30 janeiro 2014

ah, e tal, quem não quer a praxe pode sempre dizer "não" e não lhe acontece nada




Numa conversa no facebook, em resposta à minha pergunta

"desculpe perguntar sobre um detalhe: a sua filha que decidiu não entrar na praxe passou anos de isolamento? Afinal não entrar na praxe tem um custo? É que o pessoal pró-praxe está farto de afirmar que basta dizer "não" e não há problema nenhum."

recebi a seguinte resposta, assinada por Raquel Misarela:


Estudei em Tomar na Escola Superior de Tecnologia. 18 anos, sozinha, numa cidade que não conhecia, sem telemóvel (esperava religiosamente numa fila para o telefone público porque tal como na praxe a minha ideia de ter um telemóvel também era fixa... Se bem que essa mudou rapidamente :)). Ainda pensei tentar passar despercebida, era mais fácil, mas num meio tão pequeno, uns riscos pretos de meio metro nos olhos, calças à boca-de-sino nos anos 90 e molas da roupa na cabeça não passam assim tão despercebidos. Pré-adolescência tardia dirá a minha querida mãe! No primeiro dia tive logo um grupo de meia dúzia de grunhos de engenharia civil (...) a pôr de quatro e de olhos no chão os ditos caloiros à porta da primeira aula. Declarei-me anti-praxe. E tive quase 3 meses esses idiotas a baterem-me à porta de casa. Seguiram-me, conheciam uma rapariga que morava no apartamento e entravam todos os dias. Repito, todos os dias. Queriam que eu assinasse um papel para tornar "as coisas" oficiais... Bem lhes tentei explicar que se eu não lhes reconheço qualquer superioridade hierárquica ou qualquer tipo de poder nao podia nem ia assinar nada. Pedi o código da praxe. Estava a ser reformulado, diziam. E todos os dias diziam-me que ia ficar sozinha, que não ia ter amigos, que não podia usar traje, que não podia ir a festas, que depois ia querer praxar e não podia, que iam estar de olho em mim. E estiveram. Tentaram-me barrar regularmente o acesso às aulas. Vomitei várias vezes de nervoso no parque de estacionamento da escola. Mas acabaram por desistir. Eu não o ia fazer. A minha mãe exagerou quando disse que foram anos de isolamento. Não foram. Mas que mudou radicalmente a forma como passei por Tomar, mudou. Fiz amigos, alguns para a vida, integrei-me (vejam lá bem) e até conheci a cidade sem ter nhanhas despejadas pela cabeça, sem cartazes a chamar-me besta, ou sem ter de rastejar para regozijo de alguém. Mas mudou. 

Quanto às represálias e medos, ainda não percebi se foram uns anos (finais de 90) de "azares" e agora é tudo uma verdadeira maravilha integradora, que quando há qualquer problema, denúncia, agressão ou morte é qualquer coisa, caso de polícia, mas praxe nunca, ámen, ou se o facto de a minha mãe estar nas Letras também ajudava a ir sabendo o que se passava. As notícias de agressões, perseguições, gozo permanente eram constantes. Assim como as notícias de violações. No ano antes de ter entrado houve um caso de violação e agressão, penso que na agrária, de uma rapariga que se declarou anti-praxe. Foi deixada mais para lá do que para cá, nua, na casa de banho. Lembro-me que nas Letras um rapaz, borbulhento e pau de virar tripas, de uma aldeiazinha do interior, se declarou anti-praxe, mais para ser deixado em paz do que propriamente por convicção. Durante 4 anos foi perseguido por um grupo de estudantes das letras. Acabou por se enforcar. No dia a seguir esses filhos da p@&a entraram nas Letras de cordas no pescoço com gargalhadas sonoras. No mesmo ano,um grupo de estudantes mata à facada uma sem-abrigo... Arquivado. Reinava e reina a impunidade. Não é não... Pois 

Ah, mas já agora deixo aqui um exemplo de como o não é não...

 

(Parece-me que não entendi bem: por favor confirmem se nesta praxe de Coimbra - a tal Academia onde a praxe é boa - quando um aluno disse que não queria participar na praxe bateram-lhe, chamaram-lhe "paneleiro", vaiaram-no, disseram-lhe tudo aquilo de que ia ficar excluído se não participasse, e despediram-no com a cantilena "boa viage, vai pró caralho"; confirmem também se aqueles que assistiram a tudo isto de cabeça baixa e olhos no chão eram caloiros, ou, já agora, se este filme é uma grosseira manipulação, forjada por uma misteriosa conspiração para denegrir a imagem da Academia de Coimbra)


21 comentários:

Fuschia disse...

Lembro-me de uma amiga minha que estudou em Leiria e as descrições dela de quem se recusava a ser praxado era muito semelhante a isso. Excepto as violações, porra, que ódio. Às tantas qual a diferença entre praxe e bullying?

