09 abril 2017

aprender com as startup de Berlim


Uma empresa do sul da Alemanha, com centenas de trabalhadores e um volume de negócios de muitíssimos milhões, enviou a Berlim alguns dos seus responsáveis para conhecerem o modelo das startup berlinenses e tentarem encontrar alguma inspiração para resolver o seu problema premente: o produto que fabricam vai tornar-se obsoleto dentro de alguns anos.

Falei com um desses responsáveis, que estava fascinado com o que ouvira em dois dias: a organização não hierárquica, em que os desafios e as tarefas são definidos pelo grupo; a linguagem não violenta; a liberdade de fazer o trabalho quando e como se quer - ninguém controla horas de entrada e saída, a única coisa que interessa é que cada um faça o seu trabalho bem e dentro dos prazos combinados; a simplicidade e transparência - por exemplo, se alguém sente que algo está a correr mal, faz-se uma reunião com todos para conversar sobre o problema; a atitude perante o trabalho - quando lhe pediram para definir "carreira", um dos responsáveis de uma dessas empresas disse que a única coisa que lhe interessava era ter projectos que despertassem o seu interesse e entusiasmo.

O que mais o impressionou o meu amigo e os seus colegas foi quando, na reunião com um jovem de vinte e poucos anos, este lhes disse que no dia anterior tinha lido um pouco sobre a empresa deles para saber com quem ia falar, e lhe tinham ocorrido algumas ideias. Se não se importassem, passava a expor algumas sugestões - e foi por ali fora, ponto um, ponto dois, ponto três, etc.
A empresa tinha gasto vinte milhões de euros para um grupo estudar perspectivas de futuro. Durante três meses essas pessoas estudaram, consultaram experts, fizeram estudos e debateram.
E ali estava um rapaz, que na véspera lera alguma coisa sobre a empresa e pensara um bocadinho sobre o caso, apresentando não apenas as propostas feitas pelo grupo que custara vinte milhões, mas uma suplementar, que não lhes ocorrera ainda.

Regressaram ao sul da Alemanha, mas tencionam voltar: vão abrir um escritório em Berlim, para tentar surfar nesta onda dinâmica, inovadora e inspiradora.



1 comentário:

david estêvão disse...

O que descreve é uma ocorrência já normalizada (termo matemático). Chama-se "the black swan" em gíria de matemática/gestão (ler Nicolas Nessim Taleb um dos maiores expoentes e o mais controverso). Todos se costumavam reger pela distribuição normal do Her Prof Dr Gauss.Um dia alguém disse: o que interessa é o "imprevisível" ou seja o que fica de fora da distribuição normal. Há um russo, não me lembro o nome, que inventou uma nova distribuição estatística que tem maior consideração pelo imprevisível. É a tal questão de "se saber o que não se sabe"