27 novembro 2013

festa do pau-de-fileira

A nossa Richtfest (festa do pau-de-fileira, em português, e aqui anuncio com solenidade: quem tem comentadores atentos no blogue, tem tudo!) foi hoje. O dia amanheceu lindo, mas foi ficando cada vez mais cinzento. Às três da tarde, quando o mestre-de-obras e o Joachim fizeram os seus belos discursos, já quase não havia luz para fotografar - como se pode ver na primeira imagem.

(Se querem que conte tudo, eu conto: o arquitecto apareceu cá em casa, para vir buscar o farnel, uma hora antes do combinado. Telefonou da auto-estrada, "daqui a 15 minutos estou aí", eu em pânico porque ainda não tinha nada pronto - e aqui fique registado: consigo preparar um farnel enorme para mais de vinte pessoas, vinho quente e tudo, em menos de dez minutos! - e só quando já estava tudo no elevador é que se deu conta que se enganara nas horas. Em compensação eu ia chegando atrasada à festa onde era anfitriã, porque apareceu-me a desoras um canalizador para consertar um aquecimento, e que era só dois minutos, mas afinal foi mais, e depois atendeu o telefone, e depois perdeu a peça e andou a procurá-la por todos os lados, e eu ora num pé ora no outro como quem está aflitinha para ir à casa de banho, e ele "tenho de voltar amanhã, a que horas está em casa?")
 
O copo partiu com um lindo ruído de mil cacos, sinal de que daqui para a frente a obra vai correr às mil maravilhas (melhor dizendo: sinal de que vai dar muito trabalhinho apanhar aquilo tudo do chão). Os operários tiveram a gentil ideia de fechar uma das divisões com telas plásticas, e de pôr aquecimento e luz. Os vizinhos apareceram com ramos de flores e garrafas de vinho, mostrámos a casa e sentámo-nos à mesa com todos, vizinhos e operários. Levei vinho quente para os adultos, mas esqueci-me de chá para as crianças, que se vingaram nas paciências holandesas - e está bem. Os adultos também se regalaram com as bolas de presunto que fiz ontem (quase ia levando torresmos em vez de bolas, mas por sorte lembrei-me in extremis que tinha o forno aceso).
O ponto alto da festa foi quando quando uma das vizinhas comentou que estava tudo muito "gemütlich". Rimos todos, claro. Essa é a palavra usada para descrever um ambiente confortável e acolhedor - e nós ali num quarto com os tijolos à mostra, telas de plástico nas janelas e nas portas. Também nos rimos quando os operários começaram a contar que nem tudo foi fácil, mas que há coisas que é melhor não contar. Rimos, pois: que remédio!
O empreiteiro ofereceu-me um presente: as primeiras plantas para o jardim. E depois dizem que eu é que sou especialista em pôr o carro vários meses à frente dos bois!
Para já, estou a correr atrás do atraso como de costume: temos um mês para decidir tudo sobre a cozinha, o chão e os azulejos - e, pouco depois, os candeeiros. Comparado com isto, a angústia do guarda-redes antes do penálti é uma brincadeira de meninos.  

 
 


E porque eu já sei do que é que a casa gasta, aqui vai uma fotografia do tipo "onde é que está o Fox?":
(pelo medo que tem de andar nas obras, não lhe antevejo grande futuro como trolha)




10 comentários:

Gi disse...

Parabéns e felicidades. E que o Fox seja sempre um cãozinho prudente!
Olha, eu que raramente bebo álcool, vou hoje beber um gole dedicado à tua casa nova.

Cristina Torrão disse...

Festa do pau-de-fileira?
Nunca tinha ouvido...

Helena disse...

Gi, obrigada!
(Pobre Fox: subiu para o primeiro andar sem nós repararmos, depois nós no jardim a chamar por ele, e ele lá em cima a morrer de medo de descer - por sorte não resolveu atirar-se pela janela!)

Helena disse...

Cristina,
Também não - foi um amigo que comentou num post anterior. Depois de saber o nome, agora passo a vida a cruzar-me com ele. E uma amiga minha diz que foi a imensas festas dessas quando era criança.

Paulo disse...

Agora já só falta a festa da adiafa.

Maria Manzaca disse...

Pode crer que é mesmo uma angústia decidir tudo para ontem. E esteja preparada para quando lhe perguntarem para que lado escoa a banheira :-)

Helena disse...

Paulo,
até chegar essa festa, ainda vai demorar um bocadinho.

Maria Manzaca,
o quê?! Também temos de decidir sobre isso?!
(estou bem arranjada...)

Lucy disse...

Que seja um lugar de muita alegria onde todos se sintam bem

Cristina Torrão disse...

Às vezes é assim, aprendemos alguma palavra e passamos a cruzar com ela o tempo todo ;)

Nem te dei os parabéns, desculpa, passei aqui ontem à pressa e despejei assim dois comentários...

Muitos parabéns e felicidades :)

Helena disse...

Lucy, Cristina: obrigada!
Se as casas são aquilo que levamos para dentro delas, estou aqui com uma suspeita que esta vai ser um lugar giro...
(Já estamos a sonhar com tantas coisas que nela vão ser especiais - como tomar o pequeno-almoço vendo o céu iluminar-se de muitas cores, por exemplo. Aqui acontece na janela do nosso quarto, quando andamos é a correr para nos prepararmos e sair de casa.)