Helena disse...

A diferença entre praxe e bullying?!
A resposta é muito simples: a praxe é boa por definição. Quando descamba, já não é praxe - é bullying.

sramos disse...

Eu concordo que as praxes são uma grande parvoíce, existem abusos até dizer chega, infelizmente tem havido casos como este último que não lembram a ninguém. Mas, também existem casos em que respeitam a decisão dos alunos, eu quando entrei na universidade declarei-me anti-praxe e acabei o curso sem ter qualquer problema com ninguém e não fui a única a declarar-me anti-praxe na minha faculdade.

Izzie disse...

Bullying puro e simples. E até achei graça, ontem ao ver dois tipos da tertúlia (a comissão de praxe) lá da minha faculdade, a dizer que não há práticas humilhantes. Riscar e enfarinhar caloiros, cortar uma madeixa de cabelo (era tradição na minha), fazâ-los comer sopas de cavalo cansado, chamar-lhes bestas, entre mais, não fosse humilhante. Não, que ideia, é uma adorável gincana.

Helena disse...

sramos,
Parto do princípio que o "caso como este último" a que se refere é a cena do vídeo.
E dá-me vontade de brincar: se fosse o último, bem estávamos. Mas se calhar é apenas o mais recente...
Assinalando este como um exemplo de "mau" e os outros, nos quais quem diz que não quer participar não é nem vaiado, nem insultado, nem ameaçado, como "bom", qual é o rácio entre "maus" e "bons" que consideramos aceitável? Para cada caloiro que é gozado ou ameaçado por não querer participar, 9 que dizem "eu não quero" e saem do recinto sem serem alvo do menor gozo? 2 para 8?
A minha resposta é: o único rácio aceitável é 0 para 10.
O facto de um aluno ser insultado ou ameaçado por dizer que não quer participar devia ser motivo para cancelar imediatamente as actividades daquele grupo da praxe nesse ano, porque manifestamente não entenderam valores básicos da nossa sociedade e não estão em condições de liderar uma dinâmica de grupos deste tipo.

Não gosto da praxe. Não gosto do fundo de autoritarismo que lhe está subjacente. Mas não diria que é preciso acabar com ela. Exijo apenas que seja objecto de um apertado controlo, e se punam severamente todos os descarrilamentos, em vez de olhar para o lado e dizer que há quem tenha feito boas experiências, por isso é deixar andar.

Pedro disse...

Tenho de fazer um comentário, que não sei se já foi feito aqui ou noutro sítio. Houve um reitor (ou director de alguma faculdade), que veio dizer que há muito proibia que as praxes no recinto da faculdade, como se fosse uma grande coisa. Pilatos. Esse senhor é um Pilatos. Como este testemunho demonstra, as praxes nem sempre são feitas no recinto escolar. Basta ver em Lisboa. As da UL são feitas no jardim do campo grande ou no relvado da cidade universitária (que para todos os efeitos é espaço público). QUanto à FCSH (UNL), que antigamente não tinha praxe (ou muito pouca), leva os caloiros a tomarem banho no lago da Gulbenkian. Onde até, vejam bem, há polícia à porta!

Helena disse...

"Pilatos" é muito bom, Pedro.

Unknown disse...

Olá Gui,

Ontem dizia-se no Parlamento que isto - a "parvoeira" - não é matéria para o legislador. Concordo, não me parece que cheguem poucos casos aos tribunais por falta de moldura penal.

Gostava era de perceber o que temem as universidades, já que o que vai pela cabeça das pessoas que enchem a sala neste vídeo me assusta muito mais do que me interessa. É preciso ser travado, até porque está mais do que "compreendido". É preciso sentar esta gente à mesa, é preciso mostrar aos miúdos novos que não estão sozinhos, é preciso dar formação à polícia. Quem participa é que devia sentir-se envergonhado, mas o que se vê são morcegos emproados.

Não tenho uma má experiência para relatar. A minha opção foi sempre respeitada, e as reacções passaram mais pela curiosidade do que por qualquer tipo de pressão ou ameaça. Sorriam-me, diziam "tudo bem" e iam à vida deles. Não é por isso que vou na onda das "praxes boas".

Tive oportunidade de ser "recebida" numa universidade inglesa - uma semana inteira de visitas às instalações, à cidade, a cidades perto e não tão perto, palestras divertidas sobre cultura inglesa, palestras sobre segurança com a polícia, palestras com os enfermeiros e psicólogos do campus, noites de jogos, etc. - e creio que esta malta não faz ideia da escandalosa falta de imaginação - para não falar do resto - que tudo isto reflecte.

Voltamos mais uma vez à defesa dos que não sabem ou não podem defender-se, não?

Beijinhos,

Marta

Helena disse...

