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02 janeiro 2020

cedo falei


Ontem de manhã estranhei a temperatura demasiado cálida para um 1º de Janeiro berlinense, e ao fim do dia mandei dizer para Portugal que aqui estavam temperaturas primaveris.

Cedo falei. Esta manhã, a janela da cozinha estava coberta de gelo:


Por sorte tenho cá o Fox durante alguns dias. Fomos logo para o lago ver como é que estava o panorama. Levei a máquina fotográfica em vez do telemóvel, e como de costume alheei-me inteiramente, fascinada pelos efeitos das bordaduras a gelo, pela luz, pelos reflexos na superfície do lago.
Só perdi o Fox três ou quatro vezes.











Ao fim do dia voltamos ao lago:



02 janeiro 2019

manipulações


 

   


A meio do dia o sol abriu sobre nuvens de chumbo. Mesmo sem cão, fui passear até ao lago em busca de fotos formidáveis. Havia vento: em vez de jogos de espelhos, experimentei jogos de luz.

Quatro cisnes passaram à minha frente, em voo raso à água. Disparei em alvoroço, e as fotos saíram uma perfeita porcaria.

Decisão para 2019: aprender a usar a máquina fotográfica.

30 dezembro 2018

colheita do dia


Os amigos vinham para o tradicional "Kaffee und Kuchen" (café e bolos), mas no momento em que ia tirar o primeiro café reparei nas cores do entardecer e sugeri irmos antes passear até ao lago.

Em boa hora.

(Pedi-lhes que voltassem sempre que os dias estiverem assim bonitos) (Sim, adivinharam: o Fox já não mora cá outra vez) (Nem quer morar: sempre que vêm cá de visita, deita-se em cima do casaco do Matthias para ter a certeza de que não ficará aqui esquecido) (Lá terei de ir passear pelos lagos sem ele...)

  
 

18 novembro 2018

é com alegria que anuncio o regresso de... (um doce para quem adivinhar)



Não, não é o regresso do Outono glorioso. Podia ser, mas não é.
Também não é o regresso do Inverno: em pezinhos de lã, revelado nas pérolas de gelo que debruam as folhas do caminho. Não, não é bem isso.



O regresso que anuncio com alegria também não é o anoitecer no lago, pouco depois das cinco da tarde.
Era o que faltava, alegrar-me por estes dias tão curtos!

 
  
Não senhores. Nada disso.
O regresso que anuncio é o deste simpático. Voltou cá a casa por uns dias!



Recomeçaram os passeios, o vagar para reparar na luz das árvores de Outono contra o céu azul, nas folhas desenhadas pela geada, na lua do lago ao fim do dia.

05 julho 2018

calor


Partilhei esta imagem há três anos, e bem posso repeti-la hoje. O noticiário informou que a Alemanha está perante a maior seca das últimas cinco décadas. Mostraram agricultores a queixar-se que vão perder metade da colheita. Eles e eu! Até estou a pensar pedir uma ajuda ao Estado por causa do meu microfúndio berlinense. Apesar de estar a ficar uma especialista em dilúvios várias vezes por semana, metade das ameixas e das maçãs estão no chão. E desconfio que o que gasto em água no tomatal dava para os comprar ao quilo na melhor loja biológica da cidade.

Com tanto calor, o que nos vale é o lago. Ao fim da tarde vamos dar um mergulho para refrescar.
Ou melhor: a ideia é ir dar um mergulho para refrescar, mas as árvores frondosas do caminho já nos refrescam de tal modo que ao chegar lá quase nem apetece. O Joachim atira-se logo, e nada meio quilómetro enquanto eu fico ali, vou?, não vou?, até que finalmente me decido - e me arrependo do tempo todo que estive para me decidir. Isto dava uma metáfora para uma coisa qualquer, mas está demasiado calor para pensar nisso.


24 maio 2018

Fox! ó Fooooooox!





O Fox nunca me teve muito respeitinho. Mas agora que vive com o Matthias, e sabem ambos quem manda, é que não me tem mesmo respeitinho nenhum. Veio cá passar o fim-de-semana prolongado, e logo no primeiro dia fugiu-me duas vezes. Enfim, ele deve pensar que não está a fugir, está apenas a ir à sua vida, e que ninguém me manda parar a conversar com uma vizinha ou a tirar fotografias quando ele tem outros planos para o seu tempo.

De modo que toda a rua sabe em que dias o Fox está cá: é quando eu ando por aí a gritar "Fox! ó Foooooox!"

