13 dezembro 2011

a gaffe nossa de cada dia nos dai hoje...

Tinha dois bilhetes para o concerto da Filarmonia de ontem. Como o Joachim não podia ir, tive de arranjar outra pessoa, e desta vez calhou de ser um grande músico cá da praça. Ao vê-lo um pouco atrapalhado com os vestiários da casa, perguntei-lhe - algo incrédula, diga-se de passagem - se nunca tinha estado na Filarmonia. Ele parou um bocadinho para pensar, e respondeu: a primeira vez que toquei aqui foi há trinta anos. E o primeiro concerto deste milénio, aqui, também foi dado por mim.

Gulp.

Ontem começou uma série nova de música de outras culturas. A série do ano passado chamava-se "Alla turca", a deste ano é "Unterwegs" (a caminho), e começou com música dos nómadas. O apresentador, Roger Willemsen, pessoa famosa da televisão, dos jornais e da literatura, falava-nos dos grupos e das condições em que vivem, e alegrava-se porque a sala em que estávamos tinha a forma de uma tenda, muito apropriada para música nómada.

O primeiro grupo era do Mali: Tamikrest. Aquilo seria música de tenda? Mais parecia de garagem. Afinada, esforçada, sim, mas um pouco aquém das minhas expectativas. (Claro que já sei como é que estas coisas acabam: daqui a uns anos estão a dar concertos caríssimos e superlotados na Europa, e eu virei aqui bater com a cabeça no que acabei de escrever...)

Quando já começava a puxar da carteira para devolver o preço do bilhete à minha vítima, veio o segundo grupo, e salvou-nos a noite. Excepcional: Huun-Huur-Tu, um grupo mongol de Tuva, com instrumentos e canções tradicionais. O canto gutural, a integração de sons da natureza nas melodias e, mais que tudo, a capacidade de uma pessoa sózinha executar simultaneamente várias vozes: deixaram-me completamente rendida. Podia ter ficado lá a noite toda a ouvi-los.

Começaram com esta peça, parece que traduzido se chama "o arroto mais longo do mundo", e não se pode cantar à mesa...




Quando, alguns minutos mais tarde, um deles começou a cantar a solo, eu esfreguei olhos e orelhas, para ter a certeza que os outros não estavam a ajudar. Não, penso que não. Era mesmo ele sozinho:



Depois do concerto fomos ao bar dos artistas beber uma cerveja, e encontrámos lá o Roger Willemsen sozinho a uma mesa. Sorriu de tal maneira que me pareceu que até ficaria agradecido se nos sentássemos com ele. Sorri-lhe de volta e sentei-me um pouco mais longe, porque não tinha tido tempo de ler tudo o que dizia sobre ele no programa, e estava sem vontade de fazer mais gaffes. Uma por noite chega e sobra.

2 comentários:

Paulo disse...

Ups...

(No Ao Largo do Verão passado ouvimos estes, que são muito parecidos. A técnica é impressionante.)

Helena disse...

pois...

Esses também são muito bons. Sortudos: tiveram isso de graça! Eu andava lá com os meus bilhetes dos bancos de pau, a tentar a sorte nas cadeiras melhor, nem queiras saber o fiasco.