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11 junho 2014

da minha vida vê-se um lago




Quatro vezes por dia vou até ao lago com o Fox. Já temos o nosso percurso habitual, o que significa que, para ele, tudo se tornou banal. Para mim, não. Há sempre algo novo a descobrir no passeio: a água que se oferece em brilhos de luz por trás das árvores, a tartaruga pousada ao sol num tronco, a mãe galeirão (a galeiroa?) atarefada num ninho entre os juncos, os seus filhinhos recém-nascidos a nadar alegremente por ali, os nenúfares de flores abertas, o aroma do jasmim, as libelinhas. A bicharada, a água, o verde - quase me imagino de regresso a Rurrenabaque (mas sem os golfinhos de água doce) (nem os crocodilos). Às vezes encontro pescadores sentados em botes, e pasmo com o idílio pitoresco no centro de Berlim. Também há homens que têm consigo sacos, ou um carrinho de compras, e me fazem suspeitar que serão pessoas sem abrigo a tentar disfarçar a sua condição. Há namorados, claro, e pessoas a passear os seus cães, que isto não é tudo só do Fox.

Depois de um dia a esvaziar caixas, vestimos os fatos de banho e vamos de chinelos de dedo e toalha pelos ombros dar um mergulho no lago. Entramos pelo lado dos nenúfares, o que fica mais perto da nossa casa, e é como se tivéssemos férias ao fim do dia, todos os dias. Férias numa espécie de paraíso.

Não sei porquê tenho-me lembrado de um post que andou pela internet há mais de dez anos. Algum brasileiro que foi para o Canadá, e escreveu a contar maravilhas sobre a neve e a paisagem. Na mensagem seguinte descrevia deslumbrado os veados que via da janela da sua casa. Uns dias depois a neve era apenas bonita, e os veados davam-lhe cabo do jardim. Daí a nada já dizia palavrões sobre a porcaria da neve que tinha de limpar, os veados, o inverno, tudo.

A ver vamos. Por enquanto, vou passear com o Fox quatro vezes por dia até ao lago, e ambos gostamos muito.


sinais auspiciosos



Durante os preparativos para a nossa mudança para Berlim, há cerca de sete anos, dei comigo num bairro muito sossegado, num dia claro de Outubro, a procurar uma escola para o Matthias. A rua tinha mansões do séc. XIX com jardins-parques e árvores enormes cujas folhas, já tingidas pelos Outono, pairavam no ar, embaladas pela brisa. Ouro no ar? Aceitei esse momento de beleza como um gesto de boas vindas de Berlim.

No sábado que antecedeu a mudança para a casa de imigrante tive de vir bem cedo abrir a porta a uns pintores, e aproveitei para ir passear o Fox junto ao lago. As tílias largavam flores douradas sobre nós, e acreditei que isso seria um sinal auspicioso.

Bem me enganei. Nesta mudança, tudo o que podia correr mal - enfim, quase tudo - correu péssimo. Alguém se enganou a fazer os alicerces das escadas, de modo que quando chegaram cá os homens para instalar as escadas foi preciso fazer à pressa os alicerces no sítio certo, e quando chegámos nós, com dois camiões para descarregar, o cimento ainda estava húmido. De modo que no dia seguinte foi preciso fazer 3 horas do trabalho do dia anterior, que faltaram ao fim da tarde, obviamente. Quando, finalmente, chegaram os dois camiões seguintes, começou a chover torrencialmente. Saíram depois das dez da noite, e o carpinteiro já não conseguiu montar os móveis. Telefonou dias depois a dizer que estava na cama com um febrão por causa das 3 horas que esteve a descarregar móveis vergastado pela chuva e pelo vento. Vários dias sem cozinha, nem armários nem estantes para começar a abrir as caixas e a dar destino à tralha. A internet, diz que virá um dia destes ou talvez lá para o Outono. E o simpático que andava a fazer o jardim foi pai quatro semanas antes do dia esperado (mas correu tudo bem, excepto que agora não vem trabalhar).

Nunca mais volto a acreditar nos sinais da natureza. Ou então, havia de arranjar de os saber ler.


