23 setembro 2013

Merkel : 1 / Outros : (ãh? quais outros?)


Para análises de fundo, podem ler a Teresa de Sousa aqui. Parece-me informada e equilibrada.

Para conversas de café, acrescento uns tópicos:

- Estas eleições são, antes de mais, uma vitória da Merkel. Se concorresse sozinha, teria tido uma larga maioria absoluta.

- A saída da FDP do Parlamento foi, para mim, a grande vitória da noite. Houve demasiados indícios de que o partido estava a fazer política não para a Alemanha, mas para a sua clientela, e o povo alemão não perdoou. Lá se vai o apoio financeiro estatal, lá se vão os empregos. Este castigo radical dá-me uma grande satisfação, porque mostra que a Democracia se sabe defender de quem abusa dela.

- Outra vitória foi a descida do partido de extrema-direita, o NPD, e a resposta dada ao partido anti-euro: apesar das dificuldades anunciadas e das dúvidas em relação ao processo em curso, os alemães querem manter o euro e continuam a acreditar na Europa possível.  

- Ontem, em conversa com alguns amigos portugueses, interrogávamo-nos sobre o poder que a Angela Merkel tem para queimar os homens do seu próprio partido. Nunca nenhum chega suficientemente perto para lhe poder fazer sombra. Recordo isso agora a propósito da queda do FDP - muitas vezes apareceram como o parceiro da coligação que estava a torpedear os esforços da Merkel. Talvez este péssimo resultado eleitoral seja em parte um castigo por "terem sido maus para a mamã".

- Agora, por favor, não me venham com a conversa do "Merkel über alles", a ditadora, sei lá que mais. Ela não é a ditadora, é a que "conduz pela retaguarda", como troçava um adversário político.

- Participação eleitoral de 72% (!), e nem assim os alemães estão contentes. É bom, mas aqueles 28% que faltam são motivo para preocupação.  

- Acredito que, no que diz respeito a Portugal, as coisas podem melhorar um pouco. O simples facto de os mercados não terem o menor motivo para ficarem todos excitadinhos, já é positivo (estou a pensar nos juros da dívida). Portugal pode agora aproveitar a boa fama que tem - como menino bem-comportado a quem a vida está a correr muito mal, justamente por estar a fazer tudo o que lhe mandam -, e propor uma renegociação das condições de pagamento, a par de um plano de crescimento económico. Mas um plano de crescimento económico a sério - porque esquemas para as empresas ligadas aos políticos, rotundas nos municípios, mercedes para os empresários e cursos de formação profissional para mascarar o desemprego, tudo isso já temos em quantidade suficiente, e não me parece que os parceiros europeus estejam dispostos a dar apoios para mais do mesmo.

2 comentários:

jj.amarante disse...

Essa taxa de participação de 72% é notável.
A nossa é muito mais baixa mas não se deve apenas a falta de interesse em participar na democracia.
Deve-se também em boa parte à dificuldade que se tem tornado cada vez notada de os mortos se dirigirem aos serviços de recenseamento eleitoral a comunicar que estão mortos, empolando muito os cadernos eleitorais.
Julgo que seria interessante que uma empresa de sondagens/amostragens fizesse uma estimativa também dos portugueses que se encontram a residir no estrangeiro e que, dadas as dificuldades burocráticas e as despesas de viagens que teriam que fazer, compreensivelmente se abstêem.
Os alemães não estão tanto fora do território nacional e conseguem com mais facilidade chegar à conclusão que um dado eleitor já não se encontra no número dos vivos.

Helena disse...

É verdade, sim. E além disso, também podem votar por correspondência. Não precisam de estar na sua cidade no dia das eleições.