14 setembro 2013

Heimat


"Naquele momento creio ter entendido: a cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida, um chão para a memória" - Mia Couto

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Encontrei a foto e a frase no mural de facebook de uma amiga, chamaram-me como quem pede para ser roubado. Roubei. Logo eu, cuja vida tão cheia de molduras mais parece a secção de quadros da IKEA...

Há tempos, amigos meus - todos expatriados - conversavam sobre o que é Heimat. Chegaram à conclusão que Heimat é o lugar onde a infância foi feliz. Eu não estava na conversa, só soube das conclusões - e foi pena, porque gostava de ter perguntado se a infância foi algures feliz, ou se somos nós que a queremos feliz para termos uma Heimat a que nos agarrar.

No centro histórico de Weimar, as empenas das casas antigas estão decoradas com frases avulsas de escritores famosos. "Devido ao mau tempo, a revolução alemã deu-se apenas na Literatura", por exemplo, ou "Ninguém regressa de uma viagem como partiu".
Tem duas frases sobre Heimat:
- Heimat é onde não precisas de te explicar.
- Heimat é aonde regressas depois de se te acabarem os lugares.

Ando e desando, penso e repenso, e regresso sempre aqui:

- Heimat é um lugar de paz dentro de mim.

(foto)

8 comentários:

Gi disse...

Gosto muito dessas duas frases, de quem são?

Helena disse...

“Heimat ist da, wo man sich nicht erklären muss.”
Johann Gottfried von Herder (1744-1803)

A segunda não sei - tenho de voltar a Weimar, e apontar. :)

Gi disse...

Um bom pretexto para lá voltares ;-)

snowgaze disse...

Eu diria de outra forma: é onde entendem todas as tuas piadas.

Helena disse...

Essa é uma síntese ainda melhor!
Vou sugerir que a pintem numa casa de Weimar. ;-)

Sandra disse...

Para mim Heimat é onde nos sentimos felizes, onde criamos laços.
Durante muitos anos quis regressar ao Porto por ser a minha Heimat. Depois de ter regressado descobri que nos anos que estive fora acabei por criar outra Heimat! É dificil explicar. bjs

Helena disse...

Difícil de explicar, e de definir.
Nós somos diferentes em cada um desses lugares, e no entanto somos sempre nós. Na minha aldeia em Portugal há partes de mim que acordam, e passam o tempo adormecidas em Berlim. Em Berlim, há partes de mim bem despertas, que não se mostram na minha aldeia em Portugal.
E tudo é, de certo modo, Heimat.
(tudo o que temos cá dentro...)

Sandra disse...

Tens toda a razão........