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01 julho 2015

selfie familiar


Da esquerda para a direita: Christina, eu, Joachim.
Falta o Matthias (oh, se falta!) e o ó-sô-Fox não se vê porque está dentro de casa, por trás dos vasos, a brincar com uma garrafa de plástico.

(Ó sô Fox larga isso, que estás a fazer muito barulho!)


17 dezembro 2014

letter from home




(esta última foto com efeito "tartaruguinha", mas eu só fui levar o Fox à rua, 
não fui fotografar de máquina de profissional e tripé e tudo)




27 outubro 2014

hora de inverno e outros assuntos sem importância

A vantagem da hora de inverno - uma das - é que o sol passa a nascer durante o meu pequeno-almoço, e não quando o dia já me vai a meio.



Com um sol destes a nascer em frente à janela, uma pessoa até se imagina em África.
Mas não se iludam - esta África minha também é assim:


(Ou alguém é capaz de imaginar o céu sobre Berlim sem uma meia dúzia de guindastes por perto?)

Levei o Fox ao nosso lago, encontrámos lá o outono. Depois o Fox desatou a correr na direcção de outro cão, e eu fui a correr atrás dele e fiz sem querer uma selfie do meu casaco - que deixo aqui, só para provar que no outono em Berlim todas as fotografias ficam bem.






Finalmente chegou o outono, acabou-se o stress de esperar pela chuva para regar a relva. Este ano o verão foi bastante ingrato, não choveu quase nada!

A relva em frente à garagem está uma maravilha:


O mais curioso é que cresce entre pedras. Como não podíamos fazer uma auto-estrada até à garagem, porque já tínhamos usado toda a área permitida, fizemos um caminho de cascalho e plantámos relva pelo meio. Depois rezámos muito, e funcionou. As rezas, e mais as regas, claro. (Já disse que isto é uma triste vida, já nem no verão alemão se pode confiar?)


Depois fiz mais uma selfie minha.


E pronto. Acabou-se a conversa sobre o tempo e outros assuntos sem importância.


22 setembro 2014

cozinha de imigrante



Finalmente, aqui vai o último episódio da famosa cozinha. Melhor dizendo: o mais recente.
Agora é que tudo começa: estou ansiosa pelos próximos episódios, quando esta sala se encher com os risos e as conversas dos melhores amigos.

(É tão bonita, que acho que vou arranjar um fogão de campismo, uma bacia de plástico e um toldo, e vou cozinhar na varanda...)

(Não é aquilo que se chama funcional - o triângulo, o da esquerda para a direita, o sei lá. Mas deixem-me que vos diga: a funcionalidade está overrated.)

(Adoro a altura da zona de trabalho. Como é que aguentei mais de vinte anos da minha vida a trabalhar curvada?)

(Se tiverem sugestões para cadeiras, cámone yes. Mas que sejam extremamente confortáveis, e muito baratas. Estamos completamente, enfim, com certeza imaginam.)

(Agora vou trabalhar para Lisboa um mês, depois volto, e vamos pôr quadros nas paredes, e pensar numa estante para os CDs, e mais os focos de luz, e assim. Sempre a sonhar.)









 





 
 


(esta última é uma gracinha: as tomadas eléctricas - eu imaginei tomadas eléctricas no lados do bloco, mas na fábrica acharam que ficava parolo, e fizeram esta coluna encastrável)


É uma cozinha portuguesa, com certeza. Tenho o gosto de apresentar os seus autores:
- Gonçalo Araújo, meu irmão - a quem agradeço a ideia genial e mais toda a paciência que usou para me convencer.
- De Pau - Indústria de Mobiliário - são fantásticos. E mais não digo. Excepto que, bem feitas as contas, não ficarão assim tão mais caros que a IKEA. 


20 setembro 2014

quando for grande, acho que vou ser um rapazinho de cinco anos feliz por ver um tractor...

Vieram entregar o armário para os contentores do lixo:


 
 
 

(Tem estado uma semana terrível, um sol que parece Verão! Eu bem rezo para o São Pedro mandar para cá a chuva que anda a largar em Portugal, mas ele deve estar a gostar muito de se rir de mim. O melhor é deixar as rezas e, plano B, ir regar a relva.)


27 agosto 2014

a blogonovela da cozinha continua

Onde é que eu ia? Ah, já sei: um homem deixou três caixotes enormes em frente à nossa casa, consegui descobrir o nome alemão do tipo de camião que havia de me pôr as caixas no segundo andar, procurei na internet, telefonei, combinámos para daí a bocadinho.
E foi assim: apareceu-me um homem já de certa idade, que parecia um rapazinho a brincar com um carro telecomandado. Em menos de meia hora tinha a brincadeira feita. 