27 maio 2014

logo se vê

Começo a desconfiar que sou uma nulidade a organizar coisas, e a culpa é do estribilho "logo se vê".
O pintor só tem tempo de pintar a casa justamente na altura em que a empresa de mudanças a está a esvaziar, e - numa de "logo se vê" - combino com ele que a empresa vai esvaziando os quartos um a um, e ele vai atrás a pintá-los, vamos indo e vamos vendo, com certeza que no fim tudo corre bem. O pintor diz que sim, mas quando entra na nossa casa cheia de tralha e carregadores, sugere-me que ligue ao senhorio e pedir que adie alguns dias a entrega da casa (como é que eu não me lembrei logo disso?!). O senhorio também deve ser do tipo logo se vê, porque não tem planos fixos para a casa no dia 1 de Junho, e autorizou.
Na casa nova, os homens entram com caixas e móveis, e eu estou à porta a dizer para onde vai tudo aquilo, mas infelizmente desta vez não tive tempo de sonhar a disposição dos móveis na casa nova, de modo que depois da cena gaga em que dizia "o móvel chinês? ahem, fica no rés-do-chão, ah, espere, talvez no segundo andar", mando tudo para um quarto que por enquanto não é preciso. Depois vai ser bonito, transportar tudo para o sítio certo. Mas, lá está: logo se vê.
Pior ainda: para montar as estantes é preciso espaço (e ainda tenho de arranjar um homem que as corte, porque têm em altura 1 cm mais do que deviam). Se enchemos primeiro as divisões com as caixas de livros, não há como montar as estantes depois. De modo que os livros estão a ficar todos naquele tal quarto do andar de baixo, e eu vou passar um mês a descer as escadas e a subi-las de novo carregando centenas de livros. A vantagem é que no fim desse mês vou estar com um maravilhoso corpo de bikini.
Começo a desconfiar que descobri o segredo das, digamos, mocinhas que são um bocadinho lentas de entendimento e têm um corpo escultural, que vão para os concursos das misses. Também devem ser do tipo logo se vê, e depois coitadas lá tem de carregar os livros todos pelas escadas acima.

Ontem na casa nova:



Hoje na casa velha:



Daqui a nada desligam-nos os computadores, e estou aqui desesperada à espera do desenho final da cozinha que vai ser encomendada em Portugal. Se não vier agora, sei lá quando vou ter internet para ver e decidir e encomendar finalmente. Em todo o caso: vou andar pelo menos três meses a cozinhar na cozinhinhinha do Matthias, e a comer três andares acima. Se me preocupo? Ora essa! Logo se vê. 
Praias de Portugal, este verão é que ides ver o que é bom, hehehe.
PS: O Fox anda tristinho, tristinho. Passa o dia na casa dos vizinhos, que são amorosos, mas sente-se abandonado e não percebe nada do que está a acontecer à casa que até agora era o seu mundo. Já lhe expliquei que é para bem dele, e que quando tivermos o jardim com relva e cercas (para ele não ir para os jardins dos vizinhos, que ainda nos vai arranjar inimigos naquela rua) vai ver que valeu a pena todo este sofrimento, mas ele olha para mim de orelha murcha e choraminga um bocadinho. 


26 maio 2014

já começou a mudança, e eu, que estou a trabalhar desde as cinco da manhã, vim aqui fazer um intervalinho, mas volto já para os trabalhos forçados, não se preocupem

Um após outro, já quatro homens percorreram o apartamento, e a cada nova sala ficam mais incrédulos. Não sei, mas parece-me que vai ser um longo dia.
(E talvez seja boa ideia eu desaparecer quando for a altura de carregar as caixas dos livros, porque quando vimos que os caixotes estavam a esgotar começámos a optimizar a ocupação do espaço...)

