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29 dezembro 2019

muito amor

Depois de uma semana a comemorar longamente à mesa o amor e a amizade que nos temos, ocorre-me mais um nicho de mercado: alguém que invente suspensórios para collants!

(sim: temo-nos mesmo muito amor)

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Adenda: no facebook fizeram-me muitas sugestões de truques para resolver o problema, para gáudio de alguns cavalheiros que lá passaram. Até houve quem me mostrasse uma imagem do Superhomem, para eu ver como ele resolveu o seu problema. Só faltou mesmo sugerirem uma dieta relâmpago...

Deixo aqui o meu protesto, para o caso de passar por aí alguém (que conheça alguém que conhece alguém) ligado a produtores de collants:

A quem sugeriu meias a 3/4 e assim: moças, vocês não sabem o que estão a dizer. Com as temperaturas do inverno berlinense, ia precisar de usar cuecas calção em lã para não desgraçar os rins, ou a bexiga, ou sei lá o quê.
A quem sugeriu collants dois t
amanhos acima: e porque não collants com, digamos, corte imperial? Os produtores que poupam material na parte da cintura deviam ser obrigados a usar os seus próprios collants (mas sem calças para segurar).A quem sugeriu todos aqueles truques de "pôr por cima isto e aquilo": obrigadinha. Gostava que os produtores de collants pensassem em resolver os nossos problemas, em vez de termos de ser nós a tratar de resolver os problemas que eles nos criam.



05 agosto 2018

post que começa com uma dúvida ética e evolui para uma oportunidade de negócio


A dúvida ética do dia: quem é contra o alojamento local, o esvaziamento dos bairros históricos, a redução da cidade às suas fachadas, devia evitar os apartamentos airbnb?

É que estava aqui a fazer uma pesquisa e umas continhas para o post que se segue, e inadvertidamente abri esta página. Agarrem-me, que... ;)

Entrem neste apartamento: https://it.airbnb.ch/rooms/12478934 - e digam-me se não é uma tentação.
O que me fascina mais é o bom gosto do arquitecto, a criatividade, o cuidado nos detalhes, a capacidade de transformar um sótão (ou menos ainda) num apartamento lindíssimo. Se tivesse tempo, estava bem capaz de andar a passear no airbnb de Portugal para fazer um livro de arquitectura portuguesa para alojamento local.

(Ainda agora começou a manhã de domingo, e já descobri mais um nicho de mercado...)

26 novembro 2014

jazz chants for children


A arrumar as últimas caixas da mudança (enfim, isso é que era bom, que fossem as últimas, triste vida...) descobri uma cassette que uma amiga deu aos nossos filhos pouco antes de nos mudarmos para os EUA. Imbuídos de um grande sentido de dever, levámos logo a cassette para o carro, para a ouvir em todas as viagens com os miúdos. Estávamos preparados para tudo suportar, de modo a facilitar-lhes o mais possível a mudança para outro país e outra língua. Bem: não foi preciso suportar muito. Pelo contrário: ao fim de duas ou três cantilenas, estávamos rendidos aos jazz chants. Uma maravilha de ritmo que dava vontade de sing along. Durante umas semanas fomos a família von Trapp do jazz falado.   



Fui procurar no youtube algumas das cantilenas que ainda sei de cor, e descobri um vídeo no qual a autora conta como surgiu a ideia. Lembrou-me a Adriana Calcanhotto, quando disse que para o seu álbum "o Micróbio do Samba" se inspirou nos sons da rua, porque tudo é samba.

(E que tal a Adriana Calcanhotto fazer um "falar samba para crianças", para ensinar o português do Brasil?)
(Passo a vida a descobrir nichos de mercado, mas é sempre para os outros...)
(Ora aí está outro nicho de mercado: inventar nichos de mercado para os outros. Finalmente vou ficar rica!)
(E agora com licencinha, vou parar aqui com os disparates e tratar antes de coisas sérias. Estou atrasadíssima com a leitura dos jornais: já são horas do lanche e ainda não sei o que deram hoje de almoço ao Sócrates.)

13 setembro 2014

o regresso do senhor Oreste

(foto)

(foto)

Lembro-me bem da mercearia do senhor Oreste na aldeia da minha avó. Tinha todos os produtos a granel, e as pessoas pediam "275 gr de arroz" e "um naco de sabão rosa". O arroz era pesado dentro de um pacote de papel grosso, o sabão era cortado na guilhotina (esqueci-me de reparar se era a mesma guilhotina do bacalhau). As conversas ao balcão, as gargalhadas, "hoje o meu home tomou banho e fez a barba, fuosca-se que está que parece um cuzinho de menino", "jazus, mulher, tu que estás a fazer aqui na benda? bai é aprobeitar, caraites!", "ai bou, bou, carailhos me fuadam se não bou, que ele está mesmo a pedir que lhe façam cócegas!"

Lembro-me quando começaram a vender o óleo e as massas em embalagens de plástico, e começaram a usar latas de conserva. Na casa da minha avó surgiu um problema novo: o que fazer com esse lixo? Até então, as cascas e os restos de comida eram para os porcos ou as galinhas, o papel era queimado na lareira onde havia sempre uma fogueira (para cozinhar, para ter água quente), as garrafas de vidro davam jeito para engarrafar o vinho e o azeite.

Uns anos mais tarde abriram supermercados na aldeia da minha avó. Self-service, com todos os produtos exageradamente empacotados. Sem pessoal a servir, nem conversas ao balcão. Por essa altura já a aldeia se tinha organizado para recolher o lixo.

