Hoje à oito da noite podemos ver em streaming o Wladimir Kaminer a ler um dos textos do seu, cito, livro ainda não escrito "A Alemanha a fumar na varanda - apontamentos do isolamento voluntário".
O problema é que à mesma hora o Macron se vai dirigir à França para dar notícias sobre o nosso futuro próximo. Pessoalmente, estava com esperança de que viesse dizer que daqui a dez dias começam a aliviar o regime de reclusão geral, mas entretanto desenganei-me por causa da trágica evolução que ontem se deu no número de infectados.
Ambos às oito da noite! Não podiam ter conversado um com o outro, para se porem de acordo quanto ao horário?
Assim, deixam-me completamente dividida: entre querer saber do meu futuro, ou aceitar os presentes que o nosso presente actual - tão diferente do nosso presente habitual! - nos dá.
Mostrar mensagens com a etiqueta Wladimir Kaminer. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Wladimir Kaminer. Mostrar todas as mensagens
09 abril 2020
08 abril 2020
a solução russa
Como não há dois sem três (enfim, tem dias) e como aquela minha amiga que confessou o seu amor pelo Wladimir Kaminer também informou que pôs a filha dela a estudar alemão por causa destas e doutras, aqui vai a tradução de um terceiro post dele no facebook:
Na Rússia, o presidente reconheceu o perigo da pandemia, e decidiu não seguir nem o caminho asiático nem o europeu, mas o seu próprio caminho russo, e enviou toda a gente de férias a partir da próxima semana, com salário completo. As pessoas não são obrigadas a ficar em casa pasmadas em frente à televisão, podem sair para a natureza, fazer churrascos e festas. Após um modesto pedido do presidente, os empregadores de todo o país concordaram entusiasticamente em assumir os custos destas férias. Em seguida, Putin foi à clínica de doenças infecciosas de Moscovo e, num fato de protecção amarelo vivo, visitou um doente com pneumonia em estado perigosamente avançado. Para o paciente a visita foi uma surpresa, como viria a afirmar na entrevista posterior, dizendo que tinha sido informado com apenas dois minutos de antecedência. Estava prestes a despedir-se definitivamente do mundo, de repente a porta abriu-se e Putin entrou. Levanta-te e anda! disse o presidente, e desapareceu de novo. O homem sentiu-se imediatamente melhor, o teste de Corona deu negativo, e teve alta do hospital. Agora espera-se a visita do presidente em todos os lares onde há pessoas com tosse. Apesar de ter havido uma cura milagrosa, a administração da cidade de Moscovo está muito preocupada. Quase todas as celebrações colectivas foram canceladas, excepto o desfile de 9 de Maio. "Vencemos a pior epidemia do século XX, o fascismo, por isso não vamos meter o rabo entre as pernas perante um vírus qualquer", é a opinião generalizada no Ministério da Defesa. Segundo o ministro, serão tomadas todas as precauções: todos os soldados que participarem no desfile terão as mãos lavadas e a febre medida três vezes por dia. Os convidados estrangeiros que confirmaram a sua participação - Macron, Modi e O'Brien - terão de entrar em quarentena duas vezes, antes e depois. Portanto, nada pode correr mal.
Na Rússia, o presidente reconheceu o perigo da pandemia, e decidiu não seguir nem o caminho asiático nem o europeu, mas o seu próprio caminho russo, e enviou toda a gente de férias a partir da próxima semana, com salário completo. As pessoas não são obrigadas a ficar em casa pasmadas em frente à televisão, podem sair para a natureza, fazer churrascos e festas. Após um modesto pedido do presidente, os empregadores de todo o país concordaram entusiasticamente em assumir os custos destas férias. Em seguida, Putin foi à clínica de doenças infecciosas de Moscovo e, num fato de protecção amarelo vivo, visitou um doente com pneumonia em estado perigosamente avançado. Para o paciente a visita foi uma surpresa, como viria a afirmar na entrevista posterior, dizendo que tinha sido informado com apenas dois minutos de antecedência. Estava prestes a despedir-se definitivamente do mundo, de repente a porta abriu-se e Putin entrou. Levanta-te e anda! disse o presidente, e desapareceu de novo. O homem sentiu-se imediatamente melhor, o teste de Corona deu negativo, e teve alta do hospital. Agora espera-se a visita do presidente em todos os lares onde há pessoas com tosse. Apesar de ter havido uma cura milagrosa, a administração da cidade de Moscovo está muito preocupada. Quase todas as celebrações colectivas foram canceladas, excepto o desfile de 9 de Maio. "Vencemos a pior epidemia do século XX, o fascismo, por isso não vamos meter o rabo entre as pernas perante um vírus qualquer", é a opinião generalizada no Ministério da Defesa. Segundo o ministro, serão tomadas todas as precauções: todos os soldados que participarem no desfile terão as mãos lavadas e a febre medida três vezes por dia. Os convidados estrangeiros que confirmaram a sua participação - Macron, Modi e O'Brien - terão de entrar em quarentena duas vezes, antes e depois. Portanto, nada pode correr mal.
