18 novembro 2011

zumba, ou: estamos tramados

O professor fenício deixou crescer barba e cabelo. Aquele nariz, aqueles caracóis densos, aquela beleza: afinal é assírio. Adoro os antigos.

Fico sempre ao fundo da sala - a uma distância de segurança do professor, para não ver a decepção no seu olhar, a uma distância de segurança do espelho, para não ver a decepção no meu olhar, e a uma distância confortável das fãs de roda dele, pelo sim pelo não.

Pela testa escorrem-me gostas de suor, que não me impedem de observar as outras: a leveza e a graça tropical da brasileira que consegue rodar as ancas como trilo contínuo entre os passos da dança, o calor maduro da peruana que sorri à música e ao professor, a agilidade felina da chinesa.
Ai! a chinesa: um corpo esculpido em borracha compacta, largado em movimentos elásticos de perfeita concentração. Onde o professor atira uma perna, ela atira também os braços e a cabeça perfeitamente controlados e soltos (isso mesmo: perfeitamente controlados e soltos!), onde o professor dá um passo ela salta ligeira e poderosa. E ri, feliz - como se aquele can-can enlouquecido fosse uma festa de alegria, como se estivesse a gostar mesmo. Descubro com espanto que ela gosta de ultrapassar todos os limites, experimenta um profundo prazer ao obrigar o corpo a responder de forma exacta e elegante à sua mente concentrada. Um prodígio.

E eu, e as outras europeias no fundo da sala: a suar as estopinhas já contentes se conseguimos acertar a sequência mambo/cha-cha-cha. Eu aliviada se o nosso Miguel colombiano não se ri da cumbia que ensaio em casa: olho para aquela chinesa superlativamente perfeita e controlada, tento imitá-la, e concluo que nós, os europeus, estamos tramados.

5 comentários:

Carla R. disse...

Estou a rir à gargalhada. Segunda-feira começo com a Zumba também, e tu és 50% responsável. Espero que me safe com as influências africanas que rondaram os meus genes em tempos idos. Depois envio-te o video do youtube. Mentira não envio nada.
Da última vez que fui ao ballet, por acaso, também me pareceu que a rapariga asiática era muito melhor que as outras, mas não disse nada a ninguém, que não quero passar por racista. E se a culpa for da educação ou do modo de vida ? Tenho um grave problema com a genética, está visto.

Carla R. disse...

Ah, e se no final começar a gostar de Shakira nunca mais aqui venho.

Helena disse...

Envia o vídeo, vá, não sejas assim... (agora me lembro de novo que também te estou a dever uma coisa - pois olha que não é tarde nem é cedo)
Penso que isto terá a ver com alguma disciplina, e também com questões culturais (bem, isso vai junto). E não será genético - para entrarmos por essa via, precisávamos de uma amostra maior.

Ainda havemos de balançar a anca juntas ao som de waka waka (hihihi)

Carla R. disse...

E ouvi dizer que fazes ou fizeste anos, muitos parabéns Helena pela tua cinturinha de vespa !!

Helena disse...

obri hahaha ga hahahaha da hahahahahahahahahaha

:-)