Valem-me os vizinhos, que avisam: foi por ali, foi por acolá, não passou aqui.
Vale-me ele saber o caminho de casa: depois de eu dar uma volta inteira ao lago à procura dele ("Fox! ó Foooox!"), vou encontrá-lo calmamente deitado na relva do jardim, à minha espera.
E vale-lhe eu regressar a casa já com o filme todo na cabeça ("ai, coitadinho do Fox, quem será que o levou e como o vão tratar, logo ele que é tão sensível, etc."), e ficar tão contente por o ver em casa que nem ralho nem nada. Ele vê-me chegar, abana a cauda - e eu, se cauda tivesse, fazia o mesmo.




05 abril 2018

overdressed

No domingo de Páscoa nevou. Não muito, mas nevou.
Na terça-feira seguinte fui passear o Fox vestida como me pareceu normal dois dias depois de ter nevado.



E depois, ao reparar na indumentária de outro cliente do lago, dei-me conta de que estava... ligeiramente overdressed.



(O Fox também está overdressed na fotografia. Geralmente deixo-o andar nuzinho como veio ao mundo, mas entretanto parece que chegou mesmo a primavera, as cadelinhas andam por aí a largar aromas tentadores, e um rafeirito português, caramba, não é de ferro. Muito pelo contrário. É certo que o nosso seguro canino inclui uma cláusula para o caso de ele engravidar cadelinhas de boas famílias, mas sabe-se lá se ainda dá um ataque de coração aos donos da vítima, de modo que: cautelas e trelas. Coitadinho do Fox.)

08 março 2018

enquanto não chega a primavera

Enquanto não chega a primavera, aqui deixo imagens das gracinhas mais recentes do tempo que faz em Berlim. As manhãs geladas, congelados os nenúfares que sobraram do Verão, e o Fox a ir-se embora mais uma vez. Não será uma triste vida, mas é a vida.

Cheguei a Portugal ontem, quase hoje. Deram-me canja verdadeira, e tangerinas colhidas no dia, tão pequenas e imperfeitas que pensei que seriam coisa de imitação, de loja chinesa mesmo muito barata. Nada disso: tinham o sabor das tangerinas do quintal da minha avó. 

Portanto: entre ontem e hoje, cheguei a casa.   











04 março 2018

auto-insularidade

 
Hoje esteve um dia lindíssimo de sol e céu azul. A minha vizinha ofereceu-se para passear o Fox esta tarde - o que me deu muito jeito, porque ando há que dias a correr atrás de atrasos vários - e chegou muito tempo depois, contando que o Fox lhe fugiu pelo lago gelado e avançou desaustinado pelos jardins que fazem fronteira com a água, e ela meteu-se ao gelo para ir atrás do bicho, mas não teve medo que se quebrasse porque ia por lá uma enorme animação, com imensa gente a fazer patinagem.

Isto é uma triste vida: aqui ao lado de casa estava a acontecer uma cena de inverno tipo escola de pintura holandesa do séc. XVII, e eu sentada ao computador a correr atrás do atraso. Cada vez tenho mais jeito para me auto-insularizar...

(Repito a foto de ontem, vertendo uma lagriminha pela foto que me falhou: a de hoje, do mesmo lugar, cheio de gente a patinar.)


03 março 2018

oito graus negativos










Havia oito graus negativos quando o Fox e eu fomos dar a primeira volta do dia. Levei gorro, mas nada de luvas nem de ceroulas. Hehehehe, comparada comigo, a Elsa do Frozen não passa de uma figurinha de desenhos animados.

Por estes dias, ouço estrondos abafados no lago: uma espécie de suspiros da água a lutar contra as massas de gelo. Algumas placas soltam-se, erguem-se e quebram. Tudo aquilo parece estranhamente vivo. Um dia destes talvez consiga gravar esses sons. Hoje, fiz apenas fotografias das cicatrizes no gelo, e também uma do Fox, para quem perguntou como estão as suas orelhas.

Depois de regressar, fui à internet ver que temperatura fazia lá fora. O Matthias apanhou-me a caminho do computador, e riu-se: "no meu tempo", disse ele, "para saber o frio que fazia abria-se a janela dois segundos".

O que me lembrou uma história antiga, que fui repescar aos confins deste blogue. Esta, de 2006:

Ao pequeno-almoço, ainda na penumbra da madrugada (sim, que quem como nós mora quase na Sibéria levanta-se mais ou menos a meio da noite para ir para a escola), o Matthias olhou pela janela e comentou:

"vejo que hoje vai estar quente, não preciso de vestir o casaco"

e eu desatei a pensar que crianças alemãs são vinho de outra pipa, e onde terá ele aprendido a prever o tempo?, e será da forma das nuvens?, será a direcção do vento?, será a luz?

Aí, ele interrompeu os meus neurónios que já iam a duzentos

"Vês ali aquela mulher? Vai pela rua abaixo sem casaco."