Caso passe alguém aqui que conheça alguém que conheça alguém com responsabilidades nas Finanças, peço o favor de pedir a essa pessoa que pergunte à outra se sabem como é a vida das pessoas da diáspora lá nos países onde vivem, e se lhes complicam a vida de propósito ou se é mesmo só por ignorância.
Por exemplo: recebi aqui em Berlim uma cartinha das Finanças endereçada a mim (repito: em Berlim) para ir pagar o IMI da minha quintinha minhota. Dão-me duas possibilidades: pagar através do Multibanco, ou pagar por cheque.
Agradecia muito que me dissessem onde há um multibanco em Berlim que me permita fazer este pagamento. Ou que me dissessem como é que se diz "cheque cruzado" em alemão. É que já nem lembro há quantas décadas usei um cheque pela última vez. Fui espreitar à tabela do meu banco, e parece que tudo isso custa taxas extra.
Para simplificar: o que impede as Finanças de pôr o IBAN da sua conta na cartinha, ou bem visível na internet, para o pessoal da diáspora fazer a transferência sem ter de ir chatear os amigos em Portugal?
31 março 2017
Trump desmente
Comentário de hoje no Spiegel:
(que transcrevo só porque acabei de me dar conta da ironia de juntar "Trump" e "desmentido" numa frase)
O Desmentido de Trump
Corre há vários dias na internet uma história escandalosa do jornal londrino "Sunday Times": Donald Trump teria entregado a Angela Merkel, na recente viagem desta a Washington, um documento segundo o qual a Alemanha deve à NATO mais de 300 mil milhões de euros. O governo alemão e a Casa Branca refutam esta história. Mas o ministro dos negócios estrangeiros americano, Rex Tillerson, que voa hoje para a reunião da NATO em Bruxelas, vai ser com certeza perseguido por ela.
O problema da administração Trump é este: quem produz permanentemente fake news deixa de conseguir fazer desmentidos convincentes.
(que transcrevo só porque acabei de me dar conta da ironia de juntar "Trump" e "desmentido" numa frase)
(foto)
O Desmentido de Trump
Corre há vários dias na internet uma história escandalosa do jornal londrino "Sunday Times": Donald Trump teria entregado a Angela Merkel, na recente viagem desta a Washington, um documento segundo o qual a Alemanha deve à NATO mais de 300 mil milhões de euros. O governo alemão e a Casa Branca refutam esta história. Mas o ministro dos negócios estrangeiros americano, Rex Tillerson, que voa hoje para a reunião da NATO em Bruxelas, vai ser com certeza perseguido por ela.
O problema da administração Trump é este: quem produz permanentemente fake news deixa de conseguir fazer desmentidos convincentes.
Coimbra-A
A chuva parou quando entrei na cidade. Depois de algumas voltas à estação Coimbra-A, acabei por estacionar o carro junto ao rio. Atravessei um parque com árvores capadas (deviam fazer testes psicológicos aos jardineiros da Câmara, suspeito que há entre eles um sociopata da flora!), e parei no seu reflexo em branco leitoso. "Coimbra, terra do leite e do mel", pensei.
O mel era afinal tinto, e do bom: da Quinta do Carmo. E duas amigas, e as conversas, e as gargalhadas, e o dono do restaurante, e as azeitonas, e a lampreia, e mais não conto.
(Lembrei-me muito da exclamação de um velho amigo: "ah, pqp, como é bom viver!")
(Decidi que hei-de voltar todos os anos em Março. Em Março, pelo menos.)
O mel era afinal tinto, e do bom: da Quinta do Carmo. E duas amigas, e as conversas, e as gargalhadas, e o dono do restaurante, e as azeitonas, e a lampreia, e mais não conto.
(Lembrei-me muito da exclamação de um velho amigo: "ah, pqp, como é bom viver!")
(Decidi que hei-de voltar todos os anos em Março. Em Março, pelo menos.)
30 março 2017
vêm por aí 69 emojis novos, e um deles é o Ricardo Araújo Pereira!
Outro dos emojis é um elfo, mas estava capaz de lhe chamar Cristiano Ronaldo. Além de agora estar na moda, tem tudo a ver (e se não concordam, deixem-me cá, que eu cá me entendo):
(Encontrei aqui)
este Alentejo comove-me
O Alentejo pejado de água. O caminho perdido entre sobreiros. A amiga que põe na mesa uma tarte de limão, a minha favorita, me lembra a rir a proposta que lhe fiz num verão passado - casar com ela para gozarmos as nossas noites loucas a fazer massa areada -, e depois me lê alguns poemas e cartas que o marido lhe ofereceu, as frases de entrega confiante em que um homem se escreve. O amor ao futuro num bisavô que me mostra com orgulho a encosta de sobreiros que acabou de plantar. O carinho num casal de há mais de sessenta anos, a enorme amizade entre os dois como resguardo contra a hostilidade dos corpos envelhecidos. O livro de memórias que me confiam: as pessoas identificadas pela diminutivo familiar e pelo nome de registo, deixando respirar nas entrelinhas do escrito o seu nome mais íntimo que só Deus sabe.
