23 outubro 2011

die Gorillas - teatro de improviso




A minha vizinha perguntou se queríamos ir a um teatro de improviso em Kreuzberg, e eu: que é isso? e ela: o público chega, diz o que quer ver, e eles inventam na hora e fazem. Sim, claro que vamos!

Duas horas fantásticas, foi o que foi. O público pedia, eles manipulavam um bocadinho
(o momento mais evidente foi este: que tema querem agora? universo! e dentro do universo, o quê? buracos negros! frigoríficos! o universo que nos rodeia... algo que está sempre à nossa volta... anjos? Sim, vamos fazer uma peça com anjos no universo)
representavam, e o público no fim gritava pepino (fraquinho) ou banana (bom).
"Pepino ou banana" - Gurke oder Banane - é o nome do show.

Tiveram momentos fantásticos: a peça em que uma mulher andava a recolher garrafas de vidro para vender, um homem que fazia inquéritos metia conversa com ela, e era o público que gritava o que queria ver no passo seguinte (zanga! sentimento de culpa! amor! prazer sexual! asco! desprezo! compaixão!).
Ou as canções criadas na hora segundo o mote dado pelo público (de que há um exemplo no filme que se segue).
Ou a peça em que não podiam dizer a letra m. Maravilha! (Ooops, já perdi)
E ainda uma improvisação a partir de um objecto entregue pelo público, um anel, que os levou para o Japão dos shogun, mãe e filha a discutir o valor simbólico daquele anel de gueixa, com uma variação hilariante: o actor que estava a imaginar a peça e a dar indicações sobre a sua evolução decidiu que sempre que batesse as palmas elas passavam de alemão para japonês e vice-versa - era de morrer a rir quando elas retomavam a frase em alemão, sem qualquer pausa a seguir à melopeia japonesa.

Tudo isto acompanhado por música improvisada na hora, segundo as necessidades do momento.

Morrer a rir: isso mesmo. A sala rebentava de riso, olhávamos uns para os outros e ríamos gargalhadas com o corpo todo, numa intensa cumplicidade. À nossa frente, no palco, um bocadinho dessa Berlim mítica: inteligente, culta, genial, descontraída, com uma enorme presença de espírito, de resposta pronta, muito divertida.

Mais uma vez pensei nos amigos portugueses, e na pena que tenho por não falarem alemão e não poderem saborear coisa tão única. Para os outros, os que entendem alemão, aqui fica um conselho: não percam! Para mais informações, vejam aqui.

5 comentários:

Mery disse...

Muito legal!
A coisa mais difícil é entender alemão.
bjusss

ana disse...

wow! vai já para a lista motivacional das coisas que vou fazer quando aprender alemão (começo para a semana!) :)

Carlos Azevedo disse...

Parece muito interessante, o conceito.

Paulo disse...

Eu quero, eu quero.

Helena disse...

Paulo, tu já lá estás - nem que chova!
(quando vens?)