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22 julho 2020

QI

Apareceu-me no facebook um teste para aferir o meu QI. Durava 20 minutos, mas como era ao fim do dia, e eu até tenho uma certa curiosidade por este tipo de perguntas, decidi lançar-me a ele. Consegui responder a todas as questões menos uma. Ainda tinha 7 minutos, mas não me apeteceu pensar para tentar responder à última - tanto mais que aquilo era apenas mais uma gracinha no facebook. Quando fui ver o resultado, descobri que tinha de pagar quase 20 dólares para receber um certificado. Sem isso, fico sem saber o meu QI.

Só então fui ler as letras pequeninas: "patrocinado".
De modo que, sim, fiquei a saber o meu QI: 50, no máximo...


13 abril 2020

ilusões



O arquivo do facebook lembrou-me um post que publiquei há 4 anos:

Há no South West dos EUA (haverá outro South West?) um canyon muito estreito, subterrâneo, onde ao meio-dia os raios do sol entram a pique. O guia atira areia ao ar, para os turistas fotografarem melhor aqueles raios de luz (parece uma conferência de imprensa, é quase ridículo). Ora então, minhas senhoras e meus senhores, aqui vos deixo os raios de sol do meio-dia no Antelope Canyon:




Hoje - neste estranho Abril de 2020 - vou, finalmente, revelar um segredo bem guardado: isto é muito mais bonito nas fotografias que no próprio local. No local também é bonito, não nego, mas tem demasiados turistas, além dos fotógrafos parados no meio do caminho. E tem corredores estreitos, tem partes sem interesse nenhum. Mais vale ficarem quietinhos em casa, a ver pela internet mundos maravilhosos, sem ter o desconsolo de irem ver a realidade e ganharem uma decepção suplementar...

(Isto sou eu a tentar ver aspectos positivos nesta nem sei já quantésima semana de isolamento generalizado...)



11 abril 2020

incompetência

Dizem que o facebook nos conhece melhor que os nossos próprios pais e talicoisa, enchem-nos de pavor do atento olhar omnisciente e omnipresente do big brother, e depois vai-se a ver e o algortimo envia-me publicidade de roupa assim:


Mas que grande incompetente, o algoritmo!
Ou incompetente, ou então está em regime de serviços mínimos por causa da covid-19.

---

Hmmmm... serviços mínimos? Pessoal, toca a aproveitar para publicar o que nos apetecer - "ele" não está a olhar! ;)


10 abril 2020

o poder de dar vida


O facebook lembra-me que há 3 anos publiquei algumas fotos feitas da janela da minha cozinha em Berlim. Bem tenho tentado feitos semelhantes a partir da janela da minha cozinha em Brest, mas a palerma da lua só se mostra quando já vai bem alta, e já só se presta a "olha ali uma bola sobre tons de azul". Parva.

Agora fiquei a pensar: será que nos países das noites brancas a lua também aparece, e será que fica rasa à terra, como o sol? Noutros tempos seria capaz de pensar em planear uma viagem a um sítio desses para esclarecer a dúvida, mas agora que descobri que há vida mesmo quando os aviões ficam todos em terra, se calhar resolvia a questão com um livrinho. Ou a wikipedia, vá, que não queremos ser fundamentalistas.

O que também queria dizer: da colecção de fotos que publiquei há 3 anos, uma amiga Bebiano levou esta para a sua capa de facebook e chamou-lhe "Der Himmel über Berlin". Transformou-a: de repente esta imagem parecia-me espectacular.

Nunca serei capaz de agradecer o poder de (me) dar vida que existe nas palavras e nos gestos amigos. 


stress coronário

Por uma vez sem exemplo sinto-me contente com os exageros do Estado laico francês, que faz da Semana Santa uma semana igual a todas as outras, e não permite que esta sexta-feira seja feriado. É que - tã tã tã tãããã... - os técnicos da internet também trabalham hoje! E o que me estava destinado acabou de sair.

Habemus internetam! (ou internetum, ou internetim)

Digital Concert Hall, me aguarde!
E os outros streaming todos: também!

Chegou a minha hora de entrar no stress quotidiano deste tempo de coronavírus.
:)


07 abril 2020

regresso ao futuro

Já não me lembro há quanto tempo estou fechada em casa. Mas sei bem desde quando deixei de ter wlan e comecei a andar agarrada aos dados móveis no telemóvel como um náufrago se agarra às garrafas de vidro com papelinhos dentro: 30 de Março, quando viemos para o apartamento novo.