 

 



PS: Se a gratidão matasse, podiam começar a encomendar flores para o meu enterro. Os amigos que nos vieram ajudar, e ontem ficaram aqui até estar praticamente tudo feito, foram, bom, nem tenho palavras. E mais: quando viram que eu estava como o tolo no meio da ponte, sem saber para onde me virar, discretamente trataram de resolver tudo sozinhos. Esta manhã levantei-me às cinco, para fazer o resto - e só então descobri com detalhes a qualidade do trabalho que fizeram ontem sem o menor alarde.
A Christina também foi  incrível: depois do trabalho (tem um job que a obriga a levantar-se às seis da manhã) veio para cá e trabalhou até à meia-noite. E o Matthias, que tem o último exame do secundário amanhã, regressou de um encontro de preparação do ano de trabalho voluntário na América Latina, e ficou a ajudar enquanto foi preciso.
A minha sorte é que a gratidão não mata.


momento nostalgia


Os brinquedos dos miúdos. Os livros infantis. Provavelmente gastamos em brinquedos e livros o suficiente para comprar um carro. Ora bem: melhor nisso que em tabaco. Além disso, fui feliz (sim: sou daquelas mães que compram os brinquedos mais para se desforrarem da sua própria infância do que).
Os miúdos queriam dar imensos livros à Oxfam. Eu é que não consigo ser tão mãos-largas como eles, sobretudo quando se trata dos livros para os mais pequeninos. Cada um deles carrega muitas horas especiais que passámos juntos.


25 maio 2014

quero estes

Alguém tem o número de telefone deles?
(Não desfazendo, claro claro, dos amorosos que me estão a ajudar. Foi um deles que me passou o link - e não sei se é para ler alguma coisa nas entrelinhas...)




23 maio 2014

estou assim:

Encho uma caixa a pensar na solução para os roupeiros. Vou à internet ver preços de portas de correr. Encho outra caixa, lembro-me que ainda não encomendei a parte da cozinha que vem de Portugal, telefono para Portugal. Encho mais uma caixa. Diapositivos, já vou em quatro caixotes de diapositivos! Quando é que vamos ver todos estes diapositivos? Caixa seguinte. Olha um livro emprestado - toca a escrever ao dono, a ver como faço para devolver. Outra caixa. Ai, é preciso reservar o restaurante para hoje à noite. Duas caixas, deixa cá ver como vai ser a cozinha do Matthias, deixa cá ver se o Mike já lá foi colar o azulejo que falta para podermos pôr os móveis. Mais uma caixa, olha olha, aqui está o meu disco externo de segurança, que guardo escondido dos ladrões porque tem as nossas fotografias, deixa-me cá pôr a gravar as dos últimos dois anos. Onde diabo estará o cabo do disco? Estes são os dos telemóveis, não servem. Ah, espera, é o mesmo da impressora - esse não, o outro. OK, deixa-o lá a contar os gigas, e no entretanto mais uma caixa. 2013, setenta e um gigas, quando é que vamos ver todas estas fotografias? Pronto, já está, tem para duas horas. Volto às caixas. Será que já temos água em casa? Tenho de perguntar, e depois tenho de arranjar quem vá limpar a casa este fim-de-semana. Caixa seguinte.

...

Intervalinho: a filha do Tolan, que tem oito meses e mal sabe dizer "mamã" e "papá", diz "carrega, Benfica!" com todo o entusiasmo. Tão querida! Não sei se soube escolher bem o clube, mas, coitadita, aos oito meses ainda se é muito dependente dos pais e não se tem grande margem para escolher em liberdade. Em todo o caso, eu, se fosse aos senhores do Benfica, dava-lhe já o cartão de ouro, ou a medalhinha, ou o terço, ou lá o que é. Merece.


