26 novembro 2012

a gente mete-se com políticos de vocalções e...





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(vídeo encontrado no Entre as Brumas da Memória)

Estou vocalmente estarrecida: será que entendi bem? Aumentaram os impostos a pessoas que têm pensões ANUAIS de 7000 euros?
E o que será que ele entende por "acumulação de privilégios"? Será o pagamento de um salário justo aos funcionários que asseguram o cumprimento das funções básicas do Estado (e do Estado Social)?

O Marcelo Rebelo de Sousa andou a perder tempo com aquele filme pateta para ensinar aos alemães umas coisas sobre os portugueses, sem perceber que lhe bastava pegar no material vocalmente oferecido pelo nosso primeiro-ministro, traduzi-lo para alemão, e passar o filme no youtube. Ia ser um fenómeno viral, e os alemães iam ter tanta pena de nós que até diziam à Angela Merkel que o melhor é perdoar a dívida por inteiro, porque já estamos castigados q.b. com um governo assim.

20 comentários:

Paulo disse...

É de ficar vocalmente sem fala.

Helena disse...

É o que dá quando temos políticos de vocalções...

Helena disse...

eh, pá, grande trocadilho! Vou já mudar o título ao post. :)

Izzie disse...

Abençoados sejam os que têm pensões de 240 euros, que não têm força nem para raciocinar nem protestar. Esta táctica horrenda de querer virar os 'pobrezinhos honrados' contra os malandros dos privilegiados é um nojo, mas o pior é que ainda há quem vá nisso.

A sério, Helena, para os alemães terem pena de nós bastava virem cá morar dois mesitos.

Carlos Azevedo disse...

Há alturas em que acredito piamente que só com um valente par de estalos. Não mudaria nada, mas ninguém lhos tirava.

António P. disse...

Boa tarde Helena e duas notas
1ª- pensei que ia sugerir que o Prof. Marcelo fizesse um video para ser exibido no Conselho de Ministros...português.
2ª- Aqui há uns dias, aquando da visita da Angela a Portugal as telvisões fizeram reportagens a entrevistar alemães qque vivem e trabalham em Portugal. Retive a afirmação de um deles que disse que um tal assalto fiscal e salarial na Alemanah seria impossível porque as pessoas e sindicatos não o pemitiriam.
Boa semana e cumprimentos

Blondewithaphd disse...

Adorei!!!!

sem-se-ver disse...

e porque nao fazes a traduçao para alemão e carregas o filme no youtube?

:)

Helena disse...

Izzie,
os que vivem com pensões miseráveis também têm opinião. Conheço uma mulher muito doente com uma pensão dessas que diz que o SNS está feito para resolver o problema dos pobres: deixa-os morrer. Se ouço o que me conta, os meses que fica à espera de uma consulta ou umas análises, tenho de lhe dar razão.

Helena disse...

Carlos,
:)

Helena disse...

António P., ando a dizer isso desde o tempo dos PECs (sim, que as pessoas esqueceram-se, mas estes cortes brutais não são apenas do tempo do PSD...): já começa pelo abono de família. Os alemães não acreditam que algum governo tenha começado por poupar dinheiro justamente no apoio às crianças.

Helena disse...

António P., ando a dizer isso desde o tempo dos PECs (sim, que as pessoas esqueceram-se, mas estes cortes brutais não são apenas do tempo do PSD...): já começa pelo abono de família. Os alemães não acreditam que algum governo tenha começado por poupar dinheiro justamente no apoio às crianças.

Helena disse...

sem-se-ver,
disse isso há bocadinho no facebook: alguém aí junte estes pedaços de retórica, e sobreponha os factos (por exemplo: percentagem de pessoas na área de Lisboa e do Porto que ganham menos de 800 euros por mês, e custo da habitação nessas regiões), para fazer um filme de jeito.
Depois eu traduzo.

Izzie disse...

Helena, mas se nos fiarmos nas palavras do primeiro ministro parece que não...
Vão reduzir os subsídios de desemprego e de doença, mas não se ouve nada quanto às PPP e inúmeros institutos públicos, e deram outro aval à Madeira. Pode?

Conde de Oeiras e Mq de Pombal disse...



Helena,

cuidado com as desproporções: entre os cortes do tempo dos PEC's e o assalto fiscal do PSD e do CDS vai uma distância muito maior do que entre os substantivos "grande" e "brutal"!


No que à classe média diz respeito - repito, a MAIS MASSACRADA de todas em Portugal, quer nos tempos do Sócrates, quer agora na era gasparista -, os cortes do abono de família e salariais (na Função Pública) representavam, quanto muito, uns 5% do vencimento médio.

Agora, a parcela adicionada pela insensata austeridade "além-troika" do Passos Coelho representa, em contrapartida, cerca de 15%! É o triplo! 200% maior, chama-lhe como quiseres, mas não há comparação possível.