Etiquetas:
covid-19,
Wladimir Kaminer
passe de saída
Por causa de uma amiga que anunciou que gosta do Wladimir Kaminer mais do que gateau breton, chocolate e bica acabada de tirar, tudo junto, traduzo mais um post dele publicado no facebook:
Estamos todos no mesmo barco. Os meus compatriotas têm medo de em breve começarem a ser espiados como os chineses, com a ajuda do código QR.
Na internet já desenham alguns cenários possíveis. Como este:
Obrigado por utilizar a nossa app. O seu registo foi concluído com sucesso. Escolha entre as seguintes opções: Activar o código QR para a licença de saída
- Sim
Por que razão quer sair do apartamento: levar o lixo à rua, passear o cão, ir às compras.
- Levar o lixo à rua.
De acordo com as nossas informações, a sua casa tem um tubo para despejar o lixo. Escolha outro motivo
- Passear o cão.
Tanto quanto sabemos, não existe nenhum cão registado no seu nome. Escolha outro motivo
- Compras
Escolha na lista de produtos de necessidades básicas aquele de que precisa
- Cigarros
Fumar é nocivo para a sua saúde. Escolha outro produto da lista de produtos de necessidades básicas
- Cerveja
O álcool é nocivo para a saúde. Escolha outro produto da lista de produtos de necessidades básicas
- Queijo fresco. Leite. Manteiga.
De acordo com as nossas informações, comprou dois litros de leite ontem. Pode fazer com eles queijo fresco e manteiga sem sair do apartamento. Atingiu o seu limite de hoje para a emissão do passe de saída com código QR. O próximo pedido pode ser feito em 47 horas e 41 minutos. Por favor, classifique a nossa app.
Estamos todos no mesmo barco. Os meus compatriotas têm medo de em breve começarem a ser espiados como os chineses, com a ajuda do código QR.
Na internet já desenham alguns cenários possíveis. Como este:
Obrigado por utilizar a nossa app. O seu registo foi concluído com sucesso. Escolha entre as seguintes opções: Activar o código QR para a licença de saída
- Sim
Por que razão quer sair do apartamento: levar o lixo à rua, passear o cão, ir às compras.
- Levar o lixo à rua.
De acordo com as nossas informações, a sua casa tem um tubo para despejar o lixo. Escolha outro motivo
- Passear o cão.
Tanto quanto sabemos, não existe nenhum cão registado no seu nome. Escolha outro motivo
- Compras
Escolha na lista de produtos de necessidades básicas aquele de que precisa
- Cigarros
Fumar é nocivo para a sua saúde. Escolha outro produto da lista de produtos de necessidades básicas
- Cerveja
O álcool é nocivo para a saúde. Escolha outro produto da lista de produtos de necessidades básicas
- Queijo fresco. Leite. Manteiga.
De acordo com as nossas informações, comprou dois litros de leite ontem. Pode fazer com eles queijo fresco e manteiga sem sair do apartamento. Atingiu o seu limite de hoje para a emissão do passe de saída com código QR. O próximo pedido pode ser feito em 47 horas e 41 minutos. Por favor, classifique a nossa app.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
salsichas e papel higiénico
Nestes tempos de Covid-19 não nos podemos distrair: o que ontem era verdade será amanhã visto como errado, os temas mais importantes apagam-se de um dia para o outro. O açambarcamento de papel higiénico, por exemplo, é muito princípio de Março de 2020.
