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02 junho 2020

um ano de dias bons

Há muito, muito tempo comprei na Gulbenkian uma bela agenda que tinha um bloco com várias linhas para cada dia do ano, mas não explicitava nem o ano nem os dias da semana. Não sei porque a fizeram assim, mas deu-me imenso jeito: sempre que tinha um dia bom, apontava. Por exemplo: no dia 30 de Março, o primeiro sorriso que o meu sobrinho Guilherme me ofereceu. Ou no dia 2 de Fevereiro - os gritos de alegria da Christina, com dois anos, a deslizar comigo sobre um trenó na encosta pequenina junto ao jardim infantil dela.
Se tivesse perseverado a apontar momentos destes, ao fim de alguns anos teria um livro com um ano inteiro de dias bons. Mas - infelizmente! - em algum momento descontinuei o projecto. 

A minha sorte é que existe o facebook, que todos os dias me mostra o que publiquei nesse dia nos anos anteriores. E que belas colecções lá tenho! Ao contrário da agenda, tem menos momentos pessoais dignos de nota, mas é uma alegria ainda maior voltar a esses momentos: sinais de um mundo rico e variado, cheio de seres humanos bons e de bons amigos. 

Hoje, por exemplo, estava assim:

1. 2 de Junho de 2019
Humans of New York 
“Usually people only keep the job for one year. Either it’s a calling or you quit. The pay is not good. Less than $1000 a month. And it’s very physical. I’m supposed to dress, shower, and feed twelve seniors in 2.5 hours. The schedule is so tight because it’s a business. It can seem like the residents are boxes to be moved around. But they’re not boxes. They’re people. I don’t think their families think about them. They put them in a home and assume they’re safe, and well fed, and taken care of. But they’re all sad. They’re numb. Every day is the same thing. When I first started working there, they wouldn’t really cooperate. They just let me grab them without any participation. But I’d always talk to them. Ask them questions. Joke with them. Then one morning I had a fight at home, and was in a bad mood, so I worked in silence. And all the seniors who had been so quiet-- began to ask me what was wrong. That’s when I first realized how much they valued the attention I was giving them. It’s been fifteen years now. I have a lot of friends there. But I’m forty-three already. Recently I had surgery. I’m not sure how many more years I’ll be able to do it. But I try not to think about what will happen when I leave.” 
(Madrid, Spain) 


2. 2 de Junho de 2018
Uma foto com a legenda "o país real", oferecida a mim e a outra amiga com quem volta e meia troco cromos de estendais da roupa. Este era um daqueles momentos que cabiam bem na minha agenda da Gulbenkian: sentir, neste gesto da amiga que tira a foto e a publica com dedicatória, que sou "olhada amada e conhecida". 



3. 2 de Junho de 2018
Um anúncio para a comunidade portuguesa em Berlim: "A grande sardinhada do 10 de Junho em Berlim esta ano vai ser no 18 de Junho. Um pouco mais tarde: para dar tempo às sardinhas de ficarem mais gordas."


4. 2 de Junho de 2017 - com um apontamento meu: "estou dividida entre querer adoptar esta miúda, ou querer que ela me adopte a mim."

Humans of New York 
“I don’t think I’m going to miss eighth grade. It’s been a tough year. A lot of my friends are struggling with depression and self-harm, and it’s hard for me to watch. I just care about them so much. Growing up is so hard for some people. It’s such a big thing. It’s your foundation, I guess. You’re becoming you. It’s such a big thing and we’re going through it right now. Some of my friends are struggling with loving themselves and loving life. I think they forget that we’re still learning. They think that they’re already who they’re going to be. They think they know the future. And it’s going to be horrible. And they’ll never be able to fix it. But that’s not true because we’re still changing. And we’ll always be changing. Even when we’re old, we’ll be changing.”


5. 2 de Junho de 2013



6. 2 de Junho de 2013


"Todos somos génios. Mas se avalias um peixe em função da sua capacidade para subir a uma árvore, vai passar toda a vida a pensar que é estúpido." Albert Einstein



7. 2 de Junho de 2012




Inventem-se novas regras do jogo...


8. Um momento de outra data, mas vinha na colecção de hoje, e ficaria mesmo bem na minha agenda:  
31 de Maio de 2016
Este domingo os meus filhos mudaram de casa: o Matthias saiu, a Christina regressou. 
Aos 19 e 21 anos, ninguém precisa dos pais para quase nada. Trataram sozinhos de tudo, inclusivamente de alugar uma carrinha de mudanças. Eu fiz uma salada de cuscuz suficiente para um regimento inteiro e o bolo de aniversário para a Christina, que fez anos ontem, e fui levar umas coisas do Matthias à casa dele. No caminho cruzámo-nos com a carrinha das mudanças, abrimos as janelas, olá! olá! até já! Quando regressámos, uma hora mais tarde, a carrinha já estava vazia, os móveis espalhados pelos lugares que lhes competiam, e o pessoal estendido no terraço a comer cuscuz e restos do frigorífico, e a beber cerveja. Depois arrumaram tudo, agarraram nas coisas deles, disseram onde estava o que o pai tinha de levar no carro, e foram para aquela sauna louca no centro da cidade grelhar salsichas e festejar até entrarem no aniversário da Christina. Eu fui para a recepção na Embaixada. 