E ainda não vimos tudo: esse é de todos o maior problema!


Há uma linha muito clara, que demarca a austeridade necessária e aceitável (os PEC's) da austeridade insana e sem objectivo do atual "guverno". Essa linha chama-se competência e a sua transposição vai acaretar consequências (e seguramente pesadas sanções). Como acontece na estrada, com o traço contínuo...

Helena disse...

Conde de Oeiras,
as desproporções - tens razão.
Eu só notei que o PS ia pelo mesmo caminho. Cortou os abonos de família (na Alemanha, independentemente do que for preciso poupar, o Estado Social não mexe uma palha no apoio às crianças - excepto para os aumentar) e já ia tirar o 13º mês à função pública. Sinceramente, duvido que o PS, se fosse governo, cortasse muito menos do que o PSD tem cortado.
É preciso algum governante ter uma ideia melhor que a da austeridade, para apresentar aos países que nos vão ajudar a sair da crise (e nem têm outro remédio). E nem o PSD nem o PS têm. Mas o PSD, pelo menos este PSD, é ainda mais grave que o PS, porque está completamente desnorteado de princípios fundamentais. Esta história de agora querer pôr propinas no secundário (é mentira, não é? diz-me por favor que é mentira!) é sinal de um governo que não tem a menor noção da sua responsabilidade na condução do destino de um país como o nosso no séc. XXI.

Conde de Oeiras e Mq de Pombal disse...



Helena,

tudo é possível hoje em Portugal, com este "guverno" sem trambelhos.

Não posso falar daquilo que o PS "faria", mas sei que o caminho de Portugal foi drásticamente invertido em 2011 e que esse é um facto histórico da magna importância que, vais-me desculpar, a tua narrativa desvaloriza e branqueia.

Só se podem comparar objectivamente resultados e os dados estatísticos demonstram, claramente, que o Portugal de 2012 é uma "coisa" medonha, quando comparado com o Portugal de 2010: desemprego, salários em atraso, recessão, confiança económica, solvabilidade de empresas e famílias, prestações sociais, tudo e mais um par de botas.

Medonha, para mais, quer pela situação em que já se encontra, quer pelo rumo para onde o "nariz" da nave aponta. Eu quero ter direito a um "opt out" e saír imediatamente para o PEC 4! Principalmente em nome dos meus Filhos!

Passos Coelho e o Gaspar têm mesmo de ser imediatamente travados, sob pena de se dar uma catástrofe em Portugal.

Nós nem sequer temos a válvula de segurança dos gregos, que é fazerem muito estardalhaço nas ruas de Atneas. Connosco vai ser logo o estoiro fatal, quando algo acontecer. Espreita o "forum tsf" de hoje e aquilata por ti própria o desespero e a raiva reprimidos.

Espero que alguém sensato perceba isto e aja ainda a tempo.

Helena disse...

Essa é que é a questão: não sei se foi o PSD que inverteu o caminho de forma drástica.
Em 2011 Portugal estava à beira da bancarrota. Não foi o PSD que pôs o país numa situação de incapacidade de pagar os seus empréstimos e as despesas correntes do Estado. E, repito, quando o PS tentou resolver o problema, começou por atacar o Estado Social. Não na medida em que o PSD o está a fazer, mas foi por aí que começou.
Quanto ao resto, estamos de acordo: Passos Coelho e Gaspar, ou quaisquer outros que ocupem esse lugar com a mesma falta de critérios e de visão de futuro, têm de ser imediatamente travados.

Conde de Oeiras e Mq de Pombal disse...



Helena, desculpa, mas discordo num aspecto essencial.

Portugal em 2010 não estava à beira da bancarrota e em 2008 muito menos.

E mesmo em 2011, não era Portugal que estava à beira da bancarrota, seria o Estado e eram, SOBRETUDO, os Bancos (como na Espanha)!

Em fins de 2012, pelo contrário, o Estado continua na bancarrota - é impensável um "regresso aos Mercados"! -, mas agora, para além do Estado, é todo o País, as Empresas, as Famílias e o tecido produtivo em geral (exceptuando os Bancos...), que se aproximam da ruína completa!

Não há termo de comparação possível com os tempos dos PEC's. Esta é que é a VERDADE INCONVENIENTE que se está a omitir no debate político em Portugal.

Inconveniente para o Poder atual, PR incluído, mas também, e muito, para os cúmplices, à Esquerda, da histeria acéfala que derrubou o Sócrates!

Cujo "ataque ao Estado Social" de que falas (mas que eu, sinceramente, não vejo...) será assim como a mordidela de uma melga, comparado com a dentada de crocodilo que agora está a levar por parte dos seus cruéis liquidatários, a mando da insana "troika"...

Conde de Oeiras e Mq de Pombal disse...


E o maior problema é que, quando forem travados, como dizes, pode já ser tarde demais.