13 setembro 2017

isto é connosco (2)

O que já comecei a fazer para participar no esforço de contenção de danos no planeta são pequenos passos:
1. Comer muito menos carne - A produção de carne de vaca para a alimentação humana contribui mais para o aquecimento global que o uso de automóveis. É algo simples, e nem sequer custa muito, sobretudo se considerar também o sofrimento dos animais criados e mortos em condições terríveis para a carne chegar tão barata à minha mesa.
2. Evitar usar o carro se posso ir a pé, de bicicleta ou de transportes públicos.
3. Evitar viagens de avião para distâncias que posso fazer facilmente de comboio.
4. Comprar menos coisas, de muito melhor qualidade, e/ou usadas. Encomendar móveis num carpinteiro do meu bairro em vez de ir à IKEA. Consertar em vez de comprar novo.
5. Comprar produtos produzidos na Europa - para ter alguma confiança nas condições de trabalho das pessoas que os fazem, e para evitar transportes de longas distâncias (sim, eu sei que há empresas europeias que fazem negócio justamente da mudança de etiquetas, mas é preciso começar por algum lado).
5. Próxima mudança: comprar alimentos num fornecedor biológico e tão regional quanto possível (é mais caro, o que tem a vantagem de obrigar a pensar duas vezes antes de comprar, e de evitar ainda mais deixar estragar comida).
Bem sei que é uma gota de água no oceano, mas é um passo na mudança de mentalidade e de hábitos. Se houver muitas pessoas com esta atitude, começará a haver base de apoio para os políticos ousarem propostas de mudança mais radicais.

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Se me deixassem mandar um bocadinho, para começar propunha que cada voo realizado implicasse o pagamento das despesas de reflorestação de x hectares da Amazónia, ou em Madagáscar, ou na Indonésia, ou até no Sul da Europa - por exemplo. Ou a recolha de x toneladas de plásticos num oceano qualquer. E que esse preço tivesse crescimento exponencial quanto mais baixo fosse o número de pessoas transportadas no voo (que àquele pessoal dos jets privados isso pouco custa, e ao mundo dá muito jeito), ou quanto mais curta fosse a rota.

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Se me deixassem mandar ainda mais, fazia reflectir os custos reais totais no preço dos produtos. A energia nuclear, por exemplo: se o seu preço incluísse os seguros contra os riscos de um acidente nuclear, bem como os custos de armazenamento dos resíduos nos próximos 500 anos, deixava de ser considerada uma energia barata. Se os preços dos morangos que se vendem na Alemanha no Natal incluíssem o custo ambiental de os trazer de avião do outro lado do mundo, deixava de haver quem os comprasse nessa época do ano. Se o preço das bananas e das flores incluísse os seguros para tratamento e indemnização dos trabalhadores vítimas dos químicos, esse tipo de produção deixava de ser um negócio lucrativo.

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A continuar.
(A luta continua. Ainda agora começa.)


3 comentários:

Paula Paiva disse...

Eu voto na Helena!

jj.amarante disse...

Cansou-se da IKEA? Eu acho tanta graça ao LEGO gigante para móveis. E como cresci rodeado de móveis rocócó com arrebiques de que não gostava ainda não me cansei dos móveis lisos minimalistas, como via há muitos anos na revista Schöner Wohnen, que o Google tradutor me revelou agora ser "vida mais bonita", quando eu na minha distracção ainda julgava que uma das duas palavras significaria "casa" ou "lar" uma vez que a certa altura conheci "haus".
Para os artesãos serem pagos decentemente cada móvel custa uma fortuna, não vejo problema numa produção de mobília mais standardizada que mesmo assim tem uma enorme variedade.

Helena Araújo disse...

Paula, :)

jj. amarante,
Também não gosto nada de casas (sobretudo os apartamentos pequenos) atravancadas com móveis rocócó, e também gosto muito de móveis lisos minimalistas. O meu problema com a IKEA são três: em muitos casos má qualidade, o que faz com que os móveis não durem muito tempo, o que significa desperdício de matéria e energia; a IKEA especializou-se em truques para não pagar impostos; alguns dos seus artigos são produzidos em condições que não respeitam os direitos básicos normais neste nosso lado do mundo.

Pessoalmente: entre ir à IKEA comprar por exemplo uma mesa, e ir à feira de velharias ver se encontro uma mesa usada bonita, nem hesito. A mesa a que estou sentada neste momento, por exemplo, era uma antiga mesa de fábrica. Sólida, com marcas da sua vida. Muito mais interessante que qualquer mesa que a IKEA possa vender. E mesmo com o restauro ficou-me mais barata que uma da IKEA.

Sobre o preço dos móveis feitos por encomenda: são mais caros que os da IKEA, é certo, mas nem sempre custam uma fortuna. Vale a pena pedir orçamentos, e ver a diferença.