25 outubro 2011

pobre Europa



Uma troca de sorrisos que daria matéria para vários estudos sobre o que está a acontecer à nossa Europa.

Bem sei que sorrir é humano, e que o Berlusconi anda há anos a moer a paciência a todos, mas custa-me assistir a esta degradação das relações entre os políticos europeus.

(Por outro lado, diziam ontem no noticiário alemão, estes sorrisos acordaram a Itália: o governo começou finalmente a trabalhar a sério na resolução do problema do seu défice gigantesco - tão grande, que deixa os da Grécia e de Portugal parecerem uma brincadeira de crianças.)

4 comentários:

Goldfish disse...

Para mim os sorrisos fazem com que a resposta de Sarkozy, por muito confiante e educada (admito a ferrugem do meu francês, mas acho que percebi a maior parte), não seja mais do que a resposta do protocolo, aquilo que temos de dizer, independentemente do que pensamos. É a degradação de relações, sem dúvida.

Anónimo disse...

A Europa não é um estado, mas uma confederação de estados diferentes, comunidades politicas diferentes, democracias diferentes onde quase tudo é diferente. Não há um povo europeu,nem uma comunidade política, nem uma democracia europeia. Nem sequer uma "identidade política" europeia. Ainda por cima de 27 estados. Todas as tentativas de centralização da Europa falharam ao longo da história e esta se não for paciente e forjar ao longo de gerações, o que não pode ser feito em duas décadas, falhará. O voluntarismo político e o construtivismo utópico não vão resultar.
Antes do advento da democracia teriamos um estado centralizador a ditar a sua lei e a unificar a Europa, assim não é possível. Lembremo-nos de que a união política americana se manteve por meio de uma guerra civil, para cuja irrrupção as diferenças de modelo económico e as questões monetárias associadas foram decisivas. Sem a vitória do norte sobre o Sul não existiria uma uniao política e monetária. Nunca uma união monetária sobreviveu seum um centro que lhe dê unidade. Não foi o dólar que fez a América, foi a América que fez o dólar.
A mim parece-me insana a ideia de unidade europeia antes de tempo. E o seu tempo ainda não chegou. Os dirigentes em 1992 tiveram pouca visão, ao contrário do que se diz hoje.
Alguém me explica o monumental fracasso do referendo sobre a constituição europeia? Teria sido derrotada em todos os estados. Logo os povos europeus não querem um estado centralizador europeu. Esse foi o momento em que se cristalizou o esvaziamento que a ideia de um estado europeu sofria desde 10 anos antes. Sejamos modestos nos propósitos e talvez um dia tenhamos uma Europa política desejada pelos cidadãos.


Pedro

Helena disse...

Acabei de saber que o Ferreira Fernandes falou disto. E parece que estamos de acordo:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2077372

Eu só não estou de acordo com aquela história do ursinho. Já achei uma estupidez um jornal fazer disso notícia, e chateia-me que as pessoas agora estiquem esse pano que não devia dar nem para um lencinho, quanto mais para mangas.
Não há nada mais normal que oferecer um ursinho a um recém-nascido. Aquela criança deve ter recebido uns 50.000 até esta data. Daqui a nada começam a noticiar que o Sarkozy perguntou à Merkel se em Berlim estava a chover, e ela respondeu "hoje, não"?...

Helena disse...

Pedro,
é, parece-me que houve aqui alguns passos precipitados, que fez com que a ideia da Europa perdesse o pé.
Já ouvi dizer que é preciso darmos um passo atrás (acabar com este euro) para podermos recomeçar com passos mais firmes.
Mas não é só o euro, é toda a ideia de democracia europeia.