22 outubro 2014

Shnorhakal Em




No fim do concerto que encerrou a Semana da Arménia na Gulbenkian os músicos arménios juntaram-se à volta do Jordi Savall. Eu estava por ali, como quem foi só para ver a bola, que é a minha especialidade. Eles chamaram-me, insistiram que tinha de fazer parte daquele grupo, e obrigaram-me a ficar na fotografia como se fosse uma deles.

Na Arménia ouvi várias pessoas repetir a frase "sou tantas pessoas como as línguas que falo".
Não falo ainda a língua, mas já me acrescentei como pessoa. Shnorhakal Em, amigos!

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"Shnorhakal Em" significa "obrigado", em arménio. Já sei que "como estás?" se diz de uma maneira muito portuguesa, "como estás? como não estás?" e que a resposta também é muito nossa: "assim, assim".
Pergunto-me se a nossa maneira de falar português terá sido influenciada por arménios da diáspora, vindos para cá no princípio dos nossos tempos. Houve-os no Porto, fugiram para lá quando os turcos tomaram Constantinopla, até trouxeram um Santo, o Pantaleão, que só por coisa de dois ou três séculos não fez concorrência ao Vicente de Lisboa e ao Tiago de Compostela. E parece que na Arménia se usam palavrões para pontuar as frases. Não sei, mas...

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O concerto foi muito bom. Diferente do CD "Esprit d'Arménie", porque tinha canto (e que voz! o Aram Movsisyan esteve excelente) - e igualmente bom.
Mas o melhor de tudo foi um sorriso muito doce que vi ao Jordi Savall, não contem a ninguém.


4 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Gosto muito dele, mas é triste saber que nunca mais irei vê-lo com a Montserrat Figueras.

Helena disse...

Pois...
Vi-o há alguns meses em Berlim, e pareceu-me muito sisudo e triste. É bom saber que não perdeu a doçura do sorriso.
Gravei uma entrevista com ele, e assisti a uma palestra que deu num auditório da Gulbenkian. Este homem é extraordinário!

Carlos Azevedo disse...

Vi-o ao vivo um par de vezes e adorei. Falei com ele no final e foi extremamente acessível (ainda assim, nada que se compare com a Bartoli :-)). Não é «apenas» música (e que música), é também um projecto de conciliação histórica e cultural através da música. E, sim, é extraordinário!

Carlos Azevedo disse...

Um bom dia para ti, Helena! :-)