena é essa
- Helena - Ai que são horas de ir dormir! é aquela cena em que o público está a assistir a um jogo de ténis, e filmam o pessoal a virar a cabeça para a direita, a virar a cabeça para a esquerda, a virar a cabeça para a direita, etc.E agora vou mesmo dormir. Amanhã, conto encontrar aqui 1000 comentários.
Boa noite - divirtam-se!
C - beijinhos, dorme bem- T - a coisa do tênis eu sei - coitada da mulher, os olhos dela não eram TÃAAAO separados assim, vc é mesmo maldosa - agora vai dormir
- Helena - hahaha, T. (o que eu gosto desse teu humor!)
- CA - CS, a Aldina Duarte é a prova de que para bem cantar o fado não é necessário ter uma grande voz; bem mais importante é saber o que fazer com o que se tem. Aprendeu a arte com Beatriz da Conceição, e está tudo dito.
- M - E fartou-se de estudar, a Aldina.
- CA - Da Catalunha para vós. Boa noite! http://youtu.be/bHCAgJbRkF8

Sílvia Pérez Cruz - " Vestida de nit "
CA - (Gosto tanto dela!)
- [desligando a luz e fechando a porta]
- (Queria ir à Catalunha na próxima Páscoa, por causa de umas cerimónias da Semana Santa tradicionais, animadas pelo Lluis Llach. Mas não vai ser esta Páscoa, porque tenho de trabalhar nessa altura.)
- C - CA, amei!! inda por cima a canção fica no ouvido, lá vou ficar eu a assobiá-la o dia todo... bjs, obg.
- CA - Ora essa, C.; de nada! Bjs
CA - Esta caixa de comentários, que começou com tanta vida, está a morrer aos poucos; enfim, é inevitável. Para terminar a minha participação aqui, deixo-vos uma canção muito, muito especial para mim. http://youtu.be/Fkx-elBdKi4 
JOAN BAEZ ~ Sad-Eyed Lady Of The Lowlands ~.wmv
C - quem está a morrer aos poucos sou eu, com tanto trabalho (é a justificação da minha temporária ausência)CA - C., o meu comentário não era uma reclamação; eu acho mesmo que é inevitável (se assim não fosse, daqui a pouco chegariamos ao milhar de comentários!). Espero que isso do excesso de trabalho fique resolvido em breve; força e coragem! Bjs- CA - Mas devo dizer que isto foi uma experiência muito divertida e interessante!
- Helena - Concordo com o CA!
E desejo força e coragem à C. Sísifo.
Obrigada a todos pelo que fizeram acontecer aqui.
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