07 junho 2012

"chegou a vez do ouro"

"Onde é que já vi isto?", perguntei eu ao meu marido, ao pequeno-almoço (sim, eu começo a carburar bastante cedo), "onde é que já vi uma cena em que alguém atira por desporto sobre pessoas que passam à sua frente?"
Estava a falar do episódio contado pelo filho dos nossos amigos, que não foi de Belém a Jericó porque lhe disseram que havia colonos israelitas que disparavam contra carros de palestinianos que passavam nessa estrada. Estava a pensar no Amon Göth, de espingarda na mão à varanda da sua residência em Auschwitz.

Com o choque, o Joachim até acordou. Ele é alemão, e começou a frequentar a escola na altura em que a Alemanha se viu obrigada, por força das interpelações dos seus jovens, a encarar sem rodeios a sua História ainda recente. Tinha seis anos quando Willy Brandt se ajoelhou no gueto de Varsóvia.
"Não é boa ideia estabelecer esse tipo de comparações, porque corres o risco de desvalorizar o Horror que foi o nazismo, e particularmente o plano frio, racional e industrial de exterminação de um povo".

Na Alemanha há um décimo primeiro mandamento, e é este:
Não invocarás o tenebroso nome do Horror em vão.

Pensei um pouco mais: não sei se havia realmente gente a disparar contra carros, ou se era boato. Não sei se eram "colonos israelitas", ou um louco solitário. Já o Amon Göth era louco, mas não solitário. Inscrevia-se num regime em que esse tipo de loucura e perversão estava institucionalizado.
A minha comparação era péssima - sem dúvida.

Vem isto a propósito de comentários que tenho ouvido em Portugal: frases como "à terceira é de vez: a Alemanha finalmente conseguiu o que tem vindo a tentar nos últimos cem anos - e desta vez sem guerra", e mais recentemente este texto do Manuel António Pina.
O que se passa em Portugal, se até a pessoas do excelente gabarito do Manuel António Pina acontece tal percalço de argumentação?



Por partes:


1. Neste site há uma síntese dos argumentos actualmente apontados por políticos alemães (de todos os partidos) para se oporem aos eurobonds. Visto deste lado, não se trata de a Alemanha dominar a Europa, mas de não se tornar refém dela.
Se hoje houvesse um referendo na Alemanha, acredito que muitos escolheriam sair do euro, e prefeririam passar mal mas saber que são senhores do seu destino, a passar mal por serem avalistas de dívidas cuja evolução desconhecem e não controlam. O povo alemão teme que os seus políticos assumam compromissos cujas consequências não têm como controlar, e que serão pagas pelos contribuintes. Em contrapartida, os políticos tentam convencer o povo de que a Alemanha tem muito a perder se o euro implodir, e sobretudo que tem uma responsabilidade histórica que não lhe permite virar as costas aos outros e tratar de si.
Por se recusarem a perder a sua própria soberania ao assinar acordos em que o orçamento do Estado alemão fica refém das políticas de endividamento dos outros países (que não querem abrir mão da sua soberania), os alemães são rotulados de imperialistas, ladrões, oportunistas, calculistas, nazis.


2. "Pacto de redenção"
Na Alemanha todos os anos se faz uma lista para escolher a palavra e a não-palavra do ano. Em 2011, a não-palavra foi Döner-Morde (assassínios dos döner). Essa expressão foi usada para para falar de um bando de neonazis que andava a matar turcos proprietários de restaurantes de döner kebap, e as críticas não tardaram: é inadmissível falar com tanta leveza de algo tão grave e tão traumatizante (quer para os turcos que vivem na Alemanha, quer para os alemães), e associar uma minoria a um elemento da sua gastronomia - especialmente inaceitável se designa um crime motivado por xenofobia.
Se a expressão "pacto de redenção" fosse usada na Alemanha, seria a grande candidata a não-palavra de 2012. Mas não há o menor risco de algum político ou economista alemão se lembrar de dar tal nome a uma proposta de solução da crise do euro, porque eles sabem bem como é inaceitável usar palavras que humilham os outros países.
(Sim, eu sei: este é o momento em que me vão lembrar o "fazer os trabalhos de casa", "pôr a bandeira a meia haste", "produtividade dos países do sul". Já falei aqui várias vezes das críticas que na Alemanha chovem sobre a Angela Merkel quando ela comete um discurso populista, e já chamei várias vezes a atenção para a necessidade de tentarem entender o contexto e o sentido das frases, em vez de as podarem da maneira que dá mais jeito para usar como bandeira que confirma os tais tiques arrogantes e imperialistas dos alemães.)

