Recebi esta mensagem por whatsapp, juntamente com o pedido de partilhar o mais que possa.
A mensagem não tem muito de novo, o conteúdo está exposto de forma pouco articulada e passa ao lado de angústias existenciais que estão a atingir muitos de nós - além de ter algumas passagens que despertam o cepticismo que há em mim. Mas há um detalhe que a torna excepcional: veio de um círculo de pessoas que votam nos partidos conservadores alemães, e cuja voz se faz ouvir com força em níveis importantes da política e da religião. E é particularmente importante neste momento, quando parece que os políticos tomam decisões sobre questões cruciais para o futuro pensando que a sociedade ainda é composta maioritariamente por eleitores com o perfil dos cidadãos de há cinquenta anos.
Em suma: saber que esta mensagem circula em círculos conservadores alegra-me imenso, por ser sinal de que a vontade de reinventar uma outra maneira de estar neste planeta deixou de ser uma maluquice de alguns lunáticos de esquerda, e está a crescer cada vez mais em todos os sectores da sociedade.
(Aleluia! Aleluia!)
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Pode ser que os navios fiquem parados durante uma temporada nos portos italianos, ...mas também pode ser que os golfinhos e outros animais marinhos possam finalmente recuperar o seu habitat.
Já se vêem golfinhos nos portos italianos, e os peixes regressaram aos canais de Veneza!
Pode ser que as pessoas se sintam enclausuradas nas suas casas, ...mas também pode ser que tenham recomeçado finalmente a cantar umas com as outras, a ajudar-se mutuamente e, pela primeira vez desde há muito tempo, a sentir que pertencem a uma comunidade.
As pessoas estão a cantar umas com as outras!
Pode ser que a redução das ligações aéreas provoque em muitos uma sensação de sequestro e implique algumas limitações profissionais, ...mas também pode ser que a Terra tenha agora a possibilidade de respirar fundo, o céu ganhe cores mais fortes, e algumas crianças na China possam ver pela primeira vez a cor azul do céu.
Repara com os teus próprios olhos: como o céu está mais calmo e azul!
Pode ser que o encerramento de infantários e escolas represente um imenso desafio para os pais, ...pode também ser que muitas crianças, pela primeira vez desde há muito, tenham uma chance para desenvolver a sua própria criatividade, agir com mais autodeterminação, e desacelerar um pouco.
E os pais podem ter a chance de conhecerem aspectos dos seus filhos que até agora ignoravam.
Pode ser que a nossa economia sofra danos terríveis, ...mas também pode ser que nós finalmente sejamos rapazes de reconhecer o que é realmente importante na vida, e que o crescimento constante é uma ideia absurda da sociedade de consumo. Tornámo-nos marionetes da economia.
Já era tempo de nos darmos conta do pouco que realmente nos é necessário.
Pode ser que isto seja demasiado para ti, ...mas também pode ser que tu sintas que esta crise também oferece a oportunidade para fazer a mudança há muito necessária:
- que permite que a Terra respire,
- que oferece às crianças valores há muito esquecidos,
- que traz um enorme abrandamento no ritmo da nossa sociedade,
- que pode ser o princípio de uma maneira nova de estarmos uns com os outros,
- que, pelo menos durante algumas semanas, reduz o ritmo de crescimento da nossa montanha de lixo,
- que nos mostra até que ponto o planeta está disposto a iniciar a sua regeneração se a Humanidade tiver respeito por ele.
Recebemos um choque para acordar porque não estávamos a ser capazes de reconhecer a urgência do problema. Trata-se do nosso futuro. Trata-se do futuro dos nossos filhos.
(autor desconhecido)
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12 abril 2020
08 abril 2020
"zelador"
#Zelador: uma palavrinha tão boa, e eu sem internet praticamente o dia todo! Já me davam a medalhinha de Tântalo-Gold...
Queria falar das portuguesas nos prédios parisienses, esteio da casa, e dos zeladores de bloco na Alemanha nazi, pequeno esteio do regime de terror. E, dentro destes últimos, contar uma história de Berlim: a mulher de um Blockwart, que tomou conta de uma pequenita filha de judeus e a escondeu na cave até chegarem os russos. Do fundo da escuridão, a pequena nuance de humanidade.