Desde ontem à noite o meu computador deixou de se dar bem com o hotspot do iPhone. Fiquei com internet apenas no telemóvel. E, pior ainda: não conseguia abrir a minha conta de e-mail no telemóvel - mas a minha filha conseguia abri-la no telemóvel dela. De modo que tive de lhe telefonar para ela me ler as mensagens que recebi entre ontem e hoje.

O covid-19 está a fazer sentir-me como na infância, quando estava na aldeia da minha avó e alguém que passara pela venda gritava da rua para a nossa janela a dar o recado: "vão-te ligar hoje à tarde!"
E eu lá ia para o Café de Cima, e lá esperava pacatamente sentada ao lado do telefone, para ver se ligavam, e quem era, e o que queria.

03 abril 2020

dilema

Esta manhã, àquela hora em que já não se está a dormir mas ainda não se está bem acordado, ocorreu-me que um dia destes o Macron há-de decidir aliviar um pouco as regras do confinamento, e deixará sair à rua (e até entrar nos restaurantes) as pessoas que aceitarem que os dados de localização no seu telemóvel sejam permanentemente seguidos e registados.

Pode ser um delírio daqueles em que o meu cérebro é fértil nesse momento entre o sono e o despertar (enfim, nos outros momentos também...) mas fica a questão: para ganhar a liberdade de ir passear nas praias desta região, estaria disposta a abrir mão da minha liberdade de andar pelo mundo sem ter de dar contas ao Estado?

25 março 2020

o meu coro em zoom



Ontem o meu coro teve um ensaio via zoom, e o melhor de tudo foi quando as pessoas começaram a entrar em linha: pipocavam muito alegres no meu ecrã. 
Passei uns bons quinze minutos a sorrir como uma apaixonada.
(Não sabia que gostava tanto deles.)

O ensaio começou com o maestro no centro, nós muito bem arrumados cada um na sua janelinha, e ele a explicar como é que o sistema funcionava. Confessou, a rir, que o que mais lhe agrada neste sistema é poder pôr-nos em silêncio - "quem me dera ter esta tecla durante todos os ensaios convosco!"

Fizemos os exercícios de aquecimento, e cantámos várias vezes:

Evening rise. Spirit come. 
Sun goes down when the day is done. 
Mother earth  awakens me
With the heartbeat of the sea.

(Para quem quer saber tudo: a versão que cantámos foi esta, com arranjos de Meinhard Ansohn. Mas optei partilhar o vídeo que está no princípio deste post porque me soube muito bem aquele passeio inicial pela floresta tropical.)

Depois cantámos em conjunto uma parte da peça que estamos a preparar para o concerto de Novembro. "Cantar em conjunto" é uma maneira de dizer: cada um cantava para si, olhando para o maestro que, de facto, estava a dirigir uma gravação no piano. As diferentes ligações de internet implicam velocidades diferentes para cada uma das vozes do coro, fazendo com que o conjunto seja, digamos, uma interessante cacofonia.

Ao ver o meu maestro a dirigir o vazio lembrei-me de uma cena contada por Konrad Latte, um músico judeu berlinense que conseguiu escapar ao Holocausto arrancando a estrela da roupa e usando um nome falso. O jovem Latte tinha aulas com um maestro que teve a delicadeza de não lhe fazer qualquer pergunta sobre a sua vida. Durante os terríveis anos da guerra e da perseguição ensaiavam apenas com a partitura da orquestra, e Latte contaria mais tarde no seu livro "E nem que ganhemos apenas uma hora" que os vizinhos deviam achar estranhíssimo ver pela janela os dois homens a gesticular com movimentos largos, fechados numa sala em silêncio.
(Para quem quer saber tudo: Konrad Latte foi o criador da
Berliner Barock-Orchester, que dirigiu de 1953 a 1997.)

No fim do ensaio falámos dos ajustamentos que teremos de fazer. Provavelmente haverá ensaios por naipes. E vamos usar o zoom também para ter aulas de canto individuais ou em pequenos grupos.

Outro ajustamento que temos de fazer é um controlo melhor da nossa imagem. As cenas que nós fazemos no coro, que vergonha! Os bocejos, os olhares, os esgares...
O maestro diz que para ele não foi nada de novo, porque vê disso em todos os ensaios.
Ou seja: mais uma vez se prova que este tempo estranho serve ao menos para nos revelar algo que que não sabíamos sobre nós mesmos. 

