23 agosto 2011

uma oportunidade perdida

Pensando na cerimónia de 21.08.2011 em Oslo, em memória das vítimas do terrorista norueguês, e observando a dignidade e a riqueza de conteúdos bem patentes nos três vídeos dos posts anteriores (I, II, III), pergunto-me porque é que isso não passou em directo nas televisões de todos os países da Europa.

Se os canais públicos tiram dias inteiros para passar casamentos reais, e várias horas para funerais de estrelas do show business, porque não lhes ocorreu transmitir esta cerimónia?

Transmitir, e mais: traduzir os discursos, contar a história por trás das músicas escolhidas. Aproveitar o momento para fazer um debate sobre a Europa e a xenofobia, o terrorismo, a defesa da Democracia.

Porque isto não lhes aconteceu a eles, à Noruega, mas a um dos nossos. Porque por estes dias os noruegueses nos têm dado grandes lições de Democracia. E porque estes temas estão no centro dos problemas com que a Europa se debate.

***

Para isto já vamos tarde. Mas que nos sirva de lição: se é para construir uma ideia sólida da Europa, muito para lá das questões financeiras e politiqueiras, é preciso criar nos espaços de informação nacional um palco comum para informação e debate sobre momentos importantes de cada um dos países da UE.

4 comentários:

Rita Maria disse...

É o que eu digo sempre: a RFI...a cobertura foi sempre muito boa, desde o princípio e sem abrandar para acordar só ontem como os jornais e televisoes.

Arrepiei-me tantas e tantas vezes.

Helena disse...

Ai, que estou a ver que tenho mesmo de me converter a esse vício!

António P. disse...

Obrigado, Helena, pelos três posts anteriores.
Quanto às oportunidades perdidas...é que as TV's gostam mais de sangue e de enviar estagiários para fazerem perguntas idiotas nos dias da tragédia do que fazerem programas que nos conduzam à reflexão.
Assim estamos e depois são os primeiros a admirarem-se com a violência terrorista.
Uma boa semana e continue

Helena disse...

António,
o que vi daquela cerimónia mexeu muito comigo. A canção "para os jovens" devia tornar-se hino mundial da juventude (eu não faço as coisas por menos).
Fico muito feliz por também ter gostado (já começava a desconfiar da minha sanidade mental...)

E tenho muita pena por terem perdido esta oportunidade. Porque a cerimónia tinha a capacidade de agarrar todos e de os fazer pensar.