05 março 2012

Eric Whitacre

Reincidi, como previa. E saí do concerto de ontem ainda mais encantada que do ensaio geral.
(Esta descoberta surpreendente até me lembra o que dizia um dos músicos da Filarmónica: nós somos conhecidos pelos nossos concertos, não pelos nossos ensaios...)


No bar dos artistas encontrei uma velha conhecida, com o seu filho. "Sabes quem é esta senhora?", perguntou ela ao rapaz. Eu atalhei: "aquela que em Abril do ano passado andou a pedir a meia Berlim uma partitura do When I'm Sixty Four para quatro vozes", e ele riu-se (pois, era uma das vítimas) mas a mãe corrigiu: "A que recebeu oito pessoas em casa, para o encontro de Taizé".
A fama que uma pessoa ganha! As empregadas da cantina do trabalho do Joachim chamam-lhe "pai do albergue" (e aviam-lhe o prato um bocadinho melhor que aos outros), e agora eu, na Filarmonia...

Como de costume no fim de um concerto, o bar estava cheio de gente com os olhos muito brilhantes. O maestro andava de um lado para o outro, dava e recebia palmadinhas nas costas. Anotem este nome: Peter Dijkstra. Não percam um concerto dele, se passar na vossa cidade.

Sentámo-nos com uma das cantoras a passar o concerto em revista, e de qual gostaste mais? ah, isso é que é difícil de dizer! e o Peter Dijkstra devia ter ficado em Berlim, mas ofereceram-lhe condições tão vantajosas em Munique... é pena, é pena. eu gostei imenso do Eric Whitacre, ah, sim, com certeza. esse é o dos coros na internet, lembram-se?

Lembrava, claro, mas não tinha ligado o nome. Em casa fui ver. É este:




O programa do concerto diz que há muito passou de segredo de insiders para ícone da música contemporânea, que é actualmente o guru da música para coros:
"A sua música, que faz passagens tão ousadas quanto conseguidas entre exigência e prazer, entre arte e divertimento, vicia as pessoas". (...) A receita: técnica afinada, sons fáceis, uma opulência de harmonias que, apesar de permanecer próxima da tonalidade, não teme golpes dissonantes e sons de cluster, sem nunca assustar realmente, vivendo de um instinto bem ao gosto hollywoodiano para efeitos associativos e altamente emocionais, para conflitos e happy endings.
As minhas influências mais importantes são Debussy, Ravel, Poulenc, e vários outros compositores franceses, mas também John Adams e Arvo Pärt. E Björk ou Radiohead - informa Whitacre, sentando-se assim entre todas as cadeiras, ou seja, no local exacto dos Crossovers."

Encontrei neste site um vídeo encantador. Também fiquei a saber que vem a Berlim dirigir um dos melhores coros da cidade, em meados de Abril. Esta cidade é um stress: estou a ver que tenho de regressar das férias da Páscoa mais cedo, para poder ir ao concerto. Aliás, é sempre assim: de cada vez que saio por uns dias, acontece cá alguma coisa imperdível.

Adenda (obrigada, sem-se-ver):

4 comentários:

sem-se-ver disse...

http://www.ted.com/talks/lang/en/eric_whitacre_a_virtual_choir_2_000_voices_strong.html

:)

Helena disse...

AS coisas que tu descobres!
Vou passar o filme no post, acho que é uma bela adenda.

sem-se-ver disse...

não fui eu que encontrei (o seu a seu dono!)

a história foi:

puseste lá abaixo um tube dele; eu arrepiei e disse que ia levar; levei; o meu querido comentador fj ficou arrebatado; foi la no dia seguinte agradecer de novo - também a ti; fez post no blog dele; que tinha esta 'talk', num tube; eu avisei-o que, se é talk, nada como ir à fonte, que tem a traduçao em várias línguas. e pimba, vim cá deixar, ainda mais por teres feito novo post sobre o senhor :)

(meu querido fj é
http://mercadoengenheirosilva.blogspot.com/ aconselho!)

Helena disse...

Já lá vou, já lá vou!
:-)