Mesmo assim, traduzi um texto - aqui, no original - de Wladimir Kaminer, de 19.3.2020.
Reli-o hoje, e continuei a achar-lhe graça.
Antes de entrarmos em isolamento voluntário ainda fui com a minha mãe às compras. Ela queria comprar farinha, não para guardar em casa, mas para fazer um bolo. Não havia farinha à venda, e papel higiénico também não. As prateleiras de conservas estavam igualmente vazias. Até a pobre paté da Silésia em frascos de vidro, que durante anos e anos ninguém quis comprar, tinha abandonado a loja até à última unidade. Alguns consumidores decepcionados faziam selfies em frente às estantes vazias. A minha mãe, nascida em 1931, olhava para estes nativos frustrados tomada de alegria e um certo prazer pelo azar alheio. Sentia-se nostálgica. O que aqui na Alemanha era um estado de excepção tinha sido no nosso país, a União Soviética, a situação habitual. A população soviética não se deixava amedrontar pela falta de papel higiénico, todos sabiam muito bem qual era o jornal mais adequado à função, desde que não se usasse a primeira página para esfregar, porque tinha títulos grandes, ou seja: muita tinta. E as salsichas soviéticas, a nossa delikatesse favorita, só raramente se viam. O mais importante é que estes dois bens de consumo nunca estavam disponíveis em simultâneo. A salsicha só vinha quando faltava o papel higiénico; se a salsicha falhava, o papel higiénico aparecia imediatamente. Esta alternância mágica de bens de consumo suscitou na população a crença dialéctica de que um era produzido a partir do outro, ou seja, que o ingrediente principal da salsicha era o papel higiénico. E foi por isso que a minha mãe atravessou o supermercado tomada de uma certa nostalgia, antes de se entregar ao isolamento voluntário em frente à televisão.
Abanou a cabeça e sorriu - mas não se riu. Como diz um antigo ditado russo: "Quem serviu no exército não se ri no circo". O inverso também é possível.
Mesmo assim, traduzi um texto - aqui, no original - de Wladimir Kaminer, de 19.3.2020.
Reli-o hoje, e continuei a achar-lhe graça.
Antes de entrarmos em isolamento voluntário ainda fui com a minha mãe às compras. Ela queria comprar farinha, não para guardar em casa, mas para fazer um bolo. Não havia farinha à venda, e papel higiénico também não. As prateleiras de conservas estavam igualmente vazias. Até a pobre paté da Silésia em frascos de vidro, que durante anos e anos ninguém quis comprar, tinha abandonado a loja até à última unidade. Alguns consumidores decepcionados faziam selfies em frente às estantes vazias. A minha mãe, nascida em 1931, olhava para estes nativos frustrados tomada de alegria e um certo prazer pelo azar alheio. Sentia-se nostálgica. O que aqui na Alemanha era um estado de excepção tinha sido no nosso país, a União Soviética, a situação habitual. A população soviética não se deixava amedrontar pela falta de papel higiénico, todos sabiam muito bem qual era o jornal mais adequado à função, desde que não se usasse a primeira página para esfregar, porque tinha títulos grandes, ou seja: muita tinta. E as salsichas soviéticas, a nossa delikatesse favorita, só raramente se viam. O mais importante é que estes dois bens de consumo nunca estavam disponíveis em simultâneo. A salsicha só vinha quando faltava o papel higiénico; se a salsicha falhava, o papel higiénico aparecia imediatamente. Esta alternância mágica de bens de consumo suscitou na população a crença dialéctica de que um era produzido a partir do outro, ou seja, que o ingrediente principal da salsicha era o papel higiénico. E foi por isso que a minha mãe atravessou o supermercado tomada de uma certa nostalgia, antes de se entregar ao isolamento voluntário em frente à televisão.
Abanou a cabeça e sorriu - mas não se riu. Como diz um antigo ditado russo: "Quem serviu no exército não se ri no circo". O inverso também é possível.