Debalde tentei encontrar o tal "pacto de redenção" em alemão. Só encontro "Tilgungspakt". Tilgung é a palavra usada nos créditos bancários para designar a amortização da dívida. Como terá sido possível passar da "amortização" alemã para a "redenção" portuguesa? Para responder a esta questão, o melhor é procurar o culpado entre os suspeitos habituais: se não forem os jornalistas, são os tradutores. Provavelmente passou-se isto: Tilgung foi traduzido para "debt redemption" em inglês, e abreviado para "redemption": European Redemption Pact. "Redemption", em inglês, tanto pode significar "redenção" como "amortização", mas o tradutor de português deve ter faltado às aulas de inglês comercial e financeiro para ir à missinha, e traduziu como lhe ocorreu sem pensar muito.

Por saber como os políticos alemães são cuidadosos com as palavras que escolhem, mais me afligiu a leitura do texto do Manuel António Pina. Bem sei que na origem do erro está uma tradução de péssima qualidade (e pergunto se será apenas grave incompetência, ou se é também um caso de má-fé e preconceito xenófobo), mas não havia necessidade de esticar ainda mais a ideia, passando da "redenção" para a "bula" (pagar o pecado com ouro), com uma pequena incursão ao lado mais negro da História alemã - como se o pior da sua História estivesse para sempre inscrito nos genes dos alemães. Não apenas o III Reich, também a cobiça imperialista, a fome insaciável dos bens alheios.

3. "As duas faces da Alemanha: a luminosa e a monstruosa"
Estamos a falar das faces da História alemã, ou estamos a falar da face do povo alemão? O que aconteceu no III Reich foi um terrível momento histórico, ou é uma doença hereditária dos alemães, que se manifesta em surtos periódicos?

A expressão "Pacto de Redenção" é repugnante. Mas, mesmo que tivesse sido forjada na Alemanha, ainda estaria a anos-luz de "Shoah", "Endlösung", "Vernichtungslager", Auschwitz, Treblinka, Buchenwald e outras - "não invocarás o tenebroso nome do Horror em vão".
Para além das palavras usadas, importa ver o conteúdo: esta proposta de resolução do problema das dívidas dos Estados, consubstanciada num Pacto de Amortização da Dívida, não é sintoma da política de "pilhagem financeira" nem de "olhos frios e cobiçosos". É apenas um mecanismo que todos conhecemos: se eu assumo o pagamento das dívidas livremente contraídas por um terceiro, posso exigir dele a entrega de uma garantia de cumprimento.
Podem dizer que no contexto actual da Europa isto é sinal de tacanhice, falta de visão política e económica, egoísmo nacional, falta de solidariedade, o que quiserem - mas não é sintoma de um plano alemão de dominar a Europa, nem há motivo para ir buscar o fantasma do período nazi da Alemanha. 


4. De todos os países envolvidos em derivas totalitárias, a Alemanha foi aquele que mais longe foi no esforço de se confrontar com a sua História, aprender com ela, e empenhar-se de forma extremamente activa, atenta e responsável para sufocar as próprias sementes dessa ideologia.
É chocante e frustrante ver que esse esforço - admirável e sem igual - é simplesmente ignorado, e que nos outros países há pessoas que criticam a Alemanha (ou os alemães?) como se o nazismo fosse um dado adquirido do carácter e do destino desta sociedade - como se lhes corresse naturalmente nas veias. Curiosa ironia: os que assim acorrentam a Alemanha a momentos do seu passado fazem-nos muitas vezes usando mecanismos da própria ideologia nazi. 