À despedida, uma das cantoras anunciou muito orgulhosa que os vizinhos dela estavam todos à janela a aplaudir.
(O que me lembrou uma gracinha que li há dias no instagram: a sugestão para ter sexo uns minutos antes da hora a que começa o aplauso aos profissionais da saúde.)

Quando desliguei, por volta das nove da noite, dei-me conta de que, pela primeira vez em muito tempo, tinha passado duas horas sem me lembrar de sentir fome. Jantei tristonha e nostálgica, ligeiramente atormentada pela dor de ter lembrado como era a minha vida antes.

Mas tenho esperança que lá para Julho as medidas de segurança vão abrandar, e sei que em fins de Setembro regresso à Alemanha e recupero o meu coro em carne e osso.
Isto não passa de um intermezzo.



06 fevereiro 2020

a nova ágora

Alvíssaras! Esta manhã acordei com a boa notícia dada por um amigo: já é outra vez possível partilhar no Facebook links para este blogue. E também regressaram os posts no Facebook com links para o blogue, e os respectivos debates a que deram origem. 

Foi por um triz: já me estava a preparar para voltar a ter as conversas na caixa de comentários do blogue, em vez de publicar aqui e ir conversar sobre estes temas para o Facebook - como tem sido prática geral há vários anos...

Tenho a certeza que a libertação é resultado do esforço de tantos amigos que se deram ao trabalho de protestar com o Facebook, e estou-lhes imensamente grata. Mais uma vez se confirma: a minha bolha é a melhor do mundo!

Portanto: o Dois Dedos de Conversa conseguiu escapar ao purgatório facebookiano para o resto da eternidade. O que é uma alegria, mas não ilude a preocupação: aparentemente basta meia dúzia de pessoas fazerem um ataque concertado a um blogue ou a um utilizador do Facebook, e o sistema retira automaticamente essa voz do espaço do debate. Sem o mínimo de controle, sem dar justificações, sem oferecer o endereço de alguém da casa que possa ser alertada para o erro cometido.

Isto é o oposto do que devem ser as regras numa cidade democrática. O exercício da cidadania e da liberdade de expressão não pode estar dependente de uma máquina que decide de forma prepotente, manipulada por ataques concertados de agentes malignos.

Se a União Europeia criasse plataformas como a do Facebook, funcionando numa perspectiva de serviço público e de respeito pelos valores das democracias europeias: mudava-me no mesmo dia para lá. E não me importava nada de pagar uma taxa suplementar por este serviço.

O que é inadmissível é ter as redes sociais - a nova ágora - nas mãos de empresas privadas que se orientam por interesses obscuros, nada devem à transparência e, como se viu, facilmente se deixam manipular por forças inimigas da Democracia.


05 fevereiro 2020

o Dois Dedos de Conversa na RTP1 (2)


Olá a todos,

era só para dizer que estou há horas a tentar abrir caminho por entre milhares de comentários e partilhas, e:

1. Não dou vazão! Não consigo ler nem agradecer todas as palavras simpáticas que me têm oferecido hoje.

2. Aposto com quem quiser que a minha bolha é a melhor bolha do mundo. Obrigada a todos! Vocês provocam-me um "gracias a la vida" em modo ear worm.


3. Agarrem-me, que estou capaz de partir para o Himalaia em busca do meu ego, que já passou acima do Evereste.
Pensando bem: agarrem-se e não façam mais elogios, que o meu ego está em risco de entrar em órbita.

4. E o mais importante: obrigada a todos.
(Oooops! Já tinha dito. Mas não importa: nunca é demais dizer.)

5. Especialmente importante: obrigada à Helena Ferro de Gouveia, à Maria João Nogueira, à Teresa Coutinho e ao Lutz Brückelmann. Meus queridos special guest stars.

6. Também importantíssimo: obrigada ao Ricardo Espírito Santo e à sua equipa, porque conseguiram condensar em 15 minutos uma torrente imparável de palavras. Foi mais ou menos assim:

- Helena, uma entrevista de 15 minutos, OK?
- Sim, claro!
- Helena, frases curtinhas, sim?
- Sim, claro!
- Então começa lá.
- Ora bem: nasci numa madrugada de Novembro sem a ajuda de ninguém, a minha própria mãe quase ia faltando a este parto, mas correu tudo bem e logo a seguir...
Duas horas depois:
- Nessa altura entrei para a escola primária e...
(espero que a RTP1 lhes pague um suplemento para a paciência)


PS1.Aquela casa não é minha! É uma guest house em Lisboa, perto do Campo Pequeno.