Etiquetas:
covid-19,
Wladimir Kaminer
22 junho 2019
ainda as eleições europeias - um texto de Wladimir Kaminer
No período que antecedeu as eleições europeias, jogámos em família o Wahl-O-Mat, e cada um de nós teve um resultado diferente. A minha filha tem tendência para encontrar soluções simples para problemas complexos. Cem apartamentos estão vazios, cem sem-abrigo dormem ao relento. O que fazer? Qualquer aluno do terceiro ano consegue resolver o problema. Naturalmente: expropriar. Os mais novos gostam dos Linke, e também a minha filha se apaixonou por esse partido. O irmão dela afirma que a política é a arte da negociação e do compromisso, todos têm direito a uma vida digna. Para isso, antes de mais temos de travar as alterações climáticas. Faz todos os possíveis para reduzir a sua pegada ecológica, passa muito tempo a ver filmes e deixou a escola de condução - é o seu contributo pessoal para a redução de CO2. Temos de nos tornar mais naturais, diz o meu filho, mas tem cinco sacos diferentes de lixo em casa. A minha mãe temia o Wahl-O-Mat. Porque, independentemente de quão liberal e democrática ela se mostrasse nas respostas, o resultado era sempre um partido de direita. Isto acontece muito aos russos. O carácter forçado do voluntariado no socialismo russo fez de todos nós cépticos desconfiados e cínicos. Do ponto de vista russo, a verdadeira Democracia só pode funcionar se o direito de voto for restringido. Os idiotas não devem poder votar. Os reformados também é melhor não, tal como os jovens, que são uns cabeças de vento. No fim, sobra apenas o verdadeiro democrata, e ele escolhe-se a si próprio. Mas a minha mãe gosta da Frau Merkel, estão a envelhecer juntas, já se habituou a ela.
E o que penso das eleições europeias? É claro que a Europa será objecto de reformas, mas não serão feitas pelos cépticos de direita nem pelos bailarinos lunáticos de esquerda. A UE é uma criança que aprende a andar. Vai dar tombos, levantar-se e continuar a andar. Na fase em que a criança aprende a dar os primeiros passos, a direcção em que avança não é importante.
Wladimir Kaminer, aqui.
E o que penso das eleições europeias? É claro que a Europa será objecto de reformas, mas não serão feitas pelos cépticos de direita nem pelos bailarinos lunáticos de esquerda. A UE é uma criança que aprende a andar. Vai dar tombos, levantar-se e continuar a andar. Na fase em que a criança aprende a dar os primeiros passos, a direcção em que avança não é importante.
Wladimir Kaminer, aqui.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
07 dezembro 2018
Kant e a czarina Isabel (ou: o regresso de Wladimir Kaminer a este blogue)
Traduzo do blogue de Wladimir Kaminer:
Agora é oficial, o aeroporto de Kaliningrado não vai ter o nome de Immanuel Kant. O filósofo perdeu o referendo popular a favor da czarina Isabel. Tradicionalmente, os aeroportos russos tomavam o nome da respectiva aldeia destruída para lhes dar lugar. Noutros países, os aeroportos recebem o nome dos presidentes e políticos mais importantes. Na Rússia, há vinte anos que só têm um presidente e político importante. Todos os seus antecessores foram desacreditados pelos media, e não estão previstos novos presidentes. Seguindo aquela lógica, todos os aeroportos russos deviam ter o nome de Putin, o que poderia dar origem a algum caos na aviação. Por esse motivo, as autoridades decidiram consultar o povo sobre o nome a dar ao aeroporto. O referendo resultou em acesa discussão. No caso particular de Kaliningrado o debate foi ao rubro a favor e contra Kant. O seu túmulo foi profanado, e atiraram sacos de tinta aos seus bustos. Membros do Parlamento e militares de alta patente foram à televisão dizer horrores do filósofo. O comandante da frota do Báltico, um almirante, viu em Kant um traidor: nem sequer um verdadeiro russo, antes um insidioso alemão que escrevia livros incompreensíveis que ninguém leu, afirmava o almirante. Antigamente, na União Soviética, Kant estava solidamente embutido na ideologia nacional, era tido como precursor do materialismo dialéctico. A União Soviética foi um fruto tardio do Iluminismo europeu, nome criado pelos filósofos alemães, Marx usou Kant como modelo para a sua ideologia, que na União Soviética era considerada "ciência". Impossível imaginar um almirante soviético a dizer mal de Kant.
