12 fevereiro 2014

another world





No dia 17 de Setembro de 2011, Rebecca Chaiklin e Fisher Stevens tiveram a intuição de que algo enorme estava a começar em Wall Street, e que tinha de ser filmado. Rapidamente arranjaram apoio financeiro, e descobriram um camera man já no terreno ("I was waiting for something like this since 2008!") - e que lá ficou, filmando todos os dias durante seis meses, e acompanhando depois algumas das pessoas que conheceu na Liberty Plaza.

O resultado é um documentário pleno de vitalidade, que nos apresenta o movimento Occupy Wall Street e alguns dos seus actores desde o início: o entusiasmo perante a adesão ao movimento, as dificuldades (os protestos dos moradores, o mau tempo, o caos, alguns episódios de violência), e as sementes que deixou para um mundo novo.

A primeira parte do filme dirige-se sobretudo aos americanos, tentando dissipar preconceitos relativos aos ocupantes de Wall Street: não, não são um bando de drogados bêbedos, são pessoas normais que se preocupam muito com a situação do país e o futuro de todos; são pessoas capazes de dialogar respeitosamente com os moradores do bairro, e que por vezes são ultrapassadas por dinâmicas que não conseguem controlar.

Na segunda parte o filme apresenta alguns frutos deste movimento: Move Your Money (já conseguiram um milhão de contas transferidas dos bancos poderosos para bancos mais pequenos), Occupy Our Homes (para abrigar famílias sem casa), Occupy Sandy (para auxiliar vítimas do furacão Sandy), Strike Debt! (para comprar - por uma percentagem ínfima do seu valor nominal - os créditos malparados sobre cidadãos, libertando-os das suas dívidas de saúde, formação universitária, etc.).

Os realizadores disseram-se surpreendidos com a velocidade dos acontecimentos: o filme foi aceite pelo festival de cinema antes de estar concluído, e eles trabalharam dia e noite para o conseguirem apresentar mais ou menos terminado. "Mas ainda é um work in progress, e agradecemos todos os contributos para o melhorar", acrescentaram. O público não se fez rogado: que faltavam mulheres no filme ("Também não havia muitas a dormir no Zuccoti Park..."), que a primeira parte era demasiado positiva ("queríamos mostrar a normalidade das pessoas concretas no acampamento"), que o movimento acabou e nos deixou todos com a sensação de algo inconsequente - alguém do público dizia mesmo "E agora? A democracia está suspensa, na Europa do Sul estamos a criar colónias - para que serviu o Occupy Wall Street?". Os realizadores mostraram-se optimistas: Occupy Wall Street criou nas pessoas a sede de algo novo e a esperança de que é possível um outro mundo; os cidadãos já não são tão acríticos e passivos. Lembraram os movimentos que nasceram deste, e das acções concretas para melhorar a vida de muitas pessoas, e deixaram um aviso: está a ser preparado algo muito grande para o próximo Verão.

Depois de terminado, o filme Another World estará gratuitamente acessível na internet. "Agradecemos todas as ajudas, mas quem não puder dar dinheiro pode ver na mesma - não fizemos este filme para enriquecer!"


1 comentário:

Maria de Jesus Lourinho disse...

Ainda bem que vim aqui. As coisas lá na outra rua podem ser muito duras e extremadas.:-)