 



Passo seguinte: arranjar os quatro homens com força de King Kong e sensibilidade de Sininho que pusessem os blocos dentro de casa. Arranjei, numa empresa de transporte de pianos de cauda, mas apareceram-me só dois. "Então não são quatro? Olhem que um dos blocos pesa 200 kg!", avisei eu, mas eles encolheram os ombros. Abriram as caixas, e um deles tinha sensibilidade de Sininho, dava gritos histéricos sempre que ouvia os ruídos da esferovite. Mandámo-lo para o andar de baixo, até esse trabalho estar terminado. Depois pegaram no bloco maior, e desataram a resmungar, porque pesava bem mais do que 200 kg. Ainda perguntei se queriam chamar reforços, mas eles que não. Pousaram o bloco no sítio certo, pousaram o segundo bloco no sítio certo, fartaram-se de resmungar. No fim paguei-lhes quase o dobro do que tinha sido combinado, e senti-me ridícula - se este trabalho lhes deu cabo das costas, de que serve um par de dezenas de euros?




 




Última etapa da aventura: fazer as ligações da água, pôr o fogão e o exaustor. Parecia fácil, mas acabei por aprender mais alguns palavrões, da boca do técnico deitado de costas dentro dos armários, com metade do corpo suspenso no ar, numa posição desconfortável e precária. E quando parecia que tudo estava bem...
... mais um balde de água fria: o bloco estava demasiado baixo, não era possível pôr os rodapés.
Lá fui eu arranjar mais um especialista em cozinhas difíceis, que me viesse elevar cerca de 1 cm este bloco de - entretanto - uns 300 kg, sem partir aquilo tudo.
Vieram dois, há bocadinho, e subiram os pés um a um, milímetro a milímetro. Enquanto escrevia este post fizeram o trabalho, e no fim pediram menos do que tinha sido combinado porque afinal não fora tão demorado. Também elogiaram muito a cozinha, repararam na elegância dos detalhes, disseram "gigantisch" e "genial", louvaram muito o trabalho português. Disseram que dificilmente arranjaria na Alemanha quem me fizesse uma coisa destas.

Agora só me falta arranjar tempo para arrumar tudo no sítio certo, limpar e pôr bonitinho, esperar que o Joachim regresse dos EUA com a máquina fotográfica, e depois ponho aqui - com alegria, orgulho e alívio - o episódio final desta novela.
Que não há-de ser o final, pensando bem, porque a história a sério começa agora: finalmente temos o espaço que sonhámos para nos sentarmos longas horas à mesa com bons amigos.


15 agosto 2014

se chego ao fim desta aventura, nem acredito que é verdade...

Estava aqui toda atarefada com o Cinemagosto, eis que vejo um camião a estacionar em frente à minha porta. Era a cozinha que veio de Portugal, e ninguém me avisou que vinha hoje.
Ora bem: antes hoje que amanhã, que já estou farta de subir e descer escadas para fazer um almocinho (as ferramentas e os ingredientes diversos no segundo andar, o frigorífico na cave, a cozinhita no rés-do-chão) (um dia destes quem escreve um livro com dicas para perder peso sou eu). E antes hoje que amanhã, porque hoje o Cinemagosto ainda não aperta. Amanhã é que vão ser elas.

O homem deixou três caixotes enormes em frente à casa, o Joachim e eu começámos a telefonar a empresas de mudanças de pianos de cauda, como uns desesperados, a ver se conseguíamos essa espécie de milagre que será elevar caixas pesadíssimas até ao terraço do segundo andar, e arranjar quatro homens com força de King Kong e sensibilidade de Sininho para pousar os blocos da ilha sobre as ligações da água que já lá estão espetadas no meio da sala.
Debalde.
Até que a Christina me sugeriu que fosse ao fundo da rua, onde há um guindaste, para pedir aos homens uma ajudinha. Fui ao fundo da rua, era hora do almoço e os operários ficaram todos muito contentes por lhes irromper pelo repasto adentro, e não podiam ajudar mas disseram-me o nome alemão do tipo de camião que me podia resolver o problema: "LKW mit Ladearm".
É bem verdade que no princípio era a palavra, e no verbalizar é que está o ganho.

O LKW mit Ladearm chega daqui a uma hora, os homens que carregam pianos de cauda (e orgãos, e espinetas, e cravos) devem vir na segunda-feira. Pedi que viessem o mais cedo possível, "se fôr às cinco da manhã não me importo, até lhes dou um café". Ele riu-se: "e nós levamos os pãezinhos quentes".

Veremos.

***

Para quem quer saber tudo, a cozinha estava assim na fábrica em Portugal, quando a fomos conhecer em meados de Julho (e aviso já que só aceito críticas positivas, tipo "é a cozinha mais bonita do mundo" e assim):





(Foi feita na "de pau, indústria de mobiliário" - por pessoas a quem dantes se chamava "artista": conhecedoras e amantes da sua arte. E por um preço que, bem feitas todas as contas, não fica muito acima das cozinhas IKEA.)

Agora está lá fora, assim:



Não percam os próximos episódios desta blogonovela. Se correr tudo bem, vitória vitória acabou-se a história. Por enquanto, tento viver um susto de cada vez. Tenho meia hora para ir buscar dinheiro para pagar ao condutor do LKW mit Ladekran, e mais uma tela de plástico para me abrigar as caixas lá em cima no terraço, porque por causa do Cinemagosto andei a rezar para que chovesse e as pessoas quisessem ir ao cinema em vez de ir ao lago (agora é que me vou desgraçar junto da população berlinense) e parece que rezei com demasiado empenho, que começou a chover agora mesmo em cima da minha rica cozinha. 

Depois conto o resto.