Nunca vi nada disto: duas mudanças no mesmo dia, sem o menor alarde, sem qualquer nervosismo. Tudo pronto a horas, com toda a calma. Não sei como é que os meus filhos conseguem. Das duas, uma: ou são os genes alemães, ou então passaram a infância toda a observar-me atentamente e a decidir como não querem ser.


30 dezembro 2018

colheita do dia


Os amigos vinham para o tradicional "Kaffee und Kuchen" (café e bolos), mas no momento em que ia tirar o primeiro café reparei nas cores do entardecer e sugeri irmos antes passear até ao lago.

Em boa hora.

(Pedi-lhes que voltassem sempre que os dias estiverem assim bonitos) (Sim, adivinharam: o Fox já não mora cá outra vez) (Nem quer morar: sempre que vêm cá de visita, deita-se em cima do casaco do Matthias para ter a certeza de que não ficará aqui esquecido) (Lá terei de ir passear pelos lagos sem ele...)

  
 

29 novembro 2018

a verdadeira artista...

Não é que a gente se levante realmente cedo. O sol é que chega tarde ao nosso dia, aqui perto da Sibéria.

Pelo que esta manhã, ao pequeno-almoço, reparei que o amanhecer ia ser especial, fui buscar a máquina fotográfica, e comecei a ir de cinco em cinco minutos à varanda para tirar fotografias.
Em camisa de dormir (de Verão) e descalça.

Se me der uma coisa má, é porque sou a Madame Curie da fotografia. A verdadeira artista. :)

 



18 novembro 2018

é com alegria que anuncio o regresso de... (um doce para quem adivinhar)



Não, não é o regresso do Outono glorioso. Podia ser, mas não é.
Também não é o regresso do Inverno: em pezinhos de lã, revelado nas pérolas de gelo que debruam as folhas do caminho. Não, não é bem isso.



O regresso que anuncio com alegria também não é o anoitecer no lago, pouco depois das cinco da tarde.
Era o que faltava, alegrar-me por estes dias tão curtos!

 
  
Não senhores. Nada disso.
O regresso que anuncio é o deste simpático. Voltou cá a casa por uns dias!



Recomeçaram os passeios, o vagar para reparar na luz das árvores de Outono contra o céu azul, nas folhas desenhadas pela geada, na lua do lago ao fim do dia.

19 março 2016

desenha-me uma árvore, e a ausência dela








 
 




Adenda:
Quando faço estes posts com fotografias, penso muitas vezes no que irá dizer o jj.amarante, que costuma dar-me o gosto de os comentar. Trago para aqui o seu comentário a estas fotos (e talvez estas adendas se tornem uma tradição, a ver vamos):

Belo título e belas imagens! Gostei mais das 1,2,5,8,9. As duas primeiras são uma introdução magnífica. Porque terão cortado a árvore da 5, parecia bem. A da 8 parece ter morrido de velhice, ajudada por algum temporal, está rodeada por árvores aparentemente muito mais jovens, tratava-se duma sobrevivente.
E quando vejo fotos como a 9, com aquele espelho de água sem a mínima ruga penso sempre num alemão que vivia grandes temporadas em Lisboa e que concordava quando eu lhe dizia que o nosso clima lisboeta era perfeito, com apenas o senão de ter um pouco de vento a mais. Já o Andersen, que viajou até Portugal e escreveu um livro sobre essa viagem, gostava muito das nossas brisas que lhe faziam lembrar a Dinamarca.

  

21 janeiro 2016

o inverno - glorioso nos detalhes



Na sebe de um vizinho.



Outra sebe, feita com árvores de maçãs anãs, em espaldeira horizontal. 



O sol de inverno na madeira de um corrimão.


20 janeiro 2016

o inverno, em glorioso - um cãoguru




Não é fácil apanhar o saltarilho no meio da cena. De tão gelados, ia ficando sem dedos enquanto tentava fazer este filme.

Na primeira fotografia tive sorte, porque o saltarilho parou um momento; na segunda e na terceira estava a acenar-lhe com um pedacinho de carne. A última foi tirada pela Christina no Natal, e sempre que a vejo dá-me vontade de rir.










o inverno, em glorioso


Parece que o inverno chegou, finalmente. Os dias têm estado muito frios, mas com o céu azul. Excepto ao amanhecer e ao fim do dia, quando algumas nuvens simpáticas vão para o lado do sol fazer bonito para a fotografia.

O lago gelou, e a superfície sólida cobriu-se de neve.


 




 (no meio do caminho tinha um poste, 
tinha um post com um casaquinho tricotado no meio do caminho)






02 outubro 2015

"não faças dietas! tem orgasmos! vai votar!"

Colheita do primeiro dia de Outubro 2015:


1. Bilhetinhos para a sétima de Beethoven no sítio do costume, com a orquestra e o maestro do costume, no 25º aniversário da reunificação alemã.


2. A Neue National Galerie com uma curiosa vida interior.




A NNG que, diga-se de passagem, está fechada para obras.




3. Instantâneos de outono, ao passar de autocarro.





4. "não faças dietas! tem orgasmos! vai votar!"

(diz que é da peça "thisisitgirl", a partir de 16 de Setembro no teatro Schaubühne - estou a pensar se passo este, e vou ver depois a sequela, "thisisitma'm")