Hoje abre em Berlim um supermercado sem embalagens. As pessoas levam as suas próprias embalagens reutilizáveis. A ideia ocorreu a duas amigas de 24 e 30 anos, no fim de um belo jantar com uns copitos de vinho e um caixote de lixo cheio. Fizeram projectos e contas, divulgaram na internet, e em meia dúzia de dias receberam 70.000 euros em donativos para se lançarem nesta aventura. Curiosamente, a ideia de uma loja sem embalagens já me tinha ocorrido em 1991. Não tinha ainda 30 anos, estava muito infeliz no meu emprego e a pensar no que havia de fazer com o resto da minha vida. Mas, vejo-o agora, naquele momento faltou-me a amiga e os copos de vinho certos.


(foto)

Espero que o projecto delas corra bem, e abram um supermercado aqui perto de casa, porque a maior parte do lixo que produzimos são embalagens - em Berlim, são 76 mil toneladas por ano.

Mas o melhor, o melhor de tudo, era se o senhor Oreste voltasse, com os seus sacos enormes pousados no chão e a sua guilhotina, e as mulheres em conversas alegres ao balcão. Talvez seja esse o verdadeiro nicho de mercado: uma mercearia onde se vai estar com as pessoas do bairro, e se aproveita para fazer as compras sem poluir ainda mais o nosso mundo.


19 fevereiro 2011

isto da "natureza biológica" é só vícios...



Lembra-me uma das histórias engraçadas do Emílio, da Astrid Lindgren, quando ele deu às galinhas restos das cerejas que a mãe usara para fazer aguardente.
E se já estou a falar disso: porque é que os livros do Emílio deixaram de ser vendidos em Portugal?
Não há em Portugal uma editora que trate de se especializar em literatura infantil sueca? Vão por mim: é um dos poucos casos em que a qualidade é um nicho de mercado muito rentável.

09 janeiro 2010

amor perfeito, entre outros

No aeroporto Francisco Sá Carneiro
(quem se terá lembrado de dar a um aeroporto o nome de alguém que morreu num desastre de avião?...)
(pensando bem, também há o Saint-Exupéry em Lyon - parece que o pessoal que atribui nomes sofre de uma espécie de atracção pelo abismo)
(desconfio que se fizerem um aeroporto em Viana do Castelo lhe vão chamar "Campo da Agonia")

como ia dizendo: no aeroporto Francisco Sá Carneiro tentei comprar o perfume "Amor Perfeito" do Tenente.

"Ai, essa marca não comercializamos...", disse-me a vendedora, compungida.
"Não têm essa marca?! Mas se é justamente aquela que não podia faltar num aeroporto português!"
Perante a minha indignação, encolheu os ombros.
De modo que aqui deixo a reclamação a quem interessar possa, nomeadamente ao Sócrates (sim, bem visto: porque é que anda a perder tempo com palermices como o casamento dos heterossexuais e assim, esquecendo os verdadeiros problemas fundamentais do país?) (espero que percebam que estou a brincar com coisas que sei muito sérias) (e aproveito para passar o link para o seu discurso na Assembleia da República - não está nada mal, mas faltam alguns elementos importantes).

É que, "vejemos", nem é preciso inventar a roda (digo eu, voltando à loja do aeroporto - este post está-me a sair como quem vai de Lisboa a Sacavém passando pelo Algarve), já está inventada: as longas esperas no aeroporto de Madrid passo-as a apreciar a loja "España" (ou será outro o nome?), que apresenta produtos onde a tradição e os clichés são elegantemente combinados com a modernidade espanhola. E claro que as lojas de perfumes desse aeroporto estão cheias de marcas nacionais.

É muita falta de visão não aproveitar os aeroportos para mostrar e vender o melhor que Portugal tem para oferecer a um público cosmopolita. Querem melhores feiras internacionais que aqueles espaços onde todos os dias milhares de estrangeiros são obrigados a esperar pelo menos meia hora?
Portugal é mais que Descobrimentos, enchidos, pastéis de Tentúgal e vinho do Porto. É escritores muito bons (se há imensos livros já traduzidos, porque é que essas traduções não se encontram disponíveis em pequenas bancas nos aeroportos?), produtos excepcionais de design, boa moda, sapatos excelentes - e Amor Perfeito, entre outros.

09 setembro 2009

veículos bi-híbridos




Os veículos híbridos, movidos a gasolina e electricidade, cujo exemplo mais famoso é o Prius (o automóvel das estrelas de cinema, podem crer, senão perguntem à Cameron Diaz e ao Leonardo DiCaprio), ainda agora se começaram a instalar no mercado e já estão ultrapassados.
Sim, o veículo do futuro terá de ser bi-híbrido: movido a gasolina e electricidade, capaz de andar na terra e na água.

(Caso algum leitor deste blogue perceba alguma coisa de registo de patentes, aqui vai uma perguntinha inocente: pode-se registar uma ideia, ou é necessário apresentar os pormenores de engenharia?)

(A tecnologia dos híbridos foi inventada por engenheiros alemães, há quase meio século. Os projectos foram arrumados numa gaveta qualquer porque se entendeu que o mercado não se interessaria por isso. Vinte anos depois, os japoneses recuperaram a ideia, com o sucesso que se vê. Para que conste que os marketingueiros também se enganam.)

(Parece que em São Paulo está a chover de tal maneira que o dilúvio, o original, o bíblico, ainda vai acabar com complexos de inferioridade.)

novos nichos de mercado

Este blogue inaugura hoje mais um serviço público: a secção "novos nichos de mercado", onde se oferecem ideias quase geniais e, porque a nossa ignorância assim o entende, inovadoras.