5. Em vez de haver abertura para entender a perspectiva do lado oponente (que nem oponente é - estamos no mesmo barco, só não encontrámos ainda uma solução menos má para todos), ataca-se a Alemanha. E nem se hesita em recorrer a golpes muito baixos (III Reich! Auschwitz! "Os alemães nunca nos enganaram, eles são assim, não têm emenda!") para o jogo de má-consciência e chantagem ideológica.

Em suma: a Alemanha ainda não disse que sim, que os seus contribuintes de bom grado assumem a responsabilidade do pagamento da dívida feita pelos outros países. Também tem sido bastante arrogante no modo como impõe aos outros países a realização de reformas, a revisão das leis fiscais e o combate da fuga aos impostos, bem como a luta contra a corrupção e a fuga de capitais. Recusa-se a obedecer às expectativas dos seus parceiros, e ainda tem o desplante de impor que, antes de se tornar avalista dos créditos soberanos alheios, lhe seja dada uma garantia material para o caso do não cumprimento. Perante tal comportamento, claro que é da maior pertinência lembrar a face monstruosa da Alemanha e invocar o pior da sua História - ou até incluir o pacto de amortização da dívida na categoria do Holocausto. Faz todo o sentido.

***

Custou-me muito escrever este post a propósito daquela crónica do Manuel António Pina, e de frases de outras pessoas que também estimo muito. Mas tinha de o fazer - justamente por serem pessoas que muito considero, e de quem não esperava este tipo de argumentação, não podia ficar em silêncio.
Também reconheço que chamar "pacto de redenção" a um acordo entre países europeus é um absurdo e uma provocação chocante, e bem sei como é difícil ter tempo para pesquisar e para acertar sempre e brilhantemente, quando o ritmo das crónicas é diário.
Apesar de ter tido muito mais tempo para pensar o que escrevia, sei que muitos dos meus leitores vão ter opinião diversa. Venham elas - a falar uns com os outros, de boa-fé, é que a gente se entende e avança!

12 comentários:

camalees disse...

Assino por baixo. Excelente texto.

Helena disse...

:)

jcd disse...

Obrigada pelo texto interessante e que obriga a pensar.
Joana

jj.amarante disse...

O seu texto está bem e são frágeis essas conjecturas que vão aparecendo dum plano alemão para dominar a Europa.

De vez em quando penso contudo que os alemães podem ser perigosos porque pensam muito sobre o que está bem e o que está mal, o que se deve e o que não se deve fazer e, dado que pensaram tanto, quando chegam a uma conclusão dedicam-se à acção que concluíram ser desejável com grande determinação e eficácia. Normalmente a coisa corre bem mas quando se enganam no objectivo ou mesmo apenas na dose apropriada, podem contribuir para o aparecimento de grandes problemas. Tenho aliás sensações parecidas em relação aos americanos, sinto-me sempre algo intimidado com a diligência dos agentes de segurança deles nos aeroportos.

Já com os Portugueses estamos relativamente protegidos deste género de perigos, o nosso problema é mais de outro tipo, de ter dificuldade em concluir o que quer que seja, quer a igreja de Santa Engrácia, quer quem foi que desviou uns milhares de milhões de euros no BPN, quer outra coisa qualquer. Constato agora mesmo que esta minha conjectura tem as suas fragilidades, pois conseguimos concluir muitas auto-estradas nos últimos tempos mas essa é a excepção que confirma a regra e terá sido uma compensação da existência de décadas de grande carência. Regra geral, quando alguém se propõe fazer qualquer coisa o resto do país diz que é um grande disparate.