E um cão enorme, o rafeiro alentejano que guarda o monte e a paisagem, deitado aos meus pés a pedir festinhas.
O meu Alentejo é feito de comovente confiança.
29 março 2017
intriga internacional
Antes de fazer a mala para ir passar uns dias a Portugal espreitei o facebook, e vi os amigos portugueses todos em t-shirt de manga curta. Fiz as malas em conformidade. Cheguei a Portugal, estava assim:
E se não chovia, fazia frio e vento. Quando não se dava o caso do três em um.
Passei dez dias a usar a roupa toda que levei, umas peças em cima das outras (excepto o pijama), resmungando que não é a primeira vez que me acontece de chegar a um sítio e o tempo estar muito mais frio do que me andavam a dizer. Comecei a concluir que o facebook tem uma conspiração contra mim. Só pode ser. Malandros!
Ontem o Joachim anunciou que o tempo em Berlim estava maravilhoso. E estava. Comecei logo no aeroporto a despir algumas das 10 t-shirts que levava sobrepostas, e ao passar pelo lago pensei que tinha de voltar com tempo ao fim da tarde para apanhar a luz baixa do sol contra o verde tenro do salgueiro junto à água. Ah, meu rico verão, que me chegas a passos largos!
Passadas duas horas estava a chover. E hoje já apanhei duas molhas.
Começo a concluir que o facebook e o meu marido conspiram contra mim.
Entretanto os meus amigos portugueses realçam a estranha coincidência de o tempo piorar sempre que os vou visitar, e já me saúdam com a pergunta "trouxeste outra vez o mau tempo?!"
Começo a concluir que o facebook, o meu marido e os meus amigos portugueses conspiram contra mim e o meu bom nome...
E se não chovia, fazia frio e vento. Quando não se dava o caso do três em um.
Passei dez dias a usar a roupa toda que levei, umas peças em cima das outras (excepto o pijama), resmungando que não é a primeira vez que me acontece de chegar a um sítio e o tempo estar muito mais frio do que me andavam a dizer. Comecei a concluir que o facebook tem uma conspiração contra mim. Só pode ser. Malandros!
Ontem o Joachim anunciou que o tempo em Berlim estava maravilhoso. E estava. Comecei logo no aeroporto a despir algumas das 10 t-shirts que levava sobrepostas, e ao passar pelo lago pensei que tinha de voltar com tempo ao fim da tarde para apanhar a luz baixa do sol contra o verde tenro do salgueiro junto à água. Ah, meu rico verão, que me chegas a passos largos!
Passadas duas horas estava a chover. E hoje já apanhei duas molhas.
Começo a concluir que o facebook e o meu marido conspiram contra mim.
Entretanto os meus amigos portugueses realçam a estranha coincidência de o tempo piorar sempre que os vou visitar, e já me saúdam com a pergunta "trouxeste outra vez o mau tempo?!"
Começo a concluir que o facebook, o meu marido e os meus amigos portugueses conspiram contra mim e o meu bom nome...
regressar
Andei dez dias em Portugal a "aviar amigos". O tempo não chegou para todos, e os momentos com cada um souberam-me a pouco - a pouquíssimo.
Ontem voltei a Berlim. Fui do aeroporto para o primeiro ensaio do novo Education Project da Filarmonia, e cheguei no preciso momento em que estava a começar. A sala estava cheia de caras conhecidas, que me sorriram a dar as boas vindas.
Esta manhã cruzei-me com uma vizinha que ia de bicicleta para o trabalho. Parou para me abraçar, e dizer que se sentia muito feliz por eu estar de novo por cá.
A vantagem de morar noutro país é que tanto a ida como a volta são viagens de regresso.
Ontem voltei a Berlim. Fui do aeroporto para o primeiro ensaio do novo Education Project da Filarmonia, e cheguei no preciso momento em que estava a começar. A sala estava cheia de caras conhecidas, que me sorriram a dar as boas vindas.
Esta manhã cruzei-me com uma vizinha que ia de bicicleta para o trabalho. Parou para me abraçar, e dizer que se sentia muito feliz por eu estar de novo por cá.
A vantagem de morar noutro país é que tanto a ida como a volta são viagens de regresso.