No fim, Kant ficou atrás da czarina Isabel, a filha de Pedro o Grande, a mãe dela era de Mecklenburg.
Agora é oficial, o aeroporto de Kaliningrado não vai ter o nome de Immanuel Kant. O filósofo perdeu o referendo popular a favor da czarina Isabel. Tradicionalmente, os aeroportos russos tomavam o nome da respectiva aldeia destruída para lhes dar lugar. Noutros países, os aeroportos recebem o nome dos presidentes e políticos mais importantes. Na Rússia, há vinte anos que só têm um presidente e político importante. Todos os seus antecessores foram desacreditados pelos media, e não estão previstos novos presidentes. Seguindo aquela lógica, todos os aeroportos russos deviam ter o nome de Putin, o que poderia dar origem a algum caos na aviação. Por esse motivo, as autoridades decidiram consultar o povo sobre o nome a dar ao aeroporto. O referendo resultou em acesa discussão. No caso particular de Kaliningrado o debate foi ao rubro a favor e contra Kant. O seu túmulo foi profanado, e atiraram sacos de tinta aos seus bustos. Membros do Parlamento e militares de alta patente foram à televisão dizer horrores do filósofo. O comandante da frota do Báltico, um almirante, viu em Kant um traidor: nem sequer um verdadeiro russo, antes um insidioso alemão que escrevia livros incompreensíveis que ninguém leu, afirmava o almirante. Antigamente, na União Soviética, Kant estava solidamente embutido na ideologia nacional, era tido como precursor do materialismo dialéctico. A União Soviética foi um fruto tardio do Iluminismo europeu, nome criado pelos filósofos alemães, Marx usou Kant como modelo para a sua ideologia, que na União Soviética era considerada "ciência". Impossível imaginar um almirante soviético a dizer mal de Kant.
No fim, Kant ficou atrás da czarina Isabel, a filha de Pedro o Grande, a mãe dela era de Mecklenburg.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
14 julho 2018
mundial de futebol, o penúltimo dia
MF 2018 o penúltimo dia
Trump believes he can fly, antes do encontro com o seu colega russo mostra-se com aspecto um pouco inchado, uma preocupação enorme para as forças de segurança. Na segunda-feira o espaço aéreo finlandês estará fechado, a cidade de Helsínquia será passada a pente fino em busca de objectos cortantes, e os finlandeses não devem soprar com muita força.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, 1 dia antes da final
MF 2018 1 dia antes da final
Ele está de volta, o cavaleiro de pónei do Apocalipse, sem rugas e com o seu sorriso sedutor. De inveja, o esquilo do Donald vai-lhe cair da cabeça. O eixo do mal vai ser redefinido.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
12 julho 2018
o futebol, os russos - e as mulheres a quem eles chamavam suas
Na série do Wladimir Kaminer sobre o mundial de futebol na Rússia, vários posts são sobre a interacção entre os estrangeiros e as mulheres russas. Pensava eu que era piada do escritor, mas um artigo do dia 5 de julho no jornal Süddeutsche Zeitung esclareceu-me. Muito resumidamente, o artigo de Julian Hans, a partir de Moscovo, diz isto:
O filme mostra as imagens habituais de uma festa internacional de desporto: pessoas que não se conhecem, de diferentes regiões do mundo, dançam em conjunto na rua, cantam e confraternizam. Mas o vídeo em questão só se tornou realmente famoso quando as pessoas se deram conta da letra da canção que os alegres brasileiros cantavam para a russa loira no meio deles: "Buceta rosa". Aos ouvidos russos, isto soa a "um ramo de rosas" - e este mal-entendido seria o motivo pelo qual a rapariga entrou naquela dinâmica de grupo. O verdadeiro significado da expressão em português explica, por seu lado, o riso alarve dos turistas. A primeira reacção veio das mulheres russas, furiosas. A seguir, os homens do filme foram reconhecidos pelos seus colegas no Brasil, perderam o emprego, e as associações de fãs brasileiras apresentaram pedidos de desculpa.