e agora saia uma cozinha ali para a mesma casa, se faz favor


O camião chegou pontualmente às seis e meia da manhã, e eu já lá estava a descarregar as peças de cozinha que comprei ontem na IKEA.
As coisas começaram por correr muito mal, porque o camião desatou a patinar na areia. O condutor já queria ir à vida dele, mas depois aceitou fazer uma última tentativa, atacando por outro lado do terreno. Deixou o camião a quase um metro de distância da porta de entrada, de modo que fomos buscar umas tábuas para se fazer uma ponte.
Fui buscar cafés para eles, e deram-me uma bolachinha em cima do copo de papel - foi aí que percebi que estou a mudar para um bairro ligeiramente mais fino do que o actual. Aimêdês, desconfio que vou ter de andar todos os dias disfarçada de senhora, vai ser um stress.
Quando voltei, mais de metade da cozinha já estava dentro de casa. Os homens protestaram um bocado, disseram que a ponte improvisada não tinha condições nenhumas e estava mesmo a gritar por um acidente, e que quem trabalha assim não está coberto pelo seguro, porque nenhum seguro paga negligência e burrice, mas foram simpáticos e fizeram. Agradeci-lhes muito, e depois pus-me a rezar para que não acontecesse acidente nenhum. Enquanto rezava continuei a descarregar o carro (sou muito multi-tasking) e entretanto começaram a chegar todos os outros operários, que me ajudaram a carregar as coisas mais pesadas.
Os electricistas admiraram-se por a garagem vir sem as ligações eléctricas, e telefonei ao arquitecto, que também já estava a trabalhar às sete da manhã.
Às oito da manhã os móveis estavam prontos: desempacotados e encostados à parede. Na segunda-feira vem o carpinteiro que vai montar tudo - e algo me diz que posso levar as coisas deste frigorífico directamente para o novo. O camião foi-se embora às oito e um quarto, o que deixou o vizinho todo contente, porque estava mesmo a precisar daquele espaço para descarregar o seu próprio camião. O da escavadora foi simpático e disse que esperava mais uma horinha antes de começar a fazer os alicerces das escadas. O vizinho também foi simpático, e deu-nos electricidade para os do chão continuarem o trabalho enquanto os electricistas desligam a corrente eléctrica para instalarem o contador. O vizinho controlou se a garagem estava ligeiramente inclinada, para a água do chão poder escorrer para fora, e por sorte estava (e eu com cara de "é tão triste andar a fazer uma casa sem saber nada destes detalhes..."), e depois perguntou-me se a nossa máquina para aquecer a casa está ligada a uma corrente eléctrica mais barata (depois pergunto ao arquitecto, assim como assim agora já é demasiado tarde para corrigir, e é mesmo muito triste andar a fazer uma casa sem saber nada destes detalhes).
Depois fui levar uns papéis do Joachim ao ginásio de fisioterapia onde se tratam os jogadores do Hertha, disfarçadamente enchi os olhinhos de pernas fantásticas, e a seguir fui para casa com os croissants frescos para o pequeno-almoço com a minha sogra, que veio cá para o concerto do Aznavour e hoje faz anos. Eram oito e meia da manhã, e estavam a dar as notícias: em consequência da decisão do Tribunal Constitucional alemão, o tribunal não-sei-quê aceita a co-adopção homoparental, e na Holanda o Geert Wilders vai levar uma capilota monumental nas eleições europeias. O dia começa bem.











22 maio 2014

saia uma garagem ali para a casa do canto, se faz favor


Uma hora foi o tempo que levou a chegar o camião, fazer a manobra complicada para se meter entre as casas, largar a garagem, ajustar a porta, dar os papéis, e ir-se embora. Eram três da tarde, e já era a quarta garagem que estava a pousar no seu destino.







Por isso, sobrou-me tempo para ir comprar umas panelinhas para o fogão novo, e umas portas novas para a cozinha velha da IKEA. Tive de ir a duas IKEAS, mas consegui encontrar as últimas portas Årsta ainda existentes em Berlim. E porque será que vão acabar com este modelo, que é completamente atemporal? É o problema do costume: nunca ninguém me pergunta nada.





good news, bad news, good news



Good news: acabei de vender o fogão de sala.

Bad news: os palermas da IKEA estão a mudar o sistema da cozinha. Parvalhões. Tenho de ir lá a correr ver se ainda consigo comprar umas portas brancas para os móveis que tenho, e mais uns que me faltam, e mais isto e mais aquilo. Como se não tivesse aqui 200 caixotes para encher.

Good news outra vez:  hot dogs da IKEA, here we go again!


(mas antes vou à obra fotografar a chegada triunfal da garagem, diz que é à uma da tarde)


senhor diabo, pode reduzir o fogo aí nesse döner kebap

Sabem aquilo que eu disse no post anterior, sobre o destino de quem inventou o Sistema Operativo em Tempo Real?
Pois parece que afinal esse sistema funciona: acabaram de me ligar da expedição que vai entregar a cozinha. Eu ontem tinha-lhes pedido se por muito favorzinho se podiam levantar mais cedo e ir entregar a nossa cozinha antes de irem entregar a que estava agendada para as sete da madrugada, e eles pois que sim, às seis e meia da manhã lá estarão.