PS2. Link para o programa: (é a parte 3)

04 fevereiro 2020

à atenção do Facebook e da Accenture (e talvez de algum jornalista que passe por aqui)

Há dois dias o Facebook informou-me que havia oito posts meus bloqueados devido a denúncias anónimas, alegando que se tratava de spam. Pedi revisão, e ainda estou à espera de resposta. Ontem descobri que o Facebook está a bloquear o URL deste blogue, e não permite nem sequer a passagem de links em mensagens privadas.

A princípio ri-me. Achei que seria uma vingança de um grupo de pessoas que não gostaram do modo como, no mural de um amigo, rebati a sua crença de que o colonialismo português foi fofinho e tinha como objectivo "levar o progresso, a riqueza e os hábitos de trabalho àqueles primitivos".

Mas depois, ao ler o que uma amiga escreveu sobre o Dois Dedos de Conversa, caiu a ficha.
E se isto fosse muito mais do que uma vingança mesquinha? E se fosse uma
acção orquestrada para retirar visibilidade a este blogue?
Ao ser proibido no Facebook, este blogue deixa de estar presente num importante espaço de debate. Aliás: o bloqueio apagou automaticamente no Facebook milhares de posts, juntamente com os debates a que cada um deles deu origem.

Será que estamos perante um ataque orquestrado contra a liberdade de expressão no Facebook?
Será que o objectivo das denúncias que levaram o Facebook a bloquear o URL deste blogue é um sinal claro da guerra que se está a travar no espaço das redes sociais contra a presença e a visibilidade de vozes defensoras da Democracia e dos Direitos Humanos?

Gostaria de perguntar ao Facebook, e à Accenture, que é a empresa que revê os casos de denúncia:

1. Só por curiosidade: quantas denúncias anónimas são necessárias para o algoritmo tomar automaticamente a decisão de bloquear uma URL?
(É que não acredito que tenha havido algum humano a tomar a decisão de considerar spam um post sobre um concerto histórico na Filarmonia de Berlim, outro com um cartoon alemão sobre a cimeira de Davos, outro sobre a libertação de Auschwitz e a ilusão de que só naquele tempo é que se assobiava para o lado perante as tragédias humanas.)


2. Têm consciência de que podem estar a ser manipulados por uma estratégia desenhada para empobrecer e inquinar o espaço das redes sociais, deixando-se instrumentalizar por ela ao retirarem do espaço de debate público, sem qualquer controlo prévio, as vozes que procuram ter uma presença ponderada, tolerante e informativa?

3. Estão conscientes da responsabilidade de estarem na linha da frente contra o que parece ser uma estratégia concertada de tomada do espaço público para o empobrecer e polarizar?

4.
Que mecanismos têm para se defenderem deste tipo de ataque concertado à liberdade de expressão no espaço do Facebook?
5. Após reverem as denúncias e chegarem à conclusão de que se tratou de facto de uma acção concertada de ataque à liberdade de expressão, que medidas vão tomar em relação aos autores das denúncias?



o Dois Dedos de Conversa na RTP1


É bem verdade que quando se fecha uma porta abre-se uma janela. Ou vice-versa, que é mais o caso.

Num dia o facebook - por acreditar cegamente num grupinho que se juntou para boicotar as minhas publicações - decide impedir a partilha de links do blogue Dois Dedos de Conversa. Nem sequer por mensagem privada.

No dia seguinte, a RTP1 transmite um programa dedicado a este blogue.
É hoje à noite, depois do jogo de futebol.

Está lá praticamente tudo, excepto um infinito menos 15 minutos que foi a parte que não coube. Também lá falta eu a escrever em pijama, numa mesa incrivelmente desarrumada, mas não se pode ter tudo...
(talvez se fizessem uma continuação da série... )


30 janeiro 2020

cuidado com os animais


Vi este aviso no mural de facebook de um amigo, e fiquei perplexa: porcos?! Então, e as ovelhas? Não me digam que o padre da infância do meu pai andava enganado quando falava desses pecados?
E que está ali a fazer o morcego? Um morcego?!!!!

Quando estava a concluir que ainda percebo menos disto que o padre da infância do meu pai, lembrei-me do mais óbvio: ir verificar.
No original da OMS não está "sex", está "contact".

E assim se esvaíram todas as minhas angústias existenciais.

Moral da história: se querem aprender tudo sobre o sexo como ele é, escolham bem o padre.
No caso de já não haver desses como os havia no tempo da infância do meu pai, a única solução é estar muito atento na internet, e verificar bem a origem da informação que lá é partilhada.