"Buceta rosa" tornou-se um sinónimo
O caso podia estar encerrado, mas na Rússia a expressão "Buceta rosa" tornou-se um sinónimo da discussão sobre quanta proximidade se deve permitir a estes estranhos que vêm às centenas de milhares não apenas para Moscovo, mas também para outras cidades que raramente vêem turistas. A invasão de fãs na sua maioria homens jovens provocou insegurança sobretudo aos homens do país, e deu origem a um debate sobre a relação entre homens e mulheres na Rússia.O primeiro entusiasmo em relação aos divertidos mexicanos com os seus sombreros, os brasileiros com os seus tambores e os argentinos com as suas danças deu lugar a uma onda de raiva descarregada na internet (e não só), que se instalou no ambiente deste mundial de futebol. Mulheres que punham nas redes sociais fotos suas com estrangeiros eram insultadas como "puta", "protecção de colchão" e "dollar-Nataschas" - por muito inócua que fosse a imagem do seu encontro fortuito com um estrangeiro. Se na foto se via um homem negro, chamavam "tinteiro" à mulher. O tablóide Moskowskij Komsomolez publicou um texto com o título "A hora das libertinas: como as mulheres russas envergonham o seu país e a si próprias no mundial de futebol". E nos talkshows do canal televisivo estatal o tom não é muito diferente.
As feministas debatem se é realmente tão bom trocar o machismo dos seus próprios homens pelo dos estrangeiros.
A indignação devido aos contactos entre as mulheres russas e os estrangeiros é um caso clássico de frustração nas relações entre os sexos. Até ao mundial de futebol, não era habitual os russos terem contactos com estrangeiros, e a imagem destes era muito determinada pela propaganda da televisão estatal. "Gayropa" é o nome injurioso dado a essa Europa onde dizem que já não há homens verdadeiros. E de repente o país enche-se de jovens com muito bom aspecto que começam a flirtar com as russas!
Há muito que o número de mulheres é superior ao de homens
Na Rússia, há menos homens que mulheres, mesmo já nas gerações mais jovens. Alguns motivos: violência, alcoolismo, comportamentos de risco que têm mais incidência nos homens que nas mulheres - e mais ainda no caso dos russos. Além disso, o elevadíssimo número de homens vítimas da revolução, do terror de Estaline e da guerra contra Hitler fez com que a sociedade se habituasse à ideia de haver menos homens que mulheres.As mulheres russas queixam-se de que os homens não se esforçam por agradar porque estão convencidos de que são um exemplar raro. E a propaganda patriótica contribui para agravar o problema, por louvar exageradamente os homens. Finalmente, há uma pressão excessiva sobre as mulheres jovens: "quando é que casas? quando é que começas a ter filhos?"
E é neste clima que as ruas se enchem com a alegria e a animação dos estrangeiros. O Tinder está cheio de fãs de futebol, e as russas estão com vontade de experimentar algo novo, nem que seja um simples flirt, que é algo muito raro no seu quotidiano. Entretanto, os homens russos comportam-se como se pensassem que as mulheres são sua propriedade. Com algumas excepções, como o chefe de redacção do portal Sports.ru, que sintetizou assim: "as mulheres russas podem ter sexo com qualquer um que lhes pareça suficientemente atraente para isso".
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, 4 dias antes da final
MF 2018 4 dias antes da final
Todos estavam à espera que a bela carruagem só retomasse a forma de abóbora à meia-noite do próximo domingo. Mas em alguns lugares a carruagem já começa a desfazer-se. Aqui vê-se Nischnij Novgorod 4 dias antes da final.