Parece-me um milagre. Agora só falta resolver a quem o atribuir, e mandar relatório para o Vaticano. Mais uns anitos, e habemus mais um sanctum. Por mim, até podia ser eu. Depois destes dias, acho que mereço.


parece que sim

Parece que vamos mudar mesmo na próxima segunda-feira. Tenho andado a fazer fotografias para mostrar como avança, mas quando chego a casa para as pôr no blogue já estão desactualizadas. Volto à casa, faço mais fotografias, e zimbas, assim vai a vida. Portanto: o que se segue já deixou de ser verdade há mais ou menos 47 minutos.


Já temos chão em mais de 2/3 da casa:


Já temos torneiras (ainda falta um pequeno detalhe, a água, mas não sejamos esquisitinhos):





Já temos portas:



(montaram-nas todas em meia manhã - e só uma é que abre para o lado errado...) (descobri quando os homens ainda lá estavam: a porta da casa de banho de serviço abre para dentro, de modo que é preciso fazer algum jogo de cintura para passar à volta da porta e chegar à sanita. Como sou pateta, pensei: "as pessoas gordas vão ter de usar outra casa de banho". Nem me ocorreu dizer aos homens que pusessem a porta a abrir para fora. Pergunto-me agora se isto é um reflexo do desenrascanço português: perante um problema, procurar uma solução para desenrascar em vez de parar, pensar e refazer para ficar bem.)

Ainda tenho de ver como é com a ligação telefónica e a televisão. E a água, já agora, que nem só de internet se vive.

Hoje vêm entregar a garagem. Amanhã vêm entregar uma parte da cozinha - a parte rolls royce, que vem de Portugal, ainda não está encomendada. Como ainda não temos escadas exteriores, o camião que traz a cozinha vai chegar junto à porta, para descarregar directamente para dentro da casa. Têm de vir cedo e ser rápidos, porque o homem da escavadora vai estar à espera que se vão embora para fazer as fundações de cimento para as escadas. Na segunda-feira, às sete da manhã chegam as escadas (vêm da Turíngia, que era da RDA: o pessoal lá trabalha incrivelmente bem, e por um preço muito razoável), e vão ser aparafusadas a toda a velocidade - enquanto cá em casa os homens vão carregando os nossos tarecos para dentro do camião.

Como se não bastasse para complicações, o homem que vai montar a cozinha chega à casa às sete da manhã, e tem de esperar que os pintores fechem este sulco na parede e no tecto (na cozinha, claro):


Provavelmente não vai ter de esperar muito, porque os pintores estarão com pressa: têm de vir para o apartamento de onde vamos sair, e pediram para já termos um quarto vazio às sete da manhã, para começarem logo a pintar enquanto nós esvaziamos o resto da casa.

Quem inventou o Sistema Operativo em Tempo Real deve estar agora no inferno a ser grelhado às voltinhas como um döner kebap...

(E agora vou encher caixas, que é o meu parafuso neste processo de produção, além de fazer fotografias, controlar se estão a fazer tudo como eu queria, resolver os problemas que aparecem, e dormir o mais depressa que consigo.)


18 maio 2014

diz que vamos mudar de casa de amanhã a oito




  


Mudamos 15 anos demasiado tarde: ali por finais dos anos 90, o que o Matthias e a Christina não teriam dado para ter duas escavadoras no quintal!


Mudamos um mês demasiado cedo:

As escadas de acesso à casa:



A cozinha:



As casas de banho (ainda sem água):




O chão:



E assim vai a vida.
Acabo o intervalinho, e volto para as caixas (de amanhã a oito temos os camiões à porta de casa às 7 da manhã; os pintores vêem à mesma hora, e vão pintando as paredes à medida que as divisões se vão esvaziando). Já que estou de mangas arregaçadas, aproveito e limpo também as desgraças que o Fox vai deixando por aí (está com diarreia, o pobrezinho), e mostro Berlim aos amigos americanos que nos vieram visitar, e mais isto e mais aquilo. 
Esta semana dava-me jeito que o Calvin me emprestasse aquela máquina que inventou para fazer sósias seus. Quatro ou cinco de mim, dava-me jeito. 