Europa
Já contei isto várias vezes: há cerca de 30 anos, quando vim para a Alemanha, precisei de uma autorização de residência e só consegui um emprego depois de verificarem que não havia um alemão desempregado capaz de desempenhar aquelas funções. Há 40 anos, o meu marido passou umas semanas numa zona rural francesa e, apenas por ser alemão, sentiu na pele a desconfiança e o repúdio de alguns franceses. Os nossos filhos, que pedem licença às botas para se irem instalar na parte da Europa que lhes convém, e sempre foram bem recebidos em França, não conseguem sequer imaginar como era o mundo do qual nós viemos. E eu, que nasci numa Europa em paz e a avançar com passos que continuamente reforçavam a esperança, não consigo imaginar o mundo no qual os meus pais nasceram: a guerra atroz, a fome, a pobreza, o isolamento.
Destruir não é o caminho. Deitar abaixo para recomeçar a partir dos nacionalismos não é o caminho. Já tentámos essa via durante vários séculos, já devíamos saber que não é por aí.
21 março 2017
a Nova Putogalidade
Alguns apontamentos ainda a propósito do ruído à volta da palestra na FCSH e o debate sobre a liberdade de expressão:
1. Manipulações
Custa-me muito ver o espaço público a ser manipulado desta maneira por um grupo de putos. A ver se nos serviu a todos de lição. A começar por mim, que também me precipitei.
2. "Nova Putogalidade" ou "Trumpalhada à nossa moda"?
A primeira ideia com que fiquei da Nova Portugalidade foi a de um bando de putos arrivistas alucinados. O texto de Rafael Pinho Borges, "Reerguer a Portugalidade é o dever da hora", mostra um olhar para o passado imperial português com o deslumbramento do Atílio (lembram-se da telenovela "O Casarão"?) a remexer o estrume na sua banheira convencido de ter ali ouro. E a sua encenação de cócoras em frente à cama de Salazar lembra uma criança de dois anos a dizer "puta" para se sentir poderosa, porque sabe que é uma palavra com impacto. Bem, também me lembra uma conversa que ouvi a uma miúda de treze anos, que explicava à minha filha de nove: "quando for grande vou ser star. Não sei de quê, mas sei como chegar lá: faço escândalos, toda a gente fala de mim, fico famosa."
Depois li o artigo "Munique", e percebi que é ainda pior. É oportunismo e falta de decência.
Esse artigo foi publicado no dia 22.7.16, às 19:17 - à hora a que a rádio alemã ainda repetia "houve um tiroteio em Munique, não sabemos o que aconteceu, continuamos à espera de informações da polícia". Algumas hora mais tarde soube-se que se tratava de um alemão-iraniano movido por ódio contra estrangeiros (turcos, da antiga Jugoslávia, etc.). Que é que estes factos interessam ao líder do movimento "Nova Portugalidade"? Nada, absolutamente nada. À primeira notícia de haver tiros, mortos e muita confusão em Munique, disparou à queima-roupa para atingir políticos europeus. Parecia que tinha estado o tempo todo à espera de uma tragédia - e quanto pior, melhor.
O artigo acusa nestes termos:
(Deixem-me sublinhar esta obra-prima do estilo trumpista: "as investidas de sicários contra alvos civis tornaram-se coisa tão banal como uma explosão na Estalinegrado de 1943". Quem escreve assim não pode esperar que o levem a sério. Em lado nenhum - a não ser, talvez, lá no café dele, e depois de correr muito bagaço - e muito menos da Academia.)
2."Fascismo"
Será problema meu, mas não consigo levar a sério quem em Portugal acusa outros de "fascismo".
Explico: por um lado, assisti aos esvaziamento da palavra nos anos setenta em Portugal, quando foi transformada num insulto como outro qualquer. Por outro lado, sendo confrontada quotidianamente com memórias do fascismo alemão (um exemplo: perto do meu supermercado há árvores e carris que vieram de Auschwitz), acabei por criar imagens de referência de "fascismo" que andam muito longe do que conheço do Estado Novo. Alguns exemplos: culto do líder x respeitinho; excessiva politização x lobotomia política; imperialismo militar x "gestão do que é nosso". Não estou a tentar lavar a ditadura salazarista, mas apenas a notar que me parece estranho dar o mesmo nome a dois fenómenos com valores, práticas e consequências de dimensões tão diferentes como as do salazarismo e do III Reich.
Pode ser problema meu, repito, mas não sei o que significa "fascismo" no caso português. Pergunto-me até o que significará hoje o "fascismo" referido na Constituição, e se o texto do artigo 46 ("4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista") não deveria ser mudado para:
"4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem ideologias colonialistas ou antidemocráticas".
Por este motivo, achei descabida a argumentação de alguns alunos da RGA da FCSH, quando defendiam que a Associação de Estudantes se devia demarcar daquele evento por ser organizado por fascistas. Fascistas? Não é qualquer arrivista alucinado que merece esse nome.
