23 setembro 2011

inédito e nunca visto: um post onde se diz bem de um Banco

Pequeno update no folhetim "Matthias vai para a América": finalmente arranjámos uma escola que faz o favor de, por uma pequena prestação absolutamante exorbitante, nos guardar o rapaz até ao Natal.
(Por acaso pergunto-me isto: se nos EUA o Estado não é obrigado a garantir ensino gratuito a ninguém, e se as boas escolas são pagas a este preço, idem para os serviços médicos, que raio fazem eles aos impostos que o pessoal paga?! Também não são assim tão poucos...)
A I-20 já chegou, e começámos a tratar do visto para ele poder ir. Apesar de ficar menos de 3 meses, tem de o ter. *Suspiro*
O visto, nem queiram saber. Depois de muitas confusões (inclusivamente fazer uma fotografia com formato especial, 5 cm x 5 cm, e pôr "No" em milhentas perguntas do género "tenciona vir para os EUA para preparar um atentado terrorista?" ou "em visitas anteriores, andou metido com prostitutas?" etc. - e eu a dizer que "no" sem me lembrar de perguntar ao meu filho de 14 anos se sim ou se sopas, ainda vou arranjar um sarilho por perjúrio...), descobri que os residentes em Berlim podem acelerar ligeiramente o processo se pagarem o custo do visto directamente num Banco que há aqui. Dispunha-me já a atravessar a cidade para ir onde fosse preciso, quando descobri que praticamente basta atravessar a rua. (Eu hei-de ir ver como estavam as estrelas no dia em que nasci, garanto que hei-de ir ver isso!)
A senhora que me devia atender estava ao telefone, e fez-me sinal para me sentar. Enquanto esperava, deliciei-me com um cão que por lá andava: enorme, lindo, com focinho de bulldogue mas simpático, ar de calmeirão paciente amoroso e atento. Aaaah. Depois o cão foi-se embora,  a senhora desligou o telefone e virou-se para mim:
- Está com um ar tão abatido! O que se passa consigo? Como é que a posso ajudar?
Pois lá lhe expliquei o stress em que andamos, que queríamos mandar o miúdo para os EUA já ontem, e só temos data marcada para ir pedir o visto lá para 5 de Outubro, e que ando a tentar acelerar o processo e por isso ia ali pagar a inscrição para poupar dois dias. E ela explicou-me que provavelmente eu ia pagar uma taxa de 20 euros para fazer isso e não me adianta de nada, porque o pessoal do consulado em Berlim está todo doente e só estão a marcar para a partir do dia 10 de Outubro, e que quando muito eu teria uma hipótese se fosse a Frankfurt. E que, quando souber, em qualquer momento posso ir ter com ela para pagar esse dinheiro, mas também posso fazê-lo pela internet, que só demora dois dias, e tal. A seguir, virou o ecrã do computador para mim, para me explicar onde pagar online a taxa SEVIS, e assim pela mão dela parecia tudo tão fácil.
Depois falámos do cão, que é afinal uma mistura de muitas raças diferentes, neto de cães de combate, quem diria, e eu disse-lhe que havia de dizer aos meus filhos que passem por lá para se deliciarem um bocadinho com o bonacheirão do bicho, e ela disse que sim, eles que venham!, desejámo-nos mutuamente bom fim-de-semana, e eu saí do Banco tão encantada e tão de bem com a vida que o gajo com quem me cruzei ao atravessar a rua deve ter reparado, porque abriu um grande sorriso.

Já disse hoje que adoro viver em Berlim?

14 comentários:

Teresa disse...

Que odisseia!
E como um bicho nos pode alegrar o dia!
À pergunta final eu respondo:

Já! Já nos disseste isso milhentas vezes!

E tu respondes-me como a impagável Susaninha do Quino (a pergunta original era "Já vos disse que quando crescer vou casar e vou ter muitos filhinhos?"):

«Óptimo! Adoro debater o assunto com gente tão bem informada!»

Ou

«Óptimo, está na altura de fazermos uma mesa-redonda!»

Beijinho.

Teresa disse...

Oops. Esqueci-me de clicar na quadrícula para ser notifica dos comentários.

Helena disse...

hehehe...

Ou: óptimo - era só para dizer que ainda não mudei de ideias!
:-)

(ainda me estou a lembrar desse gesto da Susaninha, quando ela puxa a cadeira para a frente, é quase como se ouvisse o próprio som da cadeira a ser arrastada - aquele Quino é genial!)

Helena disse...

E a Odisseia continua: na próxima quinta-feira vamos os dois a Munique (praí uns 700 km para cada lado) tratar de meter lá o pedido do visto. Ou isso, ou esperar mais duas semanas.

Teresa disse...

Precisamente! O arrastar da cadeira e aquele ar regateiro. De genial para cima.

Boa sorte é o que vos desejo, e que consigam resolver tudo com o mínimo de maçadas possível.

Rita Maria disse...

Olha, eu vou segunda a Frankfurt - ajuda de alguma maneira? Mas é feriado, atençao!

Helena disse...

Pois é, geniacima!

Obrigada, obrigada. Cá vamos indo, e já agora verei se há em Munique algum exposição de jeito. Aproveito e...
(também podia ir à festa da cerveja, aposto que as fotos daqueles alegrotes em calções iam fazer furor na escola americana...)

Helena disse...

alguma, claro

Helena disse...

Obrigada, Rita.
Vais lá no dia 3?
Por essa altura estamos nós em Amsterdão, e espero que o problema já esteja mais que resolvidíssimo!

Carlos Azevedo disse...

Lendo o que escreve, também eu começo a adorar Berlim! :-)

Carlos Azevedo disse...

Lendo o que escreve, também eu começo a adorar Berlim! :-)

sem-se-ver disse...

siiiiimmmmmmmmmmm

(tira da susaninha. genial genial genial!)

mdsol disse...

Boa viagem a Munique e que tudo se resolva. :))))

Helena disse...

Obrigada, mdsol. Com certeza que tudo se vai resolver!