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03 abril 2015

as recordacoes sao como as cerejas...

Antes de sair para a Costa Rica há que largar aqui as fotografias das férias na neve na semana passada, não vá acontecer como com as fotografias da Arménia que prometi e ando há um ano para cumprir. E não me venham agora dizer que isto é só laró, porque a culpa não é minha. O Joachim queria esquiar com um grupo que marcou a semana para demasiado tarde, a Christina só tem férias nesta altura, e cá vamos tentando conciliar os interesses de todos. Isto não é uma queixa.

Ora então:   


(a ver se aprendo a deixar as calças por fora das botas, e é se não quero que a neve me entre para as meias e comece a derreter ali mesmo)








(muitos passeios com o Fox, esse estabanado que passava a vida a fugir para fora da fotografia)




(estas casas estavam ao lado do consultório do veterinário que levou 50 euros para cortar uma unha partida ao Fox - é o que se chama meter a unha para tirar a mesma. Fiquei chateada - pareceu-me que ele, o veterinário, tinha arrebitado as orelhas de maneira especial quando me ouviu falar alemão...)



As recordações são como as cerejas...

Semana em Itália, com um grupo de esquiadores do sul da Alemanha. Dou comigo a jantar a uma mesa cheia de sotaques da Suábia e de Baden, todos a falar da neve, da neve solta, da neve dura, de esquiar na neve virgem, da má visibilidade quando neva.

Lembrei-me do Nicolas, num piquenique em Coyote Point, olhando para os surfistas e fazendo comentários sobre o vento. Decidi nesse dia que nunca sairia com um grupo de surfistas, só sabem falar do vento. Boa decisão - e para quê? Para acabar num hotel com gente da Suábia e de Baden a falar da neve.

O Nicolas viveu no Tahiti, falava da luz do Tahiti com tal encanto que quase nem é preciso ir ver para se encantar da mesma forma. Fazia muitas vezes uma receita tradicional, "poisson cru". Um dia hei-de ir de férias com uns amigos que eu cá sei para a ilha de Armona, e hei-de ir a Olhão comprar atum fresquíssimo dos viveiros que eles me disseram haver lá (esse, a Christina deixa comprar) para lhes fazer "poisson cru".

Cortar os filetes de atum em bocados pequenos. Envolver os pedaços de peixe em sumo de lima. Quando mudar de cor está pronto. Escorrer o sumo, e cortar o processo de cozedura com leite de coco. Juntar cenoura ralada (um pouquinho, para dar cor), sal e pimenta.
Também se pode juntar tomate, cebola vermelha em anéis finos.

Diz que o leite de coco não deve ser da lata. Não sei, não sei...
Mesmo sendo da lata sabe-me tão bem que estava capaz de comer quilos e quilos disto. Até apanhar um choque proteico, como daquela vez na Ile d'Yeu. A culpa foi da anedota do homem que estava com dificuldades naquilo, já se sabe o quê, e o amigo disse-lhe que experimentasse ostras. Passados uns tempos encontraram-se de novo, e ele atirou "tu e as tuas ostras! comi duas dúzias, só funcionaram sete!"
No mercado junto aos barcos estavam a vender ostras, e nós resolvemos experimentar quantas funcionavam. Comprámos duas dúzias, treize à la douzaine, apanhámos um choque proteico tal que não funcionou nenhuma. Mas sobrevivemos, e foram umas férias inesquecíveis. Às vezes, se o vento me traz um aroma de mar e anis, regresso a esses dias perfeitos. Como na reserva de Año Nuevo, nós a fazer a caminhada de quase uma hora para chegar às pouca-vergonhices dos elefantes marinhos em em Fevereiro e Março (também há uma anedota a propósito disto, mas eu queria acabar o post ainda hoje), e a vegetação rasteira misturada com a maresia a soltar aquele aroma inconfundível, o Joachim a correr com os miúdos mais à frente, longe demais, eu sem poder sorrir-lhe, "lembras-te?", ele sem saber que era a sua deixa para dizer "temos de voltar a essa ilha!"

Semanas depois era domingo de Páscoa, e fizemos outro piquenique, desta vez na Tomales Bay. Tínhamos um saco de vinte quilos de ostras compradas na baía, e uma  toalha de Chanukkah que a nossa amiga encontrara na cave. Desde então, sempre que vejo o candelabro de sete braços, lembro-me dessa Páscoa, das ostras e de uma manada de veados a desaparecer na neblina de uma encosta verde. E da praia de Sir Francis Drake - eu era a única que lhe chamava pirata (algumas das minhas noções de História ainda não passaram o cabo do 25 de Abril).



Nos passeios com o Fox descobri um grupo de árvores que me lembrava uma catedral. Que me lembrou logo a Avenue of Giants, quilómetros e quilómetros de redwoods. Levei lá os miúdos numa das viagens mais loucas que já fiz. Queríamos ir de San Francisco a Oregon despedir-nos dos amigos antes de regressar à Europa, e eu resolvi aproveitar para passear no norte da Califórnia, enquanto o Joachim ia de avião, porque só tinha o fim-de-semana.