Olá Marta,
sobre o que temem as universidades, há um post da Rita Dantas, no qual ela diz que o "espírito académico" é um factor importante para a escolha da universidade onde se vai estudar. As universidades podem temer perder "clientes". Parece que, de um modo geral, a malta gosta disso. Vamos nós agora querer protegê-los do que eles querem muito ter? A Rita avisa também para que se evite o tom arrogante e paternalista neste debate. Aqui está:

http://infernocheio.blogspot.de/2014/01/sobre-praxes-vou-so-dizer-isto.html#comment-form

Eu fico um bocado dividida entre tudo isto: dizer aos miúdos novos que não estão sozinhos? Mas, e se eles gostarem mesmo disto? Aquelas gracinhas agressivas são vividas como algo desagradável e não desejado, ou têm o mesmo encanto que a montanha russa e todas essas máquinas de choques de medo e adrenalina? Em que medida nos podemos intrometer nisso?

Parece que é preciso começar por aí (aliás, como diz a Rita): perceber o que os motiva, e oferecer-lhes alternativas dignas que vão de encontro aos seus interesses.

Agora, o que eu não sei é se os organizadores da praxe vão abrir mão do seu saboroso poder discricionário.

Quanto à defesa dos que não sabem ou não podem defender-se: parece-me que depois deste debate vão saber defender-se melhor. Que sirva ao menos para isso!

Luna disse...

Eu até postava este vídeo lá na minha caixinha, mas depois de 140 comentários a dizer quão maravilhoso é estudar em coimbra e participar na praxe, não sei se consigo aguentar mais 150 a dizer que isto é uma excepção.

Helena disse...

E até podias acrescentar que aquela cena de um aluno que se suicidou por enforcamento, e de no dia seguinte os grunhos aparecerem na faculdade de Letras a rir, com cordas à volta do pescoço, também foi em Coimbra - mas aí levavas 300 comentários de "essa não é a minha Coimbra", e para cada cena destas que me contes eu conto-te dezenas de cenas maravilhosas, e a minha praxe foi o melhor que me aconteceu na minha vida toda, e não me estragues as recordações ó desmancha-prazeres.
Para cada facto que apresentes, eles têm recordações maravilhosas para dar de troca. E a verdade é que tudo isto aconteceu - o horroroso e os pequenos póneis. Só que uns só vêem o horroroso, e outros só vêem os pequenos póneis. Assim não nos vamos entender.

Já agora: deixa-me ir ver se os adeptos da praxe já responderam à pergunta que eu fiz no teu blogue sobre a praxe ser igualmente gira se não tivesse aquela componente de autoritarismo.

Helena disse...

Oh, que pena. Ainda não responderam.

E eu que estava com tanta vontade de encontrar uma plataforma de entendimento: praxe, pode ser, desde que não haja autoritarimo nem tiques paramilitares.

Luna disse...

Deixa-as estar, que a minha cabeça merece descanso.

CCF disse...

Convivo com isto há muitos anos e há muitos que me pronuncio contra. Mais: as praxes têm vindo a piorar de ano para ano. Escrevo sempre qualquer coisa todos os anos e raramente alguém se pronuncia. A opção mais comum entre os professores é ignorar. Colocá-los fora das instituições foi uma opção do tipo "varrer o lixo para o quintal do vizinho".

Por um lado fico triste por ser a morte dos jovens do Meco a trazer isto para as notícias, por outro tenho tanta esperança que seja agora que vai acabar...ou pelo menos melhorar.

A questão central é: a essência da praxe é a humilhação dos mais fracos, logo não pode haver praxes boas, só más ou menos más.

Ainda me lembro dos primeiros anos que leccionei no superior,na escola onde estou hoje: não havia praxe (foi só há 14 anos). O que havia: dois ou três dias de integração combinados entre as direcções das escolas e as associações, eles quanto muito faziam umas aulas fantasma...querem ver que não se integravam nem arranjavam amigos?

Ou como diz a minha filha de 17 anos: é pá, querem ver que ainda vão inventar praxes para cada vez que mudamos de escola? É que eles mudam pelo menos 3x ao longo da escolaridade e não precisaram de praxe para se integrar.

~CC~


mar disse...

Uau, o post da Helena já tem mais de uma dúzia de comentários e ainda não apareceu ninguém a defender a especificidade da tradição de Coimbra e a falar do Código da Praxe na Universidade de Coimbra como se este se sobrepusesse ao Código Civil Português!

O texto de Raquel Misarela toca um dos aspectos que me faz muita confusão (bem, na verdade, a totalidade do fenómeno praxe me faz confusão mas adiante...): o facto de uma pessoa precisar de se declarar anti-praxe e de, segundo os Códigos de Praxe de várias universidades que têm vindo agora a público, ter de apresentar um requerimento ao Conselho de Praxe para que o tal estatuto seja oficializado. Não faria mais sentido se os novos alunos tivessem de se declarar a favor da praxe e apresentar um requerimento para que esse estatuto lhes fosse reconhecido antes de serem praxados? Afinal, são os pró-praxe que reconhecem autoridade ao Conselho de Praxe e não os anti-praxe (para quem os membros do Conselho não passam de outros colegas).