24 março 2014

notícias da casinha de imigrante

Os trabalhos vão adiantados, já puseram o isolamento exterior e o cimento por cima dos tubos do aquecimento no chão (que impressão faz ver aqueles tubos e o cimento, e pensar que se algum tubo se rompe...).
Já posso afirmar sem qualquer margem para dúvidas: é a casa mais linda da rua toda. Os vizinhos terão outra opinião, mas por acaso desta vez quem tem razão sou eu.

Na próxima semana vão pôr os azulejos, e mudamos em fins de Maio.

O que mais me fascina é a luz que a casa tem.
Com o jeito que tenho para decidir contra mim, acabei por ficar com o escritório mais escuro da casa. Não é que seja escuro-escuro, afinal de contas tem uma janela enorme virada a sul. Mas comparado com o escritório do Joachim, que tem uma parede toda em vidro...
(Consolo-me pensando que se um dia me apetecer fazer coisas inconfessáveis como escarafunchar no nariz e assim, tenho a necessária privacidade, hehehe, nada como saber dar valor aos pequenos lucros nas grandes perdas, como dizia o outro.)


***

Adenda - a pedidos, aqui vai uma foto do meu "quartinho escuro":



e do quarto das visitas, na cave:




24 janeiro 2014

então pronto, vou fazer um referendo sobre coisas que não vos dizem respeito (parece que agora é moda)

Olá meu bom povo,
é o seguinte: tenho uma semana para decidir como vai ser a cozinha, e está-me a dar aquela angústia do guarda-redes antes do penalty.
Ali por alturas de Setembro as coisas iam às mil maravilhas - um amigo até se deu ao trabalho de fazer desenhos bonitos para eu ver como ia ser aquilo que tinha sonhado, e tudo. Mas na semana passada o meu irmão (este) veio cá, subiu ao andar onde vai ser a cozinha, e pôs-se a dizer o que me anda a repetir há uns cinquenta anos, "és muito trenga, moça!", e que tenho de escolher entre um espaço realmente bonito ou uma cozinha-tipo-coiso e uma salinha-tipo-coiso, e que até dói uma sala daquelas ficar dividida em duas coisinhas-tipo-coiso, e que a única maneira de resolver a questão com dignidade é apostar no design. Eu insistia e gemia "ai a minha rica cozinha aberta escondida!" e "não me destruas os sonhos!" - mas ele permaneceu inflexível.
Depois de muitas negociações e muitos "não sejas trenga, moça!" (desconfio que levei por tabelinha por causa de todos os seus clientes que também insistem no "e é 2 cm para a esquerda ou para a direita?" e "seria preferível cinza escuro ou antracite claro?") lá me deixou com uma nova ideia de cozinha nas mãos.

Portanto, a pergunta do referendo é:

Concorda que a Helena deve fazer a cozinha nº2 e o irmão dela é muito bom arquitecto mas é um chato descomunal que a devia tratar melhor?

Aqui estão as descrições das duas cozinhas:

* Cozinha nº 1:

Aberta, mas com armários de cerca de 1,10 m de altura a separar a parte de cozinha da de comer, para que quem está sentado não veja a desarrumação que vai na cozinha.

Nota: esta semana decidimos que não vamos fazer a lareira (que ainda se vê nos desenhos desta cozinha). Se quiserem, também posso fazer um referendo para isso ("Concorda que a Helena deve fazer uma lareira no 3º andar da casa, e o marido é quem carrega a lenha e limpa o pó aos livros?")








* Cozinha nº 2:

Aberta, completamente. Com a parede do fundo coberta de armários altos, e um nicho para poder pousar as máquinas (de café, torradeira, etc.). Na perpendicular à parede dos armários há uma mesa de uns bons cinco metros de comprimento, composta por várias mesas iguais (que podemos deslocar para a varanda ou usar como sideboard, em caso de festas, por exemplo) e um bloco com o fogão e a pia. O tampo das mesas é em madeira de carvalho, como as portas dos armários do bloco.
Nestes desenhos ainda não se vê a parte das mesas (imaginem-nas alinhadas pelo bloco, com a mesma largura e o dobro do comprimento, e com a altura da parte do bloco onde está o fogão)








11 janeiro 2014

casa com piscina em Berlim

Apesar de não estar nos planos, descobrimos hoje que temos uma piscina no terraço da cobertura. A nossa casinha de imigrante está cada vez melhor...