05 abril 2015

domingo de Páscoa no mosteiro de Geghard

Mais um dos posts que escrevi há um ano, prometendo fotografias "quando chegasse a Berlim".
Bom, vai com um anito de atraso...

mosteiro de Geghard

Todos os posts sobre a Arménia merecem fotografias, e este mais ainda. O problema é que chego ao fim do dia demasiado cansada para passar a fotos para um computador emprestado e escolher algumas para o blogue. Não perdem pela demora: quando chegar a Berlim transformo este Conversa num blogue de fotografia.
O domingo de Páscoa em Geghard merece mais que fotos - de facto, merecia um filme. É ao que andamos - e não perdem pela demora.
Geghard foi um dos primeiros mosteiros arménios, criado no séc. IV, num lugar de ritos pagãos tão poderosos que ainda hoje perduram. Apesar dos avisos da Igreja, há junto ao mosteiro alguns arbustos cheios de tiras de pano e lenços que as pessoas atam na esperança de verem um pedido atendido. Também atei um lenço, à maneira de quem atira moedas para um chafariz turístico. Mas dentro da igreja acendi velas sentidas, como se o cristianismo arménio - tão  mais antigo que o meu - fosse capaz de levar mais longe o meu apelo para o infinito. Tinha três velas, e quis rezar pela família do nosso guia, o Gor, que por estes dias vai ser pai. Uma vela para a sua mulher, uma para o bebé que vai nascer, e a terceira... hesitei um pouco, mas as coisas são como são: a terceira foi para o médico que vai acompanhar o parto. Que São Gregório o ilumine para que tudo corra o melhor possível.

Celebrar a Páscoa entre aquelas paredes milenárias, com ritos que, por menos conhecidos, me tocam como a descoberta de terra nova, sublinhados pelos antiquíssimos cânticos litúrgicos arménios - não é possível exceder o fascínio deste momento.

E no entanto... parece que na Arménia é sempre possível ir um pouco mais longe: daí a nada dou comigo numa capela mais antiga - uma sala escavada no coração da rocha, com impressionante acústica - e no meio há uma mulher que canta melodias de fora do tempo e do mundo.




















4 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Que belo 'post', Helena. Muito obrigado.

Paulo Topa disse...

É a primeira vez que comento e não sei se voltarei a comentar. O seu blog é uma das minhas leituras regulares e deixa-me, quase sempre, um pouco melhor com a vida e com a humanidade.
É complicado, para mim, encontrar algo de muito especial para comentar, mas a "onda" é muito boa.
Agradecido por ir alegrando, sobretudo, as noite (é quando costumo ler):
Paulo Topa

Helena disse...

Paulo,
muito obrigada.
Fiquei muito sensibilizada com este comentário - por mim, apareça aqui sempre que quiser! :)
Vi no seu perfil que está ligado à Escola da Ponte. Não a conheço bem, mas sinto por essa escola um carinho especial, por estar na mesma senda que a escola que os meus filhos frequentaram, aqui na Alemanha, e que representou um período maravilhoso da vida deles. Continuem! É pena que não haja muitas mais escolas assim.

Paulo Topa disse...

Sim, já trabalho na Ponte há uns anitos. Se um dia quiser passar por lá, terei (emos) todo o gosto! Já sei que não será fácil, mas fica o convite!