11 julho 2018
mundial de futebol, 7 dias antes do encontro com o Trump
MF 2018 Sete dias antes do encontro com o Trump
Putin está desaparecido, desde 28 de Junho que não se mostra em público, não vai aos jogos. Ou se está a pôr bonito para o encontro que em breve terá com Trump ou então não quer ser fotografado com os jogadores de futebol. A última foto foi um desastre, o fotógrafo já está preso, por divulgação de pornografia infantil.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, 9 dias antes da final
MF 2018 9 dias antes da finalEm Samara, cidade no Volga, os serviços de água e saneamento pediram aos habitantes que passassem a tomar duche aos pares, porque devido ao mundial de futebol o consumo de água na cidade aumentou imenso. O problema de escassez de água e muitos outros problemas podiam ser resolvidos se cada samaritana e cada samaritano levasse um hóspede estrangeiro para o duche. Amanhã jogam em Samara a Inglaterra contra a Suécia. Se eu fosse uma samaritana, levava um sueco para o duche.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, dia 20
MF 2018 Dia 20
Há cada vez mais russos e russas disfarçados de estrangeiro. Mesmo o meu tio de 80 anos já não sai de casa sem levar o seu sombrero. Ao fim de duas semanas de Mondial, até o mais estúpido percebeu o truque. Na Rússia é estritamente proibido beber cerveja na rua, e também não se pode cantar a Marseillaise na Praça Vermelha, dançar em frente ao Mausoléu, fotografar polícias ou deitar-se na relva ao lado da Chama Perpétua, estes crimes não são tolerados - excepto se os criminosos forem "estrangeiros", ou seja, pessoas vestidas de forma extravagante que dão a impressão de não terem muita saúde mental. Nesse caso, tudo lhes é permitido (mas só até 15.07, obviamente).
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, dia 19
MF 2018 Dia 19
Embora a equipa argentina já tenha sido eliminada do mundial de futebol, os Messis continuam a flirtar e a beber, triunfantes e certeiros. Quando a polícia fez parar um grupo especialmente ruidoso de argentinos descobriu-se que os Messis eram, na realidade, arménios que se faziam passar por turistas estrangeiros para ter mais sucesso com as mulheres.
Embora a equipa argentina já tenha sido eliminada do mundial de futebol, os Messis continuam a flirtar e a beber, triunfantes e certeiros. Quando a polícia fez parar um grupo especialmente ruidoso de argentinos descobriu-se que os Messis eram, na realidade, arménios que se faziam passar por turistas estrangeiros para ter mais sucesso com as mulheres.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, dia 18
MF 2018 Dia 18
O grande dia dos guarda-redes. Depois do prolongamento, a Rússia ganhou à Espanha, entrando assim, pela primeira vez desde 1966, para o grupo das oito melhores equipas do mundo; no duelo dos guarda-redes os croatas ganharam aos dinamarqueses e vão confrontar-se com a Rússia nos quartos de final. Putin não veio assistir ao jogo no estádio porque não acreditava na vitória da sua equipa. Pelo que o rei Filipe deu os parabéns à mulher do Medwedev.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, dia 17
MF 2018 Dia 17
As equipas da Alemanha, Coreia do Sul, Arábia Saudita e todas as africanas abandonaram o Mundial de Futebol, mas os seus fãs ficaram. Ou se perderam, ou então reservaram os hotéis até à final. Por estes dias, meia Humanidade anda por aí sem rumo certo, como fãs de uma equipa há muito eliminada. Ou se perdeu, ou então reservou os hotéis até à final.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
10 julho 2018
mundial de futebol, dia 16
MF 2018 Dia 16
Os homens russos andam zangados porque as mulheres dão claramente preferência aos estrangeiros, na rua as raparigas aceitam o flirt de homens que usam t-shirts das cores de um equipamento nacional. Os "verdes" e os "riscas azuis" estão particularmente bem posicionados na lista de preferências das mulheres: os mexicanos, os brasileiros e os argentinos. Quando a Argentina jogou contra a Nigéria, esgotaram-se os preservativos nas farmácias de São Petersburgo. No Parlamento russo, alguns deputados lançam apelos patéticos às mulheres russas. Avisaram-nas que o contacto com os estrangeiros só podiam trazer má sorte. "Os verdes e os azuis irão para casa em breve e nunca mais regressarão, mas nós permanecemos!", ameaçaram os deputados - mas ninguém lhes deu ouvidos.
