23 maio 2014

e agora saia uma cozinha ali para a mesma casa, se faz favor


O camião chegou pontualmente às seis e meia da manhã, e eu já lá estava a descarregar as peças de cozinha que comprei ontem na IKEA.
As coisas começaram por correr muito mal, porque o camião desatou a patinar na areia. O condutor já queria ir à vida dele, mas depois aceitou fazer uma última tentativa, atacando por outro lado do terreno. Deixou o camião a quase um metro de distância da porta de entrada, de modo que fomos buscar umas tábuas para se fazer uma ponte.
Fui buscar cafés para eles, e deram-me uma bolachinha em cima do copo de papel - foi aí que percebi que estou a mudar para um bairro ligeiramente mais fino do que o actual. Aimêdês, desconfio que vou ter de andar todos os dias disfarçada de senhora, vai ser um stress.
Quando voltei, mais de metade da cozinha já estava dentro de casa. Os homens protestaram um bocado, disseram que a ponte improvisada não tinha condições nenhumas e estava mesmo a gritar por um acidente, e que quem trabalha assim não está coberto pelo seguro, porque nenhum seguro paga negligência e burrice, mas foram simpáticos e fizeram. Agradeci-lhes muito, e depois pus-me a rezar para que não acontecesse acidente nenhum. Enquanto rezava continuei a descarregar o carro (sou muito multi-tasking) e entretanto começaram a chegar todos os outros operários, que me ajudaram a carregar as coisas mais pesadas.
Os electricistas admiraram-se por a garagem vir sem as ligações eléctricas, e telefonei ao arquitecto, que também já estava a trabalhar às sete da manhã.
Às oito da manhã os móveis estavam prontos: desempacotados e encostados à parede. Na segunda-feira vem o carpinteiro que vai montar tudo - e algo me diz que posso levar as coisas deste frigorífico directamente para o novo. O camião foi-se embora às oito e um quarto, o que deixou o vizinho todo contente, porque estava mesmo a precisar daquele espaço para descarregar o seu próprio camião. O da escavadora foi simpático e disse que esperava mais uma horinha antes de começar a fazer os alicerces das escadas. O vizinho também foi simpático, e deu-nos electricidade para os do chão continuarem o trabalho enquanto os electricistas desligam a corrente eléctrica para instalarem o contador. O vizinho controlou se a garagem estava ligeiramente inclinada, para a água do chão poder escorrer para fora, e por sorte estava (e eu com cara de "é tão triste andar a fazer uma casa sem saber nada destes detalhes..."), e depois perguntou-me se a nossa máquina para aquecer a casa está ligada a uma corrente eléctrica mais barata (depois pergunto ao arquitecto, assim como assim agora já é demasiado tarde para corrigir, e é mesmo muito triste andar a fazer uma casa sem saber nada destes detalhes).
Depois fui levar uns papéis do Joachim ao ginásio de fisioterapia onde se tratam os jogadores do Hertha, disfarçadamente enchi os olhinhos de pernas fantásticas, e a seguir fui para casa com os croissants frescos para o pequeno-almoço com a minha sogra, que veio cá para o concerto do Aznavour e hoje faz anos. Eram oito e meia da manhã, e estavam a dar as notícias: em consequência da decisão do Tribunal Constitucional alemão, o tribunal não-sei-quê aceita a co-adopção homoparental, e na Holanda o Geert Wilders vai levar uma capilota monumental nas eleições europeias. O dia começa bem.











4 comentários:

jj.amarante disse...

Que epopeia! Continuação de bons trabalhos!

Gi disse...

Hehe estou a gostar.
A tua garagem continua a impressionar-me.

Helena disse...

Obrigada, jj.amarante.
Gi, o vizinho contou-me hoje que a dele também é pré-fabricada, mas tem quase 40 m2. Parece que veio no camião deitada sobre um dos lados, e depois viraram-na no ar.

Paulo disse...

No meio de tanto stress também fico contente com as notícias das oito e meia.