28 fevereiro 2013

vida de cão

Vou pela rua com o Fox, e de repente começo a reparar no que digo:

"iiih, cocó, que porcaria, tira daí o focinho!"
"não, isso é um jardim, não podes fazer chichi"
"iiiih, cocó, não!"
"anda cá"
"pára"
"não lambas isso, é chichi!"
"vamos atravessar a rua depressa! hop! hop!"
"iiiih, cocó, anda-te embora"
"aí não!"
"que porcaria, chichi, não se lambe!"
"iiiih, cocó, vamos!"
"chichi aí não, as pessoas não gostam"
"aí também não"
"aqui"
"pára"
"anda"

Quinze minutos assim - a volta ao quarteirão. Se calhar é a isto que chamam vida de cão.
E pensava eu que o estava a educar, para se tornar um cão civilizado e que não incomode as outras pessoas.

Depois pensei: se gravassem as conversas entre pais e filhos pequenos no espaço público, seria muito diferente? No conjunto de tudo o que dizemos aos nossos filhos pequeninos ao longo do dia, qual é a percentagem de frases que são ordens (anda cá, vai ali, come, despacha-te, veste, tira, põe, faz, cala-te, fala mais baixo, espera, vai tomar banho, não deites sabão nos olhos, está quieto, vai brincar no teu quarto que eu agora estou ocupada) e proibições ("não!"), qual é a percentagem de frases elogiosas? Qual é a percentagem de conversas sobre o que os interessa, nas quais eles são realmente ouvidos?

12 comentários:

sem-se-ver disse...

pelos outros não sei responder, mas devo ter tido uma grande déficit de frases elogiosas a meu respeito, pq ainda estou sp mortinha por ouvi-las!!!!

(o pobre do teu bicho vai ficar fixado na fase anal, c tanta proibição de defecar qd lhe apetece)

Helena disse...

sem-se-ver,
acho que és uma pessoa absolutamente fora de série. Aprendo muito da tua imensa bagagem cultural. Gosto do modo entusiasmado como te entregas ás coisas, seja contar algo de que gostas, seja defender o teu ponto de vista. Também gosto do modo como acreditas nos teus alunos, lhes és exigente e lutas pelo futuro deles. Além disso o teu blogue é uma sorte na minha vida. (E, diria agora a Rita, tens um corpo espectacular, hihihihi) (piada antiga)
(Achas que por hoje chega? Este foi o primeiro, mas daqui para a frente posso ser mais específica e pontual)

Eu não o proíbo de defecar, era mesmo o que mais faltava. Até lhe digo "lindo, lindo, Foxinho liiiiindo"
Eu só não quero é que ele ande a enfiar o nariz no cocó dos outros cães.

sem-se-ver disse...

rindo tantooooo

Cristina Torrão disse...

No que diz respeito às crianças, embora não tenha filhos, penso que realmente se devam elogiar mais, ou, dito de outra maneira, aproveitar mais ocasiões para os elogiar.

No que diz respeito aos cãezinhos, afirmo, sem reservas: ó, Helena, deixa o cão ser cão! Ele precisa disso! Cheirar cocós e lamber xixis faz parte da natureza canina! Lá não fazer xixi aqui, ou ali, ainda vá que não vá. Mas deixe-o ler o jornal e todos os recados que os seus semelhantes espalharam!
Evito, ao máximo, proibir a minha cadela de fazer seja o que for, durante os passeios. O passeio é dela, não é meu, deve gozá-lo ao máximo! É uma das poucas oportunidades que ela tem de ser cão (cadela), já que, dentro de casa, tem (teve) de se adaptar às regras humanas.
Tem dó, Helena, deixa-o escarafunchar! Não lhe faz mal nenhum, acredita! Pelo contrário ;)

P.S. Depois do passeio, limpo a minha cadela de fio a pavio com um pano húmido, que lavo, em seguida, com sabonete e desinfeto no micro-ondas (um pano húmido durante cerca de um minuto no micro-ondas fica desinfetado).

Helena disse...

sem-se-ver,
:)

Cristina,
no que diz respeito aos filhos: a gente de facto não se lembra disso, e é pena. A minha filha de 18 anos tem estado a fazer um trabalho excelente para preparar a nossa viagem à Bolívia. Disse-lhe isso (mas tive o cuidado de não soar a surpresa, disse-lhe: "bem sei que és capaz de organizar muito bem, mas no caso desta viagem estás a exceder as minhas melhores expectativas") e ela ficou toda derretida.

Quanto ao cão: a sério ? Acho isso tão nojento! Mesmo, mesmo.
Mas o que dizes faz todo o sentido.

(o que acho graça é que explico as coisas ao cão como explicava aos miúdos quando eles eram pequeninos...)

myowncommonplacebook disse...

Excelente observação :)

Helena disse...

Obrigada. :)

Cristina Torrão disse...

É bom saber que reservas tanto carinho para o teu cão ;) Mas, na verdade, não será bom cair no erro de o tratar como uma criança (em certas situações). Essas coisas são-nos nojentas. No início, também me custava a aguentar. Mas sabes que informações um cão pode tirar do cocó de outro? Idade; sexo; se passa por ali muitas vezes, ou se esteve lá por acaso; se é agressivo, do tipo: não me apareçam à frente, ou se, pelo contrário, deixa um convite: gostava de vos conhecer; etc. Quem não lida com animais, acha isto tudo muito estranho, mas é assim que os cães comunicam. Num livro sobre cães, li algo que me fez sorrir: fazer um xixi, para um cão, é o equivalente, para nós, a deixarmos a nossa folhinha num painel de recados ;) E eles gostam muito de controlar os circuitos por onde passeiam? Há alguém novo? A Fifi já passou por aqui hoje? Parece que o Belo está doente, etc.

Não precisas de ter medo de parasitas se o Fox é desparasitado regularmente. Normalmente, quando eles examinam os excrementos, não lhes tocam, têm até muito cuidado (é interessante observar, depois de uma pessoa se habituar, claro). Claro que se eles tentarem comer certas porcarias, ou rebolar-se nelas, aí, temos de os proibir e ralhar com eles. Há limites para a nossa sensibilidade humana ;)

Helena disse...

ah, percebo. É verdade, ele só cheira o cocó, não o mete na boca. Bem, tem tido dias...
Obrigada por essas informações. Por causa destas e doutras, a qualidade da vida do Fox vai melhorando.

Cristina Torrão disse...

Sim, esqueci-me de dizer que os cachorrinhos tendem a comer muitas porcarias. Mas costumam deixar-se disso, ao tornarem-se adultos.

sem-se-ver disse...

subscrita a cristina torrão, claro!

Helena disse...

Um dia destes o Fox ainda vos manda umas bolachinhas, para agradecer. :)