3. Fazer o trabalho de casa
Portugal ainda não se confrontou com a sua História. Talvez esteja a ser feito trabalho muito válido na Academia, mas ainda não chegou à população e ao discurso político. Ou então sou eu que estou mal informada. Em todo o caso, não encontro consenso na sociedade, como vejo na Alemanha, sobre questões essenciais da nossa História, nomeadamente a ditadura salazarista e a aventura ultramarina. Nunca vi representante nenhum do povo português a ajoelhar - como Willy Brandt fez no gueto de Varsóvia - perante um memorial sobre o nosso comércio de escravos, o massacre de Wiriamu, ou as cidades da rota das Índias saqueadas e reduzidas a cinzas pelos nossos egrégios avós - por exemplo. Em vez disso, vejo muitos portugueses cheios de saudades das colónias e do tempo em que "éramos tão grandes que o sol nunca se punha sobre o império", vejo Salazar a ser eleito o maior português da História de Portugal.
É preciso esclarecer todos esses mitos que o Estado Novo criou, e identificar os valores que lhes estão subjacentes. Enquanto esse trabalho não for feito, ficamos como estamos: parece que qualquer opinião é válida e tem o mesmo valor das outras. Como se estes temas fossem mera questão de gosto e "achanço".
É fundamental fazer debates - debates a sério, com apresentação de conclusões e passagem das informações para a opinião pública - e a Academia é o espaço por excelência para esse trabalho.
E também era um sinal da nossa decência e maturidade histórica se fizéssemos memoriais dos momentos negros da nossa História. Assim sem pensar muito (confesso que só pensei meio minuto, dêem-me um desconto), ficava-nos bem ter no Terreiro do Paço um labirinto da História, com os caminhos cheios de glórias (a conquista dos mares, o progresso científico, a interculturalidade, etc.), e as saídas marcadas por memoriais do que nos envergonha: como o comércio de escravos (e as consequências tanto para alguns países africanos como para os descendentes dos escravos que ainda hoje são vítimas de racismo nos países onde nasceram), a violência das conquistas, o colonialismo.
4. Limites da liberdade de expressão
A este respeito, tenho ouvido de tudo - desde o "somos todos ainda mais que Charlie" até à imposição de determinados limites (nem é preciso ir muito longe: a wikipedia tem diferenças interessantes sobre este tema, conforme o idioma escolhido para o ler).
A confusão entre liberdade e libertinagem de expressão está a fazer do espaço público uma rua de maluquinhos a gritar perante a indiferença geral. Todos podem falar, mas ninguém ouve, e muito menos se entra em diálogo. Melhor seria que a liberdade de expressão fosse uma liberdade de pensamento (e não a criancice de dizer "puta" como o tal miúdo de 2 anos) e um exercício de boa-fé - boa-fé no raciocínio de quem fala, e boa-fé no acto de escutar uma opinião diferente.
Por outro lado, há que distinguir entre o direito de dizer o que pensa sem sofrer retaliações e a obrigação de dar palco a qualquer um. Penso que a Academia é um espaço privilegiado de debate de ideias, mas não tem de aceitar debater as ideias de todas as pessoas. Há mínimos de honestidade intelectual, de informação e de valores éticos que os miúdos da Nova Putogalidade não cumprem.
1. Manipulações
Custa-me muito ver o espaço público a ser manipulado desta maneira por um grupo de putos. A ver se nos serviu a todos de lição. A começar por mim, que também me precipitei.
2. "Nova Putogalidade" ou "Trumpalhada à nossa moda"?
A primeira ideia com que fiquei da Nova Portugalidade foi a de um bando de putos arrivistas alucinados. O texto de Rafael Pinho Borges, "Reerguer a Portugalidade é o dever da hora", mostra um olhar para o passado imperial português com o deslumbramento do Atílio (lembram-se da telenovela "O Casarão"?) a remexer o estrume na sua banheira convencido de ter ali ouro. E a sua encenação de cócoras em frente à cama de Salazar lembra uma criança de dois anos a dizer "puta" para se sentir poderosa, porque sabe que é uma palavra com impacto. Bem, também me lembra uma conversa que ouvi a uma miúda de treze anos, que explicava à minha filha de nove: "quando for grande vou ser star. Não sei de quê, mas sei como chegar lá: faço escândalos, toda a gente fala de mim, fico famosa."
Depois li o artigo "Munique", e percebi que é ainda pior. É oportunismo e falta de decência.
Esse artigo foi publicado no dia 22.7.16, às 19:17 - à hora a que a rádio alemã ainda repetia "houve um tiroteio em Munique, não sabemos o que aconteceu, continuamos à espera de informações da polícia". Algumas hora mais tarde soube-se que se tratava de um alemão-iraniano movido por ódio contra estrangeiros (turcos, da antiga Jugoslávia, etc.). Que é que estes factos interessam ao líder do movimento "Nova Portugalidade"? Nada, absolutamente nada. À primeira notícia de haver tiros, mortos e muita confusão em Munique, disparou à queima-roupa para atingir políticos europeus. Parecia que tinha estado o tempo todo à espera de uma tragédia - e quanto pior, melhor.