Ainda a viagem não tinha começado e já estava a correr tudo mal, porque eu confundo milhas com quilómetros. Bem sei que não é a mesma coisa, mas, enfim, é quase como se fosse. Na manhã da saída, até ter tudo metido dentro do carro demorou algum tempo, e mal atravessámos a Golden Gate foi preciso meter gasolina, e "já agora" lavar o carro. A Christina soltou um "ó, mãe..." tipo "gosto muito de ti, mas também não precisavas de exagerar tanto os testes ao meu amor". E lá fomos nós, atrasados como tudo mas num carro muito asseado. Parámos em Fort Ross, para ver sinais dos russos que ali vivera, e acampámos numa cidadezinha pacata que em tempos foi dos lenhadores que dizimaram as florestas de árvores gigantes. Comemos na antiga cantina dos lenhadores, cheia de fotografias deles muito ufanos junto ao corpo do delito. Nem a comida se aproveitava.

Numa curva da estrada vi uma tabuleta lindíssima, com um bule de chá cheio de florinhas, tudo muito inglês e romântico, e a frase "best pot in California". Não sei quantos meses andei até perceber finalmente o que vendiam ali...

Percorremos a Avenue of Giants, passamos de carro pelo meio de uma dessas árvores, entrámos na casa feita no tronco oco de outra, os miúdos fascinados, eu com pena de não ter tempo para parar mesmo e partir a pé pelo meio da floresta.

Fomos ao Heritage House Inn, em Mendocino, e o Joachim, quando soube, ficou cheio de pena de não ter estado connosco. Havemos de ir lá os dois, prometi, e desatámos ambos a rir - afinal de contas, é o sítio onde foi filmado "same time, next year", não devia ser lugar de peregrinação de casados.

Dois dias mais tarde chegamos à casa de praia no Oregon onde os amigos nos esperavam. Enchemo-nos de boa vida e de crabs pescados por nós nas baías desenhadas por cedros, e no regresso resolvi vir pela auto-estrada do interior. Atravessámos um vale que devia ficar muito perto do paraíso, porque era lindíssimo. Tudo como nos sonhos: flores selvagens a perder de vista, montes doces, e um rio a saltitar pelo meio. Mas não anotei o nome na altura, e nunca mais o encontrei. É estranho. Garanto que não tinha comprado, e muito menos consumido, o tal best pot of California.
(Mais vale parar aqui mesmo, mais uma frase e desgraço-me.)


27 março 2015

caminhar na neve



Tenho de me organizar melhor, porque não estou a conseguir viver e descrever ao mesmo tempo.
Por exemplo: já comecei a fazer as malas para irmos visitar o Matthias ao outro lado do mundo, e ainda não contei como foram as férias nas Dolomitas, na semana passada (há uma eternidade, aliás).
Ontem uma amiga protestou (os meus amigos vêm ao blogue saber da minha vida para pouparmos tempo, depois quando nos encontramos metade da conversa já está feita) (então devíamos ficar metade do tempo em silêncio, não é?) (não sei porquê, não ficamos) (tanto melhor) e portanto cá vamos nós a isto.

Ora bem: o ponto mais alto da minha semana nas Dolomitas, à parte
- termos ficado num hotel italiano com meia pensão (aaaah, meia pensão! haverá lá coisa melhor para uma mulher que anda há quase 40 anos a sofrer a dúvida existencial e recorrente sobre o que é que vai cozinhar hoje?),
- o jantar ter 4 pratos (de comida italiana, hmmmm, anunciada com pompa, a "carne salada del Trentino", os "brócolos de Torbole", o "milho de Storo", a "polenta do Valle del Chiese", e assim, e eu a pensar como seria um menu de um restaurante português que anunciasse orgulhosamente a origem dos produtos, "presunto de Matancinha de Baixo", "azeite de Freixo-de-Espada-à-Cinta, "tomates de Alfarim", "salsa de Sarilhos Grandes", "coentros de Sarilhos Pequenos", etc.),
- o hotel ter uma piscina e um espaço de sauna e banho turco que era de suar e chorar por mais,
- estar numa cidadezinha engraçada, Maddona di Campiglio, rodeada de florestas onde dei belos passeios com o Fox,
o ponto mais alto, dizia eu, foi a caminhada na neve.
(Pensando bem, o ponto mais alto foi o livro Mar, do Afonso Cruz, que li e logo a seguir reli, mas adiante.)

A verdade é que, ao fim de vinte anos a fazer cursos de ski para principiantes, e de chegar ao fim da semana sempre muito aliviada por não ter caído nem partido bocado nenhum de mim, resolvi mudar de vida. No ano passado descobri o prazer das caminhadas na neve, e agarrem-me, que um dia destes compro um par de raquetes, saio por aí e só paro quando encontrar o abominável homem das neves.