Mas, em tempo de reclusão forçada, o desenvolvimento mais óbvio é este fenómeno de nos tornarmos todos zelador e acusador dos outros.
Eu própria, esta manhã, fiz comentários poucos simpáticos sobre os trabalhadores do estaleiro militar em frente à minha janela: remendar um barco de guerra é uma actividade tão urgente e fundamental que justifique este bando de homens em azáfama, demasiado próximos uns dos outros e sem máscara? Então o Estado francês não cumpre as suas próprias regras?
Também penso muito mal de certos vizinhos meus, que convivem alegremente com os seus amigos na entrada do prédio e no jardim.
Há despeito na minha crítica: eu que me privo de tanto, e eles que fazem o que querem.
E há medo: já tive várias vezes problemas de pulmões, não quero correr o risco de apanhar covid.
Devo ficar calada? Devo criticar abertamente? E que resposta me darão?
“Sou eu acaso o guarda do meu irmão?”, perguntava Caim cinicamente.
Seremos capazes de um esforço de solidariedade e responsabilidade liberto da armadilha do poder sobre o outro?
Estou a falar da covid, mas o que me preocupa é a verdadeira crise do nosso tempo: o aquecimento global. Seremos capazes de escolher um estilo de vida menos depredador, e ter a liberdade interior de conviver em silêncio com o comportamento depredador dos outros?
Mais: como aceitar o comportamento depredador dos outros? Será possível ser zelador do planeta sem ser simultaneamente zelador-acusador dos outros?
Queria falar das portuguesas nos prédios parisienses, esteio da casa, e dos zeladores de bloco na Alemanha nazi, pequeno esteio do regime de terror. E, dentro destes últimos, contar uma história de Berlim: a mulher de um Blockwart, que tomou conta de uma pequenita filha de judeus e a escondeu na cave até chegarem os russos. Do fundo da escuridão, a pequena nuance de humanidade.
Mas, em tempo de reclusão forçada, o desenvolvimento mais óbvio é este fenómeno de nos tornarmos todos zelador e acusador dos outros.
Eu própria, esta manhã, fiz comentários poucos simpáticos sobre os trabalhadores do estaleiro militar em frente à minha janela: remendar um barco de guerra é uma actividade tão urgente e fundamental que justifique este bando de homens em azáfama, demasiado próximos uns dos outros e sem máscara? Então o Estado francês não cumpre as suas próprias regras?
Também penso muito mal de certos vizinhos meus, que convivem alegremente com os seus amigos na entrada do prédio e no jardim.
Há despeito na minha crítica: eu que me privo de tanto, e eles que fazem o que querem.
E há medo: já tive várias vezes problemas de pulmões, não quero correr o risco de apanhar covid.
Devo ficar calada? Devo criticar abertamente? E que resposta me darão?
“Sou eu acaso o guarda do meu irmão?”, perguntava Caim cinicamente.
Seremos capazes de um esforço de solidariedade e responsabilidade liberto da armadilha do poder sobre o outro?
Estou a falar da covid, mas o que me preocupa é a verdadeira crise do nosso tempo: o aquecimento global. Seremos capazes de escolher um estilo de vida menos depredador, e ter a liberdade interior de conviver em silêncio com o comportamento depredador dos outros?
Mais: como aceitar o comportamento depredador dos outros? Será possível ser zelador do planeta sem ser simultaneamente zelador-acusador dos outros?
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10 março 2020
afinal parece que somos capazes de entrar em pânico...
February satellite readings in the troposphere (the
lower atmosphere) of nitrogen dioxide (NO2), a pollutant primarily from
burning fossil fuels, show a dramatic decline compared to early January
when power plants were operating at normal levels.
Por estes dias tenho pensado muito numa das frases que Greta Thunberg mais repete: "a nossa casa está a arder - é preciso que vocês entrem em pânico". De facto, há mais de quarenta anos que estamos a receber informações da ciência sobre o processo de destruição do planeta até um ponto que põe a nossa própria sobrevivência em risco, mas temos conseguido ignorar, e esperar que outros resolvam o problema. Porque - alegadamente - nada deve pôr em causa o sacrossanto direito à prosperidade e à melhoria do nível de vida de cada um.