Neste caso da dívida, a Alemanha teve pouca contenção na concessão de empréstimos a países com tendência histórica e bem conhecida para gastar com largueza, designadamente a Portugal que sendo tendencialmente católico tenta evitar o mais possível qualquer queda no pecado da avareza. Esse dinheiro que emprestaram a Portugal, principalmente os Espanhóis mas também muito os Alemães (http://www.bbc.co.uk/news/business-15748696) serviram para as famílias Portuguesas comprarem o nosso território (o custo do terreno é a maior parte do custo das casas, o custo da construção não aumenta por aí além) bastante mais caro do que se não existissem empréstimos tão baratos. E serviram também para financiar as exportações dos produtos espanhóis, alemães e de outros países que nos emprestaram dinheiro.

Oa alegados mercados, dado o seu funcionamento caótico e pouco transparente, têm dificuldade em fornecer sinais económicos atempados para evitar que regiões da dimensão de países se endividem excessivamente. Continuo sem me conformar com a evolução brusca da notação da República Portuguesa entre Dez/2010 e Mar/2011, conforme referi aqui (http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2011/04/as-agencias-de-rating-nao-sao-mao.html). O meu narcisismo leva-me também a recomendar a leitura deste outro post (http://imagenscomtexto.blogspot.pt/2011/07/os-copistas-ou-os-seguidores-das.html) que terminou por já ir longo. É o que vai acontecer a este longo comentário que por esse mesmo motivo termina aqui.

jj.amarante disse...

É bom não ter que provar que não se é um robot.

Helena disse...

jj.amarante,

"Portugal que sendo tendencialmente católico tenta evitar o mais possível qualquer queda no pecado da avareza"
hehehehe

Tudo isto tem pano para mangas. De facto, no meu post só queria esclarecer duas coisas:
- invocar o Holocausto a propósito disto é mais que uma aberração, é alimentar um sentimento contra os alemães (acho que se chama xenofobia)
- os alemães têm motivos para temer os eurobonds. Gostava que os portugueses percebessem também a perspectiva dos outros.

Paulo disse...

Obrigado, Helena.
Andei uns dias afastado do mundo da informação e agora, em chegando aqui, deparei com isto. É grave o que fez o "i", e é triste ver o Pina deixar-se enredar nessa teia até à ponta dos cabelos.

Helena disse...

Paulo,
e o resto das notícias, sabes?
A Alemanha ganhou a Portugal, mas mais incrível ainda é que a Dinamarca ganhou à Holanda.
Eu a morrer de medo da Holanda, e vai a Dinamarca e zimbas. É que ainda agora não consigo acreditar. Também não consigo acreditar como é que a bola esteve tantas vezes tão perto de ser golo de Portugal, e nunca foi lá - se eu fosse à selecção portuguesa, ia ver se estava enfeitiçada. É que parecia mesmo!
Isto é o mundo de cabeça para baixo - parece que já chegámos à Austrália!

Consta que por aqui se sente alívio devido ao pedido de ajuda financeira da Espanha. Mas ainda não tive tempo de ir ler porque é que isso é um alívio.

Paulo disse...

O resto das notícias sei, sim.

Alívio? Penso que porque se a Espanha não pedisse ajuda entraria numa espiral que levaria tudo para o buraco negro. Se calhar, não sei...

A. Castanho disse...

Não sei de onde possa vir essa admiração pelos escritos do Pina. Não há um único em que não aflore essa autêntica obsessão maníaca do homem pelo nazismo, o anti-semitismo, o militarismo alemão, o imperialismo prussiano e não sei quantos outros traumas oriundos de uma exagerada catequese marxista.




Mas é um facto que a propaganda "oficial" da Esquerda em Portugal de deleita e rebola a sacudir as culpas da situação atual para cima do Sócrates e da Merkel, à vez, e que tudo isso é tão mesquinho, tão deprimente e tão confrangedor, que sinceramente duvido já que valha a pena perder um segundo que seja a tentar ajudar o português médio, mediano e módico a saír dessa ignorância atávica, que o leva a suportar com estoicismo e resignação não só a malvadez dos poderosos sem escrúpulos, como sobretudo a tirania vesga das supostas élites intelectuais: António Barreto, Vasco Graça Moura, António Lobo Antunes, Manuel António Pina, Vasco Pulido Valente, Manuel Maria Carrilho e tantas outras "sumidades" (isto já para não falar dos bandos insuportáveis de papagaios economistas), por favor, calem-se e desintoxiquem este pobre Povo das vossas frustrações e insuficiências.