O artigo acusa nestes termos:
Entretanto, na Europa, as investidas de
sicários contra alvos civis tornaram-se coisa tão banal quanto uma
explosão na Estalinegrado de 1943.
Tinha razão Manuel Valls, o primeiro-ministro francês, que há dias pedia calma, um chá de tília e que nos habituássemos a viver com o terror.
Graças à escabrosa impreparação – mais, incompetência, falta de mundo, devoção imperdoável à falsa fé do multiculturalismo – da criatura e seus correligionários alemães, é o que parece estar a acontecer.
Fizeram da nossa casa comum – assim se lhe referia Gorbachev – uma trincheira.
Se tivessem espinha, já se teriam demitido ele e Merkel, culpada pelo massacre de Munique, e Hollande, Cazeneuve e Renzi.
Por sorte, há um homem que se distingue do escorralho.
Tinha razão Manuel Valls, o primeiro-ministro francês, que há dias pedia calma, um chá de tília e que nos habituássemos a viver com o terror.
Graças à escabrosa impreparação – mais, incompetência, falta de mundo, devoção imperdoável à falsa fé do multiculturalismo – da criatura e seus correligionários alemães, é o que parece estar a acontecer.
Fizeram da nossa casa comum – assim se lhe referia Gorbachev – uma trincheira.
Se tivessem espinha, já se teriam demitido ele e Merkel, culpada pelo massacre de Munique, e Hollande, Cazeneuve e Renzi.
Por sorte, há um homem que se distingue do escorralho.
(Deixem-me sublinhar esta obra-prima do estilo trumpista: "as investidas de sicários contra alvos civis tornaram-se coisa tão banal como uma explosão na Estalinegrado de 1943". Quem escreve assim não pode esperar que o levem a sério. Em lado nenhum - a não ser, talvez, lá no café dele, e depois de correr muito bagaço - e muito menos da Academia.)
2."Fascismo"
Será problema meu, mas não consigo levar a sério quem em Portugal acusa outros de "fascismo".
Explico: por um lado, assisti aos esvaziamento da palavra nos anos setenta em Portugal, quando foi transformada num insulto como outro qualquer. Por outro lado, sendo confrontada quotidianamente com memórias do fascismo alemão (um exemplo: perto do meu supermercado há árvores e carris que vieram de Auschwitz), acabei por criar imagens de referência de "fascismo" que andam muito longe do que conheço do Estado Novo. Alguns exemplos: culto do líder x respeitinho; excessiva politização x lobotomia política; imperialismo militar x "gestão do que é nosso". Não estou a tentar lavar a ditadura salazarista, mas apenas a notar que me parece estranho dar o mesmo nome a dois fenómenos com valores, práticas e consequências de dimensões tão diferentes como as do salazarismo e do III Reich.
Pode ser problema meu, repito, mas não sei o que significa "fascismo" no caso português. Pergunto-me até o que significará hoje o "fascismo" referido na Constituição, e se o texto do artigo 46 ("4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista") não deveria ser mudado para:
"4. Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem ideologias colonialistas ou antidemocráticas".
Por este motivo, achei descabida a argumentação de alguns alunos da RGA da FCSH, quando defendiam que a Associação de Estudantes se devia demarcar daquele evento por ser organizado por fascistas. Fascistas? Não é qualquer arrivista alucinado que merece esse nome.
3. Fazer o trabalho de casa
Portugal ainda não se confrontou com a sua História. Talvez esteja a ser feito trabalho muito válido na Academia, mas ainda não chegou à população e ao discurso político. Ou então sou eu que estou mal informada. Em todo o caso, não encontro consenso na sociedade, como vejo na Alemanha, sobre questões essenciais da nossa História, nomeadamente a ditadura salazarista e a aventura ultramarina. Nunca vi representante nenhum do povo português a ajoelhar - como Willy Brandt fez no gueto de Varsóvia - perante um memorial sobre o nosso comércio de escravos, o massacre de Wiriamu, ou as cidades da rota das Índias saqueadas e reduzidas a cinzas pelos nossos egrégios avós - por exemplo. Em vez disso, vejo muitos portugueses cheios de saudades das colónias e do tempo em que "éramos tão grandes que o sol nunca se punha sobre o império", vejo Salazar a ser eleito o maior português da História de Portugal.
É preciso esclarecer todos esses mitos que o Estado Novo criou, e identificar os valores que lhes estão subjacentes. Enquanto esse trabalho não for feito, ficamos como estamos: parece que qualquer opinião é válida e tem o mesmo valor das outras. Como se estes temas fossem mera questão de gosto e "achanço".
É fundamental fazer debates - debates a sério, com apresentação de conclusões e passagem das informações para a opinião pública - e a Academia é o espaço por excelência para esse trabalho.
E também era um sinal da nossa decência e maturidade histórica se fizéssemos memoriais dos momentos negros da nossa História. Assim sem pensar muito (confesso que só pensei meio minuto, dêem-me um desconto), ficava-nos bem ter no Terreiro do Paço um labirinto da História, com os caminhos cheios de glórias (a conquista dos mares, o progresso científico, a interculturalidade, etc.), e as saídas marcadas por memoriais do que nos envergonha: como o comércio de escravos (e as consequências tanto para alguns países africanos como para os descendentes dos escravos que ainda hoje são vítimas de racismo nos países onde nasceram), a violência das conquistas, o colonialismo.
4. Limites da liberdade de expressão
A este respeito, tenho ouvido de tudo - desde o "somos todos ainda mais que Charlie" até à imposição de determinados limites (nem é preciso ir muito longe: a wikipedia tem diferenças interessantes sobre este tema, conforme o idioma escolhido para o ler).
A confusão entre liberdade e libertinagem de expressão está a fazer do espaço público uma rua de maluquinhos a gritar perante a indiferença geral. Todos podem falar, mas ninguém ouve, e muito menos se entra em diálogo. Melhor seria que a liberdade de expressão fosse uma liberdade de pensamento (e não a criancice de dizer "puta" como o tal miúdo de 2 anos) e um exercício de boa-fé - boa-fé no raciocínio de quem fala, e boa-fé no acto de escutar uma opinião diferente.
Por outro lado, há que distinguir entre o direito de dizer o que pensa sem sofrer retaliações e a obrigação de dar palco a qualquer um. Penso que a Academia é um espaço privilegiado de debate de ideias, mas não tem de aceitar debater as ideias de todas as pessoas. Há mínimos de honestidade intelectual, de informação e de valores éticos que os miúdos da Nova Putogalidade não cumprem.
17 março 2017
one man show
Ontem foi um daqueles dias em que tive pena de todas as pessoas que não falam alemão. Fui com o Matthias a um bairro amoroso de Berlim, Köpenick - se querem saber tudo: estivemos na Liberdade de Köpenick, que se chama assim porque ali viviam os huguenotes, livres de impostos e serviço militar (sim, já há 300 anos os franceses tinham tratamento preferencial no que dizia respeito ao cumprimento das regras dos europeus...) -, para assistir a uma sessão de "Wladimir Kaminer ao vivo".
Este escritor é um show: ainda não tinha começado a falar dos livros, e a sala já estava a rir como nos melhores programas humorísticos. E não era para menos: começou por anunciar com orgulho e pompa que não precisava de microfone, porque estava a usar uma técnica muito mais moderna, e logo a seguir o microfone e a técnica moderna começaram a pregar rasteiras um ao outro, ora funcionavam ambos ora não funcionava nenhum. Onde outros ficariam aflitos e chamariam o técnico, o Wladimir Kaminer usou os contratempos para fazer humor.
Resolvida essa questão, desatou a contar histórias naquela sua mistura tão própria, entre o hesitante e o entusiasta, que põe a sala suspensa da frase seguinte, com as suas pausas medidas ao milímetro, com as saídas mais inesperadas e o humor lacónico. E nós todos hohoho hahahahaha hehehehe.
Mais ou menos assim:
- Era suposto na primeira parte da palestra ler histórias do livro sobre a minha mãe, para depois no intervalo vocês irem ao fundo da sala comprá-lo, mas o que me apetece mesmo é contar sobre os cruzeiros que a Olga e eu fizemos. Ando a escrever um livro sobre isso, é um mundo fascinante. Convidaram-me para fazer o cruzeiro, com a condição de fazer três palestras. Pareceu-me um bom negócio. Bem me enganei! É que nas palestras habituais, como a de hoje, eu chego ao fim e vou para casa...
Falou da viagem à Grécia, leu uma história sobre uma excursão com passeio entre olivais e almoço num restaurante típico com danças ao vivo, que afinal foi sem passeio porque chovia a potes, a cozinheira era ucraniana, o bailarino típico era búlgaro e os irmãos dele estavam nas ruínas gregas vestidos de deuses a fazer selfies com turistas pagantes, e todos eles estavam zangados com os refugiados que lhes queriam roubar o trabalho de fazer de conta que eram gregos antigos.
- Eu queria escrever um livro sobre os refugiados. O meu editor disse que nem pensar, que ninguém ia ler isso. Eu bem queria fazer-lhe a vontade e falar de outros assuntos, mas para onde quer que vá encontro refugiados!
Daí a nada estava a falar da filha, a Nicole, que começou a estudar - pausa, olhos semicerrados, suspense, e aquele leve sorriso trocista:
- Etnologia Europeia. Alguém sabe o que isso é? Eu não, a minha filha também não, e desconfio que nem os professores sabem. Ou então sabem, mas combinaram não revelar a ninguém. A Nicole teve de fazer um trabalho de campo. Num bar em Neuköln. O título que deu ao seu trabalho faria a inveja de qualquer escritor: "o medo do investigador perante o objecto de estudo".
O Sebastian, o filho, ainda está no secundário:
- Andamos há duas semanas a preparar-nos para o Abi. Sabem, o problema da escola são os professores. Os alunos chegam lá estouvados, ganham juízo, mudam. Os professores não mudam! E não se dão conta de que os alunos mudaram. Por isso, a escola dos meus filhos dá-me muito trabalho. E o pior é quando os professores não reconhecem o meu esforço! Há tempos, um professor deu "medíocre" a um texto que me deu imenso trabalho, sobre Gerhart Hauptmann. E ainda teve o desplante de escrever: "Sebastian, tu consegues fazer melhor!"
Passou enfim para a mãe. Não sem antes hesitar, porque o que lhe apetecia mesmo era ler uma história do livro que acabou de sair, Goodbye Moscovo, sobre o fim da União Soviética.
- Nós vivíamos com os olhos no futuro, que era o nosso objectivo. Um belo dia os políticos reuniram-se, resolveram desistir do futuro, e também não querem falar do passado. Deixaram-nos assim suspensos no tempo, sem passado nem futuro. Mas vou ler uma história do livro da minha mãe. Vou ler a história que dá o nome ao livro: a minha mãe, o gato e o aspirador.
A história é deliciosa. E Kaminer, a descrever o gato enorme e selvagem ao colo da mãe, a deixar-se acariciar por esta, e a imitar os olhos de assassino que lhe faz a ele: um mimo!
- A minha mãe tem a televisão sempre ligada nas notícias russas. Oh, ultimamente os russos andam felizes! É a primeira vez em décadas que puderam eleger um presidente. Bom, não foi o do seu próprio país, mas isso é um detalhe. A televisão da minha mãe está sempre no máximo, porque ela está um bocado surda, e tentou usar os aparelhos de surdez do meu pai, mas não se deu bem. De modo que outro dia um vizinho - o que mora no andar entre o meu e o da minha mãe - veio-se queixar que não tinha coragem de entrar na cozinha dele, porque tinha a sensação que o Putin agora vivia lá.
Depois do intervalo decidiu ler um dos capítulos do próximo livro que vai escrever, desta vez sobre a Olga. Leu uma história que metia guardanapos lindos de morrer, brancos com bordado azul, que a Olga comprou em Portugal, depois de muito hesitar porque eram caríssimos, e por isso mesmo os guardanapos ideais para mostrar aos convidados da festa de fim-de-ano que os considera pessoas muito especiais. De regresso a casa, a Olga guardou os guardanapos portugueses cuidadosamente no fundo do armário, e foi buscá-los quando chegou o dia 31 de Dezembro. Mas ao olhar para eles, tão brancos e tão bonitos, começou a pensar no estado em que ficariam depois de a Katia dançar em cima da mesa, o Dimitri limpar a salada do cabelo depois de ter adormecido para dentro da saladeira, e uma artista cujo nome não revelo entornar o copo de vinho tinto. De modo que os guardanapos foram outra vez para o fundo do armário, e aos convidados foram dados outros, de papel. Todos os anos a cena se repete: a Olga vai buscar os guardanapos, olha-os longamente, faz-lhes umas festinhas, e guarda-os de novo. Eles devem viver felizes naquele seu refúgio - porque o que é realmente importante na vida é ter quem nos ame.
E chegou enfim a vez de um capítulo de "Goodbye Moscovo". Quer dizer: ia ler, mas depois lembrou-se de outra história:
- Na Rússia só traduziram dois livros meus. Já a Finlândia, traduziu-os todos. Até aquele sobre o período em que tivemos um talhão nas hortas comunais, de onde fomos expulsos devido a - pausa, sorriso trocista, cara de reticências - "vegetação espontânea". E pensava eu que este fenómeno dos Schrebergärten e da obrigatoriedade de plantar ruibarbo era uma problemática que só interessava aos alemães! Estive lá numa feira do livro, e a antiga presidente da República falou-me dos talhões e do ruibarbo. Contei-lhe que tinha a cave cheia de frascos de compota de ruibarbo caseira, porque os leitores desataram a mandar frascos da sua produção para tentar convencer-me que o problema não era do ruibarbo, era meu. Ela disse que lhe aconteceu algo semelhante: quando foi eleita, e lhe perguntaram se ia deixar de fazer algumas das coisas que até então fazia para a família, ela respondera que provavelmente não teria tempo de tricotar meias - que é, pelos vistos, uma tradição finlandesa. De modo que pessoas de todo o país começaram a enviar-lhe meias para ela e toda a família, como quem diz "estamos contigo! juntos, havemos de conseguir!" E logo ali me perguntou quanto calço, e me prometeu enviar alguns desses pares de meias, em troca dos meus frascos de compota de ruibarbo. Não voltei a pensar nisso, mas passados uns dias recebi um e-mail do secretariado da ex-presidente, informando que as meias já estavam a caminho e perguntando pela compota. Infelizmente foi na altura em que houve uma inundação terrível na minha rua, que até veio nas notícias russas (os russos adoram mostrar o que corre mal por aqui), e a minha cave ficou alagada. Lá se foram as conservas! Por sorte, ainda há gente que compra o meu livro sobre essa breve incursão no mundo dos talhões comunitários, decide convencer-me de que o problema do ruibarbo sou eu, e me envia um frasco de compota caseira. Que eu reenvio para a Finlândia. Mas o que me apetecia mesmo era ler-vos uma história do livro que acabou de sair, querem ouvir?
A sala toda queria ouvir. Por eles (por mim), até podia ser como nos cruzeiros: continuar a conversa durante duas semanas.
E ele leu: em algum momento os dirigentes russos terão percebido o que correu mal na implantação do comunismo. Foram reler os textos de Marx e repararam melhor na tese de que depois de o capitalismo alastrar a todo o mundo, uma nova era chegará, na qual o comunismo libertará o mundo do tumor capitalista. Aha!, terão dito os dirigentes: foi esse o erro. Primeiro temos de deixar que o capitalismo se espalhe realmente a todo o mundo, e só então podemos avançar. A contragosto, suspenderam a tarefa de construir o sistema comunista, e implantaram o capitalismo no país. As pessoas não gostaram, reclamaram imenso. Os pobres chefes da polícia política, obrigados a assumir o papel de oligarcas milionários, lamentam-se cada vez mais e perguntam: quando é que este horror acaba?
Putin aconselhou-os a ter um pouco mais de paciência, e informou: estamos à espera de Cuba.
A sessão terminou com um brinde. De pé, virado para a sala, o escritor ergueu o seu copo de vinho, brindou à primavera que está a chegar, brindou ao sol:
- Na URSS o sol era muito importante. Todas as canções falavam de sol. Não havia desenho nenhum sem um sol. Marx, Lenine, sol. Quando os americanos chegaram à lua, os russos começaram a preparar-se para fazer melhor: iriam ao sol. Mas iriam de noite, para não se queimarem.
Köpenick era na Alemanha de Leste. À minha volta, as pessoas choravam a rir, porque ele lhes falava directamente às recordações da infância. Algumas por pouco não começaram a cantar uma dessas melodias russas. Depois foi toda a gente para casa, e o Matthias e eu viemos os 40 minutos da viagem (sim, Köpenick fica no Leste profundo) a relembrar e a rir.
E foi por estas e por outras que ontem tive muita pena de todos os meus amigos portugueses que não entendem alemão.
António Lobo Antunes
Esta manhã, ao partilhar aqui o vídeo do gatinho ao colo do pianista, pensei que já não precisava de publicar mais nada, porque em termos de ternura e graça está ali tudo o que há para mostrar.
Bem me enganei. Logo a seguir descobri isto, e deu-me um ataque de vontade de gostar de tudo, incluindo a humanidade (menos alguns, vá). O António Lobo Antunes, quando quer, consegue dar mil a zero a todos os gatinhos do facebook (isto é um elogio).
Se me deixassem mandar (ahem...) ia ao hino nacional e trocava os egrégios avós por portugueses como este: que nos sabem ler e descrever, que nos fazem rir, chorar e pensar - às vezes tudo isso no espaço de duas frases -, e nos mostram que é possível, hoje e aqui, tocar a verdade e o sublime que há em nós. Sem deixar de ser o chão que somos.
(A ver se me lembro quais são os livros de crónicas que tenho dele, para comprar agora os que me faltam, e assim lhe compor o fim do mês)
tirem-me deste filme!
Ainda agora o dia me começou, e já se me está a atrasar: tirem-me deste filme! Apetece ficar nele, em repeat.
16 março 2017
havia um pato no meio da fotografia, no meio da fotografia havia um pato
Esta manhã, o Fox e eu entregues aos nossos prazeres habituais: ele a tratar de ir à sua vidinha (donos menos permissivos chamam a isso "fugir"), e eu toda satisfeita a fotografar reflexos na água, especialmente aquela nesga de azul que as nuvens por vezes permitiam.
Eis senão quando apareceu um pato metediço e foi direitinho meter-se no meio da luz.
Estragou-me as fotografias, isto é uma triste vida...
Para terminar, "havia um pato no meio do filme, no meio do filme havia dois patos":
Eis senão quando apareceu um pato metediço e foi direitinho meter-se no meio da luz.
Estragou-me as fotografias, isto é uma triste vida...
Para terminar, "havia um pato no meio do filme, no meio do filme havia dois patos":
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da minha vida vê-se um lago,
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