Helena disse...

mar,
ontem escrevi um post no qual sugeria exactamente isso. Só pode participar na praxe quem tiver um documento a autorizar essa participação. Mais: o documento é passado pelo responsável do evento - o organizador, aquele a quem irão pedir automaticamente responsabilidades caso alguma coisa corra mal.
Não o publiquei porque queria ainda rever alguns aspectos, e entretanto meteu-se o fim-de-semana. Já lá irei em breve.

isabel disse...

2ªtentativa, a 1ª deu um erro qd submeti o comentário. O video acima retrata o que se chama "caloiro infiltrado", o rapaz anti-praxe que é chamado de paneleiro e vaiado é na verdade da "organização".

Helena disse...

Isabel, obrigada por essa informação.
Quando uma pessoa pensava que já tinha batido no fundo, vem uma informação dessas mostrar que afinal é sempre possível fazer ainda pior.

Cláudia Catarina disse...

Ainda nem completou um mês de que sou caloira numa faculdade da Universidade do Porto. Com grandes planos de pertencer as atividades académicas como a praxe, deparo-me com uma realidade diferente. Enquanto caloiro, não me é dificil compreender como em certas situações somos capazes de silenciar a nossa voz numa tentativade adaptação neste ambiente novo. Certas práticas na praxe são ofensivas e até mesmo, aquilo a considero, uma prática de bullying que é socialmente aceite. Os caloiros, neste esforço de integração, não tem a completa noção naquilo em que se estão a meter e quando querem sair acabam por ser excluídos e julgados, o que os leva a não o fazerem. Hoje, fiquei sensibilizada para esta situação. Uma colega testumunhou algo que me mostra o quanto grave a aceitação destas atividades pode ser. Por medo de falar, vou ser a voz do sucedido.
Por volta das duas da tarde do dia de hoje, no Porto, a minha colega foi a um pequeno supermecado, ao mini-preço, e vê vários estudantes académicos vestidos de traje, os tais "doutores", com caloiros, que vestem camisolas vermelhas. Estes entram e uma rapariga trajada pede a chave da casa de banho. Após uns 10 minutos, algo chama a atenção á minha colega: Reparou que o tal grupo de estudantes, cerca de 20, estavam dentro da pequena casa de banho e apesar de terem pedido a chave para trancar a porta, estava um "doutor" a vigiar a porta. Enquanto isto, o supermecado encontra-se vazio, unicamente a tal testemunha, uma rapariga do estabelecimento que se havia ausentado e os estudantes académicos em questão. Apercebe-se de uns gritos, que pareciam de uma rapariga, saídos da casa de banho. Nisto, o rapaz que estava a vigiar a porta abre a porta com a chave que tinha e pergunta aos restantes se já estava resolvido o assunto. Assim, o grande grupo sai da casa de banho juntamente com dois caloiros com a cara desfigurada: Um rapaz com os olhos negros e a sangrar da boca e uma rapariga que, ainda que não em tão mau estado, a chorar imenso. Esta é dirijida por um "doutor" trajado que, de forma a silenciá-la, lhe diz "Ou paras de chorar ou vais piorar as coisas para o teu lado... Pensa bem". Á ida embora, ouve-se algo como "Vamos embora que já estamos a dar nas vistas... E isto que sirva de exemplo para os outros", dirigindo-se então áqueles que consideram seus inferiores.
Ainda que sem mais provas suficientes do que a palavra de uma testemunha, sinto esta necessidade de reportar. Estas práticas devem ser paradas e unicamente quando souberem fazer justiça áquelas que são verdadeiramente tradições académicas é que deverão ser permitidas. Por medo, vemos pessoas a ser sujeitadas a situações destas e ao ficarmos calados ao observar situações destas estamos simplesmente a ajudar a preservação da violência.

Cláudia Catarina

Helena disse...

Cláudia,
a tua amiga conhece esses caloiros? Era preciso ir fazer queixa à polícia! Fechar pessoas num sítio qualquer, agredi-las e coagi-las são crimes graves.
Ao menos vão falar com o supermercado o mais depressa possível - de certeza que têm uma câmara de filmar. É preciso dar esse filme à polícia.

Nuno Pinto disse...

Nada que uns bons socos na boca desses paneleiros não resolvesse. Na minha universidade respeitaram a minha decisão de ser anti, não falo com eles e eles não falam comigo, e sinceramente é algo que não me afeta, mas se alguem tivesse a lata só de me mandar para o caralho eu enfiava-lhe logo um soco na boca. Falta atitude a muito caloiro