Olhem, deixem-no ao menos ter tempo para regressar aos Clássicos, ou mesmo aos Modernos, como Jorge de Sena. Fechem as matracas e deixem-nos ao menos o ouro puro do SILÊNCIO: a maior de todas as riquezas que podemos neste momento triste almejar em Portugal.

Helena disse...

Eh. lá, ó A. Castanho, o que é que vai por aí?

Sou capaz de te dar dezenas de textos do Pina que não tocam nesses temas.
E olha que o nazismo e o anti-semitismo são traumas que podem perfeitamente existir à margem de qualquer catequese marxista.
Eu, por exemplo: às vezes pergunto-me de onde vem o meu interesse por este período negro da história humana. E garanto-te que não tem nada a ver com cartilha marxista - é mais uma preocupação de entender para estar alerta, para que não se repita.

Há muito que o modo como se fala da Merkel em Portugal me irrita imenso. A começar pelo machismo encapotado no modo como a criticam. O nível da discussão é baixíssimo, mas há um fundo de razão nas críticas que lhe fazem. A Merkel está a exigir do povo português (perante uma inadmissível demissão do governo português, diga-se de passagem) sacrifícios com os quais o povo alemão não concordaria nunca. Passo a vida a falar disso, até parece obsessão, mas quando conto aos alemães que o Estado português cortou os abonos de família para poupar dinheiro, eles não acreditam.
O governo português teria tido alguma margem de manobra para proteger os mais frágeis, impondo para estes a mesma protecção que é considerada standard na Alemanha (falei disso no post "fazer os trabalhos de casa"). Mas não o fez.

Quanto à sugestão de fechar as matracas, lá está: a falar é que a gente se entende. Não diria para se calarem, porque todos gostamos de falar e de contribuir para o debate público. Pediria apenas que cuidassem de fazer mais uso da inteligência, e de servir o país em vez de interesses particulares.
Mas já não estou a falar do Manuel António Pina, que às vezes se distrai um bocado mas me parece ser uma pessoa séria e sobretudo sem "private agenda" - para além da da sua consciência.
Aliás: o MAP meteu uma vez muita água numa crónica sobre a Igreja católica, e na crónica seguinte esclareceu o erro de tradução que o tinha levado a um mau julgamento, e pediu desculpa. Uma atitude que raramente se vê nos jornais, e que fez com que o admirasse mais ainda.

E depois, como não admirar uma pessoa que, para explicar uma morte, escreve "alguém o chamou por outro nome"?

Ele tem versos que vão ao âmago dos mistérios, sendo frases de uma simplicidade desarmante.

A. Castanho disse...

Não duvido, mas irrita-me ler um texto político dele, até estar a concordar na generalidade e, quando menos se espera e quase sempre a despropósito, pimba, lá vêm de escantilhão o "Bunker", o "Panzer", o Himmler, o "III Reich" e toda a parafrenália típica dos livrinhos do Major Alvega... E o problema não é não haver muitos textos dele isentos desta pecha, mas a pecha em si, que contamina demasiados textos dele! Seja por causa de alguma catequese, seja lá pelo que for, isso é o que menos me incomoda...


E claro que me irritam sempre quaisquer referências injustas seja a que cultura ou povo for, não só quando as vítimas são alemãs. Mas em Portugal, sobretudo no pensamento "mainstream" da dita Esquerda, agora é de bom tom malhar em tudo o que seja alemão. Assim como é de bom tom na Direita, ou melhor, entre a "gente séria", malhar em tudo o que soe a Francês. Não gosto, pronto...