A caminhada: subimos nas cabines, chegámos a uma pista cheia de gente que lembrava um quadro de Brueghel, começámos a andar tap-tap-tap naquela paisagem imaculada, eu ia fotografando isto e aquilo, maravilhada com tudo e em especial com os poços de neve que guardavam a luz. Os outros também paravam e fotografavam, e foi muito esquisito porque toda a gente estava deliciada, mas ninguém dizia nada a ninguém. Custava alguma coisa trocar sorrisos e dizer "que maravilha"?

Andámos por ali três horas, solitários em grupo, e depois descemos uma pista negra a pique para regressar à aldeia. Cada um por si, de novo. Consegui chegar ao fundo sem cair, e sem trocar um único olhar de pânico com alguém ao meu lado. Nunca pensei, durante aqueles vinte anos de curso de principiantes, que algum dia desceria uma pista negra a pique e não ia largar olhares de pânico em todas as direcções.

O que correu um bocadinho mal: saí do hotel a correr, e foi uma sorte ter-me lembrado do gorro e das luvas. Esqueci-me dos óculos de sol e do protector solar, pelo que andei umas quatro horas à neve e ao sol, com o gorro metido no bolso.

O que correu ainda pior: quando cheguei ao fim, com a cara e os olhos muito vermelhos, não encontrei por ali nenhum casting para um filme de terror. Davam-me logo o papel principal, ia ser um sucesso. Hollywood tem andado a dormir, é o que vos digo.




 




28 fevereiro 2014

pontualidade é cinco minutos antes da hora


A ver se escrevo isto cem vezes, a ver se aprendo. 
Este prato estava no nosso apartamento das férias (vai uma pessoa para férias, e toma o pequeno-almoço em frente a um prato que fala de pontualidade!) e ainda está. 
Mas pensei muitas vezes em trazê-lo para o pendurar junto ao monitor do meu computador.
(E por falar nisso: ai que já me estou a atrasar outra vez!)


os holandeses dos suíços

Quando fui morar para a Alemanha, há 25 anos, falaram-me dos holandeses que enchiam o depósito dos seus carros com o combustível mais barato da Holanda, e atravessavam a Alemanha em direcção ao Sul sem deixar neste país um único tostão. As auto-estradas alemãs são gratuitas, e o combustível é mais caro porque parte do seu preço se destina a pagar as despesas da rede viária.

Lembrei-me muito disso nas férias passadas: levávamos da Alemanha não apenas o equipamento de esqui, mas até a comida. O Joachim e os amigos ainda iam a um restaurante na pista (o tal onde trabalhavam duas angolanas) beber um chocolate quente, mas nunca fomos a restaurantes. O pãozinho fresco de manhã, no último dia dois bolitos para quatro, e muita sorte.

Somos os holandeses dos suíços.

Nesta onda de frugalidade, saí logo no primeiro dia para um passeio com as minhas botas de ponta-e-mola, e nem máquina fotográfica levei. Foi pena, porque a paisagem estava um sonho, e só tinha o telemóvel jurássico comigo.



A famosa pista de esqui de fundo, que infelizmente tinha tantas subidas como descidas:




Fotografias que tirei para o caso de um dia fazer um catálogo com uma colecção Outono-Inverno:






(Estou há 25 anos na Alemanha, mas ainda sou portuguesa: tive pena dos suíços, e fui ao Coop comprar uns chocolates, umas pastilhas elásticas, umas bolacinhas, uns fondue de queijo, e assim. Coitados dos suíços, não é bonito ir-lhes gastar a neve sem deixar nada em troca. Depois ficam pobrezinhos e até se vêem obrigados a meter-se num carro e andar 100 km para virem fazer as compras do mês ao Aldi mais perto da sua fronteira.)


a quadratura do círculo

Hesitei muito antes de partir para férias. Tanto trabalho para fazer, e saio por uma semana?! Uma loucura.
Afinal foi o melhor que me podia ter acontecido e, sim, a quadratura do círculo é possível: para o projecto que actualmente me ocupa e preocupa, trabalhei mais numa semana de férias do que num mês em casa.
Além de ser um gosto trabalhar em frente a esta janela, não havia nem as compras nem o almoço nem o jantar para fazer, nem a roupinha para lavar, nem os telefonemas "será que me podes dar uma ajudinha?", nem internet, nem reuniões.
A quadratura do círculo é uma antecâmara do paraíso.



Nos intervalos para fazer ou beber um chá, ia controlar a varanda: 






  

E controlava também as nossas reservas de vinho branco e espumante para o jantar (a propósito: um doce para quem acertar no número de garrafas que aqui estão). 




27 fevereiro 2014

branca de neve

(os meus títulos não costumam ser muito originais, mas este aqui, então, nem sei que diga...)





As duas fotos que se seguem são de areia do Saara:



E esta é para uma amiga que disse que uma das minha fotografias lembra bolinhos com cobertura de açúcar - aqui vai uma tarte com cobertura de suspiro: