23 dezembro 2016

feliz Natal (também para os nossos queridos trolls)

Ouvi este conto há mais de quinze anos, numa altura em que só associava a palavra "troll" a seres como o que aqui se descreve. Entretanto o mundo mudou, e o conto continua um belo apontamento para o Natal.

Era uma vez um troll que vivia escondido na floresta junto a uma aldeia. Fazia a sua vidinha, evitava o contacto com as pessoas e as pessoas evitavam o contacto com ele. Mas um belo dia o troll viu uma rapariga da aldeia, e apaixonou-se por ela. Começou a segui-la de longe, encantado com a sua graça. Com o passar do tempo decidiu aprender os modos dela, convencido de que o seu amor podia ser retribuído. Observava-a atentamente, e tentava imitar. E assim ia a vida, até que chegou o Inverno e ele viu a rapariga a enfeitar a casa com velas e um pinheirinho, e viu como num desses dias gelados vestiu um casaco grosso sobre o seu vestido mais bonito e saiu de casa para ir à igreja, tal como todos os seus vizinhos. O troll ficou na orla da floresta a olhar para a igreja iluminada e a porta fechada, cheio de curiosidade. Que estariam a fazer lá dentro? Resolveu espreitar pela janela sobre a porta. Aproximou-se da igreja, subiu ao alpendre, e esticou-se para a janela. A neve sob os seus pés escorregou, e ele caiu no chão com estrondo. O padre correu para a porta, viu o vulto meio enterrado na neve, e perguntou:
- O que está a fazer aí?
O troll tartamudeou:
- Eu... eu... vim aqui porque quero tornar-me um ser humano.
O padre escancarou a porta da igreja, e convidou-o:
- Entre! Entre! Todos os que aqui estão vieram com esse mesmo objectivo.

--

Aos amigos ateus e agnósticos: bem sei que o caminho para a humanidade não passa exclusivamente, ou sequer necessariamente, pela religião, mas isto é só um conto de meia dúzia de linhas para dizer que todos estamos a caminho, e ninguém se pode gabar de já ter chegado.

Que cada um o faça à sua maneira, e que estes dias do Natal sejam felizes e fecundos para todos.


1 comentário:

Paulo Topa disse...

Muito bonito. Vou gamar...