17 abril 2013

às vezes até me dá vontade de ser minha amiga

Por exemplo: agora mesmo. Estou a organizar para os meus amigos uma visita a Weimar em português, no fim-de-semana de 11 e 12 de Maio. Para além do óbvio (Goethe, Goethe, Goethe, Anna-Amalia, Schiller, Liszt, Goethe, Herder, Goethe, Lucas Cranach, Goethe, Wieland, Maria Pawlowna, Goethe, Thomas Mann, Hitler, Semprun, Buchenwald e Erfurt - espero não me ter esquecido de nenhum Goethe) estou a preparar com um grupo da Bauhaus um programa especial: vamos fazer de conta que éramos os estudantes que por volta de 1919 aderiram ao movimento Bauhaus. 



1919 - foram tempos extraordinários: a guerra tinha chegado ao fim, a monarquia caíra, o país temia a guerra civil, e a pequena cidade de Weimar foi invadida por políticos da capital que ali vinham desenhar uma nova Constituição, e por estudantes malucos, inclusivamente "raparigas com o cabelo tão curto como as saias!", que de manhã iam para o parque (concebido pelo - adivinharam! - Goethe) orar seminus a um deus desconhecido, e ao cair da noite o atravessavam alegremente, a caminho das suas festas, alumiados por lanternas que eles próprios tinham feito.

(Paul Klee, daqui)

(Lyonel Feininger, daqui)

(Oskar Schlemmer, daqui)

E nós? Além de fazermos o circuito habitual da Bauhaus - o museu com os primeiros objectos criados pelos estudantes, os gráficos das aulas e os quadros dos seus professores (Klee, Kandinsky, Schlemmer, Feininger, Muche, Itten, Moholy-Nagy, etc.), o edifício da escola feito por Van de Velde e o gabinete de Walter Gropius, a parte das oficinas com a sua escadaria decorada por Oskar Schlemmer e a primeira casa construída pelo movimento, em 1923, e que ainda hoje é mais moderna que muitas que por aí se fazem, além de fazermos isso tudo, vamos sentar-nos calmamente num atelier desses antigos estudantes para fazer lanternas como eles, que nos iluminarão o passeio pelo parque do Goethe depois do anoitecer. E terminaremos com uma ceia num pavilhão que os primeiros professores da escola de belas-artes mandaram construir para fazerem retratos da natureza sem se molharem - lá ajeitavam a vaquinha e as ovelhinhas e mais os bichos que calhasse, lá montavam o cavalete, e cá vai disto: pintar a natureza viva por partes, primeiro os bichos e depois a paisagem à volta nos dias mais secos. Claro que tudo isto foi antes de o Gropius aparecer em cena, e mais aquele maluco do Itten que inventou o curso básico e punha os estudantes a fazer ginástica em trajes menores no parque desenhado por Goethe, e mais os outros todos que decidiram fazer um movimento novo, como no tempo das catedrais, quando os pedreiros e carpinteiros se entendiam como artistas a contribuir para a criação de uma belíssima obra de arte.

Em suma: já estou com pena de todas as pessoas que não podem participar. E aqui lanço um repto para os comentadores predilectos deste blogue: alguém quer vir?

10 comentários:

Maria de Jesus Lourinho disse...

Adorava, Helena, mas não tem verba!!

Helena disse...

:(
(de facto, estava a pensar nos leitores que moram mais para estes lados - para os portugueses, Weimar fica um bocadinho à desamão)

CCF disse...

Querer eu quero...mas lá está, fica um bocadinho fora de mão :)
~CC~

Helena disse...

Pois...
Mas pronto, aqui fica prometido: quando inventarem uma beaming machine baratinha, organizo nova visita a Weimar.

sem-se-ver disse...

mesmo comentário que os anteriores :(

calita disse...

pois...

sandra costa disse...

Helena, Helena... (suspiro prolongado, imaginando tudo o que está descrito)

snowgaze disse...

Oh, tão querida!

Acho que os meus miúdos não aguentam um programa tão intenso :S (e a miúda, se encontra um parque infantil não sai de la' mais)...
Mas que era giro, era...

Paulo disse...

Eu querer queria.

Helena disse...

À atenção de quem não pode vir: :(

À atenção da Cristina: anda! Deixa os miúdos, e anda. Ou venham passar todos um fim-de-semana prolongado (há um feriado por essa altura), alugam umas bicicletas, fazem as voltinhas do Feininger (é um circuito muito bonito, mas espero que estejam em boa forma, que aquela zona da Turíngia tem mais colinas que Lisboa). :)