20 janeiro 2020

faz hoje três anos

O facebook lembra-me o ataque de masoquismo que me levou a assistir à tomada de posse de Trump, faz hoje três anos. Não é que tenha grande interesse, mas como diz que o blog é um diário, aqui fica o registo:


Trumpeta do Apocalipse
(José Bandeira/DN)


 The other 98%



20 de janeiro de 2017 às 17:19

Acabei de me meter no masoquismo: transmissão em directo.
Vi os filhos do Trump a entrar em cena.
Diz que o filho mais novo tem autismo, pelo que não vou fazer qualquer comentário sobre o seu comportamento.


20 de janeiro de 2017 às 17:40

O Matthias veio aqui, e disse que estou a perder tempo. Pode ser, mas não consigo desligar e ir fazer outra coisa. Pareço hipnotizada. O coelho perante a cobra.
(Esperava que o Trump trouxesse uma cartola de onde sairiam passarinhos do Twitter, mas não, parece que não vai haver efeitos especiais.)


20 de janeiro de 2017 às 18:00

Até agora, ainda só vi cinco pessoas de pele escura. Já estou a incluir os Obamas.
Adenda: afinal vi seis.


20 de janeiro de 2017 às 18:05

aaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
O discurso do Trump
aaaaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiii 


20 de janeiro de 2017 às 18:28

A pobre Jackie Evancho está tão nervosa!
Bolas, que impressão me está a fazer.


20 de janeiro de 2017 às 18:30

Acabou.


20 de janeiro de 2017 às 18:39

Ai, a cara do Obama!
"gute Miene zum bösen Spiel"...


20 de janeiro de 2017 às 18:42

Agora estou a assistir ao mesmo, mas com comentários da ARD.
Uma pessoa precisa de se sentir um pouco mais acompanhada.
(Hei! estão a entrevistar jornalistas no mundo inteiro! que disparate! então não ouviram? make America great again! a que propósito é que a ARD se dá ao trabalho de querer saber o que outros países estão a pensar?...)


20 de janeiro de 2017 às 18:47

Lá se vai o helicóptero do Obama.
Já estou com saudades.


20 de janeiro de 2017 às 19:04

O chat dos jornalistas ao lado da transmissão em directo do New York Times é o máximo.
Por exemplo:
Alan Rappeport
Washington Correspondent
12:15 PM ET

Trump says that the military, law enforcement and God are protecting the American people.
Jon Meacham
Presidential Historian
12:15 PM ET
Does God know that?


20 de janeiro de 2017 às 19:18

Obama a discursar agora.
"A Democracia não são edifícios e monumentos, a Democracia somos todos nós."
"Isto não é um ponto final, é uma vírgula"
(onde foi isto?)
Adenda: “This is just a – this is just a little pit stop. This is a – this is not a period, this is a comma in the continuing story of building America.”


20 de janeiro de 2017 às 19:30

Amendoins, que nojo.
Maine lobster and Gulf shrimp with saffron sauce and peanut crumble, followed by grilled Seven Hills Angus beef with dark chocolate and juniper juice, accompanied by potato gratin.


20 de janeiro de 2017 às 19:47


A oração antes da papinha não acaba?
Se eu fosse a cozinheira, já estava a mandar vir. Os amendoins ainda vão arrefecer, depois não prestam para nada.
(Nestes momentos lembro-me sempre do comentário de um amigo sobre umas férias no Douro, na casa de um padre:
"tinha de rezar antes de comer, mas valia a pena")


20 de janeiro de 2017 às 19:57


Ai! Já são oito da noite?!
Como o tempo passa!
Vou ver o noticiário, para saber se aconteceu alguma coisa importante hoje.
Até já.


20 de janeiro de 2017 às 23:46

O cúmulo do masoquismo, hoje, é ir ver a tomada de posse do Obama em 2009.
Agarrem-me! que estou capaz de me desgraçar...


12 janeiro 2020

melhor que uma missa

Por causa de uma série de conversas que tive esta manhã no facebook (por exemplo, sobre o dicionário do caraças que mencionei no post anterior), larguei lá este comentário:

São onze da manhã de domingo, e já me ri aqui no facebook o suficiente para uma semana inteira.
Obrigada a todos os que estão desse lado a criar bom ambiente. 