O pânico é uma cena que não nos assiste. Mesmo sabendo que, a continuar assim, em meia dúzia de anos chegaremos a um efeito acumulado de poluição atmosférica que provocará um desgoverno sem retorno no equilíbrio da natureza como o conhecemos até agora, e que em breve começaremos a assistir a movimentos migratórios de uma dimensão que fará a actual crise do Mediterrâneo parecer uma brincadeira de crianças.
Sinceramente, não entendo. Sabemos que o nosso estilo de vida nos está a conduzir a passos largos para a catástrofe, sabemos que os nossos filhos vão sofrer horrores por causa das escolhas de consumo, profissionais e de lazer que fazemos todos os dias. Mas nem isso nos impele a rever as nossas escolhas e - mais importante ainda - a dar aos nossos políticos sinais fortes de que terão o nosso apoio quando impuserem medidas fundamentais e urgentes para o planeta, mesmo que tenham grande impacto no nosso nível de vida.
E depois aparece uma gripezinha (que é extremamente contagiosa, é certo, mas está longe de ter um efeito comparável à subida do nível do mar e à desertificação de grandes áreas do planeta) e vemos que afinal sabemos entrar em pânico: as companhias de aviação cancelam milhares de voos de passageiros e de mercadorias, os hotéis ficam às moscas, as fábricas interrompem o funcionamento, os jogos de futebol decorrem em estádios vazios, as pessoas fecham-se em casa debaixo de um monte de rolos de latas de conserva e embalagens de massa a tentar escapar ao fim do mundo.
Bem sei que vamos pagar este pânico bem caro. Mas esta conclusão já ninguém ma tira: afinal somos capazes de meter os travões a fundo.
Quando queremos, somos capazes de meter os travões a fundo. Basta que se altere a nossa percepção do risco.
(Olho para a figura lá em cima e imagino que, em termos de luta contra o aquecimento climático, o coronavirus deve ter sido a melhor notícia que aconteceu ao planeta nos últimos duzentos anos.)
18 fevereiro 2020
isto agora só lá vai com muros?
Três cientistas europeus juntaram-se para responder à questão sobre como evitar que as áreas costeiras do Mar do Norte, onde vivem 25 milhões de pessoas, sejam submergidas pelo aumento do nível do mar que já está em curso.
No trabalho publicado no American Journal of Meteorology, de onde tirei o gráfico acima, propõem a construção de duas barragens descomunais: uma de 161 km entre a Bretanha e a Cornualha e a outra de 500 km entre a Escócia e a Noruega. O resultado a prazo seria a transformação de boa parte do Mar do Norte num enorme lago de água doce, alterando os ecossistemas, aumentando enormemente os custos da navegação, etc. etc. etc.
O projecto custaria entre 250 mil milhões e 500 mil milhões de euros. E seria ainda necessário ter bombas potentíssimas a trabalhar permanentemente para atirar para o outro lado da barragem toda a água dos rios que desaguam nesse mar. Mesmo assim, seria provavelmente mais barato do que ter cada região a tentar resolver o seu problema (como nos Países Baixos já se começou a fazer).
Conclusão dos cientistas: às tantas era mais eficiente e mais barato começarmos a reduzir imediata e drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa.
Aqui em inglês e aqui em alemão.
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Também tem um gráfico semelhante para o Mediterrâneo: fazer uma barragem no estreito de Gibraltar.
Ao olhar para o gráfico quase ia desatando a rir: os africanos já não precisariam de barcos para chegar à Europa, podiam atravessar o mar de pés enxutos, como Moisés.
E se o Mediterrâneo se tornasse um lago de água doce, os conflito entre Israel e os palestinianos ia ficar muito mais aliviado, porque a água já chegaria para todos.
Mas depois reparei que Portugal fica fora da zona protegida. O que é uma boa notícia, porque não tínhamos que pagar aquele dinheiro todo para construir a barreira de protecção, e uma péssima notícia, porque a esmagadora maioria dos portugueses mora junto à costa. Mas também é uma boa notícia para o interior: ia voltar a repovoar-se.
Até há cerca de 5 anos costumava brincar com a ideia de dentro de meia dúzia de séculos a minha casa numa aldeia minhota se tornar uma casa de praia. Agora já não me dá vontade nenhuma de rir. O processo já está em curso, e a acontecer muito mais depressa do que pensava.
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