Os homens russos andam zangados porque as mulheres dão claramente preferência aos estrangeiros, na rua as raparigas aceitam o flirt de homens que usam t-shirts das cores de um equipamento nacional. Os "verdes" e os "riscas azuis" estão particularmente bem posicionados na lista de preferências das mulheres: os mexicanos, os brasileiros e os argentinos. Quando a Argentina jogou contra a Nigéria, esgotaram-se os preservativos nas farmácias de São Petersburgo. No Parlamento russo, alguns deputados lançam apelos patéticos às mulheres russas. Avisaram-nas que o contacto com os estrangeiros só podiam trazer má sorte. "Os verdes e os azuis irão para casa em breve e nunca mais regressarão, mas nós permanecemos!", ameaçaram os deputados - mas ninguém lhes deu ouvidos.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
mundial de futebol, dia 15
MF 2018 Dia 15
Depois de um aguerrido combate contra o campeão mundial, a Coreia do Sul ganhou à Alemanha. É certo que os coreanos já estavam eliminados e tinham de abandonar o Mundial de Futebol, mas levaram da capital tártara essa vitória. Como ganho suplementar e souvenir de Kasan levaram também o antigo chanceler alemão. Adieu Gerhard! Sem esforço não há arroz!
[N.T. - "Ohne Fleiß kein Reis" (sem esforço não há arroz), é um trocadilho ligado ao ditado alemão "Ohne Fleiß kein Preis" (sem esforço não há prémio).
"Sem esforço não há arroz - como me tornei alemão" é o título de um livro de Martin Hyun. Traduzo também rapidamente partes da apresentação desse livro: Martin Hyun é o Wladimir Kaminer coreano. (...) Filho de imigrantes coreanos, e desde 1993 um feliz cidadão alemão, é o modelo de integração bem-sucedida que todos gostam de dar. Martin Hyun descreve, de forma desarmante e com muito humor, as aventuras quotidianas dos estrangeiros na Alemanha. Desmascara tanto o debate político sobre a integração como as realidades sociais. Conta quantos filhos de emigrantes trabalham no Parlamento alemão. (...) E com os seus amigos de todos os países do mundo vai lutando pela vida na colorida selva urbana de Berlim.]
Depois de um aguerrido combate contra o campeão mundial, a Coreia do Sul ganhou à Alemanha. É certo que os coreanos já estavam eliminados e tinham de abandonar o Mundial de Futebol, mas levaram da capital tártara essa vitória. Como ganho suplementar e souvenir de Kasan levaram também o antigo chanceler alemão. Adieu Gerhard! Sem esforço não há arroz!
[N.T. - "Ohne Fleiß kein Reis" (sem esforço não há arroz), é um trocadilho ligado ao ditado alemão "Ohne Fleiß kein Preis" (sem esforço não há prémio).
"Sem esforço não há arroz - como me tornei alemão" é o título de um livro de Martin Hyun. Traduzo também rapidamente partes da apresentação desse livro: Martin Hyun é o Wladimir Kaminer coreano. (...) Filho de imigrantes coreanos, e desde 1993 um feliz cidadão alemão, é o modelo de integração bem-sucedida que todos gostam de dar. Martin Hyun descreve, de forma desarmante e com muito humor, as aventuras quotidianas dos estrangeiros na Alemanha. Desmascara tanto o debate político sobre a integração como as realidades sociais. Conta quantos filhos de emigrantes trabalham no Parlamento alemão. (...) E com os seus amigos de todos os países do mundo vai lutando pela vida na colorida selva urbana de Berlim.]
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
09 julho 2018
mundial de futebol, dia 14
MF 2018 Dia 14
O Irão lutou como um tigre, mas não passou. Um belo espectáculo, as iranianas em Saransk. No seu país não podem entrar nos estádios, em Saransk até deixaram cair os seus panos à prova de traça. A mulher desta foto não se parece com a sua própria fotografia no cartão de identificação.
O Irão lutou como um tigre, mas não passou. Um belo espectáculo, as iranianas em Saransk. No seu país não podem entrar nos estádios, em Saransk até deixaram cair os seus panos à prova de traça. A mulher desta foto não se parece com a sua própria fotografia no cartão de identificação.
Etiquetas:
Wladimir Kaminer
Subscrever:
Mensagens (Atom)