Abençoadinhos, sois uma autêntica celebração de bem-aventuranças.
---

Referia-me a esta capacidade de rirmos uns com os outros, mas alargo a ideia ao grupo "Enciclopédia Ilustrada", onde todos os dias dezenas de pessoas animam com o seu saber, o seu bom humor e a sua alegria a vida de tantos outros que estão a passar terríveis fases de sofrimentos vários.

Mais ainda: as pessoas que, apesar de estarem a atravessar uma fase de terrível sofrimento, se sublimam em publicações enriquecedoras para quem as lê.

E vocês: que exemplos de celebração de bem-aventuranças encontram na vossa vida?


08 janeiro 2020

o sabor da infância

Anteontem publiquei isto no facebook:

Sabem aqueles sabores da infância que, muitos anos mais tarde, têm o dom de nos fazer regressar a um tempo mítico?
Estou a pensar na sopa que a minha mãe fazia quando alguém estava doente: um caldo de arroz, com um fio de azeite, alguma cebola, um nadinha de batata, salsa.
Comíamos um prato, e sentíamo-nos logo muito melhor. 


Pois bem: tenho estado com uma gastroenterite desde domingo, de modo que ontem almocei essa sopinha a medo, aguentei-me bastante bem, jantei de novo a sopinha. Esta manhã hesitei entre arriscar o café, ou permanecer naquilo que sei - há muitos anos - que me faz bem. Escolhi mais um prato de sopa. 


Só vos digo: além de estar cheia de fome, já não posso mais com aquele maldito sabor da infância!


Acreditem ou não: escrevi um post a dizer que tenho gastroenterite, e apareceram-me quase 80 amigos (sim: eles dizem-se "amigos") a largar gargalhadas. Se dissesse que tinha, sei lá, salmonelas, iam parecer os malucos do riso...

(Mas todos mandaram as melhoras e, bem mandada como sou, pus-me logo fina. Já passou, já passou.)


02 janeiro 2020

virtualmente excelente

Socorro, agora até o meu telemóvel me dá a impressão de que tenho uma vida ainda melhor que a real!
Espreitei o resumo de Dezembro que fez a partir das minhas fotos, e estou aqui verdinha de inveja de mim própria.




Exposição de naturezas mortas de Van Gogh no museu Barberini:
 
O bom neto à casa torna:



O dia em que pus alemães a fazer-me as sobremesas de Natal, hihihihi
(e cantámos "oh hibisquinho, oh hibisquinho, como são verdes as tuas folhas!) (que por acaso devia ser "como são verdes e por vezes amarelas"):


 Lua cheia sobre Berlim:

A festa de Natal dos portugueses em Berlim - com os fantásticos bombos da fantástica associação 2314:


Jardim do Max Liebermann junto ao Wannsee
(e couves de Bruxelas enregeladas):


Mercado de Natal em frente ao palácio Charlottenburg:

29 dezembro 2019

muito amor

Depois de uma semana a comemorar longamente à mesa o amor e a amizade que nos temos, ocorre-me mais um nicho de mercado: alguém que invente suspensórios para collants!

(sim: temo-nos mesmo muito amor)

---

Adenda: no facebook fizeram-me muitas sugestões de truques para resolver o problema, para gáudio de alguns cavalheiros que lá passaram. Até houve quem me mostrasse uma imagem do Superhomem, para eu ver como ele resolveu o seu problema. Só faltou mesmo sugerirem uma dieta relâmpago...

Deixo aqui o meu protesto, para o caso de passar por aí alguém (que conheça alguém que conhece alguém) ligado a produtores de collants:

A quem sugeriu meias a 3/4 e assim: moças, vocês não sabem o que estão a dizer. Com as temperaturas do inverno berlinense, ia precisar de usar cuecas calção em lã para não desgraçar os rins, ou a bexiga, ou sei lá o quê.
A quem sugeriu collants dois t
amanhos acima: e porque não collants com, digamos, corte imperial? Os produtores que poupam material na parte da cintura deviam ser obrigados a usar os seus próprios collants (mas sem calças para segurar).A quem sugeriu todos aqueles truques de "pôr por cima isto e aquilo": obrigadinha. Gostava que os produtores de collants pensassem em resolver os nossos problemas, em vez de termos de ser nós a tratar de resolver os problemas que eles nos criam.



17 dezembro 2019

parece o facebook


"Isto parece o facebook!" foi o comentário revoltado e triste ouvido a uma visitante da casa de Max Liebermann, ao ler esta carta dirigida ao pintor, na altura em que fora nomeado director da Academia das Artes de Berlim:



                                                                                                                Berlim, 6 de Agosto de 1924
                                                                                                                W 15 Fasanenstraße 15



Para o senhor (professor) Max Liebermann
                                          Berlim, W. 7 Pariser Platz 7

Graças à sua capacidade tipicamente judaica de se insinuar, conseguiu o lugar de director de um Instituto Superior de Artes alemão, que é de todos o menos merecido por um judeu untuoso como você. 


Todos os alemães estão profundamente revoltados com esta usurpação infundada e esta pouca vergonha. Pode ter a certeza de que muito em breve rebentará a tempestade, e toda a escumalha mentirosa de judeus será rapidamente varrida da Alemanha, mas você será enforcado porque conspurcou a arte alemã. De facto, você só chegou tão alto devido à ajuda dos percevejos judeus que usaram o dinheiro deles para lhe pagar. O enorme movimento alemão contra o judaísmo parasita e fraudulento já não está disposto a aceitar passiva e calmamente os seus actos maléficos e criminosos, antes conseguirá, com a maior precisão e energia, exterminar para sempre essa corja. A nossa paciência chegou ao fim. No que lhe diz respeito, não lhe concederemos tempo algum para se regozijar com este triunfo. Se dentro de 8 dias não prescindir voluntariamente do cargo de que se apoderou de forma insolente, do mesmo será

v i o l e n t a m e n t e 
 afastado.


Assinado: Seidl  


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Parece o facebook, e parece os comentários nos jornais: a identificação de um inimigo ao qual se atribuem parasitismo e intenções malignas em relação a "nós" (os políticos, os refugiados, os migrantes, os ciganos, os negros de certos bairros), a ilusão de que se fala em nome de todo um povo, o apelo à violência ("e ninguém lhe dá um tiro?"), a redução de humanos a substantivos colectivos de animais ou a pragas de insectos.

Já vimos aonde é que esta linguagem, aliada a um contexto de instabilidade da Democracia, pode levar. Hoje em dia já vemos esta linguagem banalizada no espaço público, e o seu uso - consciente ou involuntário - é um importante instrumento do insidioso ataque às Democracias que está a ser conduzido "com a maior precisão e energia".

Se fosse hoje, o Herr Seidl residente na Fasanenstraße nº 15, um dos bairros mais chiques da Berlim daquela época, responderia às críticas que alguém dirigisse aos termos desta carta alegando que tem o direito de dizer o que pensa porque esta corja esquerdista ainda não conseguiu acabar com a liberdade de expressão, e que nenhuma ditadura do politicamente correcto o impedirá de dizer as coisas como elas são e como têm de ser abertamente ditas.

Que não haja dúvidas: este tipo de discurso dos Herr Seidl do nosso tempo faz parte de uma estratégia de destruição da Democracia e das impressionantes conquistas em termos de incorporação dos valores humanísticos que as sociedades fizeram após o pesadelo da segunda guerra mundial. Temos obrigação de tomar medidas para proteger o mundo do século XXI e de evitar que se repitam as catástrofes do século XX. Neste vídeo, Sacha Baron Cohen reflecte sobre algumas medidas possíveis e urgentes.  



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À margem do tema do post, deixo mais alguma informação sobre as perseguições de que o pintor Max Liebermann foi alvo por ser judeu.




01 dezembro 2019

„Jutlândia„

Calhou de a palavra do dia na Enciclopédia Ilustrada ser "Jutlândia" logo no dia em que saí para a Dinamarca. O meu post do dia foi um diário de viagem:

--


Esta vossa artista tem em casa uma pilha de livros ainda por ler que é maior que ela, mas conseguiu a proeza de sair para uma viagem de comboio pelo meio da #Jutlândia sem levar livro nenhum.
De modo que só lhe resta aproveitar o tempo com uma reportagem fotográfica manhosa.
Se forem passando por aqui, podem acompanhar em directo a (seca de) viagem que estou a ter.



Hamburgo contra o sol.
A vossa sorte é o Facebook não ter cheiros. Nem queiram saber o cheiro que o matjes deixou nos meus dedos!

Comprei
"A História da Água", de Maja Lunde (autora de "A História das Abelhas"). Uma distopia sobre a seca que vai assolar o nosso mundo. A Europa dividida entre países com água e países desertificados, e um campo francês de refugiados, onde se juntam pessoas do sul da França, da Espanha e de Portugal, que tentam - debalde, ou, literalmente: de balde - entrar nos países do norte.


Em Hamburgo entrei num comboio de dois andares e instalei -me num lugar sossegado no topo, a beber o meu café e a comer o pão com matjes, que é obrigatório quando se está tão perto do mar.
À minha frente sentou-se uma mãe jovem com o filho de três anos, e daí a nada os dois estavam a ler sossegadamente o novo livro do Astérix que eu comprei.
Quando foram à casa de banho aproveitei para lhes fotografar o farnel: caixinha de lata para o pão, garrafa para trazer a água de casa. Mais uma bola de Berlim, mais um livro.
Agora a mãe vai a ler, enquanto o miúdo ouve histórias no seu headphone.
Já estou há quase duas horas com eles, e está tudo tranquilo.
Estou a gostar imenso desta mãe que acompanha, conversa e orienta sem stress.




 
O caminho para a Jutlândia é feito de planícies verdes salpicadas de vaquinhas. Antes seria provavelmente floresta continental virgem. Ou pântanos.


Salpicada de geradores eólicos. 
Mas hoje pouco geram: não há vento.


Não sei que cidade será esta, à margem de uma auto-estrada de navios. 


Cruzamento de linhas de comboio. Nós já vamos numa via elevada, e por cima de nós passa aquela ponte altíssima. O chão de casas parece tristonho. Como será morar junto a um cruzamento de comboios que nem se dão à delicadeza de parar e convidar para ir dar uma voltinha?


Paragem de quase uma hora em Flensburg. As lojas estavam fechadas: dia da Reforma. No norte da Alemanha só os de Berlim, coitados, é que trabalham. E amanhã é feriado nos Estados católicos da RFA. Mas não em Berlim. Maldito Estado laico!

(Não tenham pena: como recompensa, o dia internacional da mulher é feriado em Berlim. Viva o feminismo!)


Ia perdendo o comboio. Primeiro fui para o cais errado. Depois fui a correr para o certo , mas à minha frente ia um senhor negro com imensa bagagem e ar de não ir para lado nenhum. Sem pressa, a ocupar o caminho todo. Entrei no comboio já depois da ordem de partida, e apanhei um raspanete em dinamarquês.
Isto começa bem!


(Fiquei a pensar se aquele senhor será um refugiado a tentar chegar à Dinamarca.)





Hey! Já cheguei à Jutlândia!

Controle de passaportes. Uffff! Felizmente lembrei-me de trazer documento de identificação. Esta história da União Europeia é enganadora: uma pessoa habitua-se a sentir-se em casa, mas é só até aparecerem os primeiros polícias a dizer “your passport please”.

 

Para já, a grande diferença entre o norte da Alemanha e a Jutlândia é terem trocado as vacas por ovelhas.

 

E é mais dourada.
 

Daqui a nada anoitece aqui na Jutlândia. Tenho de me apressar com a reportagem fotográfica.
 

Os geradores eólicos estão a trabalhar. Então como é? Será que só na Alemanha protestante é que é feriado?!Pelo altifalante avisam que estamos a chegar à próxima estação. Por enquanto dinamarquês parece-me assim: alemão falado com pronúncia francesa.
Infelizmente não saiu ninguém na estação, para eu me poder sentar do outro lado do corredor. Estou farta de fotografar a Jutlândia contra o sol poente.



Oooooh!
Colinas.Enchi-me de coragem e passei para o outro lado do corredor. Quer acreditem quer não: o sol também estava desse lado!
Não me digam que na Jutlândia há dois sóis, um à esquerda e outro à direita do meu comboio?
Vocês foram os primeiros a saber, aqui na Enciclopédia Ilustrada.



Ainda Jutlândia.

 

Mais do mesmo.

Em Fredericia mudei de comboio. E tenho o sol do lado certo. Quer dizer: do lado certo se estivesse a regressar à Alemanha. Algo me diz que os comboios na Jutlândia andam aos ziguezagues.
(Mais uma coisa que aprenderam aqui primeiro)




Não sei para onde vou, mas é bonito.
Infelizmente dinamarquês não é alemão com pronúncia francesa. Nada disso. É estranho estar num país onde não percebo patavina. Há muito tempo que isso não me acontecia.
A revisora olhou para o meu bilhete e falou-me em alemão. Simpáticos, estes jutlandianos.
Afinal a fotografia anterior era eu a sair da Jutlândia. Acabou-se-me a palavra mágica por hoje.
Boas tardinhas para todos, e até à próxima palavra!
Para a despedida, aqui vos deixo algumas imagens do sol a